Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
SONETO XXIX
O tempo real senhor do destino
Faz-se ao tempo amigo
Caminha ao teu lado sozinho
Nao, nunca esta sempre comigo
Trouxe o que nao queria
Levou consigo minha alegria
Fez meu passado reaparecer
E com ele um futuro florecer
Ao tempo fez-se uma vida
E com o tempo ressentida
Fugiu deixando pra tras um viver
E agora pensado só em morrer
Tente devolver minha alegria
Algo que eu perdi um dia
SONETO XXVIII
Ainda lembro de nossa pressa
Por algo que mal nos interessa
Seria melhor se tivessemos paciencia
E sentido melhor nossa presença
Nao tocassemos no passado
O deixassemos enterrado
Assim como nossas lagrimas
E tivessemos virado as páginas
Quem sabe apos tudo isso
Tivesse escrito um livro
Com as mais doces palavras
Escritos nessas páginas
E nosso mundo podiamos ter
Se nos apenas deixassemos ser
Soneto Sem Titulo
As noites em claro parecem não ter fim
Nem mesmo antigas poesias encurtam o tempo de sofrimento
Os minutos se vão vagarosamente
Aumentando ainda mais a sensação de vazio
As noites infinitas devoram a alma
Morre-se aos poucos, lentamente noite após noite
A frieza da solidão não tem compaixão
Dilacera o coração.
O coração que pulsa cada vez mais triste
Que bate valente
Que sofre com a dor, sem amor
Amor que nunca conheceu
Que nunca sentiu
E nem sabe se existe.
Soneto à Nova Paixão
E eis que surge uma nova paixão
Sugerindo um segundo repentino
capaz de mudar um destino
Apenas por uma doce ilusão.
Paixão tão nobre e sincera não há
Que por mais uma vez, na eternidade,
aparece a derradeira verdade
Mesmo sem saber o que acontecerá.
Talvez que morrerei com medo de tentar,
ou de repente pulsarão
Meus sentidos a me entregar.
Mesmo assim espero, em morte vida,
os beijos da criatura querida
Para enfim minha boca beijar.
Soneto ao Amor Antigo
Ela é, do passado, minha única sina
Que mesmo depois de anos sem vê-la
Acredito que sempre poderei amá-la
Pois, um sonho com ela, me alucina.
Hoje quero apenas um simples lugar
Para com a dela, minha boca sorrir
Chamá-la de minha pequena e fugir
E mesmo assim, talvez, um dia voltar.
Depois junto a minha amada menina,
Sem medo de um longo silêncio,
Escolherei o futuro que nos destina.
Neste dia na ponta de cada caneta
E em cada papel estará dela o nome,
Com os verbos conjugados no futuro.
Soneto de um Sentimento Relâmpago
Como um relâmpago que eu não sei explicar
Você assim passou por mim.
Passou, mas vai ficar
Aqui comigo um sentimento assim:
Se amizade ou amor
É assim que tem que ser.
Obra do acaso causando Dor
Por pensar em te querer.
Preciso de alguém que me proteja
Mas isso não muda nada.
Regressaria minha idade
Para que por ti, fosse amada
Contudo, agora é tarde
Pra no teu colo sentimento meu esteja.
Soneto do Coração Estilhaçado
Vai ser dificil dormir depois do que falou
Vai ser dificil aceitar tudo que fez
Vai ser dificil esquecer o dia que passou
Vai ser dificil te ter outra vez
Vai ser dificil te ver como antes
Vai ser dificil confiar como eu confiava
Vai ser dificil te dividir com amantes
Vai ser dificil respeitar como a respeitava
Quase impossível será tê-la
Quase impossível será beijá-la
Quase impossível será perdoa-la
Impossível será esquece-la
Impossível será não vê-la
Impossível será não mais amá-la
(Soneto Eu)
Eu sou a vontade que você tem de vingança
Eu sou aquele que destrói a esperança
Eu sou aquele que nasce da dor
Eu sou aquele que odeia o amor
Eu sou a vontade que você tem de matar
Eu sou aquele que vai te odiar
Eu sou aquele que busca ilusão
Eu sou aquele que despedaça coração
Eu sou a vontade que você tem de desistir
Eu sou aquele que precisa mentir
Eu sou aquele que uma lágrima derrama
Eu sou os desejos que você tem na cama
Eu sou a criança que vai nascer
Eu sou o amor que acabar de morrer.
Soneto I
Queria poder estar
em todo lugar parado
para observar ao lado
o movimento chegar
olho ao longe sobre mim
todos os momentos loucos
que os sentimentos poucos
fizeram mal mesmo assim
se eu pudesse eu pediria
antes arte que a razão
que hoje é mercadoria
frente a tanta aberração
com emoção melhoraria
a vida de um cidadão.
( II Soneto / Noite)
Noite escura noite... Onde estou neste exato instante? Buscando palavras, pois minhas palavras deveras sentem, nunca foram pronunciadas, apenas sentidas. Diante da noite que se faz presente em imensidão, quero tratar de minha dor, noite de frio e de incertezas, noite escura que ao mesmo tempo se deixa iluminar pelo brilho das estrelas, que se fazem presente para dar vida ao véu que se debruça sobre mim. Diante de ser a ti e em ti o meu inspirador Amor, tomas em mim grande parte do que havia esquecido, tomas em mim um coração adormecido!
Noite, longa noite, não me maltrates, vai e deixa que a luz do sol possa iluminar o meu amanhecer, clareando pensamentos obscuros inseguros e frágeis. Quero de ti noite, apenas a tranqüilidade de um sono infantil, que ao embalar pensamentos, traz os Sonhos, sonhos que possam nunca passar de sonhos, ou os sonhos que possam se tornar realidade, pureza de uma criança.
Noite Fria Noite!
Clama por ti.
Desconfio - Soneto
Os dias são tão inertes e escuros,
As pessoas não se relacionam.
Existe o medo de dar de cara em muros,
Mas o que os aflige é a ferida que os direcionam.
No passado não tão longe,
Pessoas eram mais abertas ao próximo,
Hoje vejo que nada é como antes,
Cada um por si é o lema que levam para si próprios.
O amanhã pode até ser novamente triste e acabado,
Só que eu não vou deixar de fazer novos amigos.
O fato de ter se esvaído a emoção e ter ficado um estrago,
Jamais me fará um homem de pedra que apenas terá inimigos.
O correto e o errado podem seguir direções diferentes,
Mas o que me une á você é exatamente o que nos separa.
Sentidos opostos, almas próximas, assim caminho em direcção ao nada.
Soneto ás mulheres
Que todas as mulheres sejam felizes
Por darem vida a minha existência
Que todas as mulheres sejam amadas
Como deusas, rainhas, imperatrizes
Que todas as mulheres sejam realizadas
Que o amor se faça como uma dádiva
Que de suas almas sejam tiradas as cicatrizes
Do coração de toda mulher mal amada
Que o amor se faça como um presente
Dando luz a vida de todas as mulheres
Acalentando seus corações carentes
Que todas as rosas possam juntar suas pétalas
Em um único altar deixar suas mágoas e promessas
No altar do meu coração, o amor é o que ainda resta
Soneto de Sábado Square
E se a pessoa em que você sempre confiou de repente lhe parecesse estranha?
E se ela te atingisse no coração, dilacerando suas entranhas?
E se a pessoa que você sempre foi fosse posta em prova?
Falso é uma ova!
Você pode percorrer de dó até o si,
mas agora com certeza não fico mais aqui
se meu desejo agora é sumir,
não mais alimentarei o seu bisturi.
Ser jogado contra a parede
enquanto você descansa numa rede,
beba mais um copo, você não tem sede?
Somente eu tenho satisfação do que faço
se nessa cama de gato, nesse embaraço
minha verdade eu caço!
Soneto da destruição
Se a rosa fosse verdade
se fosse verdade a paixão
se a paixão fosse rosa
e se fosse rosa o coração
Abelhas dançam valsa
nas pétalas do coração
saias rodada e sapato de salto
seguindo a infinita canção
A valsa muda para algo sem fundamento
as abelhas voam em desencanto
tudo é tomado por asfalto e cimento
A rosa se transforma
e cai murcha no chão
Ah! Se fosse verdade a paixão
Minha amiga amada Mel (Soneto do amor)
Amo-te como um amigo real... não cantes!
És a mulher formosa aos teus sonhos do amor,
Amo-te como amigo aos teus prantos da flor
A casta noite, e há as belas amizades.
Amo-te um lindo coração à amizade,
O carinho fiel, és tão serena e bela
Amo-te como amigo bem-amado a amá-la;
E todo dia vais sentir-me a bela beleza.
Quero senti-lo a alva formosa sem brilho,
És bela amiga com doce sedução e flor
Amo-te, és tão querida ao meu doce carinho.
A aura perdida, e fui triste e sozinho...
Amo-te como minha bela amiga, Amor!
Sinto-te o belo coração em lindo ninho.
Soneto do amigo (Verso alexandrino)
Tinindo o nosso coração como o bom amigo,
Dize-me o doce carinho ao meu coração
Reza-me o vosso ser vivido à oração;
O fulgor glorioso sem vida ao teu abrigo.
Queres ser o meu grande amigo sem loucura,
Adoro a ti como o bom vate dos amores
Gosto de ti perfeitamente aos teus ardores,
Escrevo-te os bons poemas à tua leitura.
Amigo! Hás de abraçar-me o vosso viver,
A vós,inda hão de volver os lindos poemas
Sabei,como és meu doce amigo ao teu ser.
Amigo! Hás de volver-me o belo poema,
O vosso amor senti-me os teus abraços
Os seus poemas hão de tornar-me aos amigos.
Soneto do amigo
Gosto de ti eternamente, meu poeta!
A ti, que és tão adorado ao meu amor
A ti, que és meu grande amigo do labor.
Brilha-te o vosso soneto à boa ponta.
Em que o brilhaste tantos carinhos a ti,
Camões brilhou o teu coração à poesia,
Há o ensejo vivo como o belo dia!...
Adoro-te o bom coração em que vivi...
Adoro-te a boa amizade sem brilho,
Em que ouvi a tua vida tantos fulgores,
O belo soneto, que és um grande ninho.
Adoro-te como o teu melhor amigo,
És um único sonetista, se deres bem
Adoro-te a boa saudade sem abrigo.
Acredite no brilho do olhar mais puro.
Acredite no soneto mais belo.
Acredite nas lembranças mais dolorosas.
Acredite nos fatos inesquecíveis.
Não acredite nas verdades ditas pela boca alheia.
Imagine no inverso as tuas atitudes.
Não julgues o seu jeito de sofrer.
Não me culpe do meu jeito de te compreender,
Mais entenda o meu medo de viver sem você!
SONETO I
Quando uma faca atravessa o coração
E simplismente começa a sangrar
Se perde sempre a razão
Para até de pensar
Um dia farei isso, não
Farei até melhorar
Estenderei até a mão
Parar até de respirar
Para não ter um sonho em vão
E com vôçe uma eternidade ficar
SONETO II
Parece que ainda lembro
Do seu sorriso seu olhar
Que ainda tenho
Algo que queria te dar
Mas eu não sei o que era
Não sei o que falar
Parece que ainda fico mudo
Me paro pra pensar
Queria te dizer varias coisas
Que ainda estou a te amar
Parece que ainda me lembro
Do seu sorriso seu olhar
