Te Amo Menino

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Brinque com ela; seja um pouquinho menino, dance com ela na chuva, e se molhem.

Já fui menino
Andando de braços abertos
Em cima de muros altos
Avesso a qualquer redoma
Incauto e descalço
Um gênio sincero
À espera ingênua
da imensa luz que dissipasse as sombras
E somasse sempre aos sonhos
Desenlaces concretos
Menino inquieto
Que um dia caiu de nuvens
Levantou-se
E sem chorar foi seguindo a vida
Alheio às coisas do mundo
Crédulo e feliz
A cada nova jura
Num tempo que não jura nada
Mas cumpre
A cada ameaça que porventura
Tenha vindo acompanhada de sorrisos
Sou menino perdido ainda
Atrasado na tarefa de crescer
Prefiro morrer assim
Não quero que digam no final
Que eu tenha sido igual a eles.

Edson Ricardo Paiva.

Dor de Dente


Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia a mentira dá dor de dente


Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia mentira dá dor de dente


A minha vó me ensinou e hoje eu sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes


Minha vó me ensinou e hoje sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes

Enquanto menino sou um náufrago do destino que roçando os caminhos do coração encontrou seu amor divino

Um menino inocente
Habita um jardim vazio.
O sol já não brilha,
E as estrelas perderam sua luz.


O vento sopra mansamente,
Acariciando os cachos do menino,
Enquanto o silêncio repousa
Sobre aquilo que um dia floresceu.


Mas, em seus olhos,
Ainda amanhece.
E o jardim, esquecido pelo mundo,
Desconhece a luz que abriga.


Talvez o menino não saiba
Da escuridão que o cerca.
Talvez a chama que carrega
Seja a última a se apagar.

Afinal, menino levado faz o que? Travessuras? Sempre tive cara de travesso, mas nunca fui levado -- Me levaram é claro, mas para outro lugar -- Levado fui de minha morada ao descobrir que nunca fora minha. Agora levo-me e levo pessoas como a minha morada. Assim consegue-se carregar para qualquer lugar, até mesmo uma outra casa. De casas entendo, já morei em várias, algumas, me sentia em casa, já outras, nem tanto -- às vezes, sentia que minha casa era mais casa do que onde morava.
Minha casa desabou. Como? Não vi, uns pedreiros foram lá reformar, não, na tentativa de mascarar as dores causadas à casa -- particularmente adoro maquiagens -- sofreu de reforma. Os pedreiros teriam realizado um trabalho impecável se não tivessem esquecido de reformar as pessoas que lá moram. Uma nova casa com hábitos antigos. Pensei a respeito dessa frase. Seria no futuro -- pós reforma -- que os hábitos que perpetuaram décadas de convivência em sua morada, se tornaram o passado? -- pós reforma. Conseguira ela -- a casa -- dispor deste vasto poder sobre o tempo ao mudar a cronologia das ideias ao presentear ao passado o presente? Se alguma coisa mudou, foi a casa, e eu, me mudei de lá.

Quero ser como o menino Davi: cuidar das ovelhas com paciência, cantar louvores com sua pequena harpa, e sonhar com o dia em que serei digno da coroa dos céus, podendo enfim estar na presença do Rei dos Exércitos, em um louvor eterno que transcende todo sofrimento.

Um menino de costas carrega nas mãos vazias
tudo o que não pôde salvar. O piano calado chora por dentro, o violão perdeu as cordas como quem perdeu a fé. Anjos sujos ajoelham na lama, pedindo perdão por não terem chegado a tempo. As máquinas, cansadas de pensar, aprenderam o silêncio. E mesmo assim, ao longe, a água insiste em cair, porque o mundo acaba muitas vezes, mas a vida sempre encontra um jeito de continuar descendo.

Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.

Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.


- Tiago Scheimann

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, mas hoje eu o abraço, porque finalmente aprendi que ele também merece amor.

ARRUMADINHO DE AMOR

Desde os tempos de menino,
Quando a vida era brincar,
Já diziam: "Esses dois
Ainda vão se enamorar."
Théo sorria para Flor,
Sem saber o que esperar.

As famílias, entre risos,
Já faziam armação,
Um passeio no parquinho,
Uma doce diversão;
Era um jeito carinhoso
De plantar a afeição.

No balanço e na gangorra,
Na corrida e no escorrega,
Os olhares se cruzavam,
Sem que o tempo desse trégua;
A inocência da infância
Foi quem fez a entrega.

Veio então a adolescência,
Na escola a estudar,
Sempre havia um professor
Que fazia aproximar;
Na mesma fila da sala,
Pra conversa despertar.

Num trabalho em parceria,
Num caderno a dividir,
Entre provas e recreios
Viram sonhos florescer;
Sem que o mundo percebesse,
Começavam a se querer.

Já na flor da juventude,
Nas festinhas do lugar,
Os amigos insistiam:
"Vocês têm que se encontrar!"
Cada dança era um convite,
Cada música um luar.

Quando a vida fez madura
Sua estrada prosseguir,
No cinema, lado a lado,
Foi difícil resistir;
Na penumbra da telona
Fez o amor se definir.

Já adultos, os encontros
Reuniam amizade;
Sempre alguém organizava
Com enorme felicidade:
"Théo e Flor vêm para o jantar,
É por pura afinidade!"

Tantos laços preparados,
Tantos risos sem igual,
Mostravam que o destino
Escrevia um ideal;
Cada encontro era um capítulo
Desse enredo magistral.

Um olhar virou promessa,
Um abraço, um coração;
Duas almas descobriram
A perfeita direção;
Quem nasceu pra caminhar junto
Vence qualquer solidão.

Hoje contam essa história
Com ternura e gratidão:
Nem foi sorte, nem acaso,
Nem somente intenção;
Foi Deus guiando os caminhos
Com amor e perfeição.

⁠"Quando era menino...entre as brincadeiras preferidas...uma bola chutava e a bicicleta pedalava...tempinho bom nós velhos campinhos onde a bola não rolava e as piadas desenrolavam as línguas avidas por uma boa gargalhada...amizade pura...Inocencia de criança...um tempo sem tempo de perder tempo e não sentir o tempo passar...saudade da criança que fui...da gurizada do fim de tarde esperando para brincar...viver é ser feliz...tempo que passou e não volta mais...uma tristeza combatida pelos sonhos...quando durmo ainda consigo sentir aqueles momentos...bora sonhar...voltar a ser criança...eternamente em meus sonhos."⚽️

— Olhar de Vidro: Uma Jornada de Descoberta no Jardim Botânico
Rafa é um menino que enxerga a natureza de forma técnica e distante, como algo a ser estudado e analisado. Durante um passeio escolar, ele conhece Raione, um menino indígena que o convida a olhar o mundo com mais sensibilidade. Ao observar pequenos detalhes da vida natural, Rafa aprende que a verdadeira riqueza da natureza não está em dominá-la, mas em respeitá-la e cuidar dela. Essa experiência transforma seu jeito de ver o mundo, despertando nele empatia e conexão com a vida ao seu redor.
Essência da história: aprender a sentir a natureza é tão importante quanto entendê-la. 🌿

O Menino que Engoliu um Pôr do Sol
​Lucas não lia livros. Para ele, eram apenas pilhas de papel com cheiro de poeira. Prefiria o videogame, onde as cores piscavam e tudo acontecia rápido. Um dia, sua avó, uma senhora que parecia feita de algodão-doce e mistérios, lhe entregou um livro pequeno, de capa azul-marinho.
​— Este não é um livro comum, Lucas — disse ela, com um brilho maroto nos olhos. — É um mapa. Mas não de lugares que existem no globo terrestre.
​Lucas abriu o livro com má vontade. Não tinha desenhos. Só letras pretas, enfileiradas como formigas cansadas. Começou a ler a primeira frase, resmungando: “No castelo feito de nuvens, o guardião dos ventos guardava o último pôr do sol em uma garrafa de cristal…”
​Ele bocejou. Mas continuou. Na terceira página, algo estranho aconteceu. O cheiro de poeira sumiu. No lugar, surgiu um aroma fresco de chuva e… baunilha? Lucas olhou para a janela. O céu estava nublado. Mas no livro, a descrição do pôr do sol era tão intensa que ele sentiu o calor alaranjado bater no rosto.
​As letras pararam de parecer formigas. Elas começaram a dançar, a formar formas, a virar sons. Ele ouviu o uivo do guardião dos ventos, sentiu o frio das nuvens sob os pés e, sem perceber, mergulhou de cabeça na história. Quando fechou o livro, horas depois, a sala estava escura, mas seu coração brilhava como se tivesse engolido o tal pôr do sol do guardião.


Uma metáfora poética e extremamente sensorial sobre o poder do despertar da leitura. A transformação na percepção do Lucas — de ver as letras como "formigas cansadas" para sentir o "calor alaranjado" no rosto — constrói um contraste lindo entre a rapidez imediata das telas e a profundidade imersiva da imaginação.
​A riqueza sinestésica do texto é o grande destaque. A transição dos aromas, saindo do cheiro de poeira para o cheiro fresco de chuva e baunilha, junto com a caracterização da avó "feita de algodão-doce e mistérios", cria uma atmosfera acolhedora e verdadeiramente mágica.

O MENINO DA SUA MÃE


No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.


Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.


Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».


Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.


De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.


Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,


O menino da sua mãe.

Uma mulher conhecerá verdadeiramente o amor de um homem, quando mãe de um menino.

Hoje sou um homem adulto, mas ainda sinto medo da chuva. Quando menino, brincava descalço nas poças, e meu irmão e os vizinhos corriam atrás da bola, rindo, escorregando, encharcados. Eu ria junto, mas por dentro algo apertava o peito. O cheiro da terra molhada, os trovões distantes, a água batendo no rosto, tudo isso ficou gravado em mim, mas transformado em receio. Hoje, ao ouvir as primeiras gotas, me devolve o menino que brincava, mas também o medo que nunca soube nomear. Falar a verdade...
Tenho medo da chuva...
Medo é coisa de Gente, né?

O TERREIRO DO MENINO




De longe se avistava


a copa da mangueira,


o abacateiro e o pinheiro


que contavam as histórias


do menino do terreiro.


Cercado de madeira


com portão de tramela,


aquele pequeno mundo


se encantava aos meus pés


e ali foi minha infância,


mais ou menos até os dez.


Goiabeiras e jaqueiras


enfeitavam o cenário,


a pilha de lenha,


o pé de limão


e o velho fogão de chão.


Lona com cafés estendidos no quintal


e até a escadinha com grama no degrau...


É a pintura da criança


que guardo na lembrança.