Sons do Silêncio
Poeticamente falando.
Minhas tristezas são notas desafinados ao vento, são como o som silencioso da chuva noturna,
são flores imóveis num temporal.
Sou uma nuvem cinza em céu alzul de um mundo desconhecido,
me sinto um barco preste a afundar depois de bater no iceberg do tempo, não sou velho nem jovem.
Sou mais um na multidão,
perdido.
Com as mesma pergunta,
oque fazer comigo? oque fazer da vida?
Soluções temporárias não respondem mais,
Enlouqueço enquanto mundo fica cada dia mais difícil de suportar.
Vejo meus olhos no espelho e me pergunto,
mais de quem é esse rosto,
Não me reconheço nem imagem nem na fala.
Sinto uma vaga lembrança do menino que fui quando canto, assim seguro minhas lágrimas transformando elas em poesia, verso e música
e assim quem sabe
a vida fica mais leve
quem sabem os dias passam
quem sabe eu levo a vida
antes que ela me leve.
PAULOROCKCESAR
Livros e cafés
Entre o som da cidade e o silêncio das páginas,
me encontro.
Cada capítulo é uma viagem, cada gole de café, um abraço quente na alma.
Aqui, vestida de histórias, habito um universo onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve nas entrelinhas.
Silêncio
O amedrontador som do nada
A ausência do falar
Por vezes representa paz
Mas às vezes solidão
Silêncio
Tão confortável
Mas tão desconfortável
Para uns é o melhor presente
Para outros é como um beijo imprudente
Que machuca sem precedentes
Silêncio
O eterno saber do desconhecer
De quem um dia pensou entender
Por isso eu te peço
Apenas me dê…silêncio
Mas eu te suplico, só não me dê…silêncio
No início, o silêncio dançou,
entre o nada e o tudo se criou.
A palavra, som não dito, brotou,
e a luz oculta em faíscas brilhou.
Do ponto surgiu a linha infinita,
o Nome esculpido no tempo, bendito.
Quatro letras, sopro eterno da vida;
e no sopro, o mistério não dito.
Yod é a chama que nunca se apaga,
Hei é o ventre onde o cosmos repousa.
Vav, a ponte que une o céu e a estrada;
Hei final, a vida que floresce formosa.
Ó viajante, que busca o segredo,
no coração a chave do Todo está.
No reflexo da alma, o espelho do Éden,
e o Tetragrama em seu ser pulsará.
Amor meu não cabe no tempo,
ele se dobra em silêncio onde teu nome respira sem som,
e ainda assim te guarda
como quem promete sem dizer,
como quem fica mesmo quando o mundo parte
DeBrunoParaCarla
Dias cor de cinza e chuvosos,tempo frio e ruas em silêncio,o único som que ecoa é da brisa do vento,sublime paz me parece!
O silêncio do fracasso virou silêncio do triunfo, o som mudou, mas o rigor permaneceu, sigo com o mesmo trabalho, outro fruto.
O silêncio é o lugar onde Deus fala sem palavras. Quem aprende a ouvir a quietude, descobre o som da eternidade. A graça não se impõe, apenas convida a permanecer.
Meus silêncios não são ausência de som, são gritos que aprenderam a se comportar para não assustar os que ainda acreditam na leveza da vida. Por dentro, sou um estrondo de vidros quebrados, por fora, apenas a poeira que se assenta após a queda.
Há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas o peso exato de tudo o que deixamos de dizer para não desabar o teto sobre as nossas cabeças, é preciso aprender a morar nesse vazio sem medo de que as paredes comecem a gritar o nosso nome.
Nem todo silêncio é paz. Às vezes ele é o som mais alto que eu não consegui dar. É o acúmulo de tudo que ficou preso. É o eco de sentimentos sem saída. E o que não foi dito acaba vivendo, pesado, dentro de mim.
De vez em quando eu ainda ouço
No silêncio da madrugada
Um misto de passos na calçada
e um som de sinos distantes
Que soavam nas torres das Igrejas
que existiram na minha infância
Chego a sentir o perfume
daquelas madrugadas
Iluminadas pelos vagalumes
Isso sempre me traz
um sentimento confuso:
Tristeza e alegria entrelaçadas
Eu corro abrir minha janela
Não vejo e não ouço mais nada
Somente as Estrelas no firmamento
dão atestado
de que eu um dia
Realmente tenha estado lá
Naquele tempo e lugar
Que o próprio tempo arrastou
Pra um lugar
Chamado nunca mais
Fecho a janela ciente
de que a minha vida
assim como as madrugadas
Nunca mais serão aquelas
Novamente.
"O silêncio é o som mais alto que você pode ouvir. E quem tem medo da verdade nunca vai querer sentir."
De quando em quando
Silenciosamente…
Profundamente...
O som do vento corta o silêncio
de quando em quando.
Te amo
Silenciosamente.
Profundamente...
De quando em quando?
Não!
Sempre
.... e eternamente...
De quando em quando
apenas
“o ruído de um bonde”
corta “o silêncio
como um túnel.”
De quando em quando silente...
Nunca permanente...
Sempre profundamente.
Rosangela Calza
O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.
A noite.
A noite é o momento em que o som do nada se torna ensurdecedor.
Aquele silêncio que ora pressupôs paz, calor, de repente se desdobra em uma sinfonia desalinhada, suja, barulhenta, repleta de impudicícias e desarmonia.
É onde de repente, em um suspiro, a
sintonia se transforma naqueles pensamentos, velozes como a luz, ou como a ausência dela.
E então me pego pensando no Whisky barato, no vazio e no cansaço, no futuro, passado e no tempo que não passa quando as luzes se apagam.
E na noite.
A noite que dói, que trás vazio, falta, desespero, apego e mágoa. Que faz esperar um fio de luz em meio aquilo que não se pode enxergar.
Barulhenta e fria noite. Barulhenta e fria sátira.
