Soneto da Saudade
Soneto da Perseverança
Não temas a tormenta que o mar levanta,
Nem o vento contrário que açoita a quilha.
Se o sonho arde em ti, que a alma o encanta,
Segue, que a glória mora além da trilha.
Que importa o escarcéu, a noite dura e fria,
Se dentro arde chama que não se apaga?
Cada queda é degrau que ao céu te guia,
Cada ferida é prova que o peito não fraqueja.
Persevera, nauta de teu próprio fado,
Que os deuses provam quem merece a palma.
Não largues o leme por cansaço ou enfado:
Quem desiste cedo, enterra a própria alma.
E quando chegares ao porto desejado,
Dirás: valeu a dor por ter ousado.
Soneto ao dormir
O amor é o calor que está escondido na brisa
Que ri sapeca atrás da pedra
Que sonha soturno mormaço
É o mel que se come e se dá, feito um ramalhete de borboletas
“Soneto das Estações do Ser”
Quando te encontrei, nasceu primavera,
Brotaram flores no deserto da alma,
E o verão chegou com luz sincera,
Trazendo ao peito a mais perfeita calma.
És tu a lua que nas noites impera,
Guia celeste que meu caos acalma,
Farol que brilha quando a noite era
O vazio onde morria qualquer balma.
Sem ti, não há ciclicidade ou fluxo,
Nem o tempo cumpre seu ofício eterno,
Perco outono, inverno, até o luxo
De sentir renascer no que governo.
És tu a roda que ao meu ser conduzo,
As quatro faces do meu próprio inverno.
“Soneto do Morro que Canta”
Onde o asfalto finda e a escada sobe,
Nasce o samba que embala a alma inteira,
O morro é berço d’ouro que não morre,
Rei da ginga, da poesia verdadeira.
Cavaco chora e ri quando descobe
Que a favela é resistência altaneira,
Nas lajes sob estrelas, a luz cobre
A dor que vira dança na ladeira.
Ali onde dizem que há carência,
Sobra amor, tem ginga, tem compasso,
Tambor que bate fé e resistência.
O morro ensina o Brasil com seu passo:
Sambar é transformar a própria essência,
Fazer do chão de pedra um céu de abraço.
No domingo a vitrola velha toca um soneto musical.
O que seria esse soneto musical?
Novos horizontes transformaram a música num espaço de palavras jogadas de tantos palavrões acabou ate o sabão para limpar boca suja...
As garotas e garotos acham bonita demais se expressar de forma tão vulgar...
Ao passar do tempo vejo os frutos da alienação intelectual.
Soneto “Homens da minha vida”
Márcio, meu esposo, namorado e companheiro
Um pai presente, com carinho e dedicação
Homem simples, divertido e verdadeiro
Sua alegria nos cativa, pura diversão.
Márcio Júnior, meu filho primogênito, meu doce amor
Meu menino autista, cheio de sonhos, azul é seu mundo
A cada dia nos ensina o novo e pretende ser ator
É calmo, sereno, sincero e com olhar profundo.
Henrique Lui, menino parceiro, nosso segundo rapaz
Gosta de esportes, é dedicado, tranqüilo e espontâneo
Meu tesouro branco, é firme em tudo o que faz.
Emanuel Cauê, o caçulinha, de futebol, aos sete já era comentarista
É carinhoso, emotivo, às vezes tímido, questionador
Meu pacotinho de ouro, meu intenso flamenguista.
Tatiane da Silva Santos - Santarém PA
23/08/25
Soneto “Meus pais”
Alonso e Eunice (em memória)
Seu Alonso, meu pai conselheiro
Homem trabalhador, conhecido por “Meus Amigos”
Ajuda a todos, chama-os de queridos
Sustentou os filhos com o suor de pedreiro.
Dona Eunice, minha mãe educadora
Mulher persistente, intitulada “Minha Amada”
Orientou a tantos, pela educação foi obstinada
Sustentou os filhos com a função de professora.
Ele, eterno “vizinho”, sereno, flamenguista animado
Da família Tavares, cresceu no Acai do Lago Grande
Pai amável, tio carinhoso, esposo apaixonado.
Ela, eterna “diretora”, resiliente, franciscana empenhada
Da família Ferreira, cresceu no Atumã de Alenquer
Mãe incansável, tia inspiradora, esposa dedicada.
Santarém - Pará, 26/08/25.
Soneto do Mar.
O mar estende a larga imensidão,
E em seu espelho o céu se faz profundo;
Cada onda nasce em gesto tão fecundo,
E morre em prece à mesma imensidão.
Há fúria e paz no seu eterno amar,
Ora é abismo que soluça e brada,
Ora é criança que deita-se e nada,
E sempre torna a nos recomeçar.
O que me ensinas, mar, no teu bater,
É que viver é sempre recomeçar,
Cair em espuma e logo se erguer.
Levas meu nome e trazes outro mar,
E em cada onda que ousa fenecer,
Deixas em mim teu infinito amar.
Soneto – Desejo e Falta
No vazio ardente que a alma habita,
O querer surge em sombra e solidão;
Na ausência se revela a direção,
E a esperança à dor nunca se limita.
.
Cada falta é semente que palpita,
Força oculta que move o coração;
O desejo é chama e renovação,
Que em silêncio todo o ser agita.
.
Não busque plenitude onde não há,
Pois a carência é ponte e inspiração;
Do vazio nasce coragem de lutar.
.
Aceite a falta, permita-se sonhar,
E verá que a ausência é própria lição,
Que nos faz crescer e aprender a amar.
Soneto para Tamires
Ó alva menina doce criatura divina.
Persuade tu a realidade meretrícia e assim se faz a mais linda boneca de trapo.
Graciosa é para a quem o sol que brilha e sedutora aos que amam o luar.
Subvertendo ao seu mundo apaziguo toda minha dor.
Em sua inocência comtemplo toda sua doçura de menina
Na sua malicia e veneno desfruta de seus atributos de mulher.
Zelo amoroso tem para quando Thamires não é.
Maleável me dou se acaso Tamires lhe fazem.
Consequentemente ora me perco de ti.
Revoco-me sentimentos e sozinho me volto a toda minha dureza.
Mais se tu vens como um menino falto perco-me em teus encantos.
Poupa-me de lamentos vivenciados ao luar não faz deles seus reflexos.
De passado não vive, busca o fim para justificar seu meio
Então a gloria almeja insignificante serão as marcas deixadas por sua busca.
Soneto da menina adormecida
Doei de mim o amor que nem sabia que tinha
Doei de mim palavras que eu nem conhecia
Doei de mim o tempo que eu nem tinha
Doei de mim o olhar, o silêncio mais profano que sentia.
Perdi a alegria de cada dia,
como quem se esconde em plena folia.
Deixei o amor sair de dentro de mim,
como quem precisa soltar às algemas da melancolia .
Me enganei tentando dizer que nada sentia.
Me enganei por inteiro,
feito menina adormecida.
Sai de dentro de mim, como quem acorda de um sono profundo.
Aprendi, errei, aceitei e compreendi.
Não sou mais o que era, sou agora quem devo ser. E o resto que espere.
SONETO SOFRIMENTO DA ALMA
Ó Vida! Que fizestes sofrida
Sonho de um tempo envelhecido
Vida que se vai desfalecida
Coração chora entorpecido
Alma se vai escura e dura
Ao encontro de uma ausência
Ó Vida! medo e amargura
No vazio, tristeza e carência
Vida de mistério sem virtude
Ó Vida! Que se vai esquecida
Deixando uma calma inquietude
De uma lúdica realidade
A falsa esperança é o fim
De uma vida sem felicidade
Soneto de uma triste vida
Colho dos cacos da noite
Um pouco do que restou de mim
Pedaços de um coração pulsante
Que aos poucos para por sofrer assim.
Restabeleço-me a cada dia
Fazendo deles dias todos iguais
Para que reste um pouco de energia
Vivo sem esperar nada a mais.
Não se faças tão triste ó vida minha
Estou como uma rosa a despetalar
Tu és só minha mesmo sem amar.
Sendo que sois minha e me amas
Não permitas que eu sofra assim
Volte vida a sorrir para mim.
Soneto I
Falta disto eu sinto
Amor, isto espero
Mesmo sendo sincero
Porque nunca minto!
A fata me consome
Me corrói por dentro
Sinto e assim lamento
Me sinto sem nome.
Carência, tal resisto
Mas nunca escondo
Puro, sem confronto.
Brando, calmo fico
Como o baixar da maré
Com tudo, me sinto rico.
Soneto do Sorriso Triste
Não ria assim de mim,
pois um dia esse sorriso
foi meu, e era lindo
e meu choro era teu.
Não zombe da minha face,
um dia precisaste dela
para acaciar
e meu prantopor ti enchugar.
fostes como maré em tempestade,
eu como praia
que esperava tua calma,
A amante que fiz-me tua
sobre o mar a olhar a lua
foi embora com omesmo sorriso.
Soneto do Passado
Não vou mais chorar pelo que passou
Se meu coração sofreu demais
já nem sei se me amou,
Vou te deixar em paz.
Com você não fui feliz
Tentei e até menti
mas virei aprendiz
do poço onde caí.
A solidão já aliviei
Hoje a você eu dou perdão
Uma pessoa alegre virei
Não tenho a conta de quanto chorei
Mas sei que nada foi em vão
Só eu sei como eu te amei .
Soneto de Amantes Proibidos
Vida feita de desencontros
para uma complexa razão de se ver
de alegria a tristeza encontra
um simples querer.
Uma vida complicada,
de razão nenhuma.
Um amor de quase nada,
duas mãos viram uma.
Desejo feito no olhar
Um carinho quer sentir
Motivo esse de cantar.
Um lugar a sós pra ficar
Palavra calma de ouvir
Sonho lindo de amar.
Soneto verbo ser no futuro
Seria tudo diferente
Amor novamente iria sentir
Um sentimento assim impertinente
Algo diferente do que já vivi.
Seria algo feliz
E acalmaria meu coração
Seria tudo que sempre quis
A vida passando em uma canção.
Espero que concreto se tranforme
De lindos olhares em direção
Forme um só molde
Revelando uma nova paixão
Sem dor e sem pesar
Um simples bem querer de amar.
Soneto Ao Luar
Saí de madrugada, sentei em uma escada,
Olhei a beleza da Lua nesta medrugada tão fria,
A Lua, que é uma teia aonde se prendem as lembranças,
As mais preciosas lembranças, que sempre nos vem ao olhá-la.
E ao olhá-la minha mais preciosa lembrança me vem ...
E vem ... Calmamente, me conduzindo sua imagem
Enquanto me mergulho no melancólico silêncio da noite ...
Adimiro a Lua que mesmo não me trazendo sempre felicidade com as memórias,
Não deixa nenhum de meus melhores momentos morrerem ...
- Relacionados
- Soneto da Saudade Vinicius de Moraes
- Saudade Vinícius de Moraes
- Poema Saudade Fernando Pessoa
- Poemas sobre saudade para transformar ausência em palavra
- Frases de saudade para dizer tudo o que o coração sente
- Textos de Saudade
- Frases de saudades de quem morreu para manter viva a sua memória
