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A mera lembrança da infância assombra
A mera lembrança da infância assombra
procuro entender como me transformei no que sou hoje
como mudei tanto
a tal ponto de não reconhecer a mim mesmo
será esse mundo que transforma
será que minha mente se expandiu tanto que ampliou meus horizontes
será as companhias da qual tive nessa longa vida
será o ambiente da qual tive oportunidade de ser
será as coisas da qual presenciei que chocaram marcando minha alma como cicatrizes de uma ferida aberta
será que perdi algo nesse longo percurso que me marcou
algo que possa recuperar, ou um pouco que possa chegar próximo do que era antes
minhas origens chegam a mim ainda em memórias como pequenos flashes
como um vulto instantâneo que aparece e desaparece repentinamente
hoje existem várias massas de moldar por aí
massas ambulantes que estão em plena metamorfose que mudaram tanto que a capacidade de consciência está em cheque
sendo estes ficando cada vez mais dependentes de suas necessidades
agindo se de maneira qualquer sem ter noção das consequências de suas próprias ações
A capacidade de questionar está se despencando quase virando ruínas
extintas são mentes abertas que não se entorpeceram com as ações externas
vejo hoje um lua torta, um sol torto, uma terra torta,
com bilhões e bilhões de arvores tortas em plena ruína e em seu pleno desgaste.
MEMÓRIAS DA MINHA DOCE INFÂNCIA
Eu vivi no paraíso onde tudo tinha cor
Mata verde, céu azul, nuvem branca e sol laranja
Formava um lindo arco-íris, belo emaranhado de cores
Que se enlaçavam no brilho do dia.
Eu vi os sorrisos mais sinceros e repletos de felicidade
Nasci no interior, no leito do rio Gurupí
Cercada por águas doces e cachoeiras que se debruçavam
Nas correntes nervosas do rio.
Tinha sonhos inocentes que não se realizavam,
Mas vivia tão feliz que nunca me importava,
Continuava dormindo sem me preocupar,
Sem me magoar, sonhando num suspirando sonante
Esperando ansiosamente o desejável dia do amanhã
Pois sabia que acordaria para uma nova aventura começar.
Ah, como eu brincava! Corria como em um desespero
Mas ao contrário de buscar socorro, procurava diversão
Na areia ou na terra preta do quintal, descalça deslizava
Sobre a maciez da lama, tudo, tudo com a mais pura emoção.
Sob as sombras dos cafezais eu pulava, subia em mangueiras
Apanhava frutas, não tinha temor à altura, embalava-me no
Balanço fechando os olhos sentido o vento suavizando minha pele
Nos dia de verão. Quando o suor escorria sobre meu rosto
Descia para beira do rio Gurupí, me jogava, mergulhava
Ficava alguns segundos submersa, como quem tivera saído do
Deserto e encontrado uma fonte, maná de sensações,
Ah, como era bom o barulhinho da água que me molhava,
Aquele arrepio frio que percorria meu corpo!
As tardes no sítio dos meus avós eram deliciosas
Amava aquela simplicidade, o silêncio que nos
Permitia ouvir o canto dos pássaros, o som que
Ecoava dos troncos e galhos das árvores
O toque leve e sedoso dos dedos da minha avó
Passando óleo de coco babaçu que exalava um
Cheirinho de carinho, enquanto ela penteava e
Massageava com todo cuidado os fios do meu cabelo.
À noite, permutava-se a soluta da escuridão pela luminosidade da
Alegria presente nas rodas de amizade. Ouvia- se versos, histórias
De assombrações, mais principalmente, contos da gente que despertava
curiosidade. Quem não se lembra das brincadeiras de rodas, ciranda-cirandinha
e das cantigas? Que acalantava o sono dos pequeninos, dos anjinhos!
Tinha liberdade de aprender, de errar, de brincar,
Liberdade de ter medo, medo dos olhos ofuscante da coruja que
Assustava-me por noite, deixando-me com sono por dias.
Pura superstição dos velhos sábios da aurora de minha vida
Nossa! Quantos valores e saberes me transmitiram!
Vejo-me agora como uma boba em companhia de lembranças dos
Anos maravilhosos que vivi, mas sinto-me livre para reinventar os
caminhos de hoje para alcançar, talvez, novas e esplendorosas
aventuras amanhã, sem esquecer-me da minha doce infância vivida.
Quando sorrio com você me sinto uma criancinha no jardim de infância.
Me lambuzo, me delicio...sinto sabor de chocolate e gosto de maçã na boca.
Leda
Minha avó Leda está doente. Não se sabe bem ao certo se é orgânico, se é cansaço, ou se é uma soma das duas coisas.
Acho que a preocupação, o querer alguém tão bem a ponto de desejar pegar todo para si o seu sofrimento, é a maior prova de que amamos alguém. E eu a amo pelos seus detalhes.
A amo pelas pequenas mesinhas de abrir que mantinha em sua casa em minha infância, nas quais eu desfrutava de sua deliciosa salada de maionese nos almoços de domingo.
A amo pelos vistosos brincos de pressão que nunca deixaram de estar pendurados em suas orelhas, pelo batom coral em seus lábios e pelas suas unhas sempre bem feitas.
A amo por ter uma poltrona só dela em sua sala de estar, e pelo jornal rigorosamente posto a sua frente.A amo por seu amor à leitura.
A amo por sua intimidade e gentileza aos garçons, aos porteiros de seu prédio, aos filhos desses porteiros.
A amo até mesmo por sua sinceridade muitas vezes cruel, mas, acima de tudo, por sua sinceridade consigo mesma.
A amo pelo cheiro, pelas camisolas, pelos olhos azuis brilhantes, pela inteligência, pela coragem, pelo medo, pelo senso de humor, pela preocupação, por ser minha.
Todos os meninos
têm sonhos
inventam as viagens
com seus barquinhos de papel
que colocam
sobre um fio d´água
exploram as terras
com seus aviões d´ aerograma
que entranham no vento
com uma linha invísivel
Por vezes
nao
Limitam-se
a viver e morrer
sobre
o fio
da linha
[Távola De Estrelas] A Imponderabilidade Dos Sonhos
O Menino, o Jovem e o Velho
O Menino que nasceu
No berço de palha
E que desde cedo
Tirava as terras a brocar
Tornou-se o Jovem,
Ainda brocador, mas
Com irmãos
Para cuidar
A vida desse Jovem
Foi conturbada
E demorada para
Arrumar
O Jovem tornou-se
O Velho
Que tinha que brocar
Para suas 3 crias criar.
GUARDEI
Brinquedos em uma caixa,
bonecas descabeladas,
peças de quebra cabeças
fios de telefones estragados.
Guardei sem saber porquê,
juntei tudo sem saber como,
e no meio de tudo que somei,
achei,
uma blusa, uma meia e uma tiara,
perdidas na minha organização.
Coloquei bijuterias em uma pequena mala,
brincos que amarelavam,
anéis de plásticos,
pulseiras de miçangas,
colares de sementes emaranhados
que jamais ficavam desembaraçados,
Coitados.
Em uma bolsa pequena,
guardei minha mocidade.
Pós compactos,
rimeis,
lápis de olho preto,
gloss labial e corretivo.
Guardei meu eu em uma bolsa,
tornei-me palhaça,
maquiada,
uma farsa,
que deveria ter deixado guardada.
Guardei palavras dentro da boca,
engoli gritos que se alojaram em meu estomago,
me afoguei em lágrimas guardadas,
quase transbordadas.
Na mente da gente, há sempre uma semente guardada,
semente semeada, mágoas que guardamos,
de coisas que escutamos.
Guardei sentimento,
e hoje lamento,
ter guardado
o que de mais valioso eu tenho
e poderia ter compartilhado.
Episodio de hoje: Vai meio sorriso aí?
- Eita Renata, de onde essas crianças tiram tanta energia? Affff
- Da alma!
- Vixi, mas precisam gastar tudo de uma vez só? Economiza minha geeeente.
- Então se uma criança te der meio sorriso, ou meio abraço, tá bom?
(...)
O mundo das crianças não tem dor
O sorriso singelo o olhar a brilhar,
envolvidos em braços que amparam
Crescendo como uma sementinha,
e faz da sua infância uma magia
Imaginar que é piloto de avião,
e flutuar no céu com seu coração
Brincar de mocinho usando o estilingue,
e prender todos os bandoleiros
Se os brinquedos quebram em pedacinhos,
nunca, jamais perdem a esperança.
Pezinhos no chão chutando as pedrinhas,
brincando na chuva saltando nas poças
Enquanto a chuva molha seu o rosto,
respira fundo a água é gelada
sentindo o cheiro da terra molhada
Nos pequenas detalhes , nos pequenos gestos,
Encontra o amor nas coisas tão simples,
Sua maior riqueza ser uma criança,
Seu maior tesouro sua inocência,
Por isso, feliz o dia em que nasce uma criança.
Às vezes retomo
a esses momentos!
Só para poder agradecer a Deus
essa infância dourada que Ele me deu.
Sonhos Guardados Em Meu Infinito Particular!
O tempo
parece não ter passado,
para o meu coração!
Eram momentos de pureza.
Sonhos, sorrisos, gritos de emoções!
Brincávamos muitas crianças,
naquele quintal imenso
carregado de frutas saborosas.
Um cheiro de frutas da época,
nos embriagávamos!
Era simplesmente delicioso.
Esse “canto mágico”, era o quintal da minha tia.
A Tia Santinha…que fazia jus ao seu apelido.
Tão boa e santa…
Nunca nos reclamou…se isso fez, não me lembro!
Era onde reuníamos parentes e amigos,
para brincarmos de vários brinquedos de criança.
Cozinhado, finca, bolinha de gude,
batizados de bonecas, comadre e compadre,
de onça, de balanço (Zungue, falávamos assim também).
De subir nas árvores…
Lembro-me, que passávamos de umas as outras,
sem medo de cair.
Momentos da minha infância!
Da nossa infância!
Tão doce… Tão angelical!
E até os meninos que escolhíamos para namorar,
eram só de “boca”.
O que era só de boca?
Só falava, mas nem
encostávamos perto deles e nem eles de nós.
Mas sabíamos quem namorava quem(Risos).
E jurávamos amor eterno!
Coisa boa esses momentos,
que ainda hoje desfilam na iris dos meus olhos…
E buscam aconchego em meu coração.
Apesar de tantos momentos
vividos ao longo dos anos, esses marcaram mais.
E com certeza…serão o nosso colo na velhice.
Hei de ouvir, nossos gritos…
Nossa alegria atravessando todos
os sonhos sonhados nessa vida.
Quero ainda sentir o cheiro
da comidinha da minha tia,
que tão delicadamente,
servia um prato a cada um de nós.
E como sobremesa,
aquele doce delicioso de leite que ela fazia.
Lembro-me que o tacho não saia do fogão de lenha…
Era doce quentinho da hora…
Era doce delicioso e disputávamos quem iria rapar o tacho…
Que sonhos deliciosos e vividos tão reais,.
Tão nossos…tão meus!
Que guardo aqui dentro de meu infinito particular!
E que às vezes retomo,
só para poder agradecer a Deus
essa infância dourada que Ele me deu.
Anda me batendo uma saudade do cheiro de mato, de água de cacimba... Cheguei a conclusão, que prefiro andar no regorão do sol, como dizia vovó, do que ficar nesse inferno de cidade, tudo cheio de concreto, paredes envidraçadas e flores artificiais...
Ela tem os olhos de meio sol que desenhava entre as nuvens na infância. Disse minha mãe, fazendo meus olhos virarem poema.
FILHO DA MEIA NOITE
O sol virou pequenas luzes,
Postes ciclopes dançantes;
Castelos são prédios velhos,
A infância uma letra apenas,
Tatuada na casca da árvore,
Que a muito foi queimada.
Hoje solitário vejo o vazio,
Ruas cheias de aragens,
Baratas que saem do esgoto,
Um rato atravessa a rua,
Para olha e continua...
À noite, todos são caças,
Ou seriam caçadores,
Perdidos em suas inocências,
Buscando balanços,
Gangorras e giras...
Diversão de uma infância
Que nunca mais chegara...
André Zanarella 11-02-2013
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4979708
A infância não é apenas passado...
Também é futuro...
Ao misturamos nossas lembranças com as nossas expectativas, temos o presente!
Infância é estado da vida
que nunca deveria passar
ensina que alegria é tida
quando paramos de nos preocupar
Essa saudade só aumenta
da última verdadeira infância
daquilo que por um bom tempo,
e sempre, será os anos noventa.
Tenho saudades da minha infância, quando eu podia dizer ou pensar coisas aletórias e ninguém me olhar torto como se eu fosse uma boba porque eu era criança e isso era totalmente aceitável pra idade. Sendo assim, eu podia ser eu mesma e feliz.
Sabe aquela pessoa...
Que um dia fez parte de sua vida...
Seja na infância, seja num passado recente...
E, que você nunca mais viu
E, talvez nunca voltará a ver?
Você, com certeza, é e será essa pessoa para alguém.
"As coisas são efêmeras"
Infância minha onde estás, por onde anda os doces ou sofridos momentos, procuro meu dom e minha pureza onde percebia e valorizava, chorava e sorria por tudo ao meu redor, por todos ao meu redor, onde cada segundo tinha a importância de uma vida.
Voltarás?
mas quá, só resta-me pedaços de ti minha infância, guardados para sempre, onde vez em quando um deles rapidamente escapa: por uma imagem, por um cheiro, por uma frase, por um toque.
Eu quero voltar
voltar as lembranças
voltar a infância
voltar as momentos
que voam aos ventos
voltar a glória
de uma história
contada e vivida
em minha memória
