Textinhos sobre Limites da Vida
NASCER DE NOVO
Nascer: findou o sono das entranhas.
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,
o nervo exposto dos problemas.
Sondamos, inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta, deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?
Eis que um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este é o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.
A explicação rompe das nuvens, das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.
As claras diferenças entre aqueles homens e nós não reside no conhecimento, na tecnologia nem na cultura, mas sim em suas perspectivas sobre a vida e a morte.
Sentir dor no momento da tribulação é normal, mas jamais deixe que isso seja um impedimento para a claridade dos teus olhos. A dor, às vezes, esconde o valor da experiência.
Abdicação
Renunciei à poesia.
Quando estava a definhar,
Percebi que neguei
O que me mantivera vivo
Durante todo esse tempo.
Assim como a neve encobre momentamente as flores das ameixas no inverno; as pessoas são surpreendidas abruptamente pelas aflições, pelas avassaladoras, inesperadas, tempestades da vida.
Eu só queria um abraço apertado para sentir meu coração colado ao seu por um instante, que durasse uma vida inteira...
Quando a vi novamente, mesmo depois de 14 anos separados, eu soube: hoje é o primeiro dia do resto da minha vida! Te amo! Todas as vezes que te vejo, eu me apaixono! E é por você que eu quero me apaixonar todos os dias da minha vida pelos séculos dos séculos! Amém!
