Superfície
ÍNDIA
Como nós:
Índia,
incrivelmente apaixonante
Inexplicável
Na superfície, barulhenta, confusa e incoerente
Nas profundezas, quando atravessamos a superfície, às vezes sólida, encontramos o silêncio fluido, esclarecedor e coerente.
Alguns dias em silêncio, percebemos a vastidão de palavras desnecessárias e a imensidão de afetos clamando por uma voz que não verbaliza, mas que pulsa
Como a vida:
Índia,
indescritível, não vale ser só contada, é preciso ser vivida
Não dá pra deixar pra depois, ela te chama a todo momento para o agora
O medo de visitá-la retrata também o medo de visitarmos-nos
Com medo, não encaramos o mal, mas também abrimos mão do bem.
Como a morte:
Índia,
não importa o tempo que convivemos, sempre foi pouco tempo
Um susto, um salto, uma surpresa
Nunca se sabe quando e o que está por vir
Como o amor:
Índia,
inspiradora
Dá asas à nossa imaginação
O belo gruda nos nossos ossos
Só ficar olhando, já expande o coração
Tem o dom de nos fazer sorrir e nos fazer chorar numa fração de segundos
É única a cada olhar do mesmo
Como a saudade:
Índia,
vai doer ficar longe
Se houver reencontro, nos abraçamos na alegria
Mas se não houver, abraçamos as lembranças que vão dando lugar ao carinho e à referência
Gratidão infinita pelo aprendizado eterno já banhada de muita saudade
"esse anseio, que quase como uma sede nos prende na superfície dessa chamada realidade, despedaça e violenta a alma"
Todos os sentimentos que tentei afogar,
Estão agora na superfície
Tentando me empurrar,
Mas eu não sei nadar.
A conversa é como um arado: deve revelar uma grande superfície de vida, mas não mostrar estratos geológicos.
"Eu ainda queria te dizer que nós dois, pouco importa se somos ponto ou superfície, dividimos as coordenadas. O mesmo X e o mesmo Y."
Na profundidade do meu ser, eu sempre busco o élan para retornar a superfície; tendo a paciência de viver e conviver com a ilusão rasa, terrena e tão mundana.
Perdido no caos das minhas incertezas. Sair desse mar de dúvidas para a superfície das certezas é algo que devo fazer.
Mas é assim mesmo, as lágrimas iram tentar ti afogar... Mas, você terá que nadar até a superfície, para conseguir sorrir novamente.
"Nunca gostei de viver na superfície.coisas. Ou eu me jogo na lenha e me queimo. Ou então eu mergulho fundo nas águas até me afogar.Meio-termos não me desatinam.Indecisões não me atraem.Me afungentam".
Humildade... No final vamos todos a sete palmos abaixo da superfície. A morte não tá nem aí pra beleza ou pro dinheiro de vocês.
Perfiladas na superfície lisa do papel a se dar sentidos
Letras em forma formam palavras
Assim como pegadas perfiladas na areia a trilhar caminhos
Ambas se perdem ao tempo no sentido do vento
Vamos tentar amar
ainda que seja difícil,
já nadamos neste mar
mas apenas na superfície,
as vezes mergulhamos e logo temos que subir,
nos falta ar, nos enganamos e tememos sucumbir.
Amar é um mar e não um lago,
amar é profundo e largo.
Nessa nossa pequenez nós julgamos conhecê-lo por inteiro,
mas essa não é a primeira vez que fazemos este apelo
Humanos, Amemo-nos !
