Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes

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Caso não ponha fim à guerra, esta não será uma vitória.

A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas.

Não falar para o seu século é falar com surdos.

A luxúria é como a avareza: quantos mais tesouros tem, mais sôfrega se torna.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

A poesia é a linguagem natural de todos os cultos.

O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.

Pensar só em si e no presente é uma fonte de erro em política.

As ideias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca.

Uma grande reputação é talvez mais incômoda que a insignificância pessoal.

Os filhos seriam, talvez, mais caros a seus pais e, reciprocamente, os pais aos filhos, sem o título de herdeiros.

O interior das famílias é muitas vezes perturbado por desconfianças, ciúmes e antipatias, e enganam-nos as aparências de satisfação, calma e cordialidade, fazendo-nos supor uma paz que não existe; poucas há que ganham em ser aprofundadas.

A estirpe herda-se e a virtude conquista-se; e a virtude vale por si só o que a estirpe não vale.

A força dos governos é inversamente proporcional ao peso dos impostos.

Os conselhos dos moços derivam das suas ilusões, os dos velhos, dos seus desenganos.

As pessoas vaidosas não podem ser astutas; elas são incapazes de se calar.

A honestidade é uma cor delicada, que teme o ar.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.