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OS MEUS VERSOS
Meus versos nostálgicos, de amor
São lembranças de valiosa versão
São cânticos no compasso interior
Poéticas da minha própria emoção
São estâncias tão cheias de sabor
Expressão que brota da inspiração
Sentidos, afagos, mimos ao dispor
A expressiva flor dada com paixão
Versos que tem designação, olhar
Tem sentimento, um vital acalanto
Só não percebe quem não estimou
É aquele voo d’alma sem abreviar
É o encanto, o gostar tanto, tanto
Aquela sensação que nunca passou!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28 outubro, 2022, 19’40” – Araguari, MG
ENTURVAR NO CERRADO
Esmorece as caliandras no enturvar
É o dia que se despede em partida
Com seu pôr do sol em um versejar
Cá no cerrado, escuridão incontida
Galhos retorcidos, mal desenhados
Sombreiam o chão na cor garrida
Traçando uns detalhes encarnados
O céu estrelado, graça, desmedida
O horizonte com laivos cinzentos
Melancólicos, pardando o sertão
É a noite imbuída no seu manto
Pia a coruja: canto com lamentos
Ritmando o noturno com sensação
Dando ao olhar, o encanto, tanto!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 outubro, 2022, 18’56” – Araguari, MG
Olhando para os céus e estrelas do universo e imaginando, e sentindo os ventos do campo como se fossem os teus olhos fascinantes e o teu cheiro puro e simples como a natureza, as estrelas cintilantes como o teu corpo ardente como um vulcão, os grilos cantam como tu és genuína e bela como o amor e a natureza. Perdão menina mas tu és única e como tu só aparece uma vez na vida. Que loucura! Que loucura meu poeta. Tu fazes desta vida um mundo poético como se fosse um poema a passar-nos pelo corpo....
MÃOS-POSTAS
Poéticas sem norte, leva-me pra sintonia
Das emoções plenas, quiméricos cantos
Asas da imaginação, os encantos, magia
Ou me perca, a devanear, sonhos tantos
Poéticas sem norte, leva-me para a urgia
Das ilusões, cuida dos meus juízos santos
Ou não. Traga-me cânticos com melodia
Quando, suas cadências, são quebrantos
Sentimentos, sensações, em liberdade
Que põe liberto o destinto pro criador
Tendo narrativa e emotiva descoberta
Ah! poética sem norte! Tende piedade!
Inunda a alma do poeta com o que for
Contanto que não seja poesia incerta!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 outubro, 2022, 16’08” – Araguari, MG
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Quando eu não mais
Puder escrever,
Serei apenas uma sombra,
Indo em direção à luz,
Não estarei mais em minha carne
E nesse momento,
Minh'alma despir-se-á da matéria
Serei apenas uma sombra
Indo em direção à luz,
Talvez possa eu, ouvir as orações,
Que serão feitas
Ao meu corpo frio e adelgaçado
Deitado dentro de uma urna de madeira,
E na tristeza
Do meu espírito galgo de paz
Em meio ao silêncio gritante,
Da lágrima que escorre,
Afagarei como brisa,
O rosto dos presentes,
E pedirei ao Criador alívio
Aos corações,
Pois, quando eu não mais
Puder escrever,
Já não mais haverá
O fôlego de vida em mim,
Sim... quando eu não mais puder escrever,
Já não estarei mais aqui,
Mas estarei na memoria dos que assim lembrarem.
ORGULHO
Meus são os versos do chão cerrado
Poética acre, puro céu e denso mato
No galho tortuoso o poema trançado
Escrafunchado de um singular recato
Eu entendo o sentimento acentuado
O luar que prosa inspiração e trato
E ao meu versar, o versar fascinado
Com um perfume ao sensível olfato
Nas minhas mãos, a poesia orgulhosa
Se te poeto, sertão, na sua imensidão
É com a imaginação e tons especiais
E, então, pressintam a quão formosa
Natureza, que suspira, pulsa, é paixão
Neste imenso dom de poder ser mais!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
01 novembro, 2022, 17’37” – Araguari, MG
INDECISÃO
Possa lá prosseguir amargurado!
Andar com uma sensação poente
Se uma apertura atroz e sofrente
Enche de bruma o verso poetado
Se o sentimento cá tanto povoado
Que tenta impor está dor ardente
Logo este pesar assombra a gente
Tão pungente e tão determinado
Seja a poesia doce ou então salina
Sempre há aquela inspiração afim
Sempre há rumo em cada esquina
Sei lá qual dos versos é razão, enfim,
Se é o perdão ou é a justiça divina...
Ou se é a sedução dizendo que sim!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 novembro, 2022, 14’24” – Araguari, MG
No flutuamento do seu pensar,
Seu coração pulsando estar,
Diagnosticando su'alma,
Que a todo instante, perde a calma,
Seus olhos se vão no horizonte,
E ele, cada vez mais distante
Entranha no seu corpo, a lira,
Neste ser alado que ainda respira,
Largou a sua bagagem no chão,
Esvaziando de vez o peso na sua mão,
E no seu íntimo, refúgio existencial,
Livra-se da dor que lhe causa mal,
Dizem que ele é poeta; deveras.
Alquimia és tu, Poesia, que a até ele "vieras",
Dizem que ele é poeta; ele diz: "Quem dera!"
Pois, encarecidamente disseram,
E os versos, até ele vieram
No extato momento,
Sendo para ele, fomento.
E nestes versos, dizem que ele é poeta?
Deveras; Quem eras, Poeta?!
Cores
És
Flores
Quando
Fores
Os
Amores
Pois
Fostes
Minhas
Dores
Nas
Noites
Meus
Açoites
Utopia
Fugaz
Vigia
D'Alma.
Quando entrastes no meu quarto sorradeiramente,
A porta do meu quarto estava fechada,
Mas os meus olhos estavam abertos,
E meu coração escancarado esperando por ti,
Óh amada minha; És a lua da minha inspiração,
És a minha expiração; Respiração.
Suspiro por ti; Vivo por ti;
És minha vida, querida.
Profano são os meus pensamentos, Quando visito o teu corpo e encosto meus lábios aos teus.
Conjurando à minh'alma, todos os desejos teus e meus.
CHAMO
Sou eu! Não me ouves, poesia? Piedade
Sinta está sensação que pulsa no pranto
Olha este sentimento que me pesa tanto
Que brada, dói, que me faz pela metade
Pois, não vês a poética que traz saudade
E meus versos com versos sem encanto
E que o canto traz tristura no seu canto
Portanto, ouça-me, e não seja maldade
Quero prosa e agrado, não de centavos
Quero bravos, ver o verso maravilhado
E em cada versar um versar com ardor
Eu tenho mais que somente os agravos
Tenho o ritmo na alma tão cadenciado
E no coração a exatidão doce do amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 novembro, 2022, 17’20” – Araguari, MG
O esmagamento do proletariado,
Decretado pelos burgueses autoritários.
País fadonho de tanta vergonha, pelo mundo à fora.
Na estrada da vida, sou uma mera, simples e pequenina pedrinha,
Que se move a cada vento que sopra,
E aos poucos,
Vou chegando ao final da minha jornada.
És fomento do meu coração e da minh'alma
Alivias toda minha a dor,
E traz-me a calma,
Tu? És meu amor.
Ainda me lembro do dia em que nasci, numa manhã fresca, por volta das 07h23, de um ano tão longínquo que me lembro tal como se o tempo não tivesse passado por mim, no Hospital Miguel Bombarda, na bela cidade das acácias, Lourenço Marques, lugar onde a minha infância vivi, aí ainda sinto o cheiro nas minhas entranhas daquele tempo. Hoje, distante dela, algures aqui pelos lados da Matola em busca de um novo amanhecer de esperança, ouvindo o cantar dos pássaros, sentindo a frescura das águas do Rio Matola... saudades, saudades, saudades do tempo em que o tempo não era tempo, o tempo da primeira idade, de quando ainda podia sonhar...
Faça dos seus erros degraus para construir uma escada de acertos.
E não culpes ninguém por teus fracassos,
Use-os como pavimento para estrada da tua trajetória,
Pois a jornada é longa, mas é finita.
Somos instantes em instantes,
Instantes, aproveitando instantes.
Silênciosos instantes;
Tornamo-nos-á somente instantes?
Não, utopia, ternura e quimera.
Quisera instantes, para mais instantes,
Nos instantes que fomos, somos, porém não mais seremos.
Para que, para sempre, instantes em instantes, sejam eternizados nesses breves instantes por toda a eternidade!
