Soneto da Espera

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Na noite trevosa
eis, quando menos se espera,
teu semblante, lua!

“Dia 1
-
Um prelúdio necessário aos tolos
Numa busca incansável pelo recomeço
O ensejo de esperança em todos
Faz surgir até mais subtil apreço;

Se tu sabes que, de facto, sempre penso
E penso que neste motim não me vinculo
Há esperança em tudo o que vejo
Bem como o pessimismo estrídulo;

Os vícios são relativos a cada ser que vive
Insanidade é mantê-los almejando mudança
Nisto vê-se no início dos comemorantes ineptos

E mantém-se um hábito que insiste
Num passado imerso em inseguranças
Erros que se repetem como implícitos preceptos.”

Porque nos apaixonamos por uma pessoa mesmo sabendo que ela é errada?
— Porque você espera estar enganado, e sempre que ela faz uma coisa que mostra que ela não é boa, você ignora, e sempre que ela age bem e te surpreende, ela te reconquista. E aí você esquece a ideia de que ela não serve pra você.

SONETO DO AMOR INFINITO

Eu te amo como o céu ama as estrelas!
Eu te amo como a lua ama as paixões...
Te amo como o clarão de todas elas
Ama... amor, por palpitar os corações...

Eu te amo como a noite ama as trevas!
Eu te amo como o calor dos turbilhões...
Te amo como o fulgor que são das eras
Desde o princípio de todas as gerações...

Por teu amor ao céu elevo minhas mãos
A te livrar de toda a inveja dos pagãos
Quando vir, versar a ti, todo o meu grito...

Por teu amor é unicamente que escrevo...
Tanto te amo, que a ti, somente devo
Dizer, amor, que eu te amo pro infinito!

Último Soneto

Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

QUARTO SONETO DE MEDITAÇÃO

Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.

Desço na noite, envolto em sono; e os braços
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.

Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme

Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.

Vinicius de Moraes
Álbum "Vinicius em Portugal"

*Lírico Soneto*

Tum...
Tum tum...
Tum tum...
Assim se faz a mais bela das melodias que um dia eu pude escutar.

O som que vem de dentro do peito, do sublime soneto que me postes a criar.
Quando jovem me criei, por alguém me apaixonei ao primeiro olhar.

Por fim me casei, meus filhos criei sem ao teu lado estar.
Pois por mais bela que seja a vida, tão injusta e corrosiva seu coração ela fez parar.

Até hoje me lembro, o quão calmo se tornou o tempo quando ele pouco a pouco parou de pulsar.

Me debrucei sobre teu peito, afim de ouvir pela última vez este soneto que agora nas estrelas eis de brilhar.

Quase um soneto para ela.

Eu preciso de tudo em você
Do seu choro ao teu sorriso
Para que eu complete o meu ser
E o teu ser conforte-se comigo.

Eu preciso que tu me envolvas em paz
E que seus olhos curem o meu coração ferido
Tu não sabes o bem que me traz
Quando estou fraco e sentindo-me perdido.

Eu preciso ficar em tuas doces mãos
Com teu sorriso que acalma minha alma
E alegra por inteiro meu pobre coração.

Eu preciso do teu amor para sentir
Que será a minha mais bela inspiração
Para que simples assim, eu faça sorrir teu coração.

Soneto

Tanta lágrima hei já, senhora minha,
Derramado dos olhos sofredores,
Que se foram com elas meus ardores
E ânsia de amar que de teus dons me vinha.

Todo o pranto chorei. Todo o que eu tinha,
caiu-me ao peito cheio de esplendores,
E em vez de aí formar terras melhores,
Tornou minha alma sáfara e maninha.

E foi tal o chorar por mim vertido,
E tais as dores, tantas as tristezas
Que me arrancou do peito vossa graça,

Que de muito perder, tudo hei perdido!
Não vejo mais surpresas nas surpresas
E nem chorar sei mais, por mor desgraça!

Mário de Andrade
ANDRADE, M. Poesias completas: Volume 2, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014

Soneto XXII

Quantas vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez
sem lembrança,
sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura,
em regiões contrárias, num meio-dia queimante:
era só o aroma dos cereais que amo.

Talvez te vi, te supus ao passar levantando uma taça
em Angola, à luz da lua de junho,
ou eras tu a cintura daquela guitarra
que toquei nas trevas e ressoou como o mar desmedido.

Te amei sem que eu o soubesse, e busquei tua memória.
Nas casas vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato.
Mas eu já não sabia como eras. De repente

enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida:
diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas.
Como fogueira nos bosques o fogo é teu reino.

Soneto da Despedida

Eu aprendo com o tempo
e tudo isso irá mudar
eu vou seguir o vento
e espero aprender a amar

Esse destino incerto
que assombra minha vida
mostrando tudo de perto
a doce e vã batalha perdida

Irei sem olhar adiante
levando apenas a saudade
como um simples viajante

Alguma coisa nessa cidade
me parece muito importante,
ou seria somente... vontade

O Proveito da Amizade(soneto)

O que proveitaremos nós da amizade?
A fidelidade,o valor,o sonho?
Não..amizade não se resume em felicidade
se resume em mais cisas do que suponho.

o que aproveitaremos nós da amizade?
As brigas,desentendimentos e despedidas?
Sim...amizade é viver a verdade,
se conhece um amigo nas quedas da vida.

Aprenderemos sempre mais nas dores
amigo se reconhece com o tempo
é pondo em prova,que se acha acertar.

Amizade sim tem seus valores
mas às vezes são jogados ao vento
Perdoar à tempo...isso devemos aproveitar!

Soneto Puro
.
Fique o amor onde está; seu movimento
nas equações marítimas se inspire
para que, feito o mar, não se retire
de verdes áreas de seu vão lamento.
.
Seja o amor como a vaga ao vago intento
de ser colhida em mãos; nela se mire
e, fiel ao seu fulcro, não admire
as enganosas rotações do vento.
.
Como o centro de tudo, não se afaste
da razão de si mesmo, e se contente
em luzir para o lume que o ensolara.
.
Seja o amor como o tempo – não se gaste
e, se gasto, renasça, noite clara
que acolhe a treva, e é clara novamente.
.

SONETO DOS TEUS BEIJOS

Que sejam para sempre bem molhados
Molhados e com gosto adocicado
Teus beijos em mil beijos bem selados
Teus lábios beijam sempre apaixonados

E além de serem doces e molhados
Que teus beijos sejam em mim despudorados
No toque tão lascivo do pecado
Teus beijos para sempre eternizados

Eu quero ter teus beijos minha amada
Com boca, com tua lingua, com teus lábios
Ter sempre esses beijos bem selados
Bons beijos com o gosto do pecado

Teus beijos entre nós despudorados
Na certeza de um beijar apaixonado

Soneto

Arda de raiva contra mim a intriga,
Morra de dor a inveja insaciável;
Destile seu veneno detestável
A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,
Contra mim só, o mundo miserável.
Alimente por mim ódio entranhável
O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;
Sei desprezar um nome não preciso;
Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso
De uns lábios de mulher gentis, ufanos;
E o mais que os homens são, desprezo e piso.

Soneto XXXVIII

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

SONETO DO POEMA DO AMOR ETERNIZADO

Se te escrevo um verso de amor
Ele será para sempre um verso amado
E dentro de mim pode haver só dor
Mas é a dor do meu amor, não te doado

Se te desenho enfim, novo poema
Para mim há sempre nele um belo tema
Um poema de amor eternizado no infinito
O teu poema de amor sempre tão lindo

E que ecoe para sempre e por toda a vida
Na hora alegre da chegada ou
Na hora triste da fria despedida

O meu poema desenhado é para ti poema amado
Poema que te escrevo por nosso amor
Por nosso amor... para sempre eternizado!

Soneto do coração

Sábio foi quem disse que o coração é involuntário,
bate quando quer, bate como um otário,
bate mais forte quando te vê,
bate somente por você.

Aperta quando estou longe,
alivia quando estou perto,
me deixa calmo como um monge,
porque perto de você está liberto.

Pelas veias segue apressado,
controlando todo meu corpo,
e meu coração ainda incontrolado.

Central do corpo, central da mente,
me entregando em emoções,
quero enterrá-lo como indigente.

SONETO DOS VINTE ANOS

Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.


Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.


Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.


Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.

ULTIMO SONETO

O verdadeiro amor não morre nunca.
E é por isso que eu vivo na esperança
de unir-me a ti na imensidão profunda,
como uma chama dentro de outra chama.

Longe do sonho desta vida, juntas,
deixando a sua vestimenta humana,
as nossas almas, transformadas numa,
passarão das estrelas lacrimantes

e, insensíveis à dor universsal
que soluça no eterno movimento
dos astros, esquecidas do Passado,

poderão ser felizes para sempre.
Porque não pode ser que a vida acabe,
e seja a vida o sonho de um momento.