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Resignação
queria gritar
mas, estava
com a alma
cansada demais
de não ser ouvido
resignei-me ao silêncio..
Pra sempre direi nunca
nunca em teu peito
farei morada,
como do meu
faço morada sua,
nunca dormirei
no aconchego
dos teus braços,
e te ofereço os meus,
nem poderei brilhar
tempestades
da calmaria
dos seus olhos,
e brilhas tempestades
da calmaria dos meus,
nunca fará
de meus olhos
janela da sua alma,
não como faço
dos seus...
janela perpétua
de minha alma..
se pudesse
com seus olhos
ouvir o som
das minhas palavras,
e com seus ouvidos
ler,
meus versos
borrados e sem rima,
saberia que
meus sonhos
fizeram gaiolas
para si,
e como
pássaros tristes
cantam lamentos
dia e noite,
querendo voar
até seu peito,
saberia que
eu não busquei
que fosse você
quem
me faria sonhar...
se você pudesse
dar ao menos,
um beijo
no menor
dos meus
sentimentos,
eu não diria
a palavra nunca,
nunca diria..
O silêncio dos que não são
há pouco falei com o céu escuro,
haviam perguntas esquecidas nas estrelas que dormiam
não houve resposta, pelo menos não que alentasse meu coração
uma estrela que se apagava e acendia continuamente,
abriu a boca e me disse um universo de nadas
a lua, ou dormia, ou simplesmente me ignorava,
voltei para meu quarto solitário, frio e pouco acolhedor
em frente ao espelho não havia imagem alguma, para onde fui?
minha cama não me convidou para que me deitasse
apago a luz
a sombra de um homem vai se recolher ao silêncio dos que não são..
Bagunça
ela como folha de papel em branco
Poesia sem início, nem meio e nem fim
o sonho dele passou a querer ser um lápis
ela de alma limpa, um livro a ser escrito,
ele sabia escrever palavras bonitas
mas deslumbrado com sua alma
não conseguia juntar as palavras
ela intensa como um universo
ele possuía estrelas em versos
o brilho dos olhos dela o desconcertava
ele não conseguia tecer as constelações
ela, tudo o que ele precisava
bastava ele organizar tudinho
ele, mais bagunçado do que organizado
ela em conflitos próprios
internos, sem palavras
disse-lhe o que vai fazer?
ele, assustado
entendeu que ela iria partir
e sem palavras
lhe disse que não sabia
o que fazer
ela, entendeu
ele a lhe dizer
me vou embora
e tal bagunça
bagunçou as vidas de ambos
uma eternidade de tempo depois
encontraram-se
arrumaram a bagunça
ele então disse-lhe
que sentia-se insuficiente
que ele era esse caos
essa bagunça
mas que a Amava
com toda sua alma
pediu que ficasse
tudo que ele queria ouvir
era ela dizer que não se importava
de continuar folha em branco
de continuar livro a ser escrito
não se importava de ele tecer um universo em caos
que não se importava fazer parte de uma bagunça
mas não sabia explicar o porquê,
se entristeceria muito em ir embora
no entanto
ela achou tudo muito complicado
e simplesmente, foi embora..
No corredor da morte
quais palavras buscar para expressar o abortar voluntário dos sentimentos que dão vida as flores
nada que se diga esclarece o que parece ser, mas não é
é deste arremedo de poema de onde as letras sangram que meus sentimentos expressam um silêncio a dizer que Te Amo
se soubesses o quanto me dói, rasga a alma escrever tais palavras, expressar os gritos de minha alma
posto que o Amor foi tudo que expressei, e não foi suficiente, bem disseram que o Amor vai muito além do que pobres palavras podem expressar
ainda assim, tal qual o último pedido de um condenado no corredor da morte, suplico-lhe
atente seus olhos a onomatopeia dos meus versos rotos
não é a alma a busca do reencontro onde de dois se tornam um e um de dois?
como, quando e porque nunca importa
vê, ouve o silêncio no desabrochar das flores, sinta o aroma no abrir das pétalas
a suavidade do pólem que escapa ao toque da borboleta e sobe rasgando o firmamento chegando as estrelas e as fazendo sorrir
eis que tua divindade se faz presente, te venero
como um sacrílego, temo olhar-te, muito menos tocar-te
no entanto, tal qual uma divindade, em ti sinto o desprezar pela morte, sinto em ti o tempo como um eternizar este sentir
não serei mais um dos que morrem enquanto Amam e deixam versos na alma sem expo-los a sua Amada
cada sentir, tu o saberás, enquanto seus ouvidos estiverem abertos a ler-me
jamais enterrarei em minha alma e meu coração, o mínimo sentir que seja..
Não sei se haverá um dia em que irei pensar em você sem que um mar de saudades transborde dos meus olhos... Essa tem sido a maneira que encontrei de acalmar meu coração... até nosso reencontro!..❤
Reencontro
Quando nos reencontramos, eucê,
Quero te ensopar todinha com cola de amor,
de beijos e abraços,
Pois reencontros para mimcê são sempre assim,
Um reviver, um repetir incansável, sem fim.
Erva-doce tem cheiro de céu
Aroma de abraços
Jeito de sorriso bonito
Desses que te encantam, só de pensar
Erva-doce tem cheiro de reza, oração feita de quem tem, perdeu ou reencontrou sua fé
Tem emoção, sentimento bonito
De leveza de alma
Pés descalço
De quem faz amor com olhos fechados
Erva-doce beira o sagrado da alma
Com um punhado nas mãos a magia acontece
Casa perfumada com erva-doce
Tem energia bonita, que contagia feito sorriso de quem tem luz iluminada
Parecida com fogo de vela, acesa na escuridão da alma
Faz sonho encantado chegar de mansinho
Erva-doce traz a infância de volta
Cartas para Antônia
Nunca te pedi nada, e mesmo assim, sempre me deste tudo de que precisei.
Nos momentos em que me perdi de mim, foi em ti que me reencontrei.
E mesmo quando não vejo saída, és tu quem sempre me mostra o caminho para continuar.
A ideia da alma gêmea habita os sonhos humanos desde a Antiguidade. Platão já a descrevia como a metade perdida que um dia foi separada pela vontade dos deuses. Buscar a alma gêmea é, portanto, mais do que buscar alguém que nos complete: é uma tentativa de reencontro com uma parte esquecida de nós mesmos.
Mas o que define uma alma gêmea? Não é apenas afinidade, nem apenas amor. É o silêncio que conforta, o olhar que compreende sem esforço, a sensação de que a vida, ao lado daquela pessoa, encontra coerência. A alma gêmea não precisa ser perfeita apenas profundamente verdadeira.
Encontrá-la é como voltar para casa sem jamais tê-la conhecido. E, nesse instante, percebemos que não estamos mais sozinhos no mundo.
Eu não acredito na saudade falada. Acredito na saudade demonstrada, na inquietação pelo reencontro, na força de um abraço apertado e na duração de um beijo demorado.
O eterno reencontro
Amizade é luz que não se apaga na ausência,
vento que sussurra histórias antigas
e renova o calor do encontro.
Amigo é aquele que vê não apenas o que somos,
mas o que somos capazes de ser
e nos ama nessa possibilidade infinita.
Na desigualdade que nos une,
na diferença que respeitamos,
cresce uma árvore imensa,
cuja sombra acolhe corações cansados.
E quando o mundo tenta separar,
quando a vida desenha rotas distintas,
a amizade verdadeira se faz ponte,
um reencontro eterno, sem fim.
Pois amizade é arte de nunca esquecer
que, em algum lugar, um outro coração
bate no ritmo do nosso,
esperando para sorrir junto mais uma vez.
Mesmo que os séculos nos separem e os céus nos escondam, meu coração há de reconhecer o teu em qualquer lugar da criação.
Que as eras nos separem e os confins do universo nos ocultem; ainda assim, um coração distante encontrará o eco do seu, rompendo as barreiras do tempo e do espaço em nome de um elo eterno.
Então, nos reencontramos, e o céu, antes cinzento, voltou a sussurrar em todos os tons do arco-íris para um novo recomeço.
Foi sem querer que compreendi: que o que eu tanto queria também me queria.
Hoje não vivo mais sem esse querer, e, por você me querer continuo te querendo.
Ainda bem que existem feriados, onde os amantes encontram uma pausa para a saudade e a eternidade no amor.
EXÍLIO TRISTONHO
Lourdes Duarte
Sempre há um amanhã na confusa vida terrena
Alguém parte, ou se vai, sem o canto de adeus
A saudade e a esperança de um reencontro
Alimente a alma, de quem destroçado ficou.
Se tens que partir olha-me- ás um instante.
Deixa-me ser feliz mais uma vez, meu amor.
Foram dias contigo, que desejei não ter fim,
Para longe de mim partirás, meu querubim.
Deixa-me sentir o teu cheiro mais uma vez,
Inebriar-me nos teus braços e abraços,
Sei que a passos cansados caminharei
Longe de ti, até que nos encontre outra vez.
Do fundo do exílio tristonho e saudoso
Gritarei teu nome e lembrarei teu sorriso
Em busca da felicidade irei seguindo
Esperando o dia do nosso reencontro.
A mulher rica e seu filho picolezeiro.
O reencontro
Em uma estação,
Ainda muito pequeno,
Mas, já trabalhando como sorveteiro e o que mais pudesse me render algum dinheiro.
Caixinha de isopor nos ombros.
Garganta afinada e ladainha decorada:
-Olha o picolé! -olha o sorvete minha gente!...
Vendia muito e o dinheiro arrecadado levava para o orfanato de onde eu saia todas as manhãs para trabalhar.
Em uma tarde de quinta feira;
Se bem me lembro,
Passava das 14 horas.
Aquele sol escaldante;
Aquele raio de luz me deixava ofegante.
Estranhamente, de mim se aproximou uma senhora;
Segurou-me pela mão
E pediu-me um pouco de atenção.
E sua história a mim, foi falando.
Menino,
Nem seu nome eu sei;
Desconheço tua moradia,
Mas percebo em ti um coração gentil e inocente.
Permita-me contar um trecho de minha história?
Eu era uma casta menina;
Menina do interior,
Fui rejeitada por meus pais,
Fui maltratada pelos irmãos.
Fui odiada pelas redondezas.
Somente porque amei demais.
Conheci um jovem lavrador,
Homem forte e trabalhador.
Pele queimada pelo sol,
Gentileza era um de seus atributos.
Vivia com seus pais,
Pessoas ignorantes, sem estudo e sem cultura;
Para eles, tudo se resolvia a base da gritaria.
Namoravamos escondidos;
Nossos encontros eram intensos e cheio de promessas;
Fizemos juras de amor e não imaginavamos que pudesse haver muita dor.
A minha familia dediquei anos de amor, trabalho e gratidão;
No entanto, o troco que tive, foi desprezo, desrespeito e falta de compreensão.
Por não ser respeitada e devidamente amada,
Resolvi fugir para bem longe dali;
Deixando meu grande amor para traz,
Levando dentro de mim,
Uma eterna dor.
Parti para a cidade grande, em busca de uma vida melhor, mas nem sempre os sonhos de uma menina leiga, conseguem se concretizar.
Chamaram a polícia,
Noticiaram meu sumiço nos jornais.
Mais nunca me encontraram
Em busca de trabalho, conheci um casal de recém casados e com eles fui morar.
Para aquele amor deixado para trás,
Escritas minhas incontáveis e sem respostas, cansei de enviar.
Percebi,
Que ele não me amava o suficiente de maneira a vir me encontrar.
O tempo passou, e para aquele casal, continuava a trabalhar.
Até que um dia, a moça recém casada, decidiu fazer uma viagem.
Nos trinta dias em que ausente ela estava,
Aquele homem, seu esposo, Invadiu o meu estreito quarto e de mim se apossou.
Vedou minha boca com uma de suas mãos,sem saída,
Passada e sem chão eu fiquei.
No início, para mim foi uma tortura, mas com o passar dos minutos, por aquele homem gentil e carinhoso me apaixonei.
Cada toque, era um arrepio.
Manso, Sereno e por mim apaixonado.
Meus sentimentos afloraram e pensei estar vivendo um eterno romance.
Todas as fortes tempestades que passei,
De repente, se tornaram uma garoa morna e fina que caia em noites de inverno.
Todas as noites,
Dormia em seus braços como uma meiga e desprotegida menina.
Nunca recebi tanto carinho e atenção.
Ele foi o primeiro que me tocou e em meus ouvidos só fazia juras de amor.
Sem conhecimento algum,
Só queria ser amada,
Levada pela carência,
Entreguei-me aquele homem, de corpo, alma e coração.
Mas nem tudo é para sempre, ainda mais, um amor proibido.
Ao retornar de viagem, sua esposa algo estranho cismou.
E para piorar a situação, Grávida eu já estava daquele homem.
Meses passaram-se.
Dias e noites chorei, por não tê-lo mais a meu lado e não saber do futuro que não desejei.
Aquela mulher,
Percebendo minha barriga crescer sem parar,
Parecia que ela ja sabia do pecado que lhe rondava.
Contei,
Contei tudo que tinha acontecido,
Pois medo da verdade eu não poderia mais ter.
Ao ouviu minha história, calada e chorando ficou.
De joelhos pedi perdão. Implorei-lhe para que não me expulsasse daquele recinto.
Muda, sem voz ela chorou, jurando que não iria fazer mal a ninguém.
Meu filho nasceu.
Menino sadio, de olhos claros como o verde de grama sintética.
Coloquei nele o nome de meu pai.
Mesmo desprezada por ele, sempre o amei.
Mário José.
Menino valente, crescia sorridente como sementes em terras férteis.
Numa manhã gelada,
Um estouro no andar de cima.
Aquela mulher,
Tirara a vida daquele homem por minha causa.
Tomada por ódio,
Me expulsou de sua casa me deixando na rua com um pequeno inocente nos braços.
Os dias se passavam,
Bateu a fome, a sede e o desespero e eu na rua com aquela criança, não podia cria-lo.
Doei aquele bebê...
Sangrando e me sentindo quase sem vida, entreguei-o a um casal e nem olhei para trás.
Queria fugir da realidade mais na verdade ela sempre estava comigo.
Chorei prantos, nossa como chorei!
Chorei lágrimas de sangue e quanto mais eu chorava ,mais minha alma entristecida ficava.
Sempre acompanhei aquele menino de longe, mas não tinha como nele chegar, pois condição nenhuma eu tinha de criar.
Doze anos se passaram, e dessa cidade precisei mudar,
Mas sempre tive na mente, que um dia com meu filho eu iria estar.
Muito trabalhei,
Hoje sou uma empresária bem sucedida e
nada me falta.
Com muita luta e perseverança, venci.
Ao olhar para ti lembrei daquele menino que um dia aqui deixei.
E Você menino!
Tem ideia do que é passar por isso?
O menino responde:
- Minha história é bem semelhante a sua.
Meus pais adotivos morreram e em um orfanato eu vivo.
Meu nome é Mário José, essa coincidência não te diz nada?
A mulher já em prantos de um salto se levanta e começa a chorar.
Não chore minha mãe,
Sou seu filho,
E agora, faremos de nós, uma nova história.
Tudo o que o mundo nos tirou, Deus em sua infinita misericórdia nos uniu e abençoou.
Me dê logo um abraço,
Pois ele,
Será o primeiro que na vida eu vou ganhar.....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa
