Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
O tempo é o escultor absoluto: retira de nós aquilo que julgávamos ser e revela aquilo que conseguimos permanecer.
O tempo passa depressa demais. Às vezes, é preciso parar e olhar ao redor para não perder aquilo que o tempo leva consigo.
Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?
Entre o que desejamos que seja verdadeiro e aquilo que podemos legitimamente afirmar como verdadeiro existe o território da dúvida; é nesse território, precisamente, que a razão aprende sua humildade e a liberdade encontra sua forma mais alta.
Chamamos de certeza aquilo que o hábito repetiu tantas vezes que nossa dúvida perdeu a coragem de interrompê-lo.
Entre aquilo que percebemos e aquilo que acreditamos existir há uma distância que nenhuma linguagem consegue abolir.
Nenhuma aliança é suficientemente sólida para vincular aquilo que pertence à região indomável da vontade humana.
A liberdade não é fazer tudo aquilo que desejamos; é não permitir que nossos desejos se convertam em senhores absolutos de nossa vontade.
O agnóstico não fecha a porta para o transcendente; apenas se recusa a declarar conhecido aquilo que a razão ainda não conseguiu atravessar.
Às vezes, parar de procurar é justamente o que permite que aquilo que importa finalmente nos encontre.
Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.
A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.
Há batalhas em que vencer o adversário é fácil; difícil é não se tornar semelhante àquilo que combatemos.
O homem talvez não seja senhor do ser, mas seu mais inquieto guardião, condenado a escutar aquilo que jamais consegue possuir.
Questionar é admitir que aquilo que julgávamos saber talvez fosse apenas uma forma sofisticada de não perguntar.
Toda liberdade genuína traz consigo uma sombra inevitável: a responsabilidade por aquilo que escolhemos fazer com ela.
O mundo não é apenas aquilo que concebemos intelectualmente, mas aquilo que tocamos, percebemos, sofremos e habitamos antes mesmo de podermos explicá-lo.
Há quem confunda liberdade com a possibilidade de escolher entre aquilo que o algoritmo já decidiu oferecer.
