Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve
O advogado defende uma versão; a justiça precisa permanecer aberta àquilo que nenhuma das versões conseguiu enxergar.
Entre aquilo que sabemos e aquilo que tememos existe um território onde a religião frequentemente constrói seus deuses.
O agnóstico não escolhe entre Deus e o nada; escolhe não mentir sobre aquilo que não pode demonstrar.
A razão pública deve trabalhar com aquilo que pode ser justificado perante cidadãos diferentes entre si.
A laicidade não é uma negação da fé; é uma limitação da autoridade estatal sobre aquilo que não pode demonstrar.
A liberdade científica inclui a liberdade de questionar aquilo que a tradição considera indiscutível.
O Estado laico reconhece aquilo que a fé não pode exigir: o direito universal à dúvida e a legitimidade agnóstica de suspender o juízo diante do desconhecido.
No mercado da atenção, o bem mais precioso não é aquilo que possuímos, mas aquilo que ainda conseguimos decidir para onde olhar.
A ciência não transforma perguntas religiosas em perguntas científicas; transforma aquilo que é testável em objeto de investigação. O agnosticismo pergunta pelo restante.
A maior liberdade científica talvez seja perguntar se aquilo que todos consideram verdadeiro possui evidências suficientes; a maior liberdade agnóstica é admitir quando a resposta ainda não pode ser conhecida.
A humildade epistemológica aproxima ciência e Direito: ambos precisam distinguir aquilo que conhecem daquilo que inferem. O agnosticismo radicaliza essa prudência diante do transcendente.
O Direito protege a liberdade de ensinar religião, enquanto a ciência exige que aquilo que se apresenta como ciência responda ao teste da evidência.
