Tenho Namorado mas Penso em outro
Eu penso
De lá do fundo
de um poço do meu passado
Me lembro com algum desgosto
De um dia ter sido o bom moço
Pra sempre um rosto sem nome
Velha amiga que vem pra ajudar
Plantar e colher o trigo
A mais antiga se chama fome
Lembranças sem cabimento
Das recordações vividas
Não a sabem nenhum momento
Não desta vida
Tento guardar no esquecimento
Mas elas não cabem nem lá
Noite amiga
Tenha cuidado com suas palavras
É por elas que você será lembrada
Tudo mais não vale nada
Nem será mudado ou emudecido
Não se furte do tempo que leva
O tempo é curto e chega de leve e leva o todo
Numa tarde de ventania
O desabrigo vem
E a gente aceita, precisa aceitar
A antiga cara do espelho
Não mora mais lá
E se isso era tudo
Agora, neste momento, nada mais se ajeita
Há duas coisas na vida que não se pode evitar
A primeira é o pensamento
E a outra é quem te diga o que pensar
Revendo essa quase vida
De alguma maneira eu percebo
Desde sempre, a historia inteira
Estava escrita
Quando a gente chega ao mundo
É pela vida
Mas não dá pra viver por ela
É preciso razão
Tenho estado neste triste mundo
Onde, tudo que de raro existe
Não chega a ser tão profundo
Quanto o poço raso do começo
Nada além de águas passadas
Eis o preço dessa sede insaciada
Que precede à própria vida.
Edson Ricardo Paiva.
"Tem dias que me acordo
Propenso a ter longas conversas
Tem dias que eu penso
Que podíamos
Apenas ler os nossos pensamentos
Saber das mais pequenas coisas
em que pensaria
No dia em que você se acordasse
e que eu não estivesse ali
Indiferente a tudo
Que se pensa e que se diz
O que conta é a presença
A companhia
Sobre o fato de a gente estar
E enquanto estiver
Sentir-se feliz
Mas não porque ninguém mandou
Feliz porque quis...e acabou!
Assim o nosso dia acaba
No instante em que a vida versa
Sobre sempre terminar igual
Indiferente às longas conversas
Apesar do sepulcral silêncio"
Edson Ricardo Paiva.
Eu paro numa esquina
Olhando pros dois lados
Se penso em atravessar a rua
Eu olho pras pessoas
Elas vem de todos os sentidos
Olhares ressentidos
Caras boas maldormidas
Procurando
Tempo dentro dos seus próprios tempos
Buscando sós, só um jeito de cuidar
Das próprias vidas
Buscando suas esquinas pra parar também
Todos se vão, se vem, se vão...se vão...se vem
Mas não fica ninguém
Tão sozinho, olho pro chão
E ainda me molho quando a chuva cai
Todos eles tem dentro de si, ainda
Um pouco dessa coisa linda
Cujo nome ninguém sabe
Talvez seja pureza, beleza, ingenuidade
Pode ser que seja oxigênio numa bolha de sabão
Gáz hélio dentro de um balão
Coisa gostosa de se ter, mas que não vem; só vai
A cada um lhes cabe alguns desses balões
Que vão se furar lá no espinho da rosa
Parado numa esquina...a rosa vem devagarinho...e fim
De espinho em espinho a vida vai modificando a gente
A vida, antes tão quente, hoje fria...vazia
Toda aquela gente, que vem de todos os sentidos
Perdendo às rosas
Um pouquinho dessa coisa boa
Que deixamos se ficar pelas esquinas
Sempre sem querer
Sempre que buscando apenas
Um jeito de cuidar das próprias vidas
Perco a pressa e penso
Que é essa a beleza da vida
E a natureza de todas as coisas.
Edson Ricardo Paiva.
Penso em amigos
Aqueles desconhecidos
Que nos são às vezes próximos
E que conhecemos mais que a nós
Porque somos como as andorinhas
Que não voam sós
Mas só nós, que temos corações vazios
Como os céus matinais, que são só azuis
Azuis de tão vazios, frios, claros, sombrios
Caros amigos distantes
Que cruzam o céu do pensamento
Como andorinhas que cruzam a azul por momentos
Eu nem sabia que podiam voar tão alto assim
Quem sabe a gente se encontre
Lá no fim do caminho profundo
Nos fundos desse claro infinito
Vazio, infinito e azul crescente
Num traço descendente e meridional
Onde não existe espaço para o vazio da solidão
Vidas tristes, amiúde
Olhos rudes, apertados, mirando uma linha
Eu não sabia que voassem tão alto
Mas sempre atentei para o fato
De, amigas ou não
Jamais voarem sozinhas
Quem sabe elas também não conheçam
As amigas de jornada
Mais que a si mesmas
Sobre quem não sabem nada.
Edson Ricardo Paiva.
"Penso que quem não conhece
Pode ser que pense que era e compre
Pois o som não se propaga no silêncio, o rompe."
Edson Ricardo Paiva.
(Sob o silêncio da lua)
Não me alegra
Nem me traz alento
Chega e penso em me deixar
Não que isso seja uma regra
É só o preço da vida
Me contento
Tem dias que o pensamento carrega
Tem dias que é o vento
Sim, tem dias que venta ainda
Não me alegra, nem me alenta
Tem dias que arde o sol
Noutros caem folhas
E que a tarde cinza fica linda.
Edson Ricardo Paiva.
Adorei o seu Texto, penso exatamente como você. Sou escritora e imagino o mundo bem diferente do que ele é. Gostei dessa série pelo simples motivo deles mostrarem que por de trás de todo acontecimento existem mulheres, seres humanos ali, lutando para sobreviver dia a dia.
Sobre a Piper, (Taylor schilling) me identifiquei com ela, sabe quando tem horas que tudo cai "literalmente" em suas mãos? - Me senti exatamente como ela. Por horas perdida, outrora encontrada.
Acho que o mais legal é ver a aceitação da Alex pelo público... (Laura Prepon)
Conseguiu definitivamente dar vida ao personagem, não consigo odiar o que ela faz, ela querendo ou não é uma mulher madura, charmosa, é daquele tipo que você ficaria por horas conversando e não querendo se distanciar por nada. Sem contar a sedução que percebe-se que não é nada forçado.
Estou maravilhada com "Orange Is The New Black". Eu nunca fui fã de me "prender em frente a modernidade visual viciante" - Series, mas confesso que estou totalmente viciada e maravilhada com o que estou aprendendo para minha vida. Inicialmente Compartilho que: O ser humano é totalmente adaptável. E depois de Orange Is The New Black, aprendi com inteligencia que adaptação é mais que necessário se você quer ter uma boa vida seja lá como for.
Tatyane Nicklas
Maísa França Tatyane Nicklas • 15 hours ago
Obrigada pelo comentário Tatyane! Orange Is The New Black realmente pega a gente de jeito e é bem isso que você falou mesmo, que ali existem mulheres batalhadoras à sua maneira, sobrevivendo a cada dia com essa adaptação ao novo meio.
E que venha a nova temporada!
"Tem dias que eu penso que só os perfeitos pais vão para o céu, alguns filhos como eu vão para o inferno"
Eu gostaria de dizer que eu sempre penso nas palavras certas e abro a boca, sai as palavras erradas. E isso eu não suporto. Não suporto a indiferença que causo a qualquer assunto que me machuca. Fecho os olhos respiro e em seguida deixo a ignorância entrar. Não posso passar e submeter você a isso.
Todos os dias eu penso em ser uma pessoa melhor... Todos os dias eu tento esquecer... Todos os dias eu tento.
Estou tão concentrada em mim, que me esqueci de me esquecer o quanto ainda penso em você. Algo foi roubado dentro de mim, e ainda sinto um espaço mega vazio. Sinto tanto sua falta que parei de sofrer. Sinto que um novo caminho esta se inovando para que eu dê meus passos tortos em linhas certas.
Eu adoro escrever com a sensação de que ninguém vai ler ou se importar com o que eu penso ou sinto. Isso me faz escrever como se eu estivesse fazendo algo proibido. Isso mexe com a mais delicada reação onde me sinto totalmente livre para expor o que eu realmente penso.
As vezes, assim penso, vivo
Um monólogo diário
Atravessando as vielas
Sem atalhos
Em frente ao mar
Dedico-lhes meus devaneios
Discorro sobre tudo
Sem, ao menos, um pingo de receio
O mar atento
Se comunica através de suas ondas
Mergulhante, deslizante e ascendente
Cabe a interpretação daqueles que mantém os olhos bem abertos
Monólogo ao Mar
Às vezes, assim penso, vivo
um monólogo diário,
ecoando pensamentos soltos
pelas vielas da alma
onde não há atalhos,
apenas passos
que ressoam no asfalto molhado
de manhãs silenciosas.
Em frente ao mar,
dedico-lhe meus devaneios,
como cartas lançadas ao vento
sem, ao menos, um pingo de receio.
Discorro sobre você,
como se as ondas fossem
páginas brancas
esperando minhas confissões.
O mar, atento,
ouve com paciência de quem
já engoliu mil naufrágios
e ainda assim permanece,
se comunicando
através de suas ondas,
mergulhante, deslizante, ascendente,
um discurso contínuo
que cabe àqueles
que mantêm os olhos bem abertos
decifrar.
E eu, narrador solitário,
me vejo parte da maré,
flutuando entre a certeza
e o esquecimento,
tentando entender
se o que entrego ao mar
é o peso dos dias
ou a ânsia de ser ouvido.
O vento salgado
me corta os lábios
enquanto o mar responde
numa marola discreta,
como se dissesse
que palavras se dissolvem
como espuma,
mas sentimentos permanecem
ancorados no fundo.
Talvez ele saiba
que não há resposta certa,
pois enquanto me desfaço
em palavras e sonhos,
ele se refaz
em ciclos e ondas,
e assim seguimos,
dois monólogos paralelos
que jamais se tocam,
mas se compreendem
no silêncio que resta
após o último sopro de vento.
E então, na maré baixa,
percebo que talvez
o mar também sussurre
suas incertezas para a areia,
e que nós,
vagando por nossas marés interiores,
somos tão mutáveis quanto ele,
sempre buscando a margem
onde a alma repousa.
E enquanto observo
o encontro da água com a terra,
sinto que viver é isso:
um eterno diálogo
com o imenso e o indomável,
uma troca de segredos
entre solidão e grandeza.
O mar nada exige,
apenas acolhe,
como se dissesse
que a liberdade reside
em aceitar a fluidez
e não temer os ciclos.
Por fim, sorrio,
pois entendo que o mar
não é apenas ouvinte,
mas também mestre
de uma sabedoria inquieta,
que ensina a ser vasto
sem perder a essência,
e a permitir-se tempestade
sem deixar de ser calmaria.
Eu penso tanto em você… Te quero com uma fome que não se sacia, um desejo que me incendeia por dentro e arde em silêncio. É loucura sentir saudade de um corpo que nunca toquei, mas é teu nome que meus lábios murmuram nas madrugadas quentes, como uma oração proibida. Mesmo sem te conhecer, minha pele já te reconhece, como se teu toque estivesse gravado em mim desde antes do tempo.
Penso nos dias bons, mas a dor me puxa pelos tornozelos, como se eu tentasse nadar em cimento. Cada pensamento feliz é afogado por um espasmo, um aperto, um sopro de tristeza cravado no corpo. Quero ver luz, mas há sempre uma sombra colada aos meus passos, sussurrando que sonhar dói mais do que desistir.
