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SONETO DE CARNAVAL

Chora a cuíca, a folia se apresenta
Bate o bumbo, samba, é só alegria
A mulata desce a ladeira, sedenta
Os bate-bolas, pelas ruas, ousadia
E vem o bloco do concentra, tenta
E não sai. Cadê a viva harmonia?
Na estação de Madureira, atenta
A velha baiana, gira, gira, rodopia

É bloco pra todo lado, pierrô calado
E colombina, menina, tão cantante
E distante, feliz amante, apaixonado
Afinal! é Carnaval, delírio e poesia
Quatro dias ao figurado abraçado
Pra na quarta-feira, tirar a fantasia...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16 fevereiro, 2023, 15’57 – Araguari, MG
Meus antigos carnavais

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SONETO FIGURADO

Poeto... e quem lesse logo imaginaria
Que poesia feliz! Que verso amoroso!
Encantada estrofe, poema venturoso
Cheio de atraente sensação, todavia
Mal sabe que na entrelinha, só utopia
Escondida prosa dum fingido virtuoso
Sentimento, sussurrante, tão doloroso
Choroso. A mais pura e dura fantasia

Na poética o riso no devaneio perdido
E a felicidade sem rima e sem sentido
Descrido, onde uma infelicidade junca
Ah! Postiça emoção, fria e sorrateira
Minha inspiração queria estar inteira
Mas tu, saudosista, esquecer, nunca!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 junho, 2023, 19'57" – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SONETO DE INVERNO II

Frio, uma taça de vinho, face em rubor
No cerrado ivernado, pouco se aquece
Um calor de momento, o licor oferece
E a alma velada, enrolada no cobertor
O arrepio no corpo, a infusão apetece
Para esquentar a noite até o seu alvor
Acalorando o alento do clima estritor
Num cálido agasalho que o afeto tece

Ah, ó estação de monocromática cor
Tão Agarradinhas paixões, em prece
Os mistérios, os desejos, os sentidos
Assim, embolado nas lareiras, o amor
Regado de vontade, no olhar floresce
Junho, ventos gelados e frios sonidos

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 junho, 2023, 19'34" – Araguari, MG
Início do inverno

Inserida por LucianoSpagnol

⁠SONETO AOS PAIS

Pai é o ser que pertence a nobre seita
De fama carrancuda e de boa dica
E que depois de avô altera a receita
Pois perde o jeito sério e bobo fica

Só não muda a paixão a torto e a direita
De quem no sacrifício de si abdica
Em dor por não ver quando o filho deita
Numa lição de vida vasta e rica

Hoje o mundo parece que não honra
A quem na vida é mais que herói
É como se ter pai fosse desonra

Mas pai tem a fidúcia de um caubói
Sempre avante num ímpeto de honra
Sem se abater por tudo que lhe dói

Inserida por PalavrasAtrativas

⁠O soneto é a essência do poeta, mas a prosa é todo o resto: corpo, alma e coração. 

Inserida por ednafrigato

⁠Soneto caído

Ao sentimento esconde o verso sua ilusão
E a mão da emoção escreve o ávido sentir
Não canta sensação e não murmura sorrir
Não toma a suave poética de uma paixão
Ata os sonhos, em lugar de later o coração
Apática poesia sobre o pálido papel, a ferir
Sangram, choram, botando a alma a despir
Sem rir, sem olhares, e gesto, e admiração

Ao agrado esconde a poesia toda a glória
Deixando o fascínio perdido... esquecido...
E, não lembra do amor em sua memória
Invasivos versos, doído, elemento caído
Colocas meu poema em sua palmatoria
Sempre o mais triste foi para o condoído.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
3 setembro, 2023, 14’04” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Singular

Se acaso poetares um verso tocante
Ó soneto! Musicando o fascínio feito
Inspira, piedoso, com sentido e jeito
O novo, ao poeta, amador e amante
Dize como uma sedução importante
A emoção, por fiel, cravando o peito
E, assim, então, fruir o bom proveito
Provocando o afeto a cada instante

Que da prosa sensação, me declara
A mão afetuosa me mima desta sina
E poética aos meus sentidos, tomara!
Lembrando-se duma inspiração divina
Que lega a paixão, que um dia jurara
Trazendo amor que o sonho imagina.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
7 setembro, 2023, 20’09” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠AMOR NO PARAÍSO
(Renata Guimarães Lima)

Não deixemos o inverno forte
Desfigurar nosso jardim de amor
Que as quatro estações tenham o mesmo valor
Alegria em abundância

Com seus devidos juros
Dez vezes mais felizes a cada dia
Vamos criar o milagre da felicidade eterna
Passando a viver no paraíso

Mesmo a morte não irá sucumbir
Esse grande amor
O valor dessa paixão será eterna

Na doce música dos ventos fortes
Com a graciosa luz da lua
Caminhando juntos em plena harmonia

Inserida por ellenketlen2014

Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.

Luís de Camões
Melhores poemas de Luís de Camões. São Paulo: Global, 2012.
Inserida por pensador

⁠COVEIRO

Mudei-me para o bairro do pé junto,
lugar calmo e de muita urbanidade,
porém recanto morto da cidade,
pois, pra vizinho, tenho só defunto.

Eu mesmo me respondo se pergunto,
e, sem por que falar amenidades,
já penso com maior profundidade,
comendo pão de queijo com presunto.

Coveiro sou, estou a edificar
um bairro para baixo, nos canteiros
onde todos irão se aconchegar.

Sou construtor dos lares derradeiros,
e vou cavando sem me preocupar,
pois nunca fiz enterro de coveiro...

Marcos Satoru Kawanami

Inserida por mskawanami

⁠O GIGANTE SENTIMENTO
(Renata Guimarães Lima e Edson Nelson Soares Botelho)


Amor a magia que nos faz sonhar
Uma heroica flecha lançada para o nada
Ou a mais certeira das flechas disparada para a alma
Então sigo na caminhada rumo a maturidade


Com a chave do estreito caminho da felicidade
Na privacidade do espelho esperando a receptividade
Na busca incansável para alcançar minha alma gêmea
Na infindável trajetória de um caminho absurdo


Do ato de ser cega ao resvalar dos espinhos
 E o perdão da vida no abraço dos anjos
A atitude de amar a vida e subir feito um raio


Na transparência de todos os sentimentos alcançados
Pela força do destino fazendo a silhueta da lua
Na última flecha lançada de uma batalha perdida

Inserida por ellenketlen2014

⁠SOU UMA GIGANTE
(Renata Guimarães Lima e Flavia Siqueira)


Um dia percebi que sou gigante
Pensei que fosse um sonho
 Só me convenci de tudo
Quando a noite chegou


Uma estrela esquivando-se dos astros
Iluminou-me completamente
Dizendo tu és uma gigante
Sabes realmente fazer de tudo


Principalmente no amor
Que não deixa poeira escura atrapalhar
Quebrando todas as barreiras


És gigante porque sabes amar
Do espaço entre duas estrelas
É o tamanho do teu amor

Inserida por ellenketlen2014

⁠Luz da Inspiração
Na inspiração dos meus escritos, um fio de luz,
Lampejos que cortam densas trevas, sem cerimônia,
Em mim, unem-se como fios, sem andar perdidos,
Métrica e rimas, deixamos de lado, com harmonia.

Expressão da alma em chama, sem fronteiras,
Sem cessar, obras abstratas em busca da verdade,
Ânsia por desvendar o desconhecido, sem fronteiras,
Liberdade e justiça, clamor e realidade.

Com a razão como guia, desbravo a vastidão,
Nas palavras, a força que liberta, perfeição,
Evolução é minha busca, enfrento a escuridão.

A vida, efêmera, e a morte nos alcançará,
A essência que nos move, sempre brilhará,
Assim como o sol na terra, a inspiração em mim está.

Inserida por AugustoGalia

⁠Laços de Inocência

Entre as mãos infantis, a inocência
Cuidando de outra criança desprovida
Um século de mãos, em negligência
Que negam amor e segurança à vida

Mas na escuridão, uma luz reluz
A compaixão, como estrelas a brilhar
Aqueles que estendem a mão, a sua luz
Podem nas almas feridas, cura plantar

Assim, na correnteza da existência,
Onde a dor e o amor se entrelaçam,
Encontramos na nossa experiência,
Que é no ato de dar que nos abraçam.

Que o mundo se encha de mãos que doem,
E o amor nasça onde antes havia só poeira,
Pois é na ajuda mútua que floresce o que é ser humano,
Nessa dança de dar e receber, a vida verdadeira.

Inserida por AugustoGalia

⁠SONETO AO VASCO DA GAMA

Sou vascaíno pelo meu avô
Carrego a cruz de malta pelo meu pai
Sou vascaíno pelo que o Vasco foi
Navego na caravela para aonde vai.

Amar este clube é...
Vasco da Gama é uma paixão...
Mas uma paixão indelével
Eterno como o Vasco é.

O Vasco de hoje é o mesmo de 1898
Alegrias incontáveis traz ao torcedor
Que por amor
Veste o coração com manto bajoujo.

Sou vascaíno pelo que sou
Serei vascaíno pelo que o Vasco é.

Inserida por IrairJunior

⁠SONETO QUE SENTE

O aperreado soneto descontente
Vive a soluçar inspiração sofrida
Chora, sente. Afia simplesmente
Uma ilusão e sensação incontida
É infeliz, tão descrente, carente
Com uma emoção, assim, perdida
Transforma o tudo em dor doída
Insolente, vive a suspirar na vida

Os versos são vãos, sem glória
Em uma poética e nobre escória
Que pela sofrência, reina, tirano
Mas, o meu soneto que sente, sabe
Que no olhar, no tempo, tudo cabe
Quando se tem um coração humano

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25 março, 2023, 16'41" – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠Soneto 121 (CXXI)

É melhor ser vil do que vil considerado,
Quando não se é, e ser repreendido por sê-lo,
E o prazer justo perdido, que é tão caro
Não por nós, mas pela opinião alheia.
Por que a visão falsa e adulterada dos outros
Deve julgar o meu sangue ardente?
Ou minhas fraquezas, enquanto o mais fraco espia,
Que por eles seja mau o que acredito bom?
Não, eu sou quem sou, e eles que julgam
Meus erros reconhecem em mim apenas os deles;
Posso ser reto, embora eles sejam tortos;
Diante desses pensamentos, meus atos se ocultam,
A menos que esse mal geral que eles mantêm:
Todos são maus e em sua maldade reinam.

Inserida por keila_santos

Ei! Você aí, onde está Eugenia?
Sumiu e não a viram
Em seu lugar vejo misoginia
Se em mal dizer a destruíram

Agora, onde pois Ana Marista?
No fogão ou atrás da mesa?
Meu senhor, como é machista
Sua mãe era guerreira ou princesa

Nem vou rimar até criar calos na língua
Afinal é só “coisa de homem”
Assim é o mundo, onde pombas dormem

Não vamos entrar nas entrelinhas
Nem toda mulher é Mal vista
Mas não diferenciam, Eugenia de Ana Marista.

Inserida por Celula_Olimpo

⁠A ESQUINA

sobre o vislumbre noturno, o anoitecer enobrece ao terno luar,
e as estrelas fazem um espetáculo para atrair o teu encanto.
o pincel que corre sobre tuas curvas
perpetram tuas cores abrolhando de teu manto,
e na fortuita esquina que se descobrira,
o brilho era volvido apenas para que tua figura fosse ressalvada.
foi então por teu imo minha coadjuvante, 
esmero pela natureza, esta soturna melodia que lhe coubera
poderia ser ouvida até nos firmamentos.
esta beleza dissonante virou canção até para os desalentos ,
para cada olhar, uma penitência, cada beijo, um desejo, 
cada tato, um pecado. 
um voz que aprecio bem, não porque era bela, 
mas porque era tua.
diante daquele velho asfalto cinzento da rua que vivi,
logo passou a ser reluzir ,
porque quando chamava meu nome, 
já me pegava a sorrir,
não porque era meu,
mas porque já passou a ser teu .

Inserida por FelipeAzevedo942

⁠Nascimento de Irã 

Como um espetáculo, nasce a vida! Que já se inicia com nome de poesia. 
Os Deuses a abençoaram no primeiro dia, 
E em seus olhos a luz e a vida se inicia. 

Já nasceu com um brilho reluzente; Em seus olhos àquela estrela refletia. 
Primeiro som foi um grito de euforia, 
Que iluminou os processos da mente.

Nos caminhos que vai trilhar com ação, 
O meu amor lhe servirá de proteção; E as palavras modificarão seu coração. 

Bem-vindo! É o que os humanos dizem, 
Pois, bem sabem, a grande sorte que têm, 
Sorte de poder ter um sábio, Irã, Amém. 

“Maria Helena Troiana — Mãe”

Inserida por luis_luis_1

⁠SONETO Nº 1 - VINDAS E PARTIDAS


não venha me dizer que a vida é uma só
tu ainda nem aprendeu a desatar o nó
em cada laço faz um entrelaço
esqueceu que somos nada além de poeiras no espaço?


desde que aprendi a lançar um dó
percebi que felicidade é dançar até nos dias sem sol
e que em cada caminho se renasce mais um girassol


deixei em cima da mesa as contas da dor
para pagar com mil cartas de amor
e dos beijos fiz azulejos
para construir meu próprio lugarejo


pra ser cantor 
nem precisei ser compositor
bastou um pouco de calor
neste peito que tanto já se declamou


pros dias que faltar fé
por puro proveito pus mais cor
neste imenso andor
para pagar promessas a são tomé


e se soubesse que cada abraço teu 
fizera ali meu terraço
construiria meu próprio palácio
pros dias que faltar afeto
recolher-me em teu espaço


mas feito a vida
amor é pura vinda e partida
feito torta natalícia
fruta mordida


não se pode levar tudo
só um pedaço
segura-me pelo braço
ame sem cansaço

Inserida por FelipeAzevedo942

da dor ela se fez poesia
do amor fez moradia
em meu peito adentrou
sem muita cortesia

cortou-me estilhaços
fez um balaio com meus pedaços
quebrados
deixados no armário
desde o dia de finados

refez em retalhos
me devolveu em afagos
soltou a fogos

fez um baluarte
me revestiu de arte
fez uma balbúrdia
desfez em luxúria

nem o sol nem a lua sabia
que de teus brilhos,
não mais careceria

teu fulgor é devido
tua risada é melodia
dei um dó sustenido
pois sol já fizera em mim
todo dia

Inserida por FelipeAzevedo942


 
É belo, mesmo assim causa flagelo
Antes fosse feio, mas com enlevo
Face aos fracos é dominador
Diante dos fortes enlouquece a dor.
Quiçá pudéssemos escolher entre senti-lo ou não
Tolice é tentar decifra-lo com razão
Aquele que só se pode sentir no pulsar
E não por consciência de um mero pensar.
Para os loucos uma utopia
Para os céticos uma loucura
Para poucos que contemplam és uma pérola
Para muitos que não o encontra és uma assolação.
Sã e consciente ninguém é contemplado
Todo o pensamento sobre ele é insano
Porque da mente espera vir uma resposta
E se ilude em querer sentir... aquele que é o próprio sentido.
(

Inserida por Zanatinha

⁠SONETO SENTIDO

Eu te poeto, todavia, porque és, ainda
O bem querer, a saudade, a poética face
A ternura, a doçura, o desejo que nasce
Um ardor na sensação que nunca finda
Eu te poeto a paixão, que é bem vinda
Num canto, no doce verso, no repasse
De amor, te daria o sonho que sonhasse

Em um soneto com aquela emoção linda
Te daria, mas, ah o “mas”, ó meu Deus!
Pouco tenho, os mandos não são meus
E, cá nos versos uma inspiração sentida
Sem encanto, magia, prosa sem beleza
Vertidas na poesia em tons de tristeza
Tal qual, em um bilhete da despedida!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26 de maio, 2022, 16’17” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol

⁠O SONETO

O soneto, o monarca da poética
Expõe toda a sensação ao artista
De encanto, prazer, de conquista
E, o sentido duma toada dialética
Na rima, aquela aguerrida cinética
Que sabe discursar, tão publicista
Deixando um enternecer na vista
Com parte duma emoção eclética

Desliza na inspiração, com atitude
Ele, o autor do canto com virtude
Dadivoso: em quarteto e terceto
Nos dá a elegância da doce poesia
Colhe o formoso verso com magia
Ó pura pequena canção, o soneto!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 de maio, 2022, 15’17” – Araguari, MG

Inserida por LucianoSpagnol