Tag quadra
Bem pessoal, ou "Pessoando"
(Nilo Ribeiro)
Um amor leve,
me fez apaixonar,
mas foi um amor breve,
a saudade me fez chorar
escrever em quadras,
de modo bem pessoando,
me faltam palavras,
mas continuo te amando
não faz sentido,
escrever assim,
um amor perdido,
e a saudade em mim
as quadras que poetizo,
são todas de amor,
nelas eu exorcizo,
toda minha dor
são quadras, não poesia,
não há sentido completo,
talvez se ela voltar um dia,
eu faça um grande verso
remendar,
é pior que refazer,
te amar,
é melhor que escrever
quadra não tem enredo,
nem faz parte da vida,
é apenas um enlevo,
para a mulher querida
não tem fechamento,
não tem final,
tem apenas o lamento,
de um poeta passional...
BATE PILÃO
Bate mão, bate pilão...
E a correia da escravatura,
bate as lagrimas do coração
no tremor da vida escura.
Bate a saudade danada...
Dos sentimentos passado,
bate o coração da amada
de amor por seu amado.
Bate pilão bate peneira...
Sobre o vento com arroz,
bate a vida derradeira
pelo futuro ao depois.
Bate todo suor do rosto...
Pelo imposto a ti proposto
as vontades dos seus gostos
batem, quebrando os ossos.
Antonio Montes
SEU CORPO
Seu corpo é asas que vagueia
e voa abanando o meu querer
expele no tempo e me tonteia
a ginga e o feromonio de você.
Ao bailar sobre a calçada
em passadas e seu balançar
meu peito se queima em brasa
com a vontade de te amar.
Você se vai, se manda, some
deixa-me solto em meu pensar
noite em sonho, sou um homem
falecido, por esse seu vagar.
O sol rasga o tenso escuro
iluminando, alegre amanhecer
e eu acordo, sonhando no mundo
sonhos que me arrastam a você.
Antonio Montes
MEU PÁSSARO
Canta oh, meu pássaro
que a noite longa vem
a qual eu passo sonhando
com os braços do meu bem.
Voa, voa meu pássaro
pelo espaço do tempo
diga meu amor que me acho
perdido em pensamentos.
Meu pássaro leve p'ra mim
um recado há minha flor
diga que o meu jardim
já murchou sem seu amor.
Se suas asas no espaço
embaralhar sob pressão
não me deixe aqui, meu pássaro
arrastando o coração.
Antonio Montes
O MUNDO
Navego dentro de mim
o rumo que o mundo esqueceu
procuro o dono de tudo
e esqueço, que o mundo, sou eu.
Esse mundo se foi com as flores...
Floresta, norte sul, leste oeste
adeus frutos, adeus amores
tudo hoje, tornou-se agreste.
Com toda água poluída
até mesmo nos lençóis...
O chão, sem verde, sem vida
o ar, não é mais para nós.
Os rios estão soterrados
pelos arados do chão
os peixes, todos finados
não sustentam mais coração.
Cadê os machados que um dia!
Propagaram esse meu fim
hoje jaz! Estão finados
nem esperaram por mim!
Mas eu vou, um dia vou...
Como todos que estão indo
nesse dia de muito horror
vou com tudo aluindo.
Antonio Montes
QUASE QUASE
Tão perto do morro
tão perto da lua
o urro do lobo
os passos na rua.
A cara pintada
o passo a mímica
fictício a risada
truque d'essa vida.
A bola no campo
a água a cacimba
o pote o quebranto
o peso da moringa.
O vulto da noite
enchendo de pinta
o amor e o açoite
a moeda tilinta.
Antonio Montes
ASSADO DE CADA DIA
O padeiro, cheira o cheiro do pão
cheira a tabua o moinho e a farinha
o mel, a pimenta o sal o açafrão
e as vasilhas que tem na cozinha.
Cheira o cheiro mesmo dormindo
e os sonhos que te levam aos dias
trabalha a massa, amassa sorrindo
o pão nosso, assado de cada dia.
O padeiro em seu zelo tagarela...
Tricota os desvios do parlamento
e vive a vida, com luz, a luz de vela
e segue seu sonho no sentimento.
Com sua munheca, bate e rebate
perdeu lugar p'ra maquina sapeca
foi p'ra fila disputar o seu impasse
assim ficou, sem o café na caneca.
Antonio Montes
Louca não sou, acho isso,
mas tenho momentos confusos,
já fugi de compromissos
e já comi até parafusos
Segui por onde nem sei,
passos e voos sem fim,
numa tremenda disparada
ninguém pôs a mão em mim
Já acelerei até mil,
nem percebi a curva adiante,
creia, nem o radar me viu,
voei e por ele passei rasante
NO QUILO
Estou no quilo
por aquilo
que eu comi
lá no almoço.
Dias dóceis
dias de sal e outros
mas muitos desses
... São insossos.
Estou no quilo
desse grilo
que me íntica
até o pescoço.
Lá em cima
é só desvio
e para baixo...
A sobra é osso.
Antonio Montes
Ladrões de palavras
Sou poeta, sim senhor,
por isso ninguém vá reparar
poemas e cantos de amor
é o que mais gosto de espalhar
Muito normal, acho, não sou,
mas tenho a felicidade,
meu coração se bastou,
nem precisa de realidade
Caminho em letras e sons,
não desafino, nem erro,
pinto o mundo nesses tons,
encontro poesia onde quero
Não preciso de bengala
buscando em outros ajuda,
nem modificar textos e falas,
isso é caminho para a Papuda!
MUITOS ACHAM.
Escrevo pensando no hoje
E me esqueço do amanhã
Escrevo como se estivesse dormindo
E muitos acham que estou mentindo
QUADRA GOSPEL
Se eu não me desviar
Deus de mim não se esqueçerá
Se eu, no seu caminho andar
Só no céu eu vou parar
EU.
Eu te quero sim,
Mas sinto que falta uma parte de mim.
Eu te quero, não.
Mas toda vez que digo isso pesso perdão
Sol na estrada aquece nossa caminhada,
lua na janela ilumina o coração,
Um gentil sorriso desfaz solidão.
Sol, lua e sorriso, a mesma empreitada.
Onde foi que deixei minha vida,
Nas esquinas dobradas sem rumo,
Muito longe no tempo esquecida
Só as lembranças na alma avolumo.
Lá fora o vento bale
como ovelha perdida
de seu pastor.
A noite é densa,
mas sei que a luz virá —
e isto faz toda a diferença.
LA
