Terceiro ano
As quatro estações do ano correspondem, também, à existência do ser humano. A primavera, a infância; o verão, a juventude; outono a meia-idade; e o inverno, a velhice. Bacana é chegar ao inverno feliz por ter passado pelas outras três, e possuidor de um grande acervo de memórias, que deve ser compartilhado com a turma que está principalmente na primavera.
Primeiro dia do ano, sonhos, construções, comprometimento e aprimoramento. Cada ser humano é um plantador de sementes, colheremos aquilo que jogamos na terra, sempre.
Fogos de artifício, sem barulho, é um rito de defumação a beira mar para purificação do ano que começa.
PRESSA DO TEMPO - Demétrio Sena, Magé - RJ.
O ano passou tão rápido que quando março abril já era dezembro.
MEU FELIZ ANO NOVO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muito embora não compartilhe da provável essência do natal, vejo bastante significado no início de mais um ano. Aprecio começos e recomeços; novas chances; reocasiões e repensamentos. Tudo isso deve ocorrer a cada manhã ou toda vez que sentirmos necessidade, mas é algo especial e significativo chegarmos a mais uma etapa de mundo, junto com os seus bilhões de habitantes. Creio muito no pensamento humano e no desejo real um tempo melhor.
A boa vontade do ser humano, que em sua maioria é bom, tem o poder de salvar. É dessa vontade que o mundo sempre dependerá. É graças a ela que ainda não se fez o caos total. Uma vontade com o tempero do amor à vida e ao semelhante, apesar das não semelhanças que nos igualam. Inclusive as não semelhanças de credo, gosto e opinião, que geram conflitos entre os homens e as mulheres de má vontade que julgam o outro, por se julgarem especiais e imunes aos males e às fraquezas inerentes a todos.
Que a nova chance alcançada nos leve à reflexão sobre o que realmente vale a pena. Talvez seja tempo de conhecermos valores maiores do que dinheiro, status e fama. Tempo de termos tempo para quem amamos e para nós mesmos. Uma nova era, em que nos doarmos mais aos nossos filhos tenha mais poder do que dar coisas conquistadas com ausências provindas do excesso de trabalho. Novos tempos, em que a presença fale mais alto que o presente.
É este o feliz ano novo que o meu coração consegue desejar a todos. Eis a grande conquista que a humanidade ainda não valoriza: o amor que aproxima. Que não espera troco nem recompensa. Que põe as pessoas acima de suas posses ou não posses. De seus nomes e sobrenomes. Aparências, feitos e resultados. Credos, etnias, cores, escolhas e orientações. Isto sim é igualdade.
FOLIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
No carnaval
deste natal,
na tal folia
do fim de ano,
brinquei de amor,
justiça e bem,
pus fantasia
de ser humano.
DISLEXIA SOCIAL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Muitas vezes o amigo oculto em fim de ano, revelado como alguém especial cujas virtudes sublimam os eventuais defeitos, é exatamente o desafeto suportado no decorrer do ano. Aquele sujeito indesejado, cujos defeitos inaceitáveis enterram as eventuais, escassas e questionáveis virtudes.
Não é uma crítica. É um elogio sincero à insondável capacidade humana de assumir a cor do ambiente, o ritmo da música e a filosofia da ocasião. Saber exatamente onde ganha, perde ou empata o que tem para investir no campo das relações humanas, muitas vezes com vistas a um futuro bem próximo.
Mais do que um elogio, é uma inveja de quem nasceu aleijado neste aspecto. Sem esse dom natural e obrigatório à sobrevivência de seres sociais. Alguém que tentou, fez o curso, mas nunca teve sucesso nas provas de única escolha que o mundo aplica nessas horas cruciais.
FELIZ ANO TODO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Peço a todos, licença para não gostar, nem mesmo agora, no calor das obrigações do fim de ano, daquela pessoa que o meu coração ainda considera indigna de afeto, respeito e admiração. Verdade não dá trégua. Sinceridade não tira férias. E se de repente me deu aquele desejo de perdoar ou ser perdoado, peço também licença para fazê-lo depois. Bem depois da fragilidade a que somos expostos no fim do ano, por influência das propagandas e as mensagens institucionais específicas destes dias.
Depois, sim. Caso ainda sinta esse desejo de me aproximar ou reaproximar de quem quer que seja, quero fazê-lo despojado; sem emoções obrigatórias e qualquer selo de religiosidade sincera ou hipócrita. Que seja mesmo eu, aquela pessoa prostrada ou ereta confessando as falhas e pedindo perdão ou praticando a grandeza de perdoar; o que é bem mais fácil, porque nos deixa bem "na foto". Seja qual for minha posição, ela só há de ser autêntica ou pelo menos confiável, se o meu caráter não estiver bêbado nem hipnotizado pela ocasião maciça. Mais ainda, se a minha temperança, boa vontade ou repentino amor ao desafeto secular não tiver montado suas bases em conveniências de última hora.
Quem espera qualquer atitude nobre de minha parte, pegue a senha e fique na fila. Detesto correr o risco de fazer firulas ou dar espetáculos ocasionais que a médio prazo poderão perder consistência e gerar interrogações. Tenho, sim, velhos arrependimentos que pretendo expurgar um dia, com pedidos de perdão, porque me sinto mesmo culpado, e até alguns perdões para distribuir, pois algumas pessoas, mesmo poucas, também me devem esse pedido e até já o fizeram. Só falta minha parte. Não sou bom em ser bom. Seja como for, nada será no fim do ano. Nem na páscoa ou no dia do perdão. Muito menos no dia da bandeira.
Quanto aos mais, aqueles que já desfrutam do que há de melhor ou menos pior em mim, quero e deixarei carimbados os meus sinceros desejos de um feliz ano todo e um próspero todo dia. Aos familiares e amigos queridos, a reiteração do amor, o respeito e admiração. Aos desafetos, meu nada. Nem ódio nem amor. Nem isto nem aquilo. Somente o lamento por não sabermos, de ambos os lados, o que estamos eventualmente perdendo, quiçá evitando, com a distância do próximo.
READOLESCÊNCIA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Entenda minha carência;
tenho cinquenta e poucos anos;
estou na segunda adolescência...
CONSIDERAÇÕES DE FIM DE ANO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Carnaval de fim do ano;
desfilar de ser humano
e ser amigo oculto.
...
Sou brasileiro
e penso assim:
este fim
de ano
ainda não é
o fim.
...
Ter pais presentes
é melhor que ter presentes
embrulhados por ausências...
...
Para milhões
de brasileiros
condenados à má sorte,
só existe Natal
do Rio Grande
do Norte.
MINHA TORCIDA PARA O ANO NOVO
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Torço para que 2019 não confirme o avanço vertiginoso da intolerância, fomentada como antes nunca, em 2018. Não extingua em definitivo as leis que regem os direitos humanos, especialmente nas questões mais polêmicas e necessárias. E que a justiça, em um todo, não se torne vingança oficial (o que foi sinalizado nos últimos meses).
Que a sociedade majoritária não cace os diferentes. Não abata os opostos. Nunca persiga os que não concordam ou rezam conforme suas cartilhas, como foi ensaiado com base nos discursos de velhas lideranças que se apresentaram como novas. Convenceram no grito, milhões de brasileiros divididos entre carentes e de vida ganha. Sinceros e sonsos. De boa e má fé. Uns, desejosos do Brasil para todos, e maioria, do Brasil só para si.
E o novo poder público não ratifique a preferência por classes e conveniências, muito menos por nível de obediência e servidão. Cada cidadão seja respeitado em seus direitos e particularidades, e só os crimes, de fato, sejam tratados como crimes. Não as escolhas de foro íntimo e pessoal, partidário, profissional nem religioso.
2019 não seja o segundo turno de 2018. Não “desafricanize” o sangue deste país de alma negra nem o faça excluir a si mesmo, pela pretensão ariana que não combina com nenhum brasileiro. A educação restitua e ganhe mais espaço. O professor seja respeitado. Deixe de ser agredido pelo poder público e pela sociedade que se deixou cegar.
Sejam todos bem-vindos ao novo tempo! Todos, mesmo! Não apenas os cidadãos de minha cor, meu gênero, escolha, classe, cultura, fé ou não! Somos todos, brasileiros, apesar da trágica divisão fomentada pelos preconceitos, a raiva e a fome de poder que se anunciaram ao país, na voz de quem percebeu como estava fácil modelar a massa.
Que os brasileiros estúpidos e destemperados como eu façam as pazes entre si. Deixem de ser pretensiosos e nunca mais se desprezem, se ofendam nem se agridam por causa de nenhum... absolutamente nenhum ídolo de qualquer natureza... muito menos de natureza politicopartidária.
FELIZ NATAL
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Tivemos o ano brasileiro da imbecilidade presidencial nas falas, nos atos institucionais e nas decisões "de orelhada". Tudo criteriosamente seguido e copiado pelos filhos, capangas ministeriais e ministérios da “fé” comprada pelas promessas de vantagens reais ou ilusórias à vista e a perder de vista. Não me refiro à fé legítima, sem aspas, que não visa essa espécie de sinal da besta; esse carimbo ideológico de prestígio e de postas abertas... ou não me refiro à exceção; falo apenas da maioria.
Destaque para a imbecilidade popular. Da mesma forma, não de toda a população; só de sessenta por cento. Um povo que aplaudiu cada palavra, gesto e decisão contra ele próprio. “Bateu palmas para maluco dançar”; pediu – e teve – a ditadura de volta. Ululou a favor do sucateamento definitivo da educação pública; da perseguição aos professores que promovem o pensamento crítico e a liberdade de expressão – e perseguiu junto.
Prestou ação de graças à quase extinção da ciência que busca, entre outros feitos, a cura para doenças e vírus graves. Enalteceu a destruição da natureza, o abuso oficial contra mulheres, estrangeiros e crianças, a ideia do trabalho infantil, do armamento em massa e do extermínio dos índios, pela devastação de suas reservas. Alegrou-se como antes nunca, pela segregação acentuada dos negros, dos membros de seitas e religiões de matriz africana e dos gêneros não convencionais ou obrigatórios.
Vimos uma massa ensandecida, que atuou sem saber por que razão, contra as artes e os artistas até então amados por suas histórias, posturas públicas, engajamentos em prol do livre arbítrio e do respeito às escolhas e orientações. Gritou-se aos ventos, cada um seguindo ao outro, todos submissos à vara e ao cajado do poder. Multidão cega, seguindo a multidão, sem ninguém se reconhecer no meio dela, por se tratar de uma hipnose.
Vim aqui desejar feliz natal. Aos oprimidos, opressores, e os que se julgam opressores, iludidos por vantagens passageiras. Um natal de reflexões pelo bom senso. Que os cristãos iludidos com o poder inquisitório e os profanos que se converteram à inquisição repensem o país. A nação livre, o estado laico, o justo discernimento entre questões espirituais e sociais, para o bem de todos os cidadãos em suas diferenças de classe, cultura, culto, não culto, gênero, etnia e tantas outras.
Que os políticos legislem e governem com justiça. Sem maldades. Buscando recursos nas fontes certas. Cortando gastos onde o tesouro se oculta e não na miséria ou escravidão popular, que tem sido a fonte de suas riquezas pessoais, entra governo sai governo. Sejamos povo com menos vocação para povo no sentido pejorativo da palavra e com mais vocação para gente; cidadãos; indivíduos pensantes; seres sociais.
MAIS UM ANO SEM MARIA
Demétrio Sena - Magé
O sarampo, a caxumba e a catapora... o abandono paterno e o medo, as temporadas de fome, a indecisão do futuro... as moradias precárias, a família imprensada e a quase delinquência, vencida pela palavra mansa e os olhos miúdos e comoventes da mulher pequenina que pedia e dava calma.
Tudo seria bem-vindo e superado pelo 'ficarmos juntos', que não saía de seus lábios, porque reinava em seu coração. Eu teria novos olhos pra vida e o privilégio da mãe, dos oito irmãos/irmãs que teria novamente, se os mistérios da existência nos unissem de novo; nos desse a nova chance.
Hoje seria seu aniversário. Lá se vão alguns anos e a saudade grita em meu coração como nos primeiros dias. Queria estar com ela e com os meus irmãos, falando besteiras e achando graça das tristezas que superamos. Fazendo piadas de nossos medos, nossas quase mortes ao longo da vida.
E quero muito estar com todos, numa possível reexistência. Ser filho melhor, irmão, pai, cônjuge, pessoa. Fazer muito mais jus à honraria que o destino me deu, de ser filho de Maria... dessa Maria insubstituível no andor do meu; dos nossos corações.
(Pelos filhos de Maria; todos ao alcance um do outro, apesar da barreira de um momento mundial que nossa mãe nos explicaria com palavras ingênuas, pedindo para nos unirmos e morrermos juntos).
MILHÕES DE VEZES
Demétrio Sena - Magé
Mais um ano, mais outro, até jamais,
quando menos minh'alma der por si,
quanto mais demorares mais terei
meu aqui, meu agora em tua espera...
Submisso a teu tempo, teus instantes
de saudades, lembranças, nostalgias,
conterei meus rompantes e chamados;
contarei os meus dias como gotas...
O que faço do sonho nem eu sei,
mas me guardo na lei do meu silêncio
aos caprichos da própria eternidade...
Minha espera por ti é vida inteira;
uma beira de abismo sob os pés;
um contar até dez milhões de vezes...
FIM DE ANO DO RECOMEÇO
Demétrio Sena - Magé
Embora o Natal, como data, não tenha sentido para mim, tem sentido recordar que bem pouco tempo atrás o Brasil vivia um dos piores fins de ano de sua história. Um Natal que não fazia sentido para nenhum ser humano de boa fé e de boa vontade. Não apenas pela pandemia de Covid 19, mas também por uma praga em forma de gente, que até então governava; digo; desgovernava o país.
Neste momento em que vivo num país cuja democracia foi retomada... cujas leis contra preconceitos, especialmente o racismo, a homofobia e a misoginia voltaram a ser de fato... num país que voltou a ser bem visto pelo mundo civilizado e, surpreendentemente, começou a ter de novo a inflação controlada, o que eu nem esperava já para este ano, estou bem otimista.
Ver as artes reocupando seus lugares; a cultura como um todo "revalorizada" e a cidadania recuperando seu contexto, não tem preço. Como não tem preço ligar a tevê e não ver mais, todos os dias, notícias de um idiota empoderado pelas urnas promovendo insanidades.
Mesmo sem comungar com o sentido possível do Natal, este ano está fácil participar da ceia promovida pelos meus, que acreditam... e que sempre respeitei. Boas comemorações para todos. A reunião anual das famílias em torno de uma aura consentida pelo ser humano como uma espécie de trégua, cessar fogo ou pausa humanitária é um mérito verdadeiro desta data.
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#respeiteautorias É lei
2024
Demétrio Sena - Magé
Esse ano que acaba de acabar
foi de alguma esperança, vez e voz,
apesar dos demônios de janeiro;
dos esgotos que ainda escondem ratos...
Não é simples lidar com tanto ódio;
com tamanha cegueira, o fanatismo
que deu pódio à má por esses anos
de fascismo sem trégua e piedade...
Mas o tempo que agora nos abraça
tem a graça de sonhos rebrotados
e da fé no poder da boa fé...
É difícil pensar num replantio;
a colheita requer critério e calma,
mas nenhum desafio é mesmo fácil...
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#respeiteautorias É lei
ANTES DO FIM DO ANO
Demétrio Sena - Magé
Você tem poucos meses para ser
mais amável, gentil, ter bom humor;
dar valor a momentos e detalhes
que não podem ser só formalidades...
Em novembro me tranco na minh'alma,
pra fugir dos ensaios natalinos;
quero a calma de não me permitir
crer nos sinos de afetos projetados...
Quando a gente chegar ao novo ano,
saberei que o teatro há de ficar
sob o pano que sempre o recupera...
Quem tiver um afeto para mim,
venha enquanto não soa falso e raso;
fim do ano meu prazo estará findo...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
PELO QUE SOU
Demétrio Sena - Magé
Os disparos maciços dessas mensagens natalinas e de ano findo, que muitas vezes nos atingem (afinal são maciços), não desmancham possíveis anos inteiros de frieza, indiferença, separatismo, julgamento e preconceito. Especialmente se tudo isso é causado pela religiosidade predominante no país, que, da boca para fora prega o amor incondicional, como deveria mesmo ser. O livro sagrado que, supostamente rege tais fiéis, é utilizado apenas nos fragmentos de textos que lhes dão destaque tão favorável quanto fácil.
Asseguro que as mensagens pessoais diretas, os estilhaços dos disparos maciços e declarações ou gestos pessoais dos que me tratam com afeto sincero, de janeiro a janeiro, recebo com carinho e gratidão. Não pelo momento específico, mas pela convivência diária ou pontual que me mostra quem é quem, não importa o dia de qual mês. Sobre meus silêncios e o recolhimento em fim de ano - quando posso -, peço a todos que me perdoem pelo agora; pelo que não estou... e continuem me aceitando pelo sempre... pelo que sou.
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Respeite autorias. É lei
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