Texto de Arnaldo Jabor sobre Traicao

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Estive ouvindo um cientista
Que falava sobre estudos
E descobertas da ciência
Pensamentos acerca
de nossa humana inteligência
O cara expôs uma lista, disse Muito
da importância disso tudo
Me lembro que falou sobre sinapses
Conexões neuronais
Discorreu sobre as nossas conquistas
E o que aquilo representa pra nós,
Seres pensantes
Como somos agora
E o jeito que éramos antes
Falou muito mais
E quanto mais ele falava
Menos as pessoas
Pareciam ser iguais entre si
Pois eu me ative a algo que ele não falou
Apenas expôs
de forma velada e subjetiva
Algo sobre o qual
Eles não sabem quase nada
E que muito os aparvalha:
A velocidade com a qual
Espalha-se a ignorância
Nossa ausência voluntária de pensamento
Na mais injusta medida
Ali
Cresceu também a ganância
Filha mais bem nutrida
da falta de inteligência
Pois
Parece que diante
da efemeridade dessa vida
O ato de pensar
Deixou de ser importante
A sua desnecessariedade
É muito mais atraente
Porquanto seduz
A muito mais gente que a gente pensa
A coisa que ele não disse
Mas que eu supus
Foi que é bem mais fácil compreender
O Pensamento de gente que pensa
Do que o pensar aparente
Sua falta de luz
Tornando assim
Quase impossível aceitar
A nossa mais que imensa
Festejada arrogância
Travestida de muitas coisas
Ele disse que todo mundo
Possui um cérebro na cabeça
Mas não falou que a ciência não tem
Conhecimento suficiente
Pra explicar
Porque é que tanta gente
Pode pensar e não pensa

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Sobre as Gentes Superiores.

A coisa mais impressionante
Que se pode conhecer na vida
É a inteligência humana
Basta olhar pela janela
E lá se vê caminhando
Aquela alma arguta,
desprendida e astuta
Atenta pra toda malícia
Ciente
da própria inteligência adquirida
Nos livros, nas peças teatrais,
nas viagens, na poesia
...e no seu fácil dia-a-dia
Plenamente senhora
de tanta sabedoria
Que sabe aprender
com quem sabe menos
Ou que pelo menos
Em sua pretensa vivacidade
Essa pobre alma humana
Tem certeza que sabe mais
Conhece toda verdade
E demonstra isso a cada vez que diz
Não existir certeza de nada
Mas ela sempre sabe mais que o padeiro,
que o mecânico, que o vizinho,
sabe mais que seus próprios pais,
que o trouxeram ao mundo,
sabe mais que O próprio Deus
... e por isso tornou-se ateu.
Defensora das coisas corretas
Compromissada com a boa ideologia
Coisas que aprendeu nas conversas
Que teve com outras pessoas inteligentes
Que conheceu numa festa outro dia
Protesta contra todas as guerras
Mas jamais enfrentou batalha
Sabe todas as respostas
E gosta de apontar a direção dos trilhos
Porém .... não deseja ter filhos
E se algum dia teve, não criou
Apesar de não ter medo de nada
É contra qualquer ação violenta
desde que praticada pelos mais fortes
e tem certeza
de estar em favor dos certos
Não foge jamais à morte
de sorte que também não se arrisca
pra não ser preciso vê-la de perto
Sabe falar bem sobre tudo
E fala e fala e fala, contudo
Tenta estar bem com os dois lados
Quando estiver diante de ambos
Pois a lealdade nunca foi coisa importante.
Perante os erros da humanidade
A sua participação foi mínima
A sua autoria ou influência são anônimas
Pois esteve sempre um passo à frente
E a sua mente sempre acima
das gentes comuns e mundanas
A sua presença emana paz
Apesar de jamais ter acendido o fogo,
Perdido no jogo da vida
ou contado uma mentira por maldade
Enganou de boa intenção
pra obter o melhor resultado
Pois a luz e a verdade
Estiveram sempre ao seu lado
E como todo sábio que se preza
Conhece as orações, as ladainhas e as rezas
E se alguma coisa der errado
Se ajoelha, pra que a gente se espelhe nela
E a culpa será sempre sua
E também será minha
Pois a gente não deu atenção
Ás sua sábias elucubrações
E suas verdades de mentirinha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Não sei dizer quase nada
Sobre a beleza da vida
Também não sei falar de tristeza
Cada dor habita um dia
E mesmo que a dor seja dor
Ele sempre evita
Doer além do permitido
Pra que assim ninguém perceba
O corte, a ferida, a quase morte
Que permite transformar a vida
Em quase vida
Não sei dizer nada também
Sobre a beleza de uma quase vida
Também não sei falar de alegria
Cada riso habita um dia
Mas o riso jamais evita
Alegrar além do permitido
Pra que assim a gente perceba
O corte que sara
A dor que cicatriza
A alma que não se vendeu,
Jamais se entrega
E se nega
A prosseguir vivendo a quase vida
Pois sabe o valor que existe
Na simplicidade do dia que corre
O dia é um lugar no tempo
Onde a alma que se diz insatisfeita
Rejeita a alegria pequena
Porque quer sentir-se plena
Quando "plena" é plenamente
Uma palavra sem sentido, que a escraviza
E morre, sem fazer nenhum ruído.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

O debate na mata
Uma espécie
de embate civilizado
Parece conversa
Que versa
Sobre a maneira ingrata
Insensata
E menos estranha
Com que tanto bate
Quem apanha
Termina sempre em empate
O Sapo coacha e me diz
Que burrice não mata
O porco guincha o que acha
Ruge o leão, estridente
O cavalo pensante relincha
A coruja ulula mais que o vento
O Veado enfurecido,
Vocifera, exigindo
O direito de ser comido
O macaco eloquente
Abarrotado de exigência
Pula mais alto que a árvore
Quer falar mais bonito que Deus
Fez-se gente
Inteligente e tão triste
Veio até me dizer
Que Deus não existe
A mim
Resta saber
Dentro e fora da roda
Quem pensar diferente
Não presta
Mas eu posso aplaudir
Enquanto a Floresta incendeia
Sem consenso ou pensamento
Inteligível
Nem tampouco inteligente
Todo mundo vence
Ou se convence que sim
A mim
Me cabe olhar de longe
A formiga que trabalha indiferente
E o Tigre calado
Fingindo de amigo
Pois seu simples olhar,
Me diz tudo
Com o tempo aprendi
Que quando um olhar não diz nada
Toda conversa é perdida
Melhor é fazer-me de mudo.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Senhor, Deus do infinito
Que se faça hoje em minha vida
Tudo aquilo que disseste
Caia sobre mim, Tua Luz Celeste
e tudo mais que Está Escrito
Aquilo que me foi revelado
e tudo mais, que porventura
Ainda me for oculto
Tudo que acho e sempre achei
Muito bonito
Mostra a mim, Meu Pai
Teu Rosto, Tua Verdade, Teu Vulto
Revela a mim Tua Bondade e Teu Amor
Retira a dor do meu caminho
Retira a mim mesmo do caminho dos homens
Me mostra, Meu Pai, como é doce a Tua Companhia
Se, porventura, houver chegado ao fim minha missão
Senão, esclarece-me uma vez mais
Por teu amor e compaixão
Só não me deixe aqui no chão
Vivendo à esmo
Faz então, um cisma em minha vida
Eu sei que o Senhor pode dividí-la
Como bem lhE aprouver
Me mostra o que o Senhor quer
e pretende de mim
Pois muita coisa aqui, chegou ao fim
Portanto
Não me abandona, Senhor
Vivendo de um modo qualquer

Inserida por edsonricardopaiva

Há mais coisas sobre a gente
Que a gente não sabe
Que é melhor nem mesmo pensar
Não é medo de andar de avião
e nem vontade de pisar com o pé no chão
Perdi meu medo de fantasma
Mas às vezes me assusta o marasmo
Me assusta o descaso
Me assusto em ver
Tanta gente que se supervaloriza
Sem que ninguém as avise
Que tanto brilho
Que enxergam em si mesmas
São pelo fato de viver ensimesmadas
Mais nada
O que a gente, às vezes, não percebe
é que não é preciso nada disso
Pois o nosso compromisso
é com algo invisível
E quando a gente
Atinge o grau da simplicidade
Acabou de subir um nível
Não faz mal ter medo de escuro
O mais puro medo que se oculta
é aquele
Que nem mesmo o coração escuta
e a alma refuta
Um medo descabido
Que a cada dia
Tanto mais descabe
Mesmo que a casa caia
Nem mesmo que o Céu desabe
A gente vai morrer sem saber
Muita coisa sobre a gente
Que a gente não sabe.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando eu digo palavras suaves
Ou escrevo alguma coisa sobre amor
Minhas palavras raramente tem retorno
Senão, parecem não surtir nenhum efeito
Muitas vezes vão acompanhadas de gestos
Que ninguém, vê nem repara
Outras vezes por um olhar
Que as pessoas
interpretam de maneira errada
E eu não compreendo
Se essas pessoas são vazias
Ou se eu mesmo não saiba me expressar
Algumas das pessoas, cuja companhia
Eu mais quis...
Se afastaram.
E as que ficaram são aquelas
Que a mim parece que fazem
Um enorme esforço
Em demonstrar o seu desprezo
Mesmo sendo as mesmas que um dia
Tanto fizeram
Pra hoje ter direito
à minha companhia.

Inserida por edsonricardopaiva

Um dia
Estivemos caminhando
Sobre a mesma terra
Que hoje
Nos esconde
deve haver
Em algum lugar
Outras almas
que ainda se lembrem de nós
Mas nós não sabemos
Onde procurar
Pudemos somente
Pedir
Em sonho ao rapaz
Que costuma escrever
Pra muita gente
"Uma vez
Lembra de nós
Com o amor que tem
No coração
diga que há muitos aqui
Precisando um pouco
de oração"
e
Sem saber direito
O que fazer
o moço que sonhou
acordou
e escreveu

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Cortinas
Pendem majestosamente
Por sobre as minhas janelas
Aquelas que de vez em quando se abrem
E que às vezes vedam meu olhar à esmo
A seu bel prazer
Completamente soltas e concretamente absortas
No controle daquilo que nós mesmos
Podemos ou não saber
Acerca da vida da gente
Cortinas que se sobem finas
Pra depois quedar pesadamente
No seguinte instante
Assemelhando-se ao véu da noite
Enluarado Céu
O semblante do outro lado
da Lua
Finalmente é revelado
Escondendo assim os rostos
das pessoas cujos passos
Eu ouço vir lá da rua
Em plena madrugada
Cortinas que se fecham
Pro teatro milenar da vida
Onde a imensa maioria das pessoas
Não diz
e nem quer dizer nada
Quase todas escritas a giz
Mas as flores são sempre aplaudidas
E as dores, eternamente repetidas
Porque sempre existe os que não as entenda
ou cultive a ideia de que sejam lindas
Avermelham-se os horizontes
Em pores-do-Sol sem iguais
Subterfúgio do destino
Inato esconderijo
Oculta o momento exato
Que termina a vida
Seguindo cegamente em direção
Ao momento em que somente
A mão do destino descortina
O tecido muito fino
Carregado de mistérios
Determinada a cumprir
A cada um conforme a própria sina
Assim pendem, sublimes
Por sobre as janelas que escondem
A cada enredo e próximo ato
Apagando luzes aos segredos
Que a muitos arquitetos
Nem chegam a ser assim...
Secretos.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Sobre o Sol que nos encobre
Hoje eu queria saber
Que será que ele sabia
Estarmos nós aqui
Ou será que ele só alumia
Sem sequer imaginar
Sobre a poesia que nos inspira
A luz derramada
Por sobre os nossos dias
Os caminhos da vida
E os desalinhos das trilhas
E, que apesar de tanta luz
Não sabia de nada
Somos nós, tão pequenos
Que apenas nos cabe viver
Sem nunca...jamais conhecer
O tamanho do alcance das suas vistas
É tão estranho
Ver o Sol lá no Céu, todo dia
E não saber
Que será
Que ele brilhava tanto
A buscar companhia
E no entanto
Solidão era só o que sentia.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente era criança
Existia uma lenda
Sobre um pote de ouro escondido
E que nem todo mundo o encontra
Havia um segredo
Eram coisas que se queria
Sem saber bem ao certo o que era
E talvez estivessem por perto
Quando o certo
Era antes responder pra si
Que, se a gente conquistasse
Todo o ouro que existe no mundo
Pra que será que ele servia?
A vida, uma estrada bem larga
Felicidade, uma senda
Enquanto isso
A gente ia sentado
Nas janelas do trem da vida
Pesquisando em mapas e fotografias
E perdia as mais belas paisagens
O tempo apressado, pediu pra passar
E eu deixei
O tesouro não era um pote
Nem bau, nem nada assim
O segredo da vida, é a vida
Que se encontra espalhada
No caminho a ser percorrido
Pra poder ser vivida
Um pouquinho a cada dia
E todo dia ela muda
O tesouro da vida é um sorriso
Um resto de melodia
É saudade que gruda
Então, se é possível sorrir, ainda
Faça isso em cada dificuldade
O pote de ouro da vida
Não era uma lenda
A mentira escondida, era sobre o valor
Das coisas que o dinheiro compra
Há tesouros diferentes
De vida pra vida
E se tornam semelhantes
Na medida em que você percebe
Que os tesouros de maior valor na vida
Vem de graça, na graça da vida
E eles não estão à venda.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Não é o que eu digo sobre mim
Que importa
Porque todo mundo, em algum momento
Sempre vai mentir a respeito de si mesmo
Não é a quantidade de obrigações que eu cumpri
Que vai revelar o meu caráter
Mas a quantidade de coisas boas
Que se faz por querer fazer
Sem se importar se tem alguém olhando
Também não são as coisas que eu escrevo
Não preciso dizer nada sobre a minha vida
Talvez o mais importante
Não seja a gente desejar bom dia
Nem lembrar do aniversário
Tudo isso vai no tempo
E se a gente observar o reflexo da Lua no mar
Percebe que quando a Lua se vai
Não fica nenhuma marca lá, da Lua refletida
E o reflexo do céu, vai ficar logo em seguida
Mas mesmo que estando invisível
Ela ainda influencia nas marés
O importante não é a gente ter a presença marcante
As marcas que deixamos
Não precisam ser vistas e alardeadas
Se é que marcas deixarmos
Essas, tem que ser sentidas
A saudade que deixamos é que faz saber
Da importância que quem tem saudade da gente
Tem também nas nossas vidas
Mesmo quando a gente vai se ver mais tarde
Dizer ao mundo que eu sou uma pessoa boa
Não faz de mim uma pessoa boa
Querer ser, não é ser
É preciso ser.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Fale-me
Sobre alguma coisa que aprendeu
Me ensina a fazer as contas
Me diz o que devo dizer
Me diz alguma coisa sobre a vida
Esse barco que segue vazio
Prosseguindo sob o Sol ou vento frio
...e apenas vai
Me diz o que é que sente
A folha que cai, durante a queda
Por que foi que a gente quis ser gente
Em vez de ter sido uma pedra
Ou, quem sabe, um passarinho
Eu quero aprender sobre a dor que dói mais
da saudade, quando a dor se vai
da verdade, quando é dor que fica
Só não tente ensinar-me o amor
Quando a gente sabe muito pouco sobre a vida
Sabe
Que o amor, esse, quando é de verdade
Não se explica.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente esquece
É que a verdade vem
Talvez eu possa até
Não ter opinião formada
Sobre nada
Isso eu julgo uma conquista
Porque há tanta coisa além do que se vê
Quando a gente não se lembra
As velhas sombras se dissipam
Fica mais fácil de verdade
Enxergar a luz do Sol
Quando é fim de tarde...e a noite cai
Aquela hora à toa
Em que o elo entre a vontade e a fantasia
Flutua ao vento e foge até o dia de hoje
Momento entre o querer... e o que queria
Tem dias em que as horas passam lentas
Contudo, nada muda
É tudo uma questão
De ter ou não ponto de vista
Um lugar pra ir
E vários, onde nunca mais voltar
Quando a luz do fim de tarde clareia a visão
Eu posso, então... e enfim
Dizer aqui, só para mim, a direção
Pra onde cada ponto de luz irradia
Os raios de Sol se cruzam, se vão pro fim do mundo
Eu saio pra ver o Céu, abandono as ilusões
Vem invernos e outonos
Deixando atrás de si a certeza
Que o mundo esta aqui ainda
A visão que cada um, pode ou não, perceber
A imensa maioria nem se importa, ela pode até ser linda
Mas nem todo mundo que a olha, a vê
As horas continuam parecendo passar diferentes
Quando a gente nem se lembra
Nem se quer lembrar data nenhuma
A vida, ela precisa ser vivida
Não adianta perguntar porquê
Um dia depois de outro dia é mais provável
Pois a ordem do tempo é imutável
Pra tristeza ou alegria
No mais, tudo são névoas
Visões pela metade
São coisas que obscurecem
E não há como viver pra sempre assim
Porque a verdade vem sentar na flor lá da janela
Vem quando a gente nem se lembra mais
Qual era mesmo a versão que queria ouvir
Qual era mesmo a verdade
De quem não tem ponto de vista
Mas tinha sempre opinião.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Rabiscando a vida.

Rabiscando
Sobre as linhas retas
Que não posso ver
Vindas lá da luz do céu
Encobrindo o breu, que nos convida
Com palavras que não posso ouvir
Nada é incrível, no entanto
Elas são tão claras
Quanto a cara imprecisa
De sorriso obscuro
Escondida, atrás do muro da vida
Quanto o brilho do ouro, que não tenho
Mas eu sei quanto estão lá
Vou rabiscando em desenhos
Solução pra tantos medos
Quantos enredos mirabolantes
Entretanto, nada inverossímeis
Pois eu sei o quanto estão elas
Sob a luz das velas
Sob o malho de cinzéis
Prontas pra se revelar
Talvez como simples rascunhos
Sob a força dos punhos
e a constãncia da vontade
Essas, em linhas não tão retas
Pois a verdade se curva
Pra se alinhar com o horizonte
Azulado e verdejante
Cujo limite do olhar não alcança
Não alcança de olhar aberto
É preciso um pensar mais longe
Pra poder enxergar
O que esteve tão perto
Mas oculto sob o malho dos cinzéis
Quantos céus e quantos outonos
Verão teus olhares mornos
Teus ouvidos vitrificados
Quantos vasos queimarão teus fornos
Carentes de um olhar mais puro
De enxergar no escuro
Encobertas pelo breu que te convida
A enxergar de forma assim, tão clara
A cara da vida?

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Uma formiguinha
caminhava sobre o piso de cimento
Seguia em linha reta
O local tinha sido varrido
Não havia nada à carregar
Era apenas e tão somente
Um inseto perdido
Num lugar desconhecido
Às vezes
Eu também me sinto assim
Quanto tempo faz
Que tudo foi levado pelo vento
Tanto tempo faz
Que uma seta indicou o caminho
Que a tudo conduzia
Ao inexorável fim
E tentando ser amável
O mundo esqueceu de mim.

Inserida por edsonricardopaiva

Caminhando sob o Sol
Sobre o duro e estéril
Solo infértil da terra salgada
escavei e ali eu achei
Um pote de sementes
Que naquela hora e lugar
infelizmente
Não serviam pra mais nada
Caminhando sob a sombra
de um chão acidentado
da terra alagada
Mergulhei e ali me deparei
Com um pote de ouro
Que naquele momento
Também não serviu-me pra nada
Palmilhando cada centímetro
do chão pisado
de meu coração sem cura
cansado e endurecido
embaixo da dor eu encontrei
um pote de amor, que àquela altura
era tardio, não valia mais nada
Procurando na terra dos sonhos
Onde eu sempre ponho
A esperança que às vezes me resta
No final de mais um dia de tortura
Encontrei um grão de sabedoria
Cristalina e pura
Ali acabou-se a procura
Finalmente eu havia encontrado
Alguma coisa que presta.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu só quero ter um olhar manso sobre o dia que cai, a hora que vai...
Só quero ver a beleza do encontro inesperado, num mundo vituperado...
Ciente que de Deus vem o carinho...
Entre flores e espinhos...
Ariado e no caminho...
Na calmaria, no redemoinho...
Seja sóbrio ou no vinho...
Nos farrapos e no linho...
Porque a vida não nos trouxe só para âncora, mas também para um reboliço de mar azul.

Leonice Santos......🕊️🌷🎼🦋🫀🍄

Inserida por LeoniceSantos


O PODER DO SER SOBRE O TER – UMA RESPOSTA QUE TRANSFORMA

Quando me olho no espelho, não vejo apenas minha aparência ou os bens materiais que conquistei ao longo da vida. Eu vejo minha essência, aquilo que ninguém pode tirar de mim: minha inteligência, meu caráter, minha força, minha autenticidade.

Vivemos em um mundo onde muitos querem tudo, mas fazem pouco. Querem o prêmio sem a jornada, o sucesso sem o esforço, o respeito sem o mérito. Mas eu aprendi algo que mudou minha vida: o que eu sou sempre valerá mais do que o que eu tenho.

A beleza passa, o dinheiro oscila, as narrativas mudam, mas minha essência ninguém pode roubar. Podem tirar meus bens, meus títulos, minhas conquistas, mas jamais poderão apagar meu conhecimento, minha resiliência, minha coragem de recomeçar.

Penso no ouro. Ele pode ser derretido, moldado, transformado, mas continua sendo ouro. Assim sou eu. Quem tem valor brilha em qualquer circunstância. E aqui está a lição suprema: dinheiro é importante, sim, mas sem conteúdo, sem propósito, ele se torna apenas um peso vazio. A prova disso são pessoas ricas, mas miseráveis por dentro. Pessoas que têm tudo, mas não sabem ser.

Eu sou a maior prova de que tudo depende de mim. Quando emagreci 35 kg, precisei abrir mão da ansiedade, das preocupações que estavam além do meu controle, e focar no que realmente dependia de mim. Essa foi a chave para minha transformação. Eu entendi que a verdadeira força está em dominar o que posso mudar e aceitar o que não posso.

Muitos querem facilidade, mas não querem abrir mão de nada. Querem chegar ao topo, mas sem subir os degraus. E aí está o erro fatal: quem não constrói base sólida desaba na primeira tempestade. Penso em uma árvore. Suas raízes precisam ser profundas para suportar os ventos mais fortes. Assim é a vida. Sem fundamentos, qualquer conquista é passageira.

Então, me pergunto todos os dias: quem eu escolho ser?

Alguém que busca atalhos ou alguém que se fortalece a cada desafio?
Alguém que só quer ganhar ou alguém que merece o que ganha?
Alguém que depende das circunstâncias ou alguém que as cria?

O conhecimento é a única riqueza que ninguém pode tirar de mim. Meu caráter é minha maior joia. Minha capacidade de aprender, evoluir e me transformar é meu verdadeiro superpoder.

E a melhor parte? Tudo o que construo por dentro um dia se manifesta por fora.
Eu escolho ser alguém de valor. O resto virá naturalmente.

Autoria: Diane Leite

Inserida por dianeleite

⁠Amor Incondicional Não É Sobre Se Anular

Por Diane Leite

Há uma confusão perigosa circulando por aí: muita gente acredita que amor incondicional é sobre se dobrar até caber na expectativa do outro. Sobre engolir lágrimas em silêncio. Sobre aceitar traições, abusos, ausências, e continuar ali — firme, porque “amar é não impor condições”.

Mas isso não é amor.
Isso é martírio.
E o universo nunca pediu que você fosse mártir da vida de ninguém.



Amar o outro como a si mesmo.
Essa é a ordem cósmica.
E isso implica que você não pode amar alguém mais do que se ama.
Quando o seu amor pelo outro te faz esquecer de si, ele já deixou de ser amor — virou apego, medo, dependência disfarçada de virtude.

Amor incondicional não é se manter em um relacionamento abusivo para provar que você ama.
Amor incondicional não é se anular para ver o outro brilhar enquanto você murcha.
Amor incondicional não é sobre engolir tudo e aceitar menos do que você merece, porque “eu escolhi amar, e amar é sofrer”.

Não.
Amar de verdade é primeiro se amar.
Porque só quem está inteiro pode oferecer amor inteiro.




O verdadeiro amor incondicional diz:
“Eu te amo, então te deixo ser quem você é.
Eu te amo, então não quero te mudar.
Eu te amo, então aceito até que você escolha não me amar.”

E aqui está o ponto que tantas pessoas não entendem:
Amar incondicionalmente o outro não te obriga a permanecer onde não é amado.
Você pode amar e, mesmo assim, ir embora.
Pode amar e, mesmo assim, colocar limites claros.
Pode amar e, mesmo assim, se escolher todos os dias.




Porque amor sem auto-responsabilidade vira prisão.
E o outro também tem direito às próprias escolhas:
O direito de amar ou não amar.
O direito de ficar ou partir.
O direito de ser livre, assim como você.

E isso vale para os dois lados: o mesmo direito que você tem, o outro também tem.
Amor não é posse.
Amor não é dívida.
Amor não é contrato vitalício.
Amor é escolha — e só é belo quando é escolha livre.




Amor incondicional, então, é isso:
Eu te amo, mas eu me amo também.
Eu te aceito, mas não aceito menos do que mereço.
Eu te liberto, e me liberto junto.

Porque amar o outro sem se amar é injustiça consigo mesma.
E se você não sabe se escolher, não está amando – está se punindo.




“Amar é libertar e se libertar. O resto é prisão com cheiro de flor.”
Diane Leite

Inserida por dianeleite