Tenho um ser que Mora dentro de Mim
O Deus único que se apresenta aos homens é imutável, mas como cada um de nós o recebe é onde mora toda á diversidade de ideias sobre "Ele" sendo algumas delas equivocas segundo á sua própria palavra, o que não deveria acontecer se á conhecêssemos melhor..
Na superfície da emoção.
Mora um sentimento estranho.
Que perturba o coração.
Que Impõe sigilo para razão.
Sem demora vem a lágrima,
Que escolta o olhar perdido.
Com a lamúria viro a página,
O desconsolo é repetido.
Inexplicável que aborrece.
Com procura imprecisa.
Sentimento que entristece.
Mistério que agoniza.
Inalcançável leveza.
Inabalável tristeza.
Você mora nos meus olhos, em cada olhar.
Um tesouro guardado, um amor para amar.
Guardei você na menina dos meus olhos,
E lá você sempre estará.
Sorriso fácil
Na alma de uma criança
Mora o riso.
Um dia também fomos meninos
Mas muitos de nós
Esquecemos como é o badalar dos sinos.
No sorriso de uma criança, mora a alegria,
Um sol que nunca se apaga, ilumina o dia.
São mestres de um amor puro, sem condição,
Oferecem ao mundo sua mais pura canção.
No seu olhar, a curiosidade infinita,
Cada coisa é nova, cada passo, uma conquista.
Vivem o presente, sem pressa, sem dor,
Ensinar-nos a ver o mundo com mais cor.
Ah, se em nós renascesse essa inocência,
Se a vida fosse, novamente, pura essência!
Despertar cada manhã com olhos de criança,
Abraçar o dia com renovada esperança.
São pequenos mestres de uma grande verdade,
Que no coração simples mora a felicidade.
Nos ensinam a rir, a amar sem temer,
A encontrar magia no simples viver.
E nesse dia especial, que a infância celebra,
Que cada adulto se lembre e reverbera,
A alegria inata, a curiosidade e o amor,
E redescubra no próprio peito esse fervor.
Seja cada dia um novo despertar,
Como crianças, aprender a sonhar.
Que possamos, enfim, de coração aberto,
Ver o mundo, de novo, num brilho incerto.
Pois dentro de nós, há uma criança escondida,
Que anseia por viver, por amar, por ser vida.
No dia da criança, que esse ser floresça,
E que a mágica do mundo, em nós, permaneça.
Frases diversas:
Entre o teu olhar e o toque da tua voz, mora um abismo doce que engole toda razão.
Há um relâmpago calmo no jeito como me olha — e é nele que a minha vontade se desfaz.
Teus olhos anunciam a tormenta que teus lábios concretizam sem piedade.
No silêncio entre teus gestos, há trovões que quebram minha resistência em pedaços suaves.
Cada vez que me encara, uma tempestade dança nos meus sentidos — e quando fala, ela me leva inteira.
O perigo não está na tua presença, mas na pausa entre o teu olhar e o primeiro sorriso.
Entre o teu silêncio e o teu desejo, existe um raio invisível que me queima devagar.
Tua boca sussurra promessas que teus olhos já gritaram — e eu, vulnerável, me deixo cair.
É Só um Café
É só um café…
Mas é nesse “só” que mora o rito:
o calor que espanta o sono,
o amargo que desperta o espírito,
o silêncio entre um gole e outro
onde cabe o mundo inteiro.
É só um café,
um motivo pra pensar,
uma pausa que não pausa,
mas ensina a respirar.
É só mais um café.
Bordando pensamentos,
acumulando memórias —
cheiro, aroma,
ou só mais uma desculpa pra tomar um café?
Ou seria o café quem nos toma?
Nos pega pela mão,
assopra devagar as feridas da pressa
Senta. Escuta. Espera.
É só um café.
Jonatas Evangelista
Bem prá lá da amoreira, depois do riacho dourado
Mora um gnomo bondoso
Que cuida de um jardim encantado
Quem dera eu pudesse habitar
Na casinha ao lado dele
Cantar suas canções delicadas
Ouvir os sinos a soar...
Assoviar ao nascer da aurora
Dançar ao cair do dia...
De vizinhos , a Fada Rosa
Duende verde e Bruxa da Colina
Todos felizes e animados
Com cada semente que ali germina...
Visito ali de quando em quando
Sempre que o sono me domina
Volto porque os amo
Aqui encontro amigos
Que sabem levar a vida!
Arrependimento é um sentimento que mora escondidinho no coração de quem não soube dar valor à felicidade.
Num reino onde o crepúsculo sussurra suavemente,
Lá mora uma alma, um andarilho no alto da montanha. Ele aventurou-se em terras da boêmia, onde as melodias dançavam, em euforia rítmica.
Foi pra boemia, com o coração em chamas, trovador de paixões, perdido num labirinto, pelas ruas de paralelepípedos.
Vagou com graça, procurando consolo no abraço da música.
Sob o céu enluarado encontrou seu palco,
Os salões sagrados de uma taverna, sua página sagrada, o toque do violão, uma serenata suave… Enquanto ele cantava seus versos, sua alma se manifestava.
Sua voz, um coro de apelo melancólico ecoando pela noite, em harmonia
Com cada nota, seu espírito ascendia, para os reinos desconhecidos, onde os sonhos transcendem. Ele foi pra boemia.
Amigo de poeta, onde o amor e a saudade se entrelaçam e se misturam,
Ele pintou quadros com palavras tão profundas, seus versos sussurravam com um som sincero. Ah, como as paredes da taverna ganhariam vida.
Com histórias de desejo e superação, ele cantou sobre o amor perdido e o amor ainda encontrado. De corações partidos e almas libertas. Através da névoa de fumaça e do tilintar de vidros.
Seus versos perfuravam, como o aperto de um amante. Ele revelou sua alma, com cada letra cantada, no abraço da boêmia, seu coração se apertou.
Foi pra boemia, um bom trovador.
Fidelidade
Ivan mora sozinho, em um apartamento de apenas um quarto-cozinha-banheiro. Logo quando se abre a porta, salta aos olhos a cama-sofá, quase sempre com lençol dobrado ou arrastando ao chão. O travesseiro, sem fronha, tendo apenas quando sua mãe lhe faz visitas para ir a uma consulta no hospital metropolitano. Na cozinha, um pequeno quadrado demarcado por um muro à meia altura, há apenas uma prateleira em madeira não tratada, porque com felpos ouriçados, segurando o essencial: litro de óleo pela metade, vasilha amarelada de sal e um pacote de macarrão com um pregador de roupas. O banheiro era quase uma extensão do quarto. Apenas a porta sanfonada, com o trinco arrancado, separava a cama do vaso. Ivan acostumou-se com o cheiro de casa vazia sempre que abria a porta de casa e podia até mesmo não senti-lo quando não estava afim de abrir a única janela de sua kitnet. Ivan não sentia falta do que acontecia janela a fora de seu mundo. Certo dia, Ivan conheceu Sara. Foi quando Sara, envergonhada, tentava sem sucesso consertar a corrente de sua bicicleta que havia saído da coroa. Ivan, até então, não sabia a importância daquela corrente encaixada elo a elo na coroa pontiaguda. Enquanto consertava a bicicleta de Sara, Ivan pode mirar suas pernas morenas cobertas por pelos enlourecidos. Sara, até então, não entendia muito bem o porquê da corrente ter a colaração escura, destoando do tom azul claro de sua bicicleta, até o momento em que suas coxas se sujaram de graxa. Ivan e Sara ficaram meses a fio passeando de bicicleta cotidianamente. Ivan percebeu que já não sobrava macarrão, que o óleo já não estava por acabar, e sim acabado, e suas janelas não se observavam mais fechadas. O rapaz já não suportava mais o cheiro de casa vazia quando pedalava. A partir de então, Ivan especializou-se em consertar correntes alheias a de Sara. Na verdade, atormentava a Ivan não a ideia de pedalar com a casa vazia, mas sim que a corrente de Sara pudesse novamente soltar da coroa de sua bicicleta. Sara nunca foi tão amada, quanto Ivan a ama.
GUARDADO
Há um agrado contido e que me encanta
Um sentimento profundo tão apaixonado
Onde mora uma sensação tão boa e tanta
Da poética de um amor singular e amado
Por tua causa senti o sabor de ter prazer
Entreguei-me a teus beijos tão amorosos
A ternura de um abraço, dum doce viver
Me perdi na sedução de olhares zelosos
Diga-me quão mais devo haver na poesia
Do que ser um amador pleno no coração
Guardado na satisfação, com tanta valia
Pois, tenho reservado o cuidado todo seu
Dum toque suave, suplicante de tua mão
Na divisão da recordação do amor meu...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25 setembro, 2021, 16’09” – Araguari, MG
A dor que mora em meu peito
Me transformar em um erro
Da conversa mal resolvida
Das palavras que foram ditas
Que não podem ser desditas
Como você se tornou meu porto de dor?
Onde antes só tinha o seu amor
O meu lar seguro
Seu colo
Onde durmo
Mais quando eu mais precisei não tive o seu consolo
Vou te dar uma prova, vê se mora
Um malandro pra um otário não dá bola
Vai procurar por aí um otário pra você se divertir
A um lindo lugar onde quero mora haverá alegria pra poder compartilha e um lindo coral pra poder cantar!
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