Tag lobo
MÁGICOS MOMENTOS
Os nossos momentos são mágicos
No meio do meu, do teu silêncio
Entre os lábios que dormem de ternura
No teu corpo punido pelo meu
Os risos da alma gostam de fluir no ar
Do nosso desejo sentido de amar
Toca o silêncio que chora de alegria
Suores quentes no coração, na alma
Para afogar os nossos desejos de felicidade
FRAGAS NA SERRA
A ecos de frias fragas em mim em delírios
Mar martírio do que sou, serei ou talvez não
A escuridão cerca-me a alma constantemente
No caminho que traço, preciso tanto de luz
De fé, mas a minha mente nega-me tal desejo
Castiga-me, como um fantasma assombrado
Que já foi, morri num espectro sem orgulho
Cadáver frio moribundo do próprio destino
No amargo deste sabor que tenho, gosto a fel
Que flutua no meu palato, perturbando o sabor
De ti no esquecimento que me cerca a morte
Não almejo tal destino mas aceito por me ser
Imposto na lama de argila em foi feito o meu
Corpo, ergástulo sem esperança vida mortal
Delírios nos ecos das fragas na serra de neve
Tento caminhar com a fé que já tanto almejo.
FADOS E BECOS
O corpo adivinha as sensações já vividas
Experimenta as dores profundas e velozes
A carne tem um fraco pelas orgias da noite
Sou levada pela saudade cravada em mim
Sente-se dor nos ossos, tudo que não vivi
Vislumbrei-me em fado nos becos noturnos
De tramas, de mentiras, de olhares já tóxicos
Lua de desejos sob a penumbras madrugadas
Saudade da solidão, noturnas noites diluídas
Gelo esgotado nas gandaias dos sonhadores
Raiadas nos olhos, sono pelo avesso espelho
Luzes frias, som em fúria, de um sino tocado.
É A SOLIDÃO
A solidão é ouvir o ranger dos dentes
No próprio sangue entre a carne crua
É ouvir o som quente a correr nas veias
A solidão é sentir o vento no rosto
O seu perfume no ar acariciar a pele
Como se o ópio penetra-se no corpo
A solidão é sentir a carne já devoluta
Num deserto sem pudor, rasgar a pele
Sem, sem nome, sem carne, sem sangue
É a solidão que toma emprestado o corpo.
HÁ DIAS
Há dias......há dias....
Que tudo parece impossível
Indefinido, longínquo
- E no fundo triste
A única salvação possível
- É sempre a mesma
Rasgar um belo sorriso
- Qualquer um
Deixar que ele nos leve
- Para o dia de amanhã
Que será certamente
- Muito melhor
Porque nós sabemos que há momentos
Na nossa vida que trocaríamos
Todas as palavras do mundo
- Por apenas
Um único abraço silencioso
" O vosso certamente "
LOUCAMENTE
Fora de mim num
- Desassossego permanente
Desassossego em desapego
- Total desalinho
O meu corpo manifesta-se
- De variadas formas
Em sombras permanentes
- Talvez entenebrecido
Tolda as minhas loucuras
- Há muito dementes.
SOBREVIVER
Nas paredes de pedra calcária da entrada
Esvoaçamos já pelas escadas de fragas
Acorrentamos os nossos nomes na hera
Inventamos traços onde nós nos amamos
Concordamos nas palavras como se fossem
De um último adeus, de um último comboio
Que partiu para longe sem, sem ti, sem mim
Janela de casa que dava para o florido jardim
Sente-se o cheiro de alcatrão numa velha canção
Ignoramos as sombras fingindo as mentiras soltas
Como uma voz que sussurra na secreta passagem
Olhar das minhas pálpebras num belo vestido roxo
Sobrevivemos a tudo a todos com coragem infinita.
LUZ DO SOL
Como na manhã que brilha a luz solar
Ao amanhecer eu te darei a minha vida
Onde de luto esta o meu pobre coração
Deixei as minhas flores num túmulo roxo
De olhos abertos, no limiar do teu desejo
Eu sou a escrava, dos meus sofrimentos
De lágrimas nos olhos do esquecimento
Na sepultura do desejo, rasgo a mortalha
Como uma lâmpada acesa de óleo reflexos
Brasas de raízes, oliveira de madeira verde
De pérolas, do mar de uma viagem longa
Luz sol quente de ti, de mim, a cada manha.
TERRA QUENTE FRIA
Estas fragas da serra que eu tanto amo
Estas estevas que me aquecem o peito
Este ar que os meus pulmões respiram
Esta terra que vive agarrada a minha pele
ARDÓSIA DE FISGAS
A ardósia é cega de palavras
No crepúsculo dos teus sonhos
Despida de letras em corpo nu
Comi, bebi, do teu belo corpo
Amei, desejei também ser amada
Na entrega de quem já me amou
Que conseguiu ler as minha páginas
Do que sou, cheia de sentimentos
Com a humildade de todo o meu ser
É não querer, viver só, por viver
Numa necessidade louca de amar
Fisgas de tantos loucos momentos.
O VENTO
É só o vento que me traz todos
Vestígios que me lembram de ti
O mar fala no horizonte já vago
O nevoeiro tece nuvens macias
Os suspiros de cores de aromas
Relata o inverno a tentar despertar
Não chove lá fora, chove dentro
Do peito profundo talvez molhado
De tantas memórias tuas já perdidas
Esquecidas de mim num sopro gelado
Para salvar a minha alma em ruínas
Afastei-me de todos os nossos silêncios.
MORTALHA NAS ONDAS DO MAR
I
O mar de mortalha, embalada por gemidos
Que rasgas a carne de uma dor, dilacerante
Embalsas, todas as dores, entre murmúrios
Desfalece, misteriosamente num total afligir
II
Martírio transfigurado já pela sua angústia
Sombra das noites pesadas de tanta agonia
De tanto pavor da morte, desaparecia longe
Madrugada desses pensamentos impacientes
III
Os corvos voavam ao seu redor já famintos
Enroscados a sua negra fria mortalha de dor
Desespero, na agonia da carne que se dilacera
Entre gemidos de chagas abertas sangue podre
IV
No chão que a carne se rasga, que se despedaça
Soberbo sol, assombro das lágrimas recalcadas
Dolorosa alma torcida num espasmo de angústia
Amargamente numa aflitiva treva de dilaceramento
V
O mar observara tudo, descida subterrâneos fatais
Era uma mortalha para tantos homens um túmulo
Criptas infernais onde trêmula derrama a sonolenta
Claridade de augúrios medonhos, indefiníveis sem
VI
Nomes nos túmulos tapados pelas ondas do mar - - Contemplativo.
Um dia a mais, um dia a menos. Isso não parece mais ter importância nos dias solitários, no cotidiano da mesmice. Um dia foi meu motivo de luta, e hoje é o motivo das minhas feridas. Foi-se quem te jurava segurança, foi-se o motivo da tua luta. Olhos prateados na lua cheia. Mas o que uma fada iria fazer com um lobo? Seria ela uma Peeria? Não. Uma Perséfone? Talvez.
Um dia a mais, um dia a menos... isso não tem mais importância.
SOLETRO SEMPRE
Soletro esta minha inquietude
No nevoeiro da redonda terra
Entre a insensatez dos espinhos
Rosas que perfuram a carne branda
Pálpebras exaltadas no corpo
Devastação do fogo nas madrugadas
Há uma gestação feita de medo
No sangue derramado das palavras
Pétalas de mentira nas lágrimas de sangue
Delírio dos olhos nas palavras impróprias
Cobertas estão as portas na falácia da morte
Sepultura feita de ouro no vicio, na voz
Nas pétalas das rosas cruas de um quadro
Soletro as letras num precipício de palavras
Num fôlego abreviado de fartos espinhos.
GUARDADOR DE SONHOS
Estou cansada de agradar de aceitar de negar
Já chorei no deserto para repousar os olhos
Lágrimas caídas no arenoso já seco terreno
Em novelos de lá deitei os brancos cabelos
Abri o corpo nas searas quentes perdidas
Adormeci a sombra nos ramos dos chuopos
Acordei sacudida de gotículas da leve chuva
Molhei a minha alma nos frescos orvalhos
Ardi no forno de lenha entre a fornalha de pão
Recolhi-me nas asas das pétalas de rosas
Quantas vezes quis eu dormir ao relento
Nas planícies estreladas abertas as noites frias
Para aquecer um grito neste nascer do sol
Ler as linhas do teu corpo como se de um mapa
Se tratasse num gesto aflito de desejos já lidos no vento
Estou cansada não é da idade, e de me perder no tempo
Só quero o teu invisível guardador dos meus sonhos.
SILÊNCIO
Hoje não quero falar
Só quero dedicar-me ao silêncio
Há quanto tempo não o ouço
No desejo marcado de um sonho
Que ao tentar acordar
Perde-se na memória ou saudade
Despe-se na essência do amor
É preciso senti-lo para ficarmos a sós.
VIDEIRA DA RAIZ
Bela charmosa videira com ramos de luz
Vem comigo brindar com vinho tinto
A ver as águas do rio num azul profundo
Para alegrar o corpo, a alma e o sentimento
Saboroso paladar que me faz rir e sonhar
Desfrutar é amar-te mil vezes, é beijar-te outros mil
Beber o vinho tinto especial da muxagata
Nos copos de cristal, num olhar, num toque
Os nossos sentimentos murmuram encantos
Respiram calor num paraíso de olhar ardente
Incenso onde afaga na essência plantada de raiz
Dá frutos doces em forma de vinho tinto saboroso
Um desejo saudável de caricias leves de amor
Vem desfrutar da sua leveza, do seu doce aroma
Que encantam a viver a vida de uma forma simples
Me perdi nos teus olhos, videira de soltos ramos
E tu meu amor na cama onde nós sonhamos horas
MUTILADOS RUBROS DE VINHO
Restos mutilados na velha cor dos rubros vinhos
Gramática desarticulada acompanhada de lágrimas
Rasga a mortalha do peito no último arrependimento
Nas brumas dos caminhos esta o gemido silencioso
De um tonto místico profeta, na sua liturgia angustiante
Cicatrizes abertas no trilho da memória do sítio incerto
Tecerei uns sonhos irreais como feridos de batalhas perdidas
Penetramos no sentido da vida seríamos menos miseráveis
Nos anseios os tigres de garras que dilaceram o pior pesadelo
Duvida do suor com as lágrimas salgadas pedaços de si mesmo
Pobres de palavras para exprimir a mentira na dor do que
É escuro, sujo sem o conforto nas horas de sofrimento na verdade
Do tempo, de uma alma plantada do mundo que anda perdida
Não tem norte, nem vida, sente-se já crucificada dolorida
Sem sorte, sem sonho, sem destino, restos mutilados
Numa gramática de batalhas, esquecidas, perdidas
Escondidas no sentimento de uma alma em luto
Sem nunca ser compreendida nos rubros vinhos de cor.
SORRI E AMA
Olha levanta a merda do teu rosto
Sorri pelo menos uma vez na vida.
Limpa a merda das tuas lágrimas
Todos temos dores que nos engolem o coração
Olha para tudo que te rodeia e ama
Todos nós temos histórias de vida para contar
Sorri e ama neste caminho de pedras, fragas e silvas
ANIMAIS DOMÉSTICOS
A manada de dois
Era o sonho de poucos
E a insegurança de alguns.
Mas a lua que do céu brilhava,
Não permitia a formação de sombras.
Para não calar o canto dos lobos
Brutalmente domesticados pelo convencionalismo.
Querer ser o que não se é, é uma das facetas do lobo que se faz de ovelha. E esse tipo de gente me causa pena.
Lembra-te filha(o)! Toda a antiguidade,
reclama, e sempre, pela senhoria.
E não importa do cristão a idade..
Da intimidade, sempre, desconfia,
pois veste o lobo a pele do cordeiro,
para melhor aproximar-se dele.
Esconde as presas. Bale até. Matreiro!
Depois... Záz! Pronto! Mete os dentes nele.
Flor da lobeira, fruta-de-lobo ou guarambá,
São majestosas e cercadas de mistérios,
Onde o fruto da lobeira está tem lobo-guará
Ao tenta matar o lobo o fruto o matará;
A Flor esconde o milagre do fruto da lobeira,
Que representa a metade da dieta do lobo
Que alcunha para aquele que não faz mal!
Impressão equivocada seguida de asneira;
Assim é a Flor da lobeira e o lobo-guará
Imponentes na sua inofensiva solidão
Distante do homem preferem ficar,
Sem perder a elegância que paira no ar.
SOLTA-ME
Solta-me deste maldito lugar
Deixa-me voar para bem longe
Ama-me, deseja-me, liberta-me
Parte-me cobre-me de pérolas
Inventa uma emoção, um desejo
Antes que fiques ancorado na lama
Chora comigo, diz que me amas
Só a mim amor...sempre a mim.
COM UM AMOR
Com um passo, um gesto
Um beijo, um desejo
Um amor, um sentimento
Por favor, não respires
Não fales, ama-me apenas
Deita-te nos meus pensamentos
Mergulhando nos meus braços
Para dissolver-te no meu corpo
Com um passo, um gesto
Um beijo, simplesmente um amor.
╭)))*~╮
╭───╮ ((( ^ - ^)))╭✿──
