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Eu vi você
Menina linda, doce e contagiante
Eu vi você
Eu vi você se desfazer pouco a pouco
O brilho sumir, o sorriso partir
Eu vi você cair, se desiludir
Ser retalhada em pequenos pedaços
Mas também vi você encher de abraços os seres com quem tem laços
Eu vi você chorar, se rastejar
Eu vejo você agora, em posição fetal, mas você sabe, que eu vi, que nada disso é fatal.
SONETO DE AMOR
E, foi assim, de repente, aconteceu
Com a alma alumiada, doce sentido
Aquela esperança, o olhar revestido
De poética, então, o amor apareceu
Pois, o sentimento já não era só meu
Fui de sensação e agrado aspergido
Em um lirismo de outrora perdido
E agora, tão apaixonado, e tão seu
Não me envergonha ser acometido
De sentimental coração, enamorado
Cheio de ardor, que por ti, enchido
Um relicário que no peito faz suspirar
Tão intenso, vibrante e compassado...
Bom. Como é tocante poder te amar!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
14 setembro, 2022, 21’04” – Araguari, MG
NARRATIVA
Sobre a folha, aquela poesia plural
No verso, sentimentos empilhados
Nas saudades, os suspiros arfados
Na quimera, a ventura sem igual
E, tudo, numa poética sentimental
De especiais eventos, ali pintados
Em cadencias e tons apropriados
Dando a escrita um traço visceral
É dum sussurro com certo legado
Cochichado de um intimo secreto
De um momento, assim, inspirado
Então, a poesia, se faz num trajeto
E o poeta não mais se senti calado
Narrando as sensações no soneto!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/09/2022, 20’53” - Araguari, MG
SONETO PLATÔNICO
Por eu saber que nunca serei teu tema
permita que te diga algo, poeticamente
por tímido ser, deixo no acaso reticente
suceder cândidas juras, través do poema
Não me queira mal, neste frouxo dilema
pois, não sabes que te amo loucamente
e que de teu doce olhar sou confidente
e servo, com o coração eivado de selema
O meu verso está cheio de ti, adorativo
Imagina-te, vive com fascínio pensativo
Em cada cântico uma ode a lhe compor
E, se sorris olhando-me inteiramente
Parece-me que estás a ris unicamente
Por supor que nunca serei de ti, amor...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18 setembro, 2022, 15’41” – Araguari, MG
... E VERSA-SE UM SONETO
... e versa-se um soneto arruelado
Na vil saudade, num gesto amargo
O coração com sentimento calado
E versos dispersos deixado ao largo
... e versa-se um soneto tão letargo
A alma ansiando tudo compassado
E a solidão infundindo o descargo
Mais do que deve, o pesar, atado
... e versa-se o soneto sucateiro
Nos suspiros do querer esquecer
Custe o que custar, teimosamente
... e versa-se um verso do madeiro
Da crucificação do soneto a sofrer
Chora o verso, queixa, inutilmente!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25 outubro, 2022, 21’19” – Araguari, MG
o amor arranca nossas vestes
e nos deixa nus
desmitifica nossos achismos
revira nossos tabus
é no corpo que ele nos toca e deixa marcas
cicatrizes
e digitais
é no toque que ele nos envolve
nos deixa vulneráveis
e iguais
é vento etéreo que sopra em nossos cabelos
nos desejando livres
e aceitando nossas diferenças
é cachoeira que bate em nossos corpos
livra-se dos títulos e dos status
e mesmo em sua grandeza pede licença
se faz nos versos e estrofes de um inacabado poema
sem pontuações
com muitos fins e recomeços
nos tritura em mil pedaços
em muitos restos e cacos
nos devora
dilacera
e engole por inteiro
é a explosão que nos desfaz em estilhaços
adentra pelos poros e termina na saliva
e no beijo
e quando faz doer
o que machuca no fim não nos faz morrer
ele sempre retorna das cinzas
e se refaz em calmaria
verso
canção
poesia
SONETO
Prosa d’alma! Compasso e essência!
A voz duma sensação não esquecida
Despertar da recordação adormecida
Versos rimados em sua boa cadência
Literário, ilusório, atroz ou clemente
Feliz na presença, triste na ausência
A emoção palpita a cada existência
Canção que recita o evento da gente
Tu fazes da saudade a rima singular
E da felicidade, agrado, um doce lar
Traduz a menúcia da vida a seduzir
Em ti, cada um pedaço, cada instante
Em um todo, encantador e sussurante
Tu soneto, poética que se faz sentir!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
21 de novembro, 2021 – Araguari, MG
BIOMA (soneto de 1 sílaba)
Cerrado
tão
arrojado
chão
agigantado
ancião,
encantado
quão
traz
o
diverso
primaz
do
universo
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 dezembro, 2021, 21’08” – Araguari, MG
Soneto de amor perdido
As borboletas de gelo se derretem,
E então se tornam bailarinas salgadas,
Acompanhando a suave chuva álgida
Farta, clamo às bailarinas: Se aquietem
Em lástimas, se cessam e se enfraquecem,
Mas aqueles momentos não se envelhecem.
Músicas me atacam desde sua partida,
Sonhando com o rosto da morte lívida.
Me perguntando se você voltará
Continuo confusa com suas promessas
Permanecendo em solidão intensa.
O triste é saber que isso não cessará,
Nossas vidas nos poemas expressas,
Descobrimos que limite o amor dispensa
Soneto à Diana
O sabor tão amargo de uma vida,
não me privou desta quimera doce,
uma jarra de crítica ferida
que hoje brinda uma paixão precoce...
Cativo desta saudade regida,
fenecer na clausura achei que fosse,
barganhei com teus seios a saída,
tornei-me mais ainda tua posse...
Tocaste-me, anjo, a carne consentida
na compulsão por ti só requerida,
domaste-me, lasciva, em sedução...
Com suas cifras vivas e fundidas,
maestrina destas notas tão ardidas,
soubeste me tornar composição.
TODA DOR DO SONETO
Toda dor do soneto, por mais que doa
Na própria ilusão encontra o refrigério
As lágrimas doídas de um despautério
Veda-as no desabafo duma poesia boa
O que conforta, a sensação que povoa
Que faz sonhar, um refundir, o critério
Que nos repara, nos valida, o cautério
Da gana n’alma. O amor tudo perdoa!
Quando a poesia compõe o outro lado
E, depois de descarregar a amargura
Do verso que sentiu... tudo é passado!
Noutra parte há de, acalanto, a ventura
Conjurando aquele instante apaixonado
E o poema segue num adeus à tristura!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
06 de maio, 2023, 12’59” – Araguari, MG
SONETO NATUREZA
E Quando eu olho pela minha janela,
Maravilhada Avisto o céu, terra e mar.
É linda, esplêndida vista airosa, bela;
Preciosa, no vasto horizonte a brilhar .
Sim, a natureza de Deus é perfeita !
Aliando tudo em seu devido lugar;
Benditos olhos, a admirar tal feita;
A natureza digna de contemplar !
- O homem a desmatar florestas,
Um mundo cada vez mais inseguro,
Imaginar que Deus o criou tão puro !
Ainda é tempo ; busque cuidar da natureza
Olhe o expendido horizonte pela sua janela
Respire o ar fresco com cheiro de alecrim e canela !
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei -9.610/98
Sussurra ao meu ouvido então provocante, Discreta, bela a portar-se uma a dama,
Lábios doces que a saudade chama,
É o instante da loucura dominante.
Sem querer resistir, ficar assim,
Enlouquecido e um tanto atirado,
Mirando a tua boca de pudim:
- Quero você todinha para mim.
SONETO ENFERMO
Geme o soneto, enfermo, na tristura
Amargo, sofrente, no acaso padece
Trova assim dura, por que o merece
Ferindo a poética com tanta loucura?
Ó sensação peia, ó teia sem ternura
Se o versar ouvisse a súplice prece
Da emoção, e o leve rimar pudesse
O verso seria o que o alívio procura
Como chora a estrofe no desengano
Escorre pela mão somente o flagelo
Deixando o versejar maldoso, tirano
Sim, é a sorte, num ousado atropelo
E o emocional com sentimental plano
Pondo o cântico em vicioso pesadelo
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 maio de 2023, 16’06” – Araguari, MG
Nos traços da missão da sua luta,
Dirige-se ao prélio o legionário;
Definem da coragem o seu erário
Suas linhas com face resoluta.
E galopa veloz cortando o Tempo,
Do dever sua lança o império vibra:
Densas formas desenham sua fibra,
Que os mares da batalha vai rompendo.
Com o fatal findar da resistência,
Desmonta-se o lanceiro em seu declínio
Nos seus rumos desfeitos de existência.
Em esboços se prostra o paladino:
Ei-la, cavalaria de imponência,
Quebrantada em areias do Destino.
Desvendo, introvertida e tão dolente,
Com o verso, que acorda e nada oculta,
A rosa cuja espada vil se sente
No arrebol das paixões da vida adulta.
Aos grilhões do encanto me condeno
A cultuar, honrado, suas formas,
Admirando da lâmina o veneno
E queimando na dor de suas normas.
Ainda que aflições tenha por lemas,
Manifesta-se a rosa com estima,
Que dos versos se adorna nos dilemas.
Se no segredo o amor rasga e se firma,
Deixe o mundo que fervam os poemas,
De onde revela o mal a triste rima!
SONETO- EXPLOSÃO DE AMOR
fico a sonhar como eu queria que você viesse,
Novamente a fazer morada em meu coração;
Devaneios, Como queria que você quisesse ,
Até o infinito Viver comigo, uma eterna paixão !
Não imaginas como eu queria ver o teu sorriso ,
A fazer morada eternamente no meu paraíso;
Ver brilho de teus olhos novamente regressar
E infinitamente dentro de minh'alma adentrar !
E se um dia você resolver voltar: realmente vier ,Juntos dormindo no mesmo espaço na cama ,
E nos alimentarmos no mesmo prato e talher.
Mas é tão só, um sonho meu , uma pura ilusão;
Onde o corpo clama, pede e minh'alma quer ampla ,sublime explosão de amor, se você vier
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a Lei - 9/.610/98
SONETO NO EMBALO DA CANÇÃO CANÇAO
Ouvindo uma sublime, linda canção
Eu Te encontro em minha imaginação
ao fechar os olhos levo você comigo.
Quero teus braços para o meu abrigo
*
sinto seus braços me envolverem;
O teu calor deixa- me extasiada
Como num sonho e desse sonho
Nunca mais quero ser acordada .
*
No embalo de uma canção, tu me envolves
Com desejos tresloucado; tudo que mais
Anseio no embalo da canção é ter você ao meu lado !
Dentro de meus sonhos, meu mundo imaginário; Acredite se quiser, é especial,
Simplesmente Um lugar extraordinário !
*
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
O TEMPO
Na vastidão do tempo, o coração geme,
Entre suspiros perdidos, um adeus se esconde.
Palavras não podem descrever a dor,
Deixar para trás o que foi amado com ardor.
É difícil dizer adeus, o laço se desfaz,
Enquanto a alma chora e o vazio se faz.
As lágrimas rolam pelos olhos cansados,
Ecos de lembranças enchem os pensamentos nebulizados.
O sol, com seus raios dourados,
Traz a promessa de um novo amanhecer.
Mas a escuridão persiste, no peito a doer,
Pois o sol nunca irá nascer onde a tristeza se esconde.
Oh, melancolia que assola a alma aflita,
Cicatrizes invisíveis que a despedida suscita.
Como palavras podem expressar essa agonia,
Quando a saudade dilacera o coração todo dia?
Versos breves, mas cheios de emoção,
Palavras que ecoam com profunda comoção.
Tentam capturar a tristeza e a beleza do adeus,
Mas apenas tocam a superfície do que se perdeu.
O NOSSO SONETO
Para você, é para você, somente para você
Este soneto, ímpar, bocado de mim mesmo
De nós, de versos ao acaso, e talvez a esmo
De terno instante, prazer, do amor à mercê
Um soneto singelo, de emoção e sentimento
De um significado na composição, e prescrito
Pelo coração, em versos tão cheios de infinito
E de sensação. Ressaltando um rico momento
Está prosa com paixão, de desabafo e brado
Que rasga o peito em felicidade, enamorado
Compondo o soneto em alindada dedicatória
Aquarelas perfumadas, coloridas, doce feito
Emoção viva que escorre com atraente jeito
D’alma, no afeto de narrar a nossa história!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 janeiro, 2023, 21’16” – Araguari, MG
Vivo, apenas vivo - 19/01/2023
A fluidez de meus movimentos combinam
Com a respiração suave,
Acompanhada de um sorriso enquanto ando
Em alguma rua da cidade.
Me sinto vivo e tudo é maravilhoso,
Tudo é permeado por uma aragem;
Uma sensação momentânea que inebria e
me faz poder admirar a mais dolorosa adversidade.
Diante de meus olhos ela se torna pó, poeira;
De repente corre desesperada a felicidade,
Distanciando-se rapidamente da simplicidade.
Lamento-me por não tê-la agarrado,
Agora apenas vivo na esperança de ter
Uma outra oportunidade.
Soneto para a Lua.
Ela sempre esteve lá
Eu, eu sempre estive aqui
De tanto quanto te quis e quero
Hoje anelo, te sentir
Que meu verso seja esmero
A ponto de que meu Peito
Seja de você o Eleito
Tú tens em ti algo especial
Sentimento mais puro e sincero
Nele escondes o perfeito e o belo
Tú és a paz angelical
Na verdade, lua
Não és corpo celeste de brilho inerte
Tampouco somente humana, menina ou mero flerte
És um anjo santo
És fogo, água, o frio e o manto
É a calmaria na tempestade, é a letra e o canto
De tantos outros céus que eu poderia ver,
Sorte minha foi conhecer
Você.
Soneto para a Lua.
Na verdade, lua
Não és corpo celeste de brilho inerte
Tampouco somente humana, menina ou mero flerte
És um anjo santo
És fogo, água, o frio e o manto
É a calmaria na tempestade, é a letra e o canto
De tantos outros céus que eu poderia ver,
Sorte minha foi conhecer
Você.
'SONETO REALIDADE'
Laborioso é acreditar no amor,
Amar com tanto louvor e fervor,
Após tanto engano, desengano
Descarte num canto do abandono.
Dói no peito e arde na alma
Daquele que foi deixado pra traz,
Ainda é preciso seguir com calma
Pois para quem deixou tanto faz.
Melhores dias virão a trazer felicidade
Sem perder o encanto pela vida
Dentro da realidade
Nesses versos me descrevo com esperança,
Nesse chão que me criei tenho fé
Sou guerreira sem espada , sou mulher !
Maria Francisca Leite ...✍️
Direitos autorais reservados sob a
lei - 9.610/98
De zero a amém
Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que tem chifre é touro
Os fluidos passeiam pelos estados da matéria
Na proporção com átomos, somos gigantes em relação aos astros bactérias
Universal ou microscópico? Focar no Gepeto ou se contentar com o Pinochio
Julguei a Eva pelo erro, Adão pelo deslize e a serpente pela mentira
Logo eu com o mesmo erro, provo do próprio veneno sem nenhuma armadilha
Armadilha, cativeiro animal que tem sido cárcere da minha própria filosofia
Alma quente ou vida fria? Viver no enredo ou na alegoria?
Mas ora, minha vida foi uma mentira, convivendo com ratos, foi tanto desafeto
Que eu considero desacato, me trouxeram a fome e sempre negaram o prato
Mas agora eu estou liberto, estou livre de fato, vou me embora de casa, que seja o último ato.
Logo eu que nunca venço, no máximo empato, logo eu que só apanho e quase nunca bato
Fui deixado no mato, negaram-me o tato, me confundiram com cachorro quase que lato,
Mas lavei as mãos, me juntei com Pilatos, agora ando correndo e voando, me chamem de pato.
