Elizamar Lanoa

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Quero um lugar para ficar, um carinho sentir, quero um brilho no olhar e um amor irresistível. Quero um pedacinho do céu, um cantinho que seja só meu. Quero meu desenho na areia e um castelo na montanha, quero a luz das estrelas e os raios do sol. Quero um riacho de águas tranquilas e caminhar no mar cheio de rosas vermelhas. Quero ouvir a pequena canção e quero a poesia da vida declamada com a mais pura emoção. Quero só um pedido: faça-me feliz, oh, solitário coração?

Elizamar Lanoa
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O LABIRINTO DA VIDA
É como eu se tivesse acordado
em um extenso labirinto, cheio de atalhos
tortuosos, e armadilhas infindáveis.
É como se falseasse cada suspiro
E roubasse momentaneamente o ar,
O oxigênio seco, a mistura com outros
Causadores dos formigamentos indesejáveis.

É como se andasse descalça,
Num mar de espinhos prontos
Para perfurar, sangrar os pés
As camadas de meu próprio eu,
Foram rompidas.

É como se a fortaleza que segura
Desabasse, descesse lentamente,
Machucando as últimas esperanças.
Dos obstáculos, desviavam-se, mas
A válvula de escape se rompia
A cada nova tentativa.

A saída se perdera no instante da entrada
O labirinto da vida se fechava,
A inconstante vontade de fugir,
Empurra o corpo que jaz na forma física
Da persistência.

Pelo suor gasto no caminho galgado,
Nada surge para salvar, para mostrar
Que a labuta estava valendo apena
Que no final do labirinto,
Uma luz iluminaria a saída.

É como se tudo transcendesse
a realidade, o reflexo da imagem
no espelho transformasse a face num
Místico mistério que já não suporta a pressão.

Afastou-se o cansaço, e convidara-se o descanso
para terminar a jornada, os sentidos que dantes
Furtara o ar, já não tem sede de respirar.

É como se a luz tão desejada,
Surgisse para mostrar finalmente,
Uma rota de fuga, toda via, sucumbiu-se
O corpo desfaleceu, a frieza tomou conta.

Avistou-se o fim do labirinto, a vida,
O roteiro de existência chegara ao
Seu desfecho final percorreu-se todas as
Curvas, cada espaço planejado.

A única verdade que jamais
Refuta-se é chegar à saída do labirinto
E não encontrar a liberdade.
Deparar-se com a certeza que
Viver é um labirinto.

Elizamar Lanoa
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UMA PEQUENA CRÔNICA: APENAS VEJO.

Abro a porta da alma. Olho lá dentro o que vejo?
Vejo pessoas desesperadas em busca da felicidade. Vejo o tempo correndo, querendo nos deixar para traz. Vejo as nuvens cobrindo as cabeças de lutadores do dia a dia. Vejo estranhos caminhando, se acabando por coisas desnecessárias. Vejo em quatro ou cinco anos pessoas se abandonando, esquecendo as amizades construídas nesse pequeno espaço de tempo que dele restará apenas lembranças. Vejo em cada olhar a vontade de vencer, vencer uma luta, vencer a desesperança, vencer as intrigas diárias, vencer os medos, vencer seus erros, vencer o orgulho que perdura nos nervos. Vejo na esquina seres rodeados de amarguras, fechados armados e parece que a qualquer momento tudo estará zerado e a explosão se espalhará e quem estiver desprotegido, será infectado pela tristeza desmedida. Abro as janelas da alma com receio deixar entrar pela porta, a desolação, o peso que arrasta o ser a perdição. Vejo os laços sendo rompidos, sendo substituídos pelas emaranhadas e embaraçadas amarras sem saída. Vejo lá fora, já se perdera o encanto, as pessoas andam se esbarrando, sem sentir o calor do outro. A frieza congelou a singela união que um dia aparentou existir. Vejo o desinteresse, em cada gesto e cada verso que sai da boca meticulosamente planejada para ser solto no ouvido dos que recuam por deslizes e clamam por compaixão. Abro a porta do meu coração, para que seja desintoxicado desse mundo de ilusões que oferece um paraíso efêmero e trapaceiro. Eu quero o eterno paraíso. Pois quando abro a porta da alma, esse mundo se mostra, mas a mim, não interessa! Abro as mãos, distorço os dedos para discorrer essas poucas linhas que restaram.

Elizamar Lanoa
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MEMÓRIAS DA MINHA DOCE INFÂNCIA

Eu vivi no paraíso onde tudo tinha cor
Mata verde, céu azul, nuvem branca e sol laranja
Formava um lindo arco-íris, belo emaranhado de cores
Que se enlaçavam no brilho do dia.

Eu vi os sorrisos mais sinceros e repletos de felicidade
Nasci no interior, no leito do rio Gurupí
Cercada por águas doces e cachoeiras que se debruçavam
Nas correntes nervosas do rio.

Tinha sonhos inocentes que não se realizavam,
Mas vivia tão feliz que nunca me importava,
Continuava dormindo sem me preocupar,
Sem me magoar, sonhando num suspirando sonante
Esperando ansiosamente o desejável dia do amanhã
Pois sabia que acordaria para uma nova aventura começar.

Ah, como eu brincava! Corria como em um desespero
Mas ao contrário de buscar socorro, procurava diversão
Na areia ou na terra preta do quintal, descalça deslizava
Sobre a maciez da lama, tudo, tudo com a mais pura emoção.
Sob as sombras dos cafezais eu pulava, subia em mangueiras
Apanhava frutas, não tinha temor à altura, embalava-me no
Balanço fechando os olhos sentido o vento suavizando minha pele
Nos dia de verão. Quando o suor escorria sobre meu rosto
Descia para beira do rio Gurupí, me jogava, mergulhava
Ficava alguns segundos submersa, como quem tivera saído do
Deserto e encontrado uma fonte, maná de sensações,
Ah, como era bom o barulhinho da água que me molhava,
Aquele arrepio frio que percorria meu corpo!

As tardes no sítio dos meus avós eram deliciosas
Amava aquela simplicidade, o silêncio que nos
Permitia ouvir o canto dos pássaros, o som que
Ecoava dos troncos e galhos das árvores
O toque leve e sedoso dos dedos da minha avó
Passando óleo de coco babaçu que exalava um
Cheirinho de carinho, enquanto ela penteava e
Massageava com todo cuidado os fios do meu cabelo.

À noite, permutava-se a soluta da escuridão pela luminosidade da
Alegria presente nas rodas de amizade. Ouvia- se versos, histórias
De assombrações, mais principalmente, contos da gente que despertava
curiosidade. Quem não se lembra das brincadeiras de rodas, ciranda-cirandinha
e das cantigas? Que acalantava o sono dos pequeninos, dos anjinhos!

Tinha liberdade de aprender, de errar, de brincar,
Liberdade de ter medo, medo dos olhos ofuscante da coruja que
Assustava-me por noite, deixando-me com sono por dias.
Pura superstição dos velhos sábios da aurora de minha vida
Nossa! Quantos valores e saberes me transmitiram!

Vejo-me agora como uma boba em companhia de lembranças dos
Anos maravilhosos que vivi, mas sinto-me livre para reinventar os
caminhos de hoje para alcançar, talvez, novas e esplendorosas
aventuras amanhã, sem esquecer-me da minha doce infância vivida.

Elizamar Lanoa
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O resgate da existência

Procura-se a existência...
Sabes onde posso encontrar?
Aquela existência que o homem deixou escapar,
a existência que surgiu na essência da celebração
do nascimento ou perecimento dos entes.

Busca-se uma existência, do corpo,
o mais puro, singelo e tocante.
Aquela que surge no plano coletivo,
que se entrelaçam num suspiro, no último suspiro ofegante
e desesperado pelo uno entre os seres humanos.

A existência da serenidade, a mesma deixada no devaneio capitalista,a existência que se vislumbra ao longe
com o fracasso ou sucesso do corpo/mente.
Da eterna ou efêmera tal existência.

Procura-se a existência que causa “satisfação”
ou te empurra para a mais dura e cruel realidade padronizada.

E alguém o interpelou o que queres,
A vida ou a alma perdida nos caminhos do leva e traz?
O véu estético que cobre o rosto teu ou o susto
que abalou os olhos meu ao ver-te,
moldado/monopolizado por aquilo que o dividiu?

O que procuras resgatar?
A existência do corpo desregrado pelo vício,
do furor da violência, da profissão perplexa
ou simplesmente da grave alienação social que insiste permanecer?

Elizamar Lanoa
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Oh, ávida saudade!

Quão saudosa hoje estou,
Saudosa daqueles minutos de risadas
Ou das demasiadas gargalhadas
Que não as consegui controlar.

Saudosa estou, das amizades deixadas
De cada carinho que não recebi,
Ou da face que não percebi.

Ai, que saudade de conversar em silêncio,
Dos sussurros simples, o sopro do vento...
Que provoca correntes de frio, invernando as noites quentes.

Saudades de uma singela pisada no chão do corredor,
Dizendo-me: que os sonhos venham,
Que os anjos estejam na cabeceira da cama,
Passando a mão nos cabelos teus
Suavizando o sono teu,
Orando ao Pai do céu e rogando-lhe proteção
Acalantando-me por instantes a tormenta, a solidão.

Digo agora estou saudosa, de tudo, de todos
E essencialmente da minha mãe que vislumbro
Ao longe neste momento. Saudosa do Tum, Tum...
Do coração de quem ama.

Quão saudosa estou, se somente hoje não sei!
Ou se ao despertar de um amanhã minha resposta seja
A expressão eloquente de Sócrates “só sei que nada sei”!

Elizamar Lanoa
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Assim sou eu!

A imensidão no infinito do universo...
Estrela que brilha no teto do quarto,
Sou sol que amanhe e anoitece,
Sou o sonho na escuridão dos olhos cegos.

Assim sou eu! Sou brisa sem frio...
Vendaval em tempestade,
Vento inquieto que sopra sem destino certo,
Sou andorinha sem verão.

Sou tempo nebuloso ou inverno tenebroso?! Não,
Assim sou eu! O som do barulho
E o silêncio do vazio,
Sou dias e noites a fio em busca do tempo perdido.

Assim sou eu! Galho seco imerso no verde esperança,
Sou deserto sedento por um pingo de alento,
Sou balsamo para solidão
E sombra que surge no sol escaldante.

Assim sou eu! Boca sem céu azul...
O sorriso da felicidade,
Retrato da vida no passado, presente e futuro dourado,
Sou chocolate puro? Não, chocolate com leite e açúcar!

Assim sou eu! Sou perfume, cheirinho de aroma...
Sou tulipa vermelha do campo
E sangue que pulsa fora dos corações
Sou essência do eu imponente.

Eu sou assim! Amor sem fronteira...
Liberdade ávida em companhia,
Carrossel sem giro perfeito
E criatura com saudosa lembrança da infância
Sou o desenho criado pelos dedos de Deus.
Assim sou eu!

Elizamar Lanoa
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MOTRICIDADE

"Movimentar-se é a forma física de exercitar, testar os limites do corpo/mente e desenvolver capacidades e/ou habilidades novas, pois nos estimula a buscar e desvendar a complexidade daquilo que ainda não conhecemos"

Elizamar Lanoa
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CONHECIMENTO

"Quando alguém cogitar em chamá-lo de ignorante, diga: não detenho todo conhecimento,se nesse momento sei menos que você é porque ainda não estudei aquilo que dizes saber"

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VIDA

"Poucos sabem, mas a vida é realmente uma totalidade. Totalmente louca, totalmente complexa, totalmente difícil de viver".

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"Perceber que cada momento esperado, cada sentimento, cada arrepio na pele, cada suspiro dado, foste tu o responsável, me deixa com saudade!"

Elizamar Lanoa
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"Deleito-me com poesias escritas, contadas e cantadas. Mas meu descontentamento me permite querer escrever, contar e encantar com minhas próprias linhas poéticas".

Elizamar Lanoa
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MEUS DIAS

"Percebi que toda vez que entro em um ônibus e sento perto da janela, meu corpo se livra da pressa e a minha mente relaxa. Tudo em minha volta vira motivo de reflexão. Até o final do percurso, o meu dia tem outro sentido, muitos significados e nenhuma razão para ser repetido, muito menos esquecido".

Elizamar Lanoa
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MEU SALVADOR

"Quanto mais eu conheço a palavra de Deus, mais me convenço da minha dependência, do quanto eu necessito da infinita misericórdia Dele. Sem a graça de Deus eu já teria desistido de tudo".

Elizamar Lanoa
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Reinventar os passos diários,
É calcorrear uma nova viela.
Definir as razões de ter acordado
Tecer novos discursos, dar um novo
Rumo aos pensamentos guardados.

Reinventar os sentimentos,
É dar-se, entregar-se a momentos,
Ser reinventado no amor, ser conquistado
E conquistar-se sem esperar do outro.
Antes, redefina o amor e ame-se
Aí sim, distribua-o com o próximo.

Reinventar é transformar-se intrinsecamente
Ressurgir da mesmice e entender
Que as cinzas já foram brasas, que
As chamas só apagam se deixares de acendê-las.

Reinventar é calcular a distância entre o tempo
Para recordar que as lembranças
São escritas ou desenhadas na memória
Daqueles que se deixaram escapar dos desejos,
Ou fugiram do seu destino marcado. Portanto,
Necessitam reinventar-se.

Ainda que diariamente
Tenhamos vivências distintas,
A vontade inesgotável de recriar
Nos mantém firmes na certeza que
A vida é a representação daquilo reinventamos.

Elizamar Lanoa
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Todos os pontos enfileirados,
Um a um foram unidos pelos dedos
Engenhosos de uma criadora que não
Mede esforços para deixar sua marca.

Os linhos de algodão, os botões cobertos
Por um tecido com cores mescladas, um capricho.
Costura bem balizada, o corte bem acentuado,
Sem quaisquer amassados, curvas perfeitas.

Os moldes riscados, bem demarcados, delimitando
A trajetória das linhas de lã,
Nada de roupas engomadas,
Panos rústicos ou de poliéster
Apenas tecidos leves e soltos.
Vestidos de mangas fofas,
Umas saias com cós alto e barras plissadas,
Outras com volume, modelagem godê ou
Estilo tulipas vermelhas.

Nunca dantes ensinaram-lhe
Como manusear uma agulha,
Uma tesoura,
A alinhavar um pedaço de trapo,
Uma meia furada,
A enfiar um pedaço
De linha no fundo da agulha.
Muito menos lhe ensinaram
A manipular uma velha Singer.
Os pés talentosos aprenderam
Sozinhos a pedalar em uma enferrujada
Máquina de ferro, deixada de herança.

Ainda assim, seu célebre ofício aprendera
Com sua própria forma de fazer arte com as mãos.
Num vai e vem de fura e amarra, segue sua linda sina,
Nunca precisara de curso de moda, corte e costura
Ou alfaiataria para fazer selar sua história.

Elizamar Lanoa
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Quando eu chorar de saudade,
Não me peças para calar.
Quando eu estiver morrendo de rir,
Não me peças pra viver.
Quando eu sofrer por amor,
Não me peças pra ser feliz.
Quando eu estiver no início de uma história,
Não me peças pra saber o final.
Quando eu estiver sonhando,
Não me peças pra acordar.

Quando eu estiver caminhando,
Não me peças parar.
E quando eu estiver quase chegando,
Não me peças pra desistir.
Quando eu perder,
Não digas que fui derrotada.

Mas quando eu estiver perdida,
Encontre-me, por favor, pois talvez
Eu tenha chorado demais,
Sofrido bastante,
Talvez, eu tenha sido enganada por um riso,
Talvez, meu sonho tenha sido um pesadelo,
Talvez, o caminho escolhido
Era cheio de atalhos tortuosos e sem saída,
Talvez, eu tenha desistido antes de chegar
Ao meu destino e tenha sido tomada pela desesperança.

Talvez, eu tenha chegado ao final da minha história
E percebido que nem todos os finais são felizes,
Talvez, eu tenha decidido ter mais uma chance de
Começar tudo de novo.
Talvez, eu tenha decidido viver!

Elizamar Lanoa
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Não sei se o amor era outro
Não sei se as músicas eram melhores
Não sei se o tempo era a favor,
Não sei se os olhares eram outros
Não sei se sentir era diferente de hoje.

Só sei que quero,
Deitar-me na areia e ouvir uma música
Que me faça sentir um amor sincero.

(Elizamar Lanoa)

Elizamar Lanoa
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Inclua em seu coração sujeitos capazes de corresponder ao seus sentimentos, para que não se arrependas quando estiveres amando.

Elizamar Lanoa
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Alimente seu corpo
Para que continues vivo.
Alimente sua mente
Para que continues existindo.

Elizamar Lanoa
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Uma vela, um livro,
Um pedaço de chão.
Uma folha marcada,
Mil histórias na mão.

Uma estante vazia,
Na sala, no porão
É um sonho perdido
Na escuridão.

Elizamar Lanoa
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A PEQUENA CAPITÃ DE SONHOS

A menina sonhadora
Acordava todas as manhãs
Antes do despertar do sol.
Descalça, descia do seu quarto
Correndo e ia direto para beira
Da praia.
Sentada de joelhos dobrados,
Olhava para o horizonte
A espera dos raios do sol.

A pequena parecia ter nascido das
Águas. Passava o dia navegando
Nos seus devaneios inocentes.

Maravilhada com mar,
Imaginava um dia navegar
Por pélagos distantes do seu pedaço
Inventado, do qual só fazia parte
Quando entrava num profundo sono
De fantasia. Nele, sua frágil vida se transformava
Numa aventura, num passeio
Ao seu universo idealizado.
A imensidão dos oceanos se tornara aos olhos da pequena
Um rio, onde seu navio antigo velejava
Tranquilamente, quando queria
Um pouco de adrenalina pedia ao vento
Sopros que a levassem para longe
Que levantasse as maiores crista de ondas.

Visitava lugares maravilhosos, transfigurava-se na capitã dos piratas
Caçava tesouros nas águas escuras das voragens desconhecidas.
Não pertencia ao medo, às tempestades não a assustavam.
Comandava seu navio com bravura, e muita coragem.

A pequena transforma-se na capitã dos seus sonhos,
Vivia todas as fantasias que no mundo tangível, jamais realizara
Quando espertava nas manhãs seguintes, tinha no seu risonho rosto
Um estado de graça, uma felicidade que a preenchia até a próxima
Visita ao seu espaço particular, onde seus sonhos se realizavam.

O seu talismã, os seus sonhos, eram mais preciosos que todos os tesouros
Achados, pois a levava ao seu destino, ao seu mundo encantado.

Elizamar Lanoa
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A arte não nasceu comigo,
Eu nasci com pedacinho da arte.
A expressão dos meus singelos traços,
Rabiscos, linhas imperfeitas,
São a mais pura representação da minha
Percepção visual extrínseca de mundo.

A beleza está naquilo que vejo internamente,
Mas fico maravilhada ao tentar descrever
A imitável realidade.
Não me empenho em transpor
Além daquilo que os meus olhos contemplam.

Os meus esboços revelam
Apenas o esmero que tenho
Ao buscar ilustrar em papéis
O pouquinho daquilo que a arte
Deixou escapar em mim.

Elizamar Lanoa
Inserida por ElizamarLanoa

Por vezes sentir olhares de acusações, por vezes me apontaram o dedo mostrando um destino que não era meu. Por vezes pensei em desistir por medo de errar, por vezes pensei que a minha luta não valeria a pena. A minha luta ainda não acabou, mas sei que cada batalha, cada erro e cada acerto me fizeram esquecer os olhares alheios e prosseguir na minha jornada.

Elizamar Lanoa
Inserida por ElizamarLanoa

Adoro conhecer coisas novas,
Sou caçadora destinos inventados
Encanta-me um novo sotaque,
Uma frase inesperada, um sorriso rasgado.

Adoro observar as mesmas passagens,
Mas cada vereda que vejo nunca é como
Se fosse o mesmo caminho galgado.
Acho-me perdida nos fascínios diários.

Adoro o som harmonioso das músicas antigas,
Mas cativa-me celebrar uma nova canção, ou dar
Um novo sentido as cifras de uma letra
Acompanhada dos acordes de um violão.

Adoro acordar e pensar que sou aprendiz
Da vida, pelo menos enquanto a essência da
Vida durar.

Elizamar Lanoa
Inserida por ElizamarLanoa