Te quero demais
Eu me rendo.
Eu me esvazio.
Eu quero a Tua glória — mesmo que ninguém veja.
Que cada palavra que eu falar,
não seja performance,
mas flecha que vem do Teu Espírito.
Eu quero te dizer algumas coisas
Pra te fazer pensar, se quiser:
Por que será que há cores tristes
Se elas são as mesmas
A alegrar-lhe os olhos taciturnos
Quando vistas no Arco-íris
Será que a sua incompreensão
Alguma vez lhe permitiu saber
Que existem Arco-íris noturnos
Projetados pela tênue luz lunar
Eles estarão sempre lá
Nas noites passadas e futuras
Pois sempre haverá
beleza e alegria
Nas noites mais escuras
dos quartos sem janela
e até mesmo não havendo um teto
Por todo lugar onde olhar
Se atentar para o fato
de que neste Mundo e nesta vida
Quase tudo é abstrato
e seus olhos
Enxergam somente
Aquilo que for tridimensional
Tudo existe em igual proporção
Mas nada é concreto
Esta vida é mera ilusão
Seus olhos até hoje
Enxergaram aquilo que teu coração
deu de fato como certo
Porém, sob esta óptica
Teu coração também não existe
Esta existência, na verdade
É somente uma ilusão exótica
Que Deus usou
para explicar as suas dores
Enquanto ainda enxergares
cores tristes
Alegria e tristeza
São somente ilusões
Que juntamos aos pares
depois dividimos meio a meio
E vem do mesmo lugar
De onde tudo veio
Um lugar onde é tudo perfeito
Creio que sou eu
A criar a imperfeição
Quando vejo as coisas
do meu jeito.
Um dia eu vi um casal de quero-queros
Procurando seu ninho desaparecido
Após a passagem
de um descuidado jardineiro
Eles piavam desesperadamente
Chorando e saltitando
A grama havia sido cortada
rente, muito rente
Aquilo me causou uma profunda angústia
Mas eles não guardaram mágoa
Não fantasiaram vingança
Construíram outro ninho, provavelmente
E seguiram adiante, em suas vidas
Não vivem de passado
Não plantam e nem tecem
deixam sua tristezas de lado
as esquecem
Portanto, não escrevem poesia
Vivem somente o dia-a-dia
Aceitam os desígnios do Criador
Cantam todo dia
A mesma canção
Eles são
A própria poesia
Quero-Quero
Porém, se Deus não der
Não tem problema
desta vida nada espero.
Eu não aceito
Viver em um mundo
Em que as coisas sejam
Todo dia do mesmo jeito
Não quero aceitar essa lógica
Tão trágica
Onde se admite
A inexistência da mágica
Um mundo
Onde tudo faz sentido
E pra tudo
Existe uma explicação
Enquanto
Eu olho ao meu redor
E enxergo uma infinidade
de absurdos
Que o mundo aceita, simplesmente
Como fatos consumados
Prefiro conversar com as nuvens
E viver em uma época
Em que todos os relógios
Andem também para trás
Um mundo mais suave
Sem vozes tão graves
Talvez até
Sem gravidade
Pra que a mente possa
realmente voar
Sem medo de altura ou de queda
Eu quero viver em um mundo
Onde o adulto se cala
Enquanto a criança fala
E ambos seriam a mesma pessoa
O mais triste é
Que essa outra dimensão existe
Bastaria pra nós
Aceitá-la
Pouco antes
de eu nascer
Enviei a Deus
uma prece
que dizia
"Me salva, não quero viver"
Porém
Nem tudo pode ser feito
do jeito que a gente queria
Então que se faça
o melhor que a gente possa
pois a maior graça
Que existe em tudo isso
é saber que existe um compromisso
um trato bilateral
e mesmo
Que eu conseguisse
Fazer meu melhor
e realmente melhorasse
tudo ao meu redor
Nada faria sentido
Quando a resposta que vem
lá do outro
Não fosse infinitamente
Maior
e melhor
Edson Ricardo Paiva
Calma.
Eu não quero ser
Não pretendo ser
Não sou e não serei jamais
Alguém que muito mente
Como se vê, tão comumente
Eu quero ser somente
Alguém que espalhe sementes
Sempre de paz
Como pouca gente faz
O que eu queria ver
Era alguém sinta prazer
Em me ouvir
Quando eu disser o que digo
Não ligo pro ouro do mundo
Minha busca é
e sempre foi
Por algo que está mais profundo
E cujo brilho
Nada ofusca
Eu quero encontrar a calma
Que se esconde
Na escuridão dos sonhos
Na hora em que a alma se expande
e tudo se acalma
Este mundo não é assim
Tão grande
A ponto de esconder eternamente
Algo que não está perdido
A gente só não sabe
Ou pensa não saber
O lugar certo de procurar
Aquilo que cabe aqui, bem perto
Se não estiver agora
Será somente porque
Ainda não é a hora
Eu quero ser aquele
Que te ajuda a encontrar
Aquilo que comumente
A gente sente
Vontade de sentir
Sem saber bem ao certo o que é
Mas pressente ser melhor
Que essa dor que a gente sente
Tão comumente
Edson Ricardo Paiva
No lugar onde eu moro
O vento sopra de noite
Quero-quero canta de dia
Às vezes os papeis se invertem
E o vento sopra de dia
Quer-quero canta de noite
Horas há, também
Em que tudo se mistura
E o vento e o quero-quero
Sopram e cantam noite e dia
E ambos se divertem
em me ver
na dúvida mais pura
Abrindo a janela
e fechando as cortinas
Abrindo as cortinas
e fechando a janela
Centenas de vezes ao dia
e às vezes
Também de noite.
Edson Ricardo Paiva.
Um amor com sentido.
Eu quero um amor que me ame
Um amor que não me amou
Pois, a bem da verdade
Não existiu, não ensinou-me amar
Eu, por não saber o amor
Não o sei dizer como é
Eu quero que um amor me queira
Sem saber que me quer
Um amor que ame sem pensar
Que chame meu nome
De maneira inconsciente
Que fique contente ao saber de mim
Sem saber nada a meu respeito
E que mesmo assim
Esse amor me ame do mesmo jeito
Que acorde com saudade
Que se deite tarde da noite
Feliz por saber que existo
Triste por eu não estar por perto
Um amor que espreite
Atrás da grade da janela
Esperando eu passar
Tentando ser discreta
Feliz por me amar
E que não desperte suspeita
Que ama
Mas que ame sem medo
E que tenha grata esperança em meu lugar
Pois viver sem ser amado e nem querido
É coisa que cansa, mas não mata
Mas, em virtude dos amores ruins
Que eu sei que existem nesse mundo
E quando a gente pensa
Num amor que sempre quis
E sabe possível haver amor assim
Meu espírito feliz, consente
E é nesse momento
Que a vida passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva
Eu quero a chuva
Num dia de Sol
No mesmo Sol
De uma manhã de inverno
Eu quero a sorte
de noite estrelada
Que seja hoje
e de novo amanhã
Calor de Sol
Numa blusa de lã
Espero
A curva lá da ventania
Eu quero vida na vida
E se eu pudesse querer
Outra coisa qualquer
Desejaria que ela fosse
Linda
Linda como a chuva
Num dia de Sol.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu quero ir pra algum lugar
Onde pensassem por mim
estou cansado de tentar
quero parar e ver meu fim
Quero ir para um lugar
onde não sei aonde
passar por um buraco de minhoca
sentado na janela do bonde
hoje eu quero comer fruta do conde
olhando roupas balançando no varal
nos fundos de algum quintal
Quem sabe o vento me carregue
até que o tempo me vença e eu me entregue
hoje eu quero ir pro céu numa charrete
atravessar o rio
carregando uma moeda pro barqueiro
quero esquecer o mundo inteiro
e a vida que me esqueceu
hoje, tudo que eu queria
era poder sentir um pouco da alegria
de saber que eu não sou mais eu
esquecer o que eu fiz de errado
pois o maior erro que eu cometi
foi tentar fazer que alguém me entendesse
Ninguém entendeu
hoje eu vejo minha vida
como um livro que já foi lido
nesta manhã de domingo
ser colocado numa estante e esquecido.
Às vezes quero ver o Sol à noite
E olho as Estrelas,
que são Sóis distantes
Enxergo hoje as coisas
Como não as via antes
Hoje não adianta mais
Saber o que devia ter descoberto
No tempo em que nasciam flores
Onde hoje tudo é deserto
Eu, que desejava tanto a Guerra
Enquanto vivia em paz
As vicissitudes desejadas
Foram tão rudes
Quanto inesperadas
E hoje eu olho as coisas
Tão distântes e digo
Faz um tempo
Tanto tempo, Meu amigo
Que queria desviar-me
Dos caminhos que hoje sigo
Aprendi a caminhar
Conheci os segredos dos Mares
E dos Nós de Marinheiro
Esta noite eu enfrentei
Uma tempestade atróz
Querendo encontrar o caminho
que me conduzisse de volta
À ilha dos Girassóis
Uma fada dança em minha mão
Tenho esperança, ainda
De que tudo mude
E que o vento sopre em direção
Ao final deste Mar
Que não finda
E caminhar finalmente pela praia
Ao final de uma tarde linda
Antes que a vida se esvaia
Consumida pelo tempo
Tanto tempo
Meu amigo.
Não te peço que me diga
Quero apenas que pergunte
A si mesmo
E então, talvez consiga
Responder
Porque é que as tuas vontades
Puderam se transformar
Em sonhos antigos
Antes mesmo que pudessem
Se tornar realidade
Não coloque nunca teus sonhos
Nas asas de um passarinho
Eles voam longe, pra nunca mais
Pra conseguir ser feliz
Viver pra sempre
bem e em paz
Não penses que nada é ilusão
Tudo nasce antes na mente
de quem sonha
com os pés no chão
Cante alto, sonhe e grite
Quem te fez
Não fez limites
Só não permita jamais
Qua a tua felicidade
Esteja atrelada
à alheias vontades
O Mundo dá voltas
e volta e meia
As pessoas mudam de ideia
Queira e realize teus sonhos
Não sonhe os sonhos de alguém
Quando você quer e faz
de verdade
Contando consigo somente
Os Anjos dizem
"Amém"
Haverão de dizer um dia
Assim seja feito
Pra mim
E pra você também.
edsonricardopaiva
Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente
Hoje eu não quero paixão
Não quero cobrança
Não quero ciume
Não quero entrar e nem sair
do coração de ninguém
e nem chegar e nem partir
Hoje eu não quero
lembranças boas, nem ruins
Nenhuma promessa de crime
Hoje eu queria apenas
Ter por perto
Alguém que goste de mim
... só isso
Alguém que me olhasse
com carinho
Se não fosse pedir demais
Queria que me olhasse sorrindo
e dissesse
Que estaria ao meu lado
Sempre que eu precisasse
E tivesse certeza
de que eu cumpri
e mantenho o compromisso
em também estar ali
E sem dizer mais nada
Ficar ali, de mãos dadas
Vivendo a sós
A vida que havíamos prometido
viver juntos
Eu e ela
Nós
Sem nós na garganta
sem precisar de garantia
por saber
Que só o afeto de hoje
Garanta o dia de amanhã
Há coisas que eu quero
Existe em mim esse segredo
de querer algumas coisas
Que eu sei que jamais terei
Não tento tê-las
Por medo de finalmente não saber
O que vou fazer com elas
Isso pode parecer inexplicável
Mas isso não quer dizer
Que esse querer
Não seja um querer infindável
Ou que esses objetos de desejo
Sejam para mim inatingíveis
Porquanto são coisas pequenas
Não me esforço em conseguí-las
Apenas porque minha vida
Segue bastante tranqüila sem elas
Buganvília Laranja quase
avermelhada quero ver
o seu inspirador florescer
enquanto eu viver
e tiver sempre toda
a poesia do mundo
para o meu amor escrever,
Porque do jeito que o quero
desejo que ele também
queira vir a me escolher
além do tempo e das danças
das auroras matutina e vespertina.
Ouvir o Joropo de outrora
na sua voz amorosa,
Não nego o quanto te quero
com paixão saborosa,
E por isso enquanto
você não ouvir de perto
você tocar e cantar,
Vivo a escrever Versos Intimistas
para continuar a te esperar.
Tudo o quê eu quero
sempre vira poesia,
você não me querer,
o Cedro Batata
e eu insistir sem
mais nem o porquê
Versos Intimistas no afã
de ser tudo para você.
Sublime Flor de Izote
que conquista
com aroma e sabor,
assim quero ser amor.
Desejo que cultivo
assim ser no seu destino,
Porque sei que na sua
mente e no coração já existo.
Florescendo por cada rincão
seu assim sou o seu amor
de perdição e tu és todo meu.
Etérea e terna devoção tu
virá na hora certa e não há
nada no mundo que impedirá.
Lignum Vitae que cura
e enfeita com a mais
estonteante florada
deixando-me inebriada
Quero sempre cobrir
os meus cabelos
com as suas flores
e o maior dos ledos
Em companhia do mais
doce dos segredos
tecer nossos enredos
Com paixão ardente
pelo amor infrene
e imenso benquerente.
