Tão longe
MANHÃ NASCIDA
Nasce vergonhosa atrás das montanhas.
No fitar do meu olhar
Ao longe,
Parecem-me mamas tamanhas
Afagadas de par em par
Pelas mãos docinhas de um monge.
Vem de mansinho
Pela madrugada,
Como correio que não me traz nada
Na caixa deste meu ninho.
Nem sol, chuva ou nevoeiro
Ela me traz,
A senhora das manhãs,
Quando deixo o travesseiro.
Apenas, uma fome voraz
De dizer ao mundo
Mordaz
Que o dia não nasce
Nem se pasce
Necessariamente,
Realmente,
Pelas manhãs.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 12-10-2022)
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
DECEÇÃO
Nunca de longe ou de perto
Pelo certo do incerto,
Chegarei a ser poeta,
Ou dizedor de palheta.
E assim me tornei anacoreta
Sem relógio ou ampulheta
Nesta gruta
Abrupta,
Onde vou morrer
Sem saber
O que é ser
Realmente,
Verdadeiramente,
Poeta!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-01-2023)
P E P I T A
Quando me foges ao longe
Fico tão triste, desprezado,
Torno-me em vida de monge,
Nesta solidão do meu fado.
Foste sempre o meu outro lado,
O calor no frio dividido em dois,
No aconchego do nosso estrado,
Erguido no antes para o depois.
Fica-me no olfato o perfume,
Do teu cheiro de puro ciúme
Tão louco e canil que agita.
E queima como o forte odor
Dos teus sonoros flatos de amor,
Minha terrier cadelinha, Pepita.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 10-01-2023)
MAR LONGE DE TÃO PERTO
Um dia destes vou morrer, ó mar...
Sem te poder sequer avisar
Ou mandar um recado pelo ar
Pela terra e não por mar,
Que mar já és tu tão distante
Deste meu penado cante,
Poema ao longe sem te abraçar.
O que me fizeram, ó mar!?...
Agora que não tenho força de andar
Para sentir-te num solfejo
E amar a areia que amas num beijo.
Manda uma concha da tua água até mim,
Que mate a sede dos meus pés
E abrande a minha mágoa sem fim.
Que a tua água salgada
Seja cura abençoada
Das chagas deste meu ser
Um pouco antes de eu morrer
Na cama deste poema,
Dilema sempre de mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-02-2023)
MARIA DA FEIRA SANTA
Meu longe à beira, paraíso,
Minha Feira amada,
Pelo rio Cáster banhada,
Que revives em pleno juízo
Os tempos antes de nós.
És mais velha que as árvores
Que te dão cor e refrigério,
Mesmo à sombra do castelo
De tantos louvores
E amores
Tão sós,
Na tua casa, meu eremitério.
Quando choras, eu choro também
No pranto de quando falta alguém
Nos torreões do castelo
Velho,
Magicamente tão belo.
Quando ris com rosto que encanta,
Eu rio também
Como ninguém,
Maria da Feira Santa.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 20-02-2023)
Há momentos na vida, que se faz necessário retornar para que possamos ir mais longe, com o objetivo de alcançar a vitória!
Há certas coisas na vida que não podemos evitar, agora se eu puder evitar gente chata, passo longe.
Existem pessoas que me fazem sorrir, mesmo estando longe... Apenas com lembranças de um momento bom... Imagem que fotografamos para sempre na memória... As vezes acompanhadas com cheiro, com a voz ou com a melodia do sorriso...
Por mais que eu a ame vou ser feliz longe,
Entre dezoito horas de brigas e seis de amor
escolho vite quatro de paz.
" LONGE DE VOCÊ "
sem seu carinho sinto-me orfã de um amor que só cresce dentro de me,
meu sorriso perde a graça,
minha palavras o sentido,
certeza de tudo é cheia de dúvidas
até mesmo de quem sou,
a única afirmação é o meu amor por você.
Talvez o amor pra ela é pouco,
vindo de tão longe de um poeta louco.
fez ela pensar um pouco... Talvez.
