Tédio
TÉDIO (soneto)
Sobre minh’alma, no cerrado ao relento
Cai tal folhas ao vento, dum dia outonal
Um silêncio mortal, dum vil argumento
Tão brutal, o aborrecimento, tão fatal!
Oh solidão! Tu que poeta no momento
Abandono, no mundo, a mim desigual
Me dando ao pensamento o lamento
Num letargo sentimento descomunal.
Só, sem sonho, sem um simples olhar
Deixar de sonhar, como então fazê-lo?
Se é um aniquilamento assim estar...
Deixar o enfado num desejo em tê-lo
O que não vejo! Porém, estou a ficar.
Ah! Dá-me a aura da ventura em zelo.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto, 23 de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
És bela, eu velho;
Tens amor, eu tédio.
Que adianta seres
Bela, se a beleza
É coisa externa que
Não está no coração?
E minha velhice
Não te interessa
Já que, na vida,
Seguimos destinos
Opostos.
Tens amor, bem sei
É próprio da idade,
Que amor é
Tão somente impulso
Da natureza cega,
Para perpetuar
A miséria amarga
De nosso próprio
Infortúnio.
És bela, fui moço,
Tens amor, eu... medo.
Luz
Andei na vida pergunta fazendo
Morrendo de tédio, de tédio morrendo.
Riram os homens de meu desvario...
É grande a terra! Se riem... eu rio...
Escutei palavras; demasiadas palavras!
Umas são alegres, outras são macabras.
Não pude entende-las; pedi as estrelas
Linguagem mais clara, palavras mais belas.
As doces estrelas me deram tua vida
E encontrei em teus olhos a verdade perdida
Oh! teus olhos cheios de verdades tantas,
Teus olhos escuros onde o universo meço!
Segura de tudo me jogo a teus pés:
Descanso e esqueço.
Na sala da aula...
Conversa pra lá,
Conversa pra cá,
O que me resta e estudar,
Estudar o tédio,
Não sei por que vim pro colégio,
Será que e para ficar ouvindo música?
Quem sabe, até fazer algum amigo.
Cheguei a uma fase da minha vida, aonde o desânimo me anima, o tédio me contagia e a solidão me conquista.
O que seria da vida sem aprendizagem? Um grande tédio.
As experiências ruins, as dificuldades são os melhores professores para o nosso crescimento pessoal. Pois é na dificuldade que buscamos resiliência para lidar com as adversidades momentâneas.
Eu sempre tento achar um escape de tédio pra não pensar na gente, mas quando esse pensamento vem, ele vem atona.
Vou do tédio ao remédio
E nessa ânsia de fazer bondade
Para ser verdadeiro basta primeiro
Espalhar amizade e verdade.
Em todas as gerações nos escandalizamos com o novo, até que vire rotina e caia no tédio da normalidade.
Talvez o porque do tédio seja porquê você deixou de fazer algo para Deus, ele não é somente é a vida ele tem um propósito de você vivê-la.
Está cansada de regar flores mortas
E enfeitar o tédio
Está cansada de ser concessão onde foi poder
É preciso se reabilitar
E chamar o amor-próprio de lar
Tédio
Muito pior que a fome
É o tédio que me consome
A vontade de sair do lugar
É tão forte quanto a de ficar.
Na espera que o tempo passe
Para que algo vá acontecendo
A vida passa entre os dias
E nós, morrendo.
Perdido... em devaneios de palavras vazias.
Onde o sentido pouco importa
Só preciso ocupar a mente, literalmente.
Essa manhã de melancolia
Trouxe algumas linhas ao meu dia.
