Tag café
As lágrimas da noite é o café de uma manhã que se avista em um denso véu amarelado. Só sobra um cigarro e restos de poeira nevando a felicidade.
Ofereço-te uma xícara!
As tardes espreitam a noite e a noite me relembra a madrugada e um céu sem estrelas e sem lua, ruas vazias e mais nada.
A brisa suave do horizonte traz-me a felicidade dos deuses do prazer, a sensação vadia de que perdi você.
O amor tem um sabor de existência e esse gosto vem do doce de um beijo ou do encanto de um sorriso e até mesmo do silêncio do entreolhar.
A gente se entreolha, isso é um máximo, os olhares não dizem nada pois escondem por trás da timidez a voracidade de corpos sedentos e de almas com aparência inocente pois o amor é inocente, ensina as trilhas do prazer desnudo.
Ofereço-te uma xícara, esbanje suas lágrimas para que seja o meu café das tardes miseráveis onde desejava o teu corpo e o teu beijo, a essência de mil loucuras e de minhas ternuras obsessivas, o aroma de meus dias ansiosos e o café de minhas tardes solitárias onde eu bordava novas paisagens de amor enquanto você galanteava confidências no leito quase perfeito da glória.
E nessa rotina entre o tudo e o nada, sem saber o que é o amor, nada mais importa - um sorriso a toa, a saudade sem passado e um desprezo, desprezo?
- Que beba água de pote, só entendo de amor e é de amor o que me adorna.
LEITE MUNGIDO
.
Cuscuz, queijo e ovo cozido
Copão de leite mungido
Eis meu café da manhã.
Ao lembrar do meu sertão
Bate uma baita saudade
Nas veias do coração.
O tempo... quanta maldade
Parece não ter noção
Do estrago que fez na alma
De um poeta setentão!
Trem da felicidade
.
Tem somente uma regrinha,
Digo logo de antemão:
Gostar de tomar café,
Para entrar neste vagão.
Entre e sinta-se à vontade
No trem da felicidade...
E solte a imaginação!
Carinho,
Amor,
Felicidade,
Esperança.
Café, uma palavra, dando vida a tantas outras, rodeadas por sentimentos profundos, um bom dialogo, um aquecimento fraterno, momentos únicos, inesquecíveis, trocas de olhares, sorrisos singelos e com sabores especiais.
Pano de coar café ou cevada é igual ao discernimento, se você usar, acaba filtrando muita coisa que atrapalha o sabor da vida.
Tomei café com você
Durante anos
Na mesma xícara
Quando ela partiu
Não foi só a xícara que ficou em pedaços
Se a vida estiver amarga aprecie-a como um bom café sem açúcar. Em breve o que era amargo se torna doce ao amadurecer seu paladar.
Há muita morte escondida atrás de xícaras de café.
Planos ardilosos e muita mentira se misturam entre
xícaras e mais xícaras de café nas casas daqueles
que só sabem fofocar.
"É melhor desabafar com uma Xícara de Café; com uma Caixa de Chocolate; ou até mesmo com um combo do Mc Donalds, do que com as pessoas que se dizem ser suas amigas."
A sacralidade nas refeições.
Há certa equidade no rito das refeições. Sob a toalha, já não se vê quem é maior. A mesa esconde nossas deficiências.
Sentados, a única urgência é pela comunhão, que é repartida juntamente com o pão e a manteiga. O sagrado tem sabor de café.
Quando nestes encontros falamos, rimos e recordamos, as horas voam diante da saudade acumulada, e notamos que, pelo menos por alguns instantes, conseguimos arranhar a eternidade.
Algum aparelho sempre toca e, espantados com o horário, sabemos que é o momento de partir.
Na porta, ao nos despedirmos, alguém intencionalmente sacode a toalha do café, assim as aves também poderão se alimentar com as migalhas dos nossos momentos.
Crônicas do Efêmero
No ritual matinal do café quente,
abre-se o dia com moderação,
enquanto o sol, comedidamente,
ensaiando seu brilho, molda a mesa com precisão.
A brisa, tímida e reflexiva,
percorre as folhas com lembranças,
como quem passeia entre memórias,
de um tempo que, na verdade, nunca se foi.
O riso infantil, puro e indomável,
corre sem destino certo,
como se a vida lhe pertencesse,
e o momento fosse uma eternidade.
Um abraço inesperado,
que sem alarde se anuncia,
carregando em seu simples gesto
todo o peso suave da afeição.
E no reencontro com os amigos,
as palavras fluem sem pressa,
entre risos, confidências e recordações,
como se o tempo, por um instante, se esquecesse de passar.
São essas minúcias da existência,
aparentemente insignificantes,
que compõem, em segredo,
o grande romance da vida.
CAFÉ COM PROSOPOPEIA
O pão estava bronzeado e feliz
E a mortadela com um sorriso lindo
Os ovos mexidos em meio ao bacon
Gratinados com manteiga desfilavam
Como passistas em um bloco de carnaval.
O Café sorria na xícara e
O leite quando a ele se juntava
Propagava um aroma gostoso
E a cada mordida no pão com manteiga
Ele cantava um som crocante
Crocantíssimo, provocante.
O melão esperava ansioso
Para participar da festa
Assim como as maçãs e as peras.
Frutas charmosas e comportadas
Encantei-me ao avistá-las na feira.
Mordisquei o melão e ele fez uma canção
Que nutriu e deixou feliz o meu coração.
"Eu gosto dos seus olhos, eles me lembram a cor de um café quentinho, e assim como o café é aconchegante, estar perto de você."
A noite é um xícara de café quente, tem que se tomar devagar, saboreando pouco a pouco, mas sem demorar ao ponto de esfriar e perde sua graciosidade
