Tecnologia
A tecnologia transforma possibilidades em realidade; o Direito transforma consequências em responsabilidade.
“A tecnologia pode transformar a forma como obedecemos à lei, mas não deve decidir aquilo que consideramos justo.”
O perigo da tecnologia não está apenas no que ela pode fazer, mas no que passaremos a considerar normal depois que ela fizer.
A tecnologia amplia nossas capacidades e, silenciosamente, pode reduzir nossa necessidade de desenvolvê-las.
Toda tecnologia que torna a decisão mais fácil torna ainda mais necessária a pergunta: ela continua sendo justa?
A tecnologia aproximou os corpos, mas o Direito ainda procura uma linguagem para proteger as distâncias da alma.
Toda tecnologia que mede o comportamento humano corre o risco de esquecer que comportamento não esgota a pessoa.
O Direito do futuro terá de defender uma verdade antiga: nenhuma tecnologia será suficientemente humana se não souber respeitar a solidão humana.
A tecnologia conquistou cada vez mais o mundo exterior enquanto começa a disputar o território mais íntimo do ser humano: sua própria consciência.
O Direito não evolui isoladamente: evolui junto com economia, ciência, tecnologia, moral e comportamento.
Quanto mais invisível se torna a tecnologia da persuasão, mais visível precisa tornar-se sua responsabilidade jurídica.
A tecnologia tornou possível falar individualmente com milhões; o Direito precisa impedir que milhões sejam individualmente manipulados sem saber disso.
Toda tecnologia de comunicação amplia alguma liberdade e cria alguma nova vulnerabilidade; a história do Direito é, em parte, a história dessa negociação.
O homem moderno colocou uma máquina entre si e quase tudo, mas ainda não inventou uma tecnologia capaz de separá-lo de sua própria vaidade.
Quanto mais poderosa a tecnologia, mais antiga se torna a pergunta: quem vigiará aqueles que vigiam as máquinas?
