Talvez

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Talvez a rosa sem espinhos não exale o mesmo perfume.

Se é sempre o outro o culpado, talvez o problema seja o espelho que você evita.
Responsabilidade não dói — a fuga é que dói.
Culpar é fácil, amadurecer não.
Mas só um deles te liberta.

O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais.

Jorge Luis Borges

Nota: Trecho do conto A biblioteca de Babel.

A suíte

A casa era grande.
Grande demais para o que eu sentia, talvez. Ainda assim, deixei a luz acesa. Não por alguém, mas porque apagar seria admitir o escuro. E eu ainda confundia claridade com salvação.

Houve um tempo em que acreditei que abrir era virtude. Que permitir era sinal de força. Hoje sei que abertura demais também cansa. Também fere. Também confunde.

O quarto ficava ao fundo. Sempre fica. Não por mistério, mas por necessidade. O íntimo não gosta de ser primeiro. Gosta de ser alcançado. Chegaram sem chegar. Entraram sem perceber que não se entra assim.

O cuidado morreu sem alarde. O medo continuou. No chão, marcas. Não sei dizer de quem. Sei que eram muitas. Sei que eram minhas também.

Deixei ficar porque era confortável. E porque havia em mim uma fome antiga de partilha. Achei que emoção se ensinava pela convivência. Errei. Emoção não se aprende por uso. Emoção é nascimento ou é ausência.

As sandálias vieram da rua. Trouxeram o mundo para dentro do lugar onde eu me limpava. Algo em mim percebeu, mas tarde. Sempre tarde. Retirei a sandália com um gesto simples. Às vezes, a lucidez não faz barulho.

Arrastei coisas que não eram minhas. Não por amor, mas por cansaço. Quando a força vira rotina, a gente chama de vida o que já é peso. E segue.

Eu morava no silêncio. Não como quem se isola, mas como quem respira. A pressa não me alcançava ali. A casa era grande demais e, talvez por isso, eu tenha achado que precisava ser ocupada.

Quem entrou espalhou-se. Confundiu abrigo com posse. Deitou onde eu sonhava. Comeu do que eu guardava. Aos poucos, fui ficando estrangeira daquilo que era meu. É estranho perceber isso. Mais estranho ainda aceitar.

Bebi da água errada. Não por ignorância, mas por sede. A sede explica muita coisa. O lar, então, deixou de ser lugar e passou a ser pergunta. Fechei portas por dentro. Pela primeira vez, não quis olhar.

Os nomes vinham como vento. Ficavam. Ocupavam. Não pediam. Usavam. Tudo era palco de um movimento que eu não dirigia mais. E não era destruição. Era desgaste. O que se perde devagar dói diferente.

Até que a noite cansou. Ou eu cansei da noite. Não sei bem.

Retirei a sandália. Abri a porta. Não para receber. Para deixar ir. A saída aconteceu sem drama. O que precisava passar, passou.

Voltei à cama. Sentei. Respirei. Há momentos em que respirar é uma decisão.

Ainda moro na bagunça. Porque reconstruir não é limpar, é sustentar o vazio enquanto ele se organiza. A porta de entrada permanece fechada. Não por medo.

Por atenção.

Por mim.

Seguindo em Frente

Que você nunca resiste a um grande amor. Que, talvez, ninguém seja capaz de superar a saudade. Que, quem sabe, apenas alguns poucos se curam dela. Que passa o tempo, passa a vida, mas é o encanto que não passa. Que, de manhã, você acorda e lembra dela; e, à noite, você não dorme porque lembrou. Que se um dia você pudesse voltar, voltaria para os braços dela, só para lembrar como foi bom, e para não morrer de saudade. Que depois de algum tempo, não é o amor que perde a graça, é você que perde a vontade. Mas que nada é como perder alguém incrível... Que a vontade volta e maltrata. E que, de longe você é durão, mas, de perto, você é frágil e se entrega. Só que você precisa ser mais forte, seguir em frente e ser melhor. Que a felicidade está logo ali, um pouquinho à sua frente, mas você precisa se livrar de tudo isso e ir adiante, tirar suas mãos desse passado e deixá-las livres, para que possam segurar o seu novo amor quando ele chegar.

A vezes fechamos os olhos diante da verdade talvez por sentirmos medo ou vergonha dos nossos próprios erros e assumir que somos falhos, pois se você é capaz de sonhar com certeza sera capaz de realizar. Daqueles que não somos capazes de entender os motivos devemos ao menos compreender as razoes. Se um dia você estiver triste achando que o mundo inteiro te esqueceu… Lembre-se que neste exato momento alguém esqueceu o mundo inteirinho só para lembrar de você… Coração de amigo é igual a hospício: sempre cabe mais um doido. Não choro porque você me ensinou a sorrir, não sofro porque você me ensinou a amar, não morro porque você me ensinou a viver

Não vivo uma boa fase da vida.
E talvez esse seja o maior problema:
já não sei mais quando foi a última vez
em que a vida realmente me habitou.
Os dias passam,
mas não deixam marcas boas.
Só acumulam cansaço.
Um cansaço antigo, profundo,
que não some com descanso
porque não vem do corpo —
vem da alma.
Estou brigado com quase toda a minha família.
Não por ódio,
mas por desgaste.
Por palavras ditas tarde demais
e silêncios longos demais.
O presente cobra explicações,
o passado cobra perdão,
e eu não tenho forças para pagar nenhum dos dois.
Perdi o trabalho.
E junto com ele,
perdi a sensação de utilidade,
de pertencimento,
de dignidade.
Quando não se tem mais um lugar claro no mundo,
qualquer lugar vira fuga.
Passei a sair de casa como quem foge de um incêndio invisível.
Coloco a mochila nas costas
— às vezes vazia, às vezes pesada —
e pego um ônibus qualquer.
Não importa o número,
não importa o destino.
O movimento engana a dor por alguns minutos.
Enquanto o ônibus anda,
parece que a vida também anda.
Mas quando desço,
tudo continua exatamente igual.
Tento me enganar.
Tento enganar os outros.
Finjo que estou resolvendo coisas,
que estou sendo útil,
que estou indo atrás de algo.
Mas, no fundo,
só estou tentando adiar o momento
de encarar o que me dói.
As pessoas dizem que eu sou louco.
Talvez porque eu suma.
Talvez porque eu não saiba explicar
o que acontece dentro de mim.
Às vezes, eu mesmo começo a duvidar da minha sanidade.
Porque não é normal se sentir tão deslocado
mesmo estando rodeado de gente.
Não é normal carregar tanta tristeza
sem saber exatamente onde ela começou.
Eu não quero morrer.
Mas também não sei mais como viver assim.
Existe um espaço estranho entre essas duas coisas
— um lugar onde a pessoa apenas aguenta.
E é lá que eu moro hoje.
O que eu queria
não era luxo,
nem reconhecimento,
nem vitória.
Eu só queria um lugar tranquilo.
Um lugar onde eu pudesse descansar em paz
sem precisar fugir,
sem precisar provar,
sem precisar ser forte.
Queria um lugar
onde o passado não gritasse,
onde o presente não cobrasse,
onde o futuro não assustasse.
Queria silêncio.
Queria pausa.
Queria alívio.
Porque viver assim,
carregando tudo sozinho,
se sentindo errado,
cansado,
perdido…
isso também machuca.
Só não deixa cicatriz visível.

Talvez o mundo não esteja em silêncio.
Talvez ele fale o tempo inteiro,
em sinais simples, em verdades nuas,
mas poucos escutam sem o ruído do ego.
O deserto não é externo —
ele nasce quando a mente se fecha
e transforma perguntas em muros.
As sombras não vivem fora da luz,
vivem no medo de encará-la.
As correntes não são de ferro,
são feitas de certezas vazias,
de ignorâncias defendidas com orgulho.
E a saída do labirinto não exige força,
apenas humildade para admitir
que a luz sempre esteve ali,
esperando ser vista.

Talvez o fim de um ano

não peça celebração,

mas recolhimento.

Viver nos ensina muito. Mas talvez a maior lição ficamos sem aprender e por isso buscamos em outro o que nos falta. Se não aprendemos a expressar o amor então que a vida nos permita continuar tentando.

⁠De todos os nossos medos, talvez a perda ou a ruptura dos nossos maiores afetos, sejam suficientes para percebermos o quanto ainda precisamos valorizar a vida...

⁠Uma vez por semana, talvez, eu acordo paralisado, revivendo aquela noite. Mas, antes de o sol se pôr, acho que foi o melhor dia da minha vida.

Pratique o desprezo! Ele é o caminho para o esquecimento, e talvez, o da felicidade.

⁠Fim de tarde...
Talvez seja o fim de uma versão ou até mesmo de uma vida.

Se o cérebro pensasse na mesma frequência do batimento cardíaco, sem parar, talvez, não haveria tanta gente enganada no mundo.

O sentido da vida talvez seja apenas a coragem de permanecer aceso, mesmo quando o mundo insiste em soprar a chama.

Talvez o maior sentido da vida seja transformar sofrimento em consciência

mais um ano se foi e vc talvez esteja pensando que não saiu do lugar(e isso realmente possa ter ocorrido). Mas lembre-se que, TUDO tem o seu TEMPO. apenas faça uma escolha de como vai querer passar esse tempo, sendo ele "parado" ou em "movimento". Garanto que, sendo com Jesus, o Cristo, vai ser a melhor escolha que fará nessa vida..

"Não sei se era o vestido vermelho que parava o lugar.
Talvez fosse o cabelo preto, ou a beleza no olhar.
Só sei que eu estava ali e ela estava lá.
A cada vislumbre, troca de olhares, era eu um mero mortal a admirar.
Pensei que a beleza fosse um veneno, pois senti meu coração acelerar.
Linda, dos pés à cabeça, cada detalhe digno de se pintar.
As palavras são pobres para descrever, a beleza narrar.
Sei de muitas coisas, mas o que não sei é se era o vestido vermelho ou a beleza dela que parava o lugar..."

talvez eu seja o seu "para sempre"⁠