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A Bíblia deve ser lida e refletida por todos, inclusive pelos ateus, pois se trata do maior tratado filosófico já escrito e compilado da história da Humanidade.
[Este mundo] existe de forma desnecessária, improvável e sem causa. Existe por absolutamente nenhuma razão. É inexplicavelmente e incrivelmente atual. . . O impacto desta realização cativada em mim é esmagadora. Estou completamente atordoado. Eu dou alguns passos confusos no prado escuro e caio entre as flores. Eu fico estupefato, girando sem compreensão neste mundo através de inumeráveis mundos além deste.
Então, como os teístas respondem a argumentos como esse? [Argumento do Mal] Eles dizem que há uma razão para o mal, mas é um mistério. Bem, deixe-me dizer-lhe isto: tenho na verdade cem pés de altura, embora pareça ter apenas um metro e oitenta de altura. Você me pede uma prova disso. Eu tenho uma resposta simples: é um mistério. Apenas aceite minha palavra em fé. E essa é apenas a lógica que os teístas usam em suas discussões sobre o mal.
A tese de que o universo tem uma causa divina originária é logicamente inconsistente com todas as definições existentes de causalidade e com um requisito lógico sobre essas e todas as possíveis definições válidas ou teorias de causalidade.
Segundo o teísmo, se um universo tem alguma probabilidade de existir, essa probabilidade depende das crenças, desejos e atos criativos de Deus. Mas a probabilidade de Hartle-Hawking não é dependente de qualquer consideração sobrenatural; Hartle e Hawking não somam nada de sobrenatural em sua derivação integral do caminho da amplitude de probabilidade.
A maior parte dos ateus deve sim "crer na inexistência" de deuses, apesar da implicância de alguns, que vêem nisso uma espécie de tentativa de equiparação com uma fé qualquer em algo absurdo e não comprovado, quando é na verdade apenas a crença que a realidade provavelmente não contém tais coisas absurdas, mas que deve ser basicamente tal como descrita pelas teorias científicas. Ou seja, sem deuses.
A coisa se complica na medida em que se vai imaginando deuses cada vez mais infalsificáveis e escondidos no meio do vácuo quântico, em dimensões totalmente paralelas sem qualquer contato, ou qualquer coisa do gênero, que no mínimo seriam equiparáveis a uma inexistência "prática", mas provavelmente são melhor vistos só como malabarismos lógicos para tentar criar uma espécie de ficção filosófico-científico-religiosa que alguns gostariam que fosse real.
A ciência explica relativamente bem o universo sem a atuação de um super-cara agindo como criador ou manipulador, e para o que ainda é desconhecido/incerto, há um salto de lógica tremendo em invocar um super-cara ou algo assim, que mais provavelmente não existe mesmo, por tudo que podemos averiguar
Acho essa distinção de ateu fraco e forte tem um espantalho inerente, no ateu forte. Como se fosse algo "radical", uma "fé negativa".
Na verdade o ateísmo forte não é mais "forte" do que não se crer ou crer na inexistência de qualquer coisa para a qual não se tenha evidências e que pareça extremamente improvável, como duendes, fadas, ou que o universo é produto de uma linha de montagem robótica parecida com uma fábrica de automóveis, ou de um único robô. Nem a "fabricomorfia", mesmo se assumidamente não-acompanhada de "engenheiros" e "operários", nem um robô-criador não-criado singular, são coisas menos parcimoniosas do que antropomorfia. Mas a hipótese de um super-cara tem todo esse respeito e assunção de plausibilidade em torno dela que não tem qualquer justificativa concreta.
O verdadeiro ateu possui a chance inigualável de se corrigir moralmente sem precisar inventar um censor para se justificar;
Se após a morte me deparar com bondosos homens velhos trajando togas aureoladas, farei apenas uma pergunta: onde é o elevador?;
Existem ateus por princípio e por conveniência intelectual. Os primeiros amam e reverenciam o humano, enquanto os segundos são apenas céticos rasos;
Entendo a necessidade da mitologia para uma civilização tão injusta e desumana, mas não me vejo forçado a ser escravo de nenhuma delas.
