Tag escuro
Inconstante…
(Nilo Ribeiro)
Inconstante,
assim eu sou,
homem errante,
assim estou
sem lugar,
sem referência,
sem amar,
sem preferência
estou perdido,
estou sem rumo,
ouça meu pedido,
me dê teu mundo
me procuro,
não me encontro,
estou no escuro,
me desaponto
não sonho,
não me alegro,
estou tristonho,
estou cego
as esperanças somem,
a felicidade foi embora,
não sou mais um homem,
apenas um ser que chora
não tenho um querer,
não tenho nada sequer,
só tenho um prazer,
te fazer minha mulher
não sou nada,
ninguém eu virei,
sem você minha amada,
nem vida eu terei…
Não sou escravo de ninguém
Nem de mim, nem de você.
Não tente me encontrar
Pois nem eu sei onde me encontro.
Vivo de princípios para
Manter o meu equilíbrio.
Penso em tantas coisas
Mas às vezes não tenho nada
A dizer.
Tantas palavras, mas todas já
Foram ditas.
Não vejo mal algum em usar
Palavras repetidas.
Sou pura emoção ao mesmo
Tempo me encontro em grande
Solidão.
Não tenho medo do escuro
Pois caminho nele sem ver
As coisas que encontro em
Minha frente.
Tenho medo da luz, pois ela
Me permite ver os monstros
Que se esconde dentro a escuridão.
Observo as pessoas como faz qualquer artista
Deduzo oque sentem e transcrevo
Em minhas linhas.
Faço das verdade minha fonte
De vida.
Mantenho a verdade viva
Em minha vida.
Das mentiras me escondi,
E meu coração pulveriza
Oque tenta me ferir.
Não me apego facilmente
Ao que desperta o meu desejo
Empurro com vontade oque
É fora de carácter.
Não sou o dono do mundo
Mas sou o filho do Dono.
Minhas ideias são frias
Pois tenho uma mente sofrida.
Olhe profundamente em meus olhos e você verá a beleza da cor, meus olhos não mostra oque sou, ou oque eu sinto, não mostra minha vida futura, mas talvez tu sinta o peso do meu passado.
Um passado pouco colorido, e muito sombrio.
Às vezes tenho a sensação que não amanheço. Que permaneço irremediavelmente presa na boca escura da noite.
Pular de peito aberto,
Sem medo da dor,
Sem medo do amor.
Mergulhar no profundo,
Sem medo do escuro,
Sem medo do luto.
Não há dias escuros quando se tem o coração transbordando de amor,
e, a esperança sorrindo a cada amanhecer.
Toda vez que fecho os olhos, enxergo as partes internas das minhas pálpebras.
Só hoje me dei conta que elas são escuras.
Lá, no fim das internas viagens,
Onde estatísticas não têm valor,
Porque, até hoje, ninguém pisou,
Em solos tão selvagens,
Mora, depois da esquina do medo,
O tesouro que tanto procuras,
Entre vielas e ruas escuras,
E que parece intransponível segredo.
Ele espera por você, intocado,
Pronto para a revelação,
Pela qual você, obstinado,
É capaz de dar dedos e mão,
Sem saber que, o danado,
É gratuito a quem tem coração.
Tranco-me em meu quarto como quem procura se esconder das estrelas, há saudade em cada brilho e em cada brilho uma recordação distante. No escuro, tudo se torna um. Mas trancar-se é inútil, pois quando vier o dia as estrelas então serão meu guia.
Tem ateu que diz que os cristãos são pessoas infantilizadas que têm medo do escuro. Do escuro eu já tive medo, hj me sinto confortável no escuro. E agora também perdi o medo da luz.
Vejo o escuro.
Somente o escuro realmente enxergo,
sem ruídos multicoloridos.
Ouço o silêncio.
Somente o silêncio posso ouvir,
sem ruir em ruídos.
Apenas mais um dia
Muitos dias levanto
e apenas sigo indiferente
não vivo e nem canto
muito menos acordo contente
Entre idas e voltas
sorrisos e lamentos
mares e revoltas
vazios e tormentos
Somente me vejo no escuro
não há claro por perto
nem há nenhum muro
que eu possa escalar de certo
Apenas vazio
por dentro do meu eu
uma alma posta ao frio
que pouco a pouco apodreceu
A solidão e um livro onde o tema e morte, a capa e escura e quando se ler aprende a lidar com os mais misteriosos sentidos da vida.
