Sonetos sobre Rios
Firma-te nos conselhos da Palavra de Deus, pois precisarás
atravessar grandes rios da própria existência humana.
Senti tanto amor que enchi e transbordei.
Senti sem desaguar nos rios da realização. O que transbordou inundou meu pensamento a ponto de eu querer nadar nas valas da ilusão que se formaram na minha imaginação.
Quase Nós
Éramos dois rios que queriam o mar,
mas corriam por margens opostas.
Dois tempos que nunca se encontram,
duas almas quase dispostas.
Nos olhos, havia promessa.
Nos gestos, carinho e abrigo.
Mas o mundo — cruel em seus mapas —
não traçou o mesmo caminho.
Faltou tempo, sobrou sentimento.
Faltou coragem, restou lembrança.
Vivemos no eterno “e se...?”,
no espaço entre o medo e a esperança.
Não foi falta de amor, eu juro.
Foi excesso de mundo, talvez.
Fomos poesia sem rima no fim,
história que o destino desfez.
E mesmo longe, ainda sinto
teu nome sussurrar no ar.
Fomos quase. Quase tudo.
Mas o quase não sabe ficar.
Quando estamos juntos a tua correnteza começa fluir pelos meus rios para desaguar sobre os nossos desejos;
Àquele gosto de querer cada vez mais entranhou em meu corpo forte, cego e muito intenso para com o meu coração;
Faça o teu segredo o desfio para entendermos com os momentos indecentes a nossa própria razão... Ah me deixa ficar em tua direção com ou sem o erro de amar;
Renasço riacho doce, acho revides dos oráculos..
Rios d’esperanças são cortejos,
Pontes aos meus pés suporte
Á cada dia penso aleluias nos miríades d’obstáculos
Num círculo jubiloso grito o rito...
Boa Sorte!
Sessesses
Quantas luas
Quantos lagos
Quantos rios a deslizar...
Seu choro fez voar a arara azul,
O boto rosa emergir do rio
E sob a luz de Venus
O uirapuru cantou o encanto...
E o amor de dois tapuias
Fez nascer Sessesses...
Sessesses a vitoria régia
A adornar águas,
O arco-íris sobre a cachoeira,
O mistério da floresta
Sem explicar o que seria sessesses
Se não fosse paixão...
lágrimas Viraram Sol
Chorei mares, rios e tempestades
Nas noites frias de ausência e dor.
Mas, reguei sem saber, as saudades com gotas que hoje florescem o amor.
Cada lágrima caiu por um motivo,
Mas nenhuma se perdeu no vazio.
Transformei o pranto em alívio, e fiz do silêncio um doce arrepio.
O que era cinza, ganhou cor.
O que era medo, virou abrigo.
De cada queda, brotou flor.
De cada choro um novo riso.
Hoje sorrio com alma inteira,
Não por ter esquecido o que sofri,
Mas porque fiz da dor passageira,
O trampolim que me trouxe aqui.
" A selva geme seus medos
pétalas bailam a valsa soberana da floresta
seus rios descem cachoeiras
banham as folhas do tempo
pássaros compõem melodias
e dançam para suas amadas
o carrocel da verdade rompe o espaço e sobe a montanha
os homens absortos, olham tudo e tentam a pretexto de progresso,
algo construir...
Escrevo na esperança que esse tempo e o vindouro leiam:
A terra canta em raízes, rios e folhas que sussurram segredos antigos, onde cada árvore é um pulmão, cada flor, um verso esquecido no livro do vento. O sol tece ouro sobre a pele da humanidade, lembrando-nos: somos feitos do mesmo pó que nutre as sementes, a natureza não é cenário, é abraço que cura a fome de ar puro, a sede de silêncio.
Escrevo para lembrar que cada árvore plantada é uma carta ao futuro, cada gesto de cuidado, um poema invisível, e que o amanhã encontre flores onde hoje semeamos raízes.
A terra não é herança, é empréstimo, que saibamos devolvê-la inteira, cheia de histórias para contar. Que o futuro leia estas linhas como um mapa: nas veias do mundo corre o mesmo sangue que nos une. Protegê-la é escrever, com raízes e mãos, um amanhã onde a vida ainda respira.
"" Na gola da vida
os ventos passam
varrem tudo e assolam
rios se insinuam para as montanhas
estranhas criaturas que se vestem de verde
mas uma a uma amarelam
é outono
caem gélidos para falecer, no terreno frio das incertezas
hoje é o broto
que não nasceu
amanhã a sem mente
que floresceu
depois o doente terminal
afinal, por que temos que partir
e deixar tudo que fizemos florar
sem antes aprendermos o que é de fato amar...""
...Senhor, - Cuida de nós!Vem transformar rios de choros em mares de consolos e alegrias!
Mesmo nesta floresta densa,entregues por nós mesmos que somos nossos próprios Judas,a corda nos asfixia,mas dentro dessas trevas,clamamos por tantos nomes e ninguém se nos apresentou,mas lembramos enfim de ti e sei que nos ouve,pois a quem mais recorrer,uma vez que afirmastes: - Eu estarei convosco até o fim dos séculos?
Labirinto dos Porquês
Quanto mais porquês,
mais porquês aparecem,
brotam como rios
que nunca adormecem.
Buscamos sentido,
um fio na mente,
mas cada resposta
foge de repente.
A dúvida cresce,
se espalha, consome,
transforma certezas
em névoa sem nome.
Perguntas se multiplicam
como estrelas no céu,
e a verdade escapa
por um véu tão cruel.
Menos respostas,
mais inquietação,
é o preço que paga
quem busca razão.
Mas mesmo perdidos,
seguimos a andar,
pois é no mistério
que a alma quer estar.
Minhas lágrimas não caem, se acumulam por dentro, como rios represados, até virarem pedra.
E cada silêncio que ofereço
é um lamento que não teve lugar para existir.
Em todos os caminhos
há pedras e espinhos
em outroshá rios e montanhas
mas o caminho do poeta
é cimentado sobre
cobras e aranhas.
Lambari versinho dos rios,
na poesia das lagoas,
no poema dos córregos
e poético das nossas represas,
presente no adágio popular,
nas águas doces brasileiras,
és meu bonito pedacinho
de Pátria adorada que
merece recordação apaixonada.
Pescador de Rios
Navegando pelos rios
poéticos com toda
a minha Humanidade,
Que nos mantém
sempre limpos,
que saciam a sede
e que nos dão peixes,
Sobre a gratidão reflito
e sobre a sobrevivência
do pescador que vive
do que o rio concede
e muitos não veem,
A agonia coloquei
no coração porque
mesmo longe dele
os meus olhos veem
e o meu coração
também percebe
imensamente porque
sem a bênção do rio
eu também não vivo.
