Suportar e a Lei da minha Raca
Na beleza de minha vida, encontro consolo na porta de minha alma, quando sei que sou aquilo, que tento engannar os outros a pensarem de mim o que, exatamente náo sou.
Por mais que a solidão bata a minha porta, não me arrependo de ter lhe deixado sair por ela. É mais fácil ser amigo da solidão do que da ilusão de amar alguém.
Ultimamente tudo o que eu procuro é me distrair. Porque sempre que me distraio, você foge da minha mente, e isso é bom. É bom quando você me dá uma trégua e saí dos meus pensamentos. Porque assim, eu paro de lembrar e de lamentar por coisas que já nem existem mais. É nessa “trégua” que eu consigo ser eu mesma, é nessa trégua que eu consigo abrir um sorriso verdadeiro, é nessa trégua que eu me sinto bem e calma. Tenho feito coisas que ocupem meu tempo, como visitar pessoas que nem lembrava mais, ver televisão, andar por ai sem rumo e em tempo chuvoso, eu escrevo. Isso tudo é só pra não lembrar de você. Eu prefiro não pensar em nada, do que pensar em você, isso me faz mal, me deixa triste. Mas o que me deixa pior ainda é saber que você nem precisa se esforçar pra não pensar em mim, pois já faz tempos que você me esqueceu. Pra você, passou.
Sinto saudade de minha cidadezinha, tão pequenininha, porém bonitinha.
Levantou-se à beira de um rio de muitas lendas que deveria ser um ponto turístico.
Sinto saudades da pracinha com água iluminada que ia alto e encantava as crianças que ali ficavam a andar de bicicleta, saudades, somente saudades.
Saudades do parquinho. Ah! Quem me dera voltar aos meus dez anos, brinquedos, castelinho. Hmmm! Como era bom tomar sorvete aos domingos. Meu pai tinha prazer em levar seus filhos.
Lembro – me como se fosse hoje da grama verdinha onde muitos brincavam, hoje sequer olham pra lá.
E as festas de setembro, escolas reunidas na praça para os desfiles estudantis “Ô tempinho bom, que não volta mais!”.
Como me sinto triste quando passo pelas ruas da minha cidadezinha, tão pequenininha que foi esquecida parece mais faroeste, só faltam os desafios no centro da cidade.
Ceres cidadezinha das flores, minha Deusa, ainda tenho esperanças em meu coração, que volte a ser minha cidadezinha tão bonitinha, aquela, que ainda está em minha memória.
Não me importam os julgamentos, todos eles. Exponho a minha sensibilidade porque acredito na minha força. Não sou feito de opiniões alheias, meu ingrediente principal é o amor.
Minha memória é um rio caudaloso
Onde, às vezes, eu me vejo submersa,
Afogada, asfixiada.
É um rio de torrentes que me arrasta
E me joga de um lado para outro,
Contra rostos, mãos, casas, esperanças,
Idéias, planos, ruas, despedidas,
Montes, mares, angústias e caminhos,
Pernas, pés, praias, solidão...
Estendo as mãos, as margens longe...
E vou me debatendo
Até que a voz do tempo
E o correr dos dias
Me salvem de mim mesma
E me coloquem outra vez
Nas margens tranqüilas do esquecer.
A todos os momentos, lembro nossos arrependimentos, mágoas passadas vêm à minha mente, tudo poderia ser diferente se os erros não fossem o nosso presente.
Eu queria ter um motivo que eu pudesse me apegar e lutar e viver minha vida sem nunca dizer "eu quero desistir".
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