Tag jovem
Músicas ao vento
Aquele velho comedido, já conhecido,
se deixa tocar n’alma pela música.
Enquanto aquele jovem, vida lúdica,
aprecia o vento e procura seu sentido.
Vento e música mesclados em um,
maestria entorpecente, quase tangível.
Que no tocante da alma sensível
alegra, acalenta, matina algo incomum.
Nesse mundo inimaginável, desfraldado,
somos ases das nossas conquistas,
derrotas,desejos, mente estulta.
Os acordes seguem concatenados.
O vento agora é o musicista.
Se não me acalento, mea culpa.
Haja vista o jovem, néscio.
Contempla a vida, sedento idílio.
Sonha ser lesto andarilho,
orvalhado regato régio.
Haja vista o velho, comedido.
Esboroado mestre do imaturo.
Marcado pelo tempo, é astuto.
Velho sem voz, de olhar vivido.
Jovem e velho tomam a senda
à passos combinados e firmes
de espíritos milenares.
Mesclados, que se entenda
vivem em mim livres
à renovar meus ares.
O ser só envelhece quando fica, constantemente pensando na velhice. Aquele que se mantém ativo e atuante, com sua vida normal é sempre jovem.
A infância é o tempo
de brincar com alegria
em castelos de areia
sob os raios da magia.
É surfar na ilusão
e não ter obrigação
até o final do dia.
um milhão de coisas que serão usadas e em seguida descartadas
uma quentinha por dia
7 dias por semana
4 semanas por mês
12 meses por ano.
um copo d'água, a cada 2h e meia
8horas de sono.
um par de tênis, 2 calças, um par de meias e duas camisas de botão.
o meu peito, desejando parar a cada maldito batimento
os meus pulmões se enchendo com vontade de explodir ou murchar a cada trago no cigarro que comprei no bar da esquina
OS MEUS PÉS, implorando para que o chão se abra
o frio, de madrugada me lembrando de que estou sozinho
meus dias infinitos se repetindo numa vida que não me parece finita no meio desse infinito de coisas que acabam.
(a frase : "um infinito de coisas que acabam ", eu li em algum lugar porém não lembro onde. Se você souber, me avisa!).
...
À medida que desemburramos com o tempo, substituímos o viço da mocidade pela autenticidade das marcas de expressão.
Descobrimos uma riqueza que nenhum dinheiro pode comprar, o processo extraordinário em que você se torna a pessoa que sempre deveria ter sido.
Aí passamos a invejar o vigor dos jovens, e percebemos que os mancebos não estão preocupados com a nossa austeridade. Eis que surge mais um esculacho da vida: uns conhecem o que perderam, outros desconhecem o que lhes falta.
Ainda posso trocar a inveja pela consciência de perceber este movimento tão natural.
Uma geração acomodada, acovardada e sem identidade, é fadada ao esquecimento e a lamentação, e será um peso para sua nação.
"E eu, vou levar você lá em casa
Pode ser a última vez
Vou fazer coisas que nem imaginava
Mas por enquanto você."
Nós temos uma visão para este lugar. Só precisa de sangue jovem, gente como nós, cansada da cidade grande, procurando um recomeço.
Ser jovem hoje é diferente. A pressão é desoladora. Não há tempo para pensar. Tem sempre algo na tela.
Nunca sabemos o que é amor quando existem pessoas confusas em nossas vidas. Desse modo, acabamos "perdendo" a linha tênue entre o que é amor e o que é amar.
Hoje acordei assustado
Percebi que tenho oito anos
Há um monstro do meu lado
E outros dois nos meus sonhos
Cadê meu pai?
Cadê minha mãe?
Que viessem me socorrer
Acho que o bicho-papão
Quer me todo comer
Hoje acordei cansado
Vi que tenho dezoito anos
Enterrei sonhos do passado
E realizei alguns planos
Cadê meu pai?
Cadê minha mãe?
Que viessem me socorrer
O adeus ao meu namoro
Eu quero mesmo morrer!
Hoje acordei casado
Vi que tenho trinta anos
Tenho filhos ao meu lado
Do jeito que planejamos
Cadê meu pai?
Cadê minha mãe?
Que viessem me socorrer
A minha conta de luz
amanhã já vai vencer
Hoje acordei solitário
Vi que tenho oitenta
E me cuida um voluntário
do asilo “Mais Sessenta”
Cadê meu pai?
Cadê minha mãe?
Que viessem me socorrer
Queria ao menos cinco minutos
Para de novo poder os ver
Mas hoje o tempo levou tudo
Deixando só a memória
Ando ficando meio confuso
Esquecendo de minha história
Quem é meu pai?
Quem é minha mãe?
Quem é você?
Quem sou eu?
(MURGH, Allan. Memória perdida. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 123).
Amor pode ser despertado em qualquer fase da vida porque amor não tem idade, o coração é sempre jovem.
Você planta limão e quer colher morango, aprenda a ficar quieto pois a opinião dos outros não vai agregar nada na sua vida.
Quando a gente é jovem, não tem medo de nada. Você se joga de uma montanha porque, se alguém diz que vai criar asas no meio do caminho, você acredita.
"Nesse céu de nuvens escuras que não me amedronta, vejo, feito criança, o brilho de relâmpagos. Recordo eu-menino sentindo pingos de chuva, vendo-os com as mãos e ouvindo de repente, na imensa noite silente, um recorte de um trovão. Então, já adulto, estendo meus olhos e toco esse lugar de ponta a ponta. Contemplo, por horas, uma tela pintada de saudades."
(03/03/2014)
Panacea
Rabiscando ao natural
meia página de linhas
descrevo a visão minha
do sorriso dessa jovem
imagem que não me foge
sol de aurora outonal
brilhando luzes como tal
ostentando seu feitiço
não quero viver omisso
e meu desejo abrumar
embebido quero estar
no seu toque de veludo
senda lírica que rumo
se encanta ante ela
ah, beleza etérea
és digna de Panacea
...de Panacea
O jovem moderno tem o ímpeto de mudar o mundo — mas não consegue sequer mudar a si mesmo... Não por questão de competência, mas por mera questão de direcionamento. Há de se saber que com o amadurecimento, mudam-se também as prioridades.
