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Sentir-se feliz pela alegria do próximo sem de fato desejar com olhos de cobiça ou inveja traduzidos em desdém é uma das
maiores provas de evolução que se pode ter.
E se por acaso, Eu não conseguir "livrar-me de todo mal",que pelo menos eu consiga não ter a obrigação de conviver com gente mal-comida.
Amém.
Pobre come muito porque tem que armazenar para os dias difíceis. Tá pensando que só o camelo e o crente que passa pelo deserto?
Aquele que tem fome e não tem comida é menos infeliz que o que tem muita comida e não consegue ter fome?”
Pombos de rua não aprendem a procurar comida, pois tem sempre quem lhes jogue milho na praça. E este acha que está ajudando.
Que admiração sinto
pelos chefes de cozinha,
que com umas tirinhas de carne
dois tomates e temperinhos,
criam um prato apetitoso,
todos comem lambendo os beiçinhos
Aqui, com meio boi -coitadinho-
quilos de cogumelos,
molhos e tudo mais,
faço um prato que as cobaias
chegam perguntando, desconfiadas:
- O que é isso? kkkk...
e com coragem enfrentam o rancho
de capacete, luvas e armadas!
Tem guerra por comida, tem guerra por emprego, tem guerra na saúde, é só guerra por dinheiro, e você pensa que esta a salvo, que não vão te encontrar, mas logo outro verme vem e toma o seu lugar.
Receita de amor...
(Nilo Ribeiro)
Receita sem segredo,
fácil de fazer,
convide teu companheiro
e prepare com prazer
ingrediente fundamental:
o verdadeiro amor,
não há temperatura ideal,
melhor, com mais calor
o que vai precisar
para este gostoso manjar:
dois apaixonados corações,
inteiros, não em porções,
vinho tinto para regar,
boca faminta para beijar,
e como decoração,
uma bela e suave canção
modo de preparar:
coloque o som baixinho,
comece a fantasiar,
sirva o gostoso vinho,
com pitadas de carinho
para melhor temperar
comece a mexer,
o corpo, depois a libido,
prepare com prazer
para logo ser servido
um prato quente
para amantes ardentes
meta sabor,
meta vontade,
meta amor,
meta verdade
na cama pode ser degustado,
com apetite e delicadeza,
devore de modo ousado
se for servido sobre a mesa
uma receita de amor
para você se lambuzar
use do jeito que for,
use até se saciar
repita sempre a comida,
faça amor a toda hora,
é assim que celebriza,
assim o coração devora...
PENSAMENTOS
Cozinhar a comida sem tempero
É viver uma vida sem emoções.
🌷💕
Ler poesia
É saborear lentamente
A comida feita com amor
Escrever poesia
É devorar com prazer
O queijo da serra da estrela
Com uma fome incessante.
🌷💕
A cozinha portuguesa
É a melhor do mundo
É feita com paixão
Cada região faz uma
Comida divinal desde
Trás-os-Montes ao algave.
🌷💕
Meu amor
Refresca-te ao fim da tarde
Com uma boa taça de vinho Portugues.
🌷💕 🌷💕 2017
COMIDA FRIA
Lá em casa, habitualmente, não cozinhamos aos sábados. Saí para buscar o almoço com a nossa fornecedora atual, Dona Maria, que nos últimos anos abriu o portão de sua casa e começou a entregar aos finais de semana uma deliciosa feijoada, nas versões tradicional e “light”. Sorridente, falante e cortês, Dona Maria atende a todos com o seu gorro e avental branquinhos, e faz questão de dizer que tudo ali é feito com qualidade, asseio e carinho. Motivada pelo pedido de alguns clientes, estruturou a sua garagem e agora mantém meia dúzia de mesas plásticas, forradas com um tecido rendado, quatro cadeiras em cada e um freezer cheio de cervejas e refrigerantes para que os clientes possam se deliciar com a iguaria ali mesmo, caso prefiram.
Estacionei o meu carro numa rua perpendicular. Peguei a minha filha pela mão, tranquei e acionei o alarme e fui me aproximando da casa de Dona Maria. Do lado do seu portão principal, estava estacionado um carro muito bonito, com cabine dupla, cor prata e recém lavado, denotando o capricho do dono. Em um piscar de olhos, vi um rapaz de boné baixo (acho que para esconder parte do rosto) ao lado do carro, na porta do passageiro. Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, o rapaz retirou a camiseta branca, enrolou em algo (que depois fui descobrir que era uma pedra bem grande) e bateu com toda a força dos seus braços finos no vidro da porta do passageiro, fazendo cacos de vidro voarem para toda lado. Mais rápido que o The Flash, meteu a mão dentro do veículo violado, retirou algo e saiu correndo. O “algo” era uma bolsa feminina, da cor vermelho escuro. O alarme do carro bonito começou a gritar alto, chamando a atenção do dono que estava no interior da casa de Dona Maria, aguardando o almoço.
O senhor careca, proprietário do veículo, também demorou alguns segundos para entender o que havia acontecido. Já com as mãos na cabeça em desespero, ouviu o meu grito abafado. Eu apontava e sacudia a mão desocupada na direção onde o rapaz decidiu correr… Mas foi em vão. A nossa capacidade cerebral de entender a cena, agir, gritar, fazer qualquer coisa útil foi infinitamente mais vagarosa do que as pernas compridas do rapaz tomando a direção já calculada.
Na sequência, uma pequena senhora de cabelos alaranjados também apareceu e descobri que era a dona da bolsa roubada, esposa do calvo senhor. A mesma, chorosa e assustada, afirmava repetidamente que não havia dinheiro ou nada que um meliante pudesse aproveitar lá dentro, somente seus documentos, cartões, maquiagens, remédios e pertences pessoais.
Tentando concluir a minha missão ali, apesar do susto e da injeção de adrenalina, entrei na casa de Dona Maria (que nessa hora voltava da rua após procurar ajuda policial com o casal) e meu coração estremeceu diante da cena que vi. Em uma das mesas com forro rendado colocadas à disposição dos clientes, duas porções completas e caprichadas (e ainda nem tocadas) da deliciosa feijoada da Dona Maria. Aquele momento íntimo e sagrado da dupla havia sido interrompido pelo grito do alarme, e acredito que os dois, naquela mistura de emoções e sobressalto, haviam perdido o apetite.
Nessa hora, minha filha, sacudindo levemente o meu braço, pediu explicações:
– Mamãe, aquele era um ladrão?
– Sim, meu amor, era.
– Por que ele quebrou o vidro do carro do moço?
– Para pegar dinheiro, meu bem. Ele não tem trabalho e não tem dinheiro para comer. Por isso faz isso com as pessoas – Expliquei de um jeito que ela pudesse entender, sem entrar em detalhes sobre o que eu realmente pensava a respeito do destino do dinheiro (não) roubado. E ela continuou:
– Uai mãezinha, mas se ele estava com fome não era mais fácil ele pedir um prato de feijoada para Dona Maria? Ela é tão carinhosa e boazinha e faz um montão bem grande de comida…
Dizendo isso, ela pegou a sua bolsinha rosa e começou a retirar suas moedas:
– Mamãe, essas moedas aqui pagam uma feijoada?
Sem entender, respondi:
– Não meu amor, não é suficiente. Mas para quê você quer comprar outra porção? Uma só dá pra gente, mamãe já pediu e pagou.
– Eu quero comprar comida para dar para aquele rapaz. Vamos encontrá-lo. Daí ninguém fica triste. A senhorinha do cabelo engraçado não precisa chorar por causa da bolsa dela, nem o moço careca precisa ficar triste com o carro quebrado. E o rapaz não precisará mais fazer coisas ruins com outras pessoas.
Ajoelhei, abracei a minha filhinha, beijei a testinha inocente dela e nada mais consegui dizer.
Peguei a embalagem térmica com uma porção da deliciosa iguaria, busquei para mim a mãozinha miúda e fomos caminhando devagar, atravessando a rua, em silêncio.
Antes de sair dali ainda pude observar novamente a mesa posta para o casal. Corações aflitos e comida fria.
Na escuridão do cativeiro, suas incertezas serão ainda mais repugnantes do que a comida podre que te servem.
Ela não sabia o que se passava com ela mesma. Estava chateada? - Não, não estava. Tinha um problema? - Não, não tinha. Foi então, que ouvindo suas músicas preferidas, sentindo a brisa e comendo uma coxinha... Que finalmente descobriu, que era fome o que ela tinha.
Se o governo fornece medicamentos gratuito ao povo e não fornece comida, é por que ele quer ver o povo doente, não morto.
05.04.2017.
Sinto fome, mas não de comida.
Sinto sede, mas não de bebida.
Quero andar, correr por ai,
mas não como uma caminhada matinal...
Conhecer novas pessoas e
quem sabe encontrar quem já passou por mim.
Sem data, nem hora marcada, mas sim momentos casuais.
Quero frequentar cada vez menos
as quatro paredes e
em vez disso, sentir os ventos e os
contrastes nas mais
loucas viagens.
Viver. É isso que eu quero.
Não uma vida monótona,
programada, com o enredo pronto.
Quero sentir os contrastes tão vivos como essa vontade de viver.
Se hoje não come a comida que a Rainha faz no K'vas Bar, quero ver quando 2020 chegar, vai comer até se estiver azedo, nada como uma eleição após a outra.
Comida de quartel é uma refeição carinhosamente chamada de boia ou grude – conforme os troços boiando ou grudados no prato.
