Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
Soneto para Narraly
Narraly, não te escrevo por urgência
Nem por promessas fáceis de sentir
Te escrevo pela calma da presença
Que fez meu mundo, aos poucos, ir sorrir
Foi só um beijo e isso foi bastante
Um gesto simples, cheio de intenção
Depois, a noite quieta, elegante
Guardou no silêncio a admiração
Dormir ao lado e nada exigir
Foi jeito claro e sincero de querer
Respeito também sabe construir
Se algum dia teus passos me escolher
Estarei aqui, sem pressa de pedir
Com tempo, cuidado e vontade de te conhecer
Soneto da flor
Um dia eu amei tanto uma flor
Que tive que me afastar dela
Um dia eu fiquei tão triste
Que a dor, eu já não sentia mais
Uma noite eu lembrei da flor
Que era linda, mas não era minha
Que amar era perder
Que a flor precisava crescer
Um dia eu amei tanto uma flor
Que eu senti a dor
Que tive que me afastar dela
Que amar era carregar a dor
E não ela, a flor
Eu tive uma flor, amei ela
Soneto do primeiro dia
É hoje, meu primeiro dia.
O que carrego ?ansiedade? Alegria?
Vamos começar novamente?
O começo é o fim de algo.
E perder dói. Toda perda tem ganho?
Eu vou começar agora, não importa.
Começar é decidir, agir, ser livre.
Todo dia é um começo e um fim.
O fim do dia é o começo da noite.
Quem se vai, fica, pra sempre.
O começo da dor é o fim da alegria.
Eu escolhi começar novamente.
E cada dia é uma escolha nova.
Cada dia é recomeço, um novo dia.
💔 Um Soneto da Ausência Desvanecida
A respiração se prende, e agora a verdade é clara:
A fachada brilhante acabou, o amor terminou.
Encaro o silêncio que guarda o medo,
E descubro que não sou um amante arruinado e abandonado.
Pois neste espaço árido, devo atestar,
A crença fundamental que arrefece o fogo do espírito,
Aquilo que lamento, embora outrora uma busca sussurrada,
Nunca foi real, portanto o amor nunca existiu.
Foi uma troca de anseio, imperfeito e breve,
Uma dívida fantasma da qual o coração não pôde escapar;
A dor precede e permanece como principal,
E a solidão veste a forma exterior da paixão.
Assim, neste quarto vazio onde as sombras se encontram,
Amor e solidão são sinônimos, doce,
Pois amar é dar o que não se tem
a alguém que não o quer, gravar
Um vazio sobre outro vazio e chamar-lhe graça.
Soneto de Nenhuma Dor
Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma,
Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
Nenhum sorriso não quer dizer tristeza,
Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto.
Nenhuma dor me traz a solidão,
Nenhuma ausência me faz sentir sozinho,
Tanta paixão me deu nenhum amor,
A solitude amplia meu caminho.
Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde,
Nenhuma verdade me faz refém do medo,
Nenhum perdão me ameniza a mágoa.
Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde,
Nenhuma saudade tem o gosto azedo,
Nenhuma agrura me arranha a alma.
Soneto para Tamires
Ó alva menina doce criatura divina.
Persuade tu a realidade meretrícia e assim se faz a mais linda boneca de trapo.
Graciosa é para a quem o sol que brilha e sedutora aos que amam o luar.
Subvertendo ao seu mundo apaziguo toda minha dor.
Em sua inocência comtemplo toda sua doçura de menina
Na sua malicia e veneno desfruta de seus atributos de mulher.
Zelo amoroso tem para quando Thamires não é.
Maleável me dou se acaso Tamires lhe fazem.
Consequentemente ora me perco de ti.
Revoco-me sentimentos e sozinho me volto a toda minha dureza.
Mais se tu vens como um menino falto perco-me em teus encantos.
Poupa-me de lamentos vivenciados ao luar não faz deles seus reflexos.
De passado não vive, busca o fim para justificar seu meio
Então a gloria almeja insignificante serão as marcas deixadas por sua busca.
Soneto da menina adormecida
Doei de mim o amor que nem sabia que tinha
Doei de mim palavras que eu nem conhecia
Doei de mim o tempo que eu nem tinha
Doei de mim o olhar, o silêncio mais profano que sentia.
Perdi a alegria de cada dia,
como quem se esconde em plena folia.
Deixei o amor sair de dentro de mim,
como quem precisa soltar às algemas da melancolia .
Me enganei tentando dizer que nada sentia.
Me enganei por inteiro,
feito menina adormecida.
Sai de dentro de mim, como quem acorda de um sono profundo.
Aprendi, errei, aceitei e compreendi.
Não sou mais o que era, sou agora quem devo ser. E o resto que espere.
SONETO SOFRIMENTO DA ALMA
Ó Vida! Que fizestes sofrida
Sonho de um tempo envelhecido
Vida que se vai desfalecida
Coração chora entorpecido
Alma se vai escura e dura
Ao encontro de uma ausência
Ó Vida! medo e amargura
No vazio, tristeza e carência
Vida de mistério sem virtude
Ó Vida! Que se vai esquecida
Deixando uma calma inquietude
De uma lúdica realidade
A falsa esperança é o fim
De uma vida sem felicidade
Soneto de uma triste vida
Colho dos cacos da noite
Um pouco do que restou de mim
Pedaços de um coração pulsante
Que aos poucos para por sofrer assim.
Restabeleço-me a cada dia
Fazendo deles dias todos iguais
Para que reste um pouco de energia
Vivo sem esperar nada a mais.
Não se faças tão triste ó vida minha
Estou como uma rosa a despetalar
Tu és só minha mesmo sem amar.
Sendo que sois minha e me amas
Não permitas que eu sofra assim
Volte vida a sorrir para mim.
Soneto I
Falta disto eu sinto
Amor, isto espero
Mesmo sendo sincero
Porque nunca minto!
A fata me consome
Me corrói por dentro
Sinto e assim lamento
Me sinto sem nome.
Carência, tal resisto
Mas nunca escondo
Puro, sem confronto.
Brando, calmo fico
Como o baixar da maré
Com tudo, me sinto rico.
Soneto do Sorriso Triste
Não ria assim de mim,
pois um dia esse sorriso
foi meu, e era lindo
e meu choro era teu.
Não zombe da minha face,
um dia precisaste dela
para acaciar
e meu prantopor ti enchugar.
fostes como maré em tempestade,
eu como praia
que esperava tua calma,
A amante que fiz-me tua
sobre o mar a olhar a lua
foi embora com omesmo sorriso.
Soneto do Passado
Não vou mais chorar pelo que passou
Se meu coração sofreu demais
já nem sei se me amou,
Vou te deixar em paz.
Com você não fui feliz
Tentei e até menti
mas virei aprendiz
do poço onde caí.
A solidão já aliviei
Hoje a você eu dou perdão
Uma pessoa alegre virei
Não tenho a conta de quanto chorei
Mas sei que nada foi em vão
Só eu sei como eu te amei .
Soneto de Amantes Proibidos
Vida feita de desencontros
para uma complexa razão de se ver
de alegria a tristeza encontra
um simples querer.
Uma vida complicada,
de razão nenhuma.
Um amor de quase nada,
duas mãos viram uma.
Desejo feito no olhar
Um carinho quer sentir
Motivo esse de cantar.
Um lugar a sós pra ficar
Palavra calma de ouvir
Sonho lindo de amar.
Soneto verbo ser no futuro
Seria tudo diferente
Amor novamente iria sentir
Um sentimento assim impertinente
Algo diferente do que já vivi.
Seria algo feliz
E acalmaria meu coração
Seria tudo que sempre quis
A vida passando em uma canção.
Espero que concreto se tranforme
De lindos olhares em direção
Forme um só molde
Revelando uma nova paixão
Sem dor e sem pesar
Um simples bem querer de amar.
Soneto Ao Luar
Saí de madrugada, sentei em uma escada,
Olhei a beleza da Lua nesta medrugada tão fria,
A Lua, que é uma teia aonde se prendem as lembranças,
As mais preciosas lembranças, que sempre nos vem ao olhá-la.
E ao olhá-la minha mais preciosa lembrança me vem ...
E vem ... Calmamente, me conduzindo sua imagem
Enquanto me mergulho no melancólico silêncio da noite ...
Adimiro a Lua que mesmo não me trazendo sempre felicidade com as memórias,
Não deixa nenhum de meus melhores momentos morrerem ...
Soneto Desesperançoso
Oh, quem dera sair desta esfera!...
Poder ir adiante e ver o que me espera.
Oh, como almejo a sorte de poder entender a morte!
Quiçá imagino nem morto tal sorte...
Ah! Pudera eu, avocar a mim os segredos de minh’alma!
Calar esse macabro rangido, estridente que não encontra a calma.
É numa latrina que contrito componho estes versos
É aqui esturrado que tento interpretar meus “eu” complexos!
Estrepo-me com esmero — não me admito desvelar!
Confunde-me pensar não mais poder-me ilibar...
Não há indulto... ao final sinto terminar neres...
Em descalabro às ruas vou passando sempre um estranho
Sinto, não há liberdade — o mundo não é tamanho!
Espero senhor Deus, agir um dia como queres!...
Soneto do tempo
Penso no tempo que não volta mais
O tempo que voa com a eletricidade
Que castiga com seus temporais
Destruindo templos e cidades
O tempo que passa sem ser percebido
Pelos meros e pobres mortais
Que jaziam no limbo esquecido
E se vão como folhas nos vendavais
Ah! Tempo! Inimigo perpétuo
O que fazes tu no meu caminho?
Se pudesse andava sozinho
Sem pisar nas tuas armadilhas
Sem prender-me em tua prisão
Tempo, o que fazes tu na exatidão?
Soneto de amor
Motivo agreste, de grande dor e inspiração;
Desdenhando, seu prestígio e importância;
Me domina o ser mau, vence a ganância;
E me liberta, misérias do coração.
É tormento, é dor, que corta a respiração;
Dessa dor, que predomina, eterna e breve;
É carinho, que nos mata ao de leve;
É um caminho, sem retorno e sem perdão.
Se o teu carisma, perdura entre levas;
Minha procura é uma batalha só por si;
Querer-me teu não é dádiva que devas.
Teu doce ser ilumina as noites cegas;
És flor de estufa, mais amada que vivi;
Amor assim, não mereço e não me negas.
