Soneto da Espera
Thalita
Ela entrou sem pedir nada, apenas sorriu.
E como fosse pouco, deu carinho, beijo e abraço.
E cada hora era minuto, se desfez o tempo e o espaço.
E, nos seus braços, algo de bom em mim surgiu.
Mas cada centímetro de distancia é dor, é falta.
E a ausência do teu cheiro é quase inexistência de ar.
E ela, serena, me acalma quando sua presença ressalta.
Menina dos olhos puxados, como não amar?
Abrace-me, como fez no primeiro dia.
Me enlace como se não houvesse outro dia.
E a cada dia eu sei que por você tenho mais desejo.
Pois quando estamos juntos somos apenas um.
Me diga, como não amar uma pessoa tão afetuosa?
Meu anjo, meu bem, antes de dormir, meu beijo.
De corpo, alma, mente
Sentindo teu coração pulsar,
Batendo bem forte,
Percebo a sorte
Que foi te encontrar.
Meu sangue ferve.
Nesse quarto a gente se ama,
Nos deliciamos nessa cama,
Minha alma fica leve.
Não vejo a hora passar,
Em teus braços
Sinto o tempo parar.
Nos encaixamos perfeitamente.
Eu te amo
De corpo, alma, mente.
ESQUIVAMENTE
Pensar é uma virtude pensativa
de quem pensar resolve em pensamento,
discernindo, pois tem discernimento,
e agindo, ativamente, na passiva.
Parece que pensar é coisa viva
que atinge por si só o seu intento,
porém, se de pensar morre o jumento,
pensarei em pensar de forma esquiva.
Eu penso, logo existo, diz contente
quem não existe mais pois já não pensa,
e, mesmo estando morto, está presente.
Pensar não é tão mau, mas é doença
se alguém põe-se a pensar constantemente,
e penso que pensar não me compensa.
Marcos Satoru Kawanami
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Ninfa justiceira
Sou ninfa justiceira das matas selvagens
Sob o cajado da justiça os olhos da águia
Ao instinto de um lobo no ato das imagens
Nos passos de uma onça que me faz guia,
Sobre a devoção da força de um tigre, vou!
Nos passos que descanso meu pé no chão
Aos malfeitores de dores meu forte não;
Minha sentença de ninfa justiceira dou!
Depois de dez olhos mirados no tempo,
Condeno até ao mínimo vil pensamento
Sem a sombra malévola, tudo fica limpo!
E depois das matas a cidade de pedra
Na metrópole posta - me guardiã o vento
As feras na simbiose em mim se faz Esdra!
Perfume de infância
O perfume no jardim
Espalhou o jasmim
Brincando por ali
Logo o perfume senti!
Que infância bela,
Tínhamos eu e ela!
Eu e meu pé de flor
Cúmplice de amor!
Eu dizia assim:
- Flor de jasmim,
Traz um príncipe pra mim!
O jasmim me ouviu
Um príncipe me buscou
E a bela flor por lá, só ficou!
CHORO A VENDA
Vende o choro da esperança
lagrimas expelida a banho
vende o avanço da medicina
em gotas soltas de sonho.
Compra um canto de um canto
de um amor belo encantado
compra felicidade com encanto
e paz reinando a todo lado.
Compra as flores do arrebol
com lenço branco exposto ao sol
dadiva de luz, sem nostalgia.
Compra a energia do universo
junto à poesia rimas e versos
e felicidade expressando alegria.
Antonio Montes
seduza com sua mentalidade,pois o corpo é muito barato.
tão barato que pode ser negociado,
pois há quem o trate como um prato
suje como fazem os ratos
já estamos num grande cardápio
use um osciloscópio
tome um pouco de ópio
sinta o êxtase onde não há energia a compartilhar,
somente peças a desembrulhar.
seduza com sua mentalidade, pois é o único lugar onde ainda há liberdade. pois do corpo já somos prisioneiros,
feito porcos num chiqueiro.
do corpo somos julgados, até sermos abusados.
do corpo somos rotulados, até sermos pós-graduados.
não há sensibilidade no coração da sociedade
não há demagogia num peito em hemorragia
seduza com sua mentalidade de tal modo que não importe sua idade.
de tal modo que esconda toda futilidadediante de toda a superficialidade.
mais barato que o corpo ainda é uma mente que não enxerga igualdade.
é uma mente em efemeridade.
Agradeça o que Deus fez e ainda vai fazer. Vai ser mais do que você espera, melhor do que você imagina.
Eu sempre espero alguma coisa nova de mim, eu sou um frisson de espera – algo está sempre vindo de mim ou de fora de mim.
Quando você menos espera, ele faz mais parte da sua vida do que você mesma. Bem-vinda, felicidade, fique à vontade, o tempo que quiser.
Um fracasso novo é o mínimo que se espera de qualquer relação.
Pra que tanta pressa de chegar a nenhum lugar, se não se tem convicção pra acreditar que quem espera vê além. Pra quê tanto medo de perder. A gente só perde o que não tem. O que é eterno vem de Deus e o que vem de Deus ninguém detém. Deus é o ponto de partida e onde vamos ficar.
Porque ninguém se mantém interessante ou mágico. Mas a gente espera, lá no fundo, perdido, soterrado e cansado, que a vida compense de alguma maneira. E a gente ganha dinheiro, compra roupa, aprende novas piadas, passa protetor labial. Só pra que a vida compense em algum momento. Só pra ganhar a coceguinha no coração. Coração burro, tadinho. Que preguiça desse coração burro.
“… São 7 horas da manhã, vejo Cristo da janela, o sol já apagou sua luz e o povo lá embaixo espera, nas filas dos pontos de ônibus, procurando aonde ir… São todos seus cicerones, correm pra não desistir, dos seus salários de fome, é a esperança que eles tem, neste filme como extras, todos querem se dar bem… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Estranho o teu Cristo, Rio, que olha tão longe, além, com os braços sempre abertos, mas sem proteger ninguém, eu vou forrar as paredes, do meu quarto de miséria, com manchetes de jornal, pra ver que não é nada sério, eu vou dar o meu desprezo, pra você que me ensinou, que a tristeza é uma maneira, da gente se salvar depois… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas… Num trem pras estrelas, depois dos navios negreiros, outras correntezas…”
Que comece agora. E que seja permanente essa vontade de ir além daquilo que me espera. E que eu espero também. Uma vontade de ser. Àquela, que nasceu comigo e que me arrasta até a borda pra ver as flores que deixei de rastro pelo caminho. Que me dê cadência das atitudes na hora de agir. Que eu saiba puxar lá do fundo do baú, o jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica nem contado em reais. Que minha bolsa esteja cheia de papéis coloridos e desenhados à giz de cera pelo anjo que mora comigo. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. E que seja DOCE tudo que tiver que ser.
