Somos aquilo que fazemos quando Ninguem nos Ve

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O Que Vê Antes de Ver, Vê!



Agilson Cerqueira



Há momentos em que me detenho à beira de mim mesmo e me pergunto, sem pressa de resposta: o que pesa mais — conhecer ou preservar-se na ignorância do que se poderia saber?

O conhecimento, quando chega, não vem só. Ele arrasta consigo a sombra do que ainda escapa, do que permanece fora do alcance. Saber, por vezes, é abrir uma ferida ou ferir onde antes havia apenas silêncio. É tocar o limite e, ao tocá-lo, perceber o quanto ainda falta.

Então, por defesa ou a falta dela, ignoramo-nos. Não por ausência de capacidade, mas por uma espécie de pacto íntimo consigo mesmo. Um acordo silencioso onde a incompletude não dói — porque não é nomeada.

Mas ignorar, quando não é escolha lúcida, é também uma forma de permanência. Deixar que as coisas sobrevivam em sua forma mais estreita, protegidas de qualquer expansão que as desestabilize. É um abrigo — mas também um confinamento.

E assim seguimos, entre o risco de saber e o alívio de não saber, sustentando essa tensão invisível onde a consciência, às vezes, avança ... e outras, recua para dentro de si.

Todos tocando a vida!!!
Como não olha pro lado e vê, e não sentir o emocional com o espiritual lado a lado não tô falando de cabeças e sim de almas!!!
O sol para todos?!


Passos de neguinho.
leticia17

É Carnaval!
E quem vê um rosto bonito,
um sorriso contagiante,
um físico sarado e atraente
suando folia no bloco…
não vê o HIV.


É Carnaval!


Rostos bonitos reluzem sob o glitter,
sorrisos contagiam como refrões fáceis,
corpos sarados e atraentes
suam liberdade no bloco
como se a vida fosse eterna
e a madrugada infinita...


Purpurina na pele,
desejos distribuídos como confetes,
beijos trocados na vertigem
entre um gole e outro
de ilusão líquida...


Mas ninguém vê
o que não veste fantasia...


Ninguém vê
o vírus silencioso
que não tem estética,
não escolhe beleza,
não pede currículo genético
antes de atravessar a pele...


O HIV
não desfila em carro alegórico,
não brilha sob o neon.
não dança ao som do tambor...


É invisível aos olhos encantados
pela superfície...


Porque saúde
não se lê no sorriso.
Responsabilidade
não se mede pelo abdômen definido.
E risco
não avisa antes de entrar...


É Carnaval!
Celebração do corpo,
da liberdade que pulsa na carne...


Que essa mesma liberdade
não seja descuido...


Que o desejo saiba sambar
de mãos dadas com a consciência.


Porque viver intensamente
também é saber proteger
a própria vida
enquanto a folia passa...


O Carnaval acaba
mas o HIV quando chega...
fica.


Usem a cabeça!
Usem a camisinha!
✍©️@MiriamDaCosta

Trancei meus fios capilares
em folhagens poéticas ...

E me encontrei
penteando meus versos
com a leveza do vento
entre galhos verdejantes...


Havia musgo nos meus silêncios,
clorofila nas minhas palavras,
e uma espécie de paz selvagem
me atravessando por dentro
como se eu já não fosse corpo,
mas selva que escreve....


Ali,
onde a natureza respira calma,
minha alma se fez floresta
e a poesia…
brotou mansamente verde.
✍©️@MiriamDaCosta

Prefiro que haja um livro meu transitando em mãos desconhecidas do que vê-lo parado em uma estante.

Quem me vê sorrindo não imagina quantas lágrimas eu já derramei, quantas vezes tive que juntar cada parte de mim, seguir em frente e recomeçar novamente..."

Estranho olhar no espelho e não conseguir se enxergar, embora goste do que vê.

Me vê, mas não me enxerga.
Me ouve, mas não me escuta.
Me ama, mas não me quer de verdade.
Promete, mas não cumpre com propriedade.
A desculpa pra tudo, mas não há ação de verdade.
Amor sem prioridade, não é amor: é conveniência, é comodidade e é apenas existência sem verdadeira cumplicidade.

O MENINO QUE NÃO ME VÊ


Nos corredores da escola, ele passa, sorriso solto, voz que abraça.
Faz piadas sem graça,
mesmo assim, eu acho graça.


Seu cheiro é vento, seu olhar é mar
e eu me afogo sem ninguém notar,
mas ele nem tenta reparar...


Ele fala das meninas, do beijo na festa,
eu rio, finjo festa.
Por dentro, uma guerra:
como posso amar quem nunca me amará?


Tento apagá-lo de cada pensamento,
mas ele volta como o vento.

Linda morena.
Não há como vê-la e não desejar, não há como se aproximar e não querer um abraço. Não há como olhar em seus olhos e juntamente contemplar essa boca tão linda, e não querer beijá-la.

Desastre


Venha, Deus à terra
deite sobre ela a sua gentileza.
Venha, Senhor depressa
mas Venha de escudo e espada,
de colete e de armas,
pois o tempo é outro
mas a sua criação permanece
contra o tempo e a ordem
contra paz e o amor
sem o próximo e o dever.
Venha, meu Rei à terra
mas prepare-se bem
que mares de novo se erguendo
e a terra vão varrer.
Venha, Omnipotente com cuidado
que a doutrina foi esquecida,
o pão está escasso
e o peixe corre.
O vinho ainda o há
e se acaba
nas veias de outro se escava
a tiro e à facada.
Haver bebida é sobreviver
haver luta é poder.
Venha, Omnipresente venha
proteja-se da melhor forma,
que todo o canto é buraco
e debaixo os ossos,
que antes eram carne viva,
de tão pontiagudos de partidos
usados como armas
nos ferem o pensamento.
Venha, ó Grandioso
e veja a sua arte derreter,
a tinta azul a corromper
e o verde em escassez,
onde a tela é escorregadia
e o brilho não vem do sol
mas dos olhos furtivos.
O cego aprendeu com os olhos enganar,
a criança para a guerra foi brincar,
as mães, porque outro lhes nasceu,
sempre a chorar
e os pais a morrer sem parar.
Líderes se inventam
ninguém os quer comprar.
Só porque numa cadeira se sentam
acham que o Seu mundo podem comandar.
Maldito seja o fruto,
tantos anjos e nenhum impediu,
tantas feras que grandes
dentes tinham
e que tamanhas forças possuíam
a árvore não quiseram derrubar.


Tixa Gomes

⁠ “A criança vê o mundo como ele é: repleto de possibilidades. Seu olhar, sem filtros ou preconceitos, transforma tudo em descoberta e aprendizado.”

O melhor é que a vida sempre nos reserva grandes surpresas e a cada nova etapa você se torna cada vez mais forte.

Soneto abusivo


Pare de frescura e leia logo esse poema!
Mas dessa vez, ao menos vê se lê direito!
Leia... Sem essa de querer procurar defeito!
E vê se dessa vez, ao menos se atente ao tema!


Sem melindre, ninguém tá nem ai pro seu problema,
te falo verdades pro seu bem... Não por desrespeito...
Eu te amo... Entenda que esse é meu jeito!
Faço tudo por você! A verdade lhe ferir é meu dilema.


Não venha com choramingos, choramingar choramigalhas!
Apesar de você ser assim: lerdinha... Cá estou eu...
Convivendo e perdoando suas inúmeras falhas!


Nunca faz nada direito, depois reclama do que colheu...
Então faça o que eu mando, sem usar desculpas canalhas!
E quem não gostou do texto... Certamente nele se reconheceu.

Só quem vê o samsara como uma prisão poderá escapar desse ciclo de reencarnações, os outros seguirão sonhando com vidas que nunca lhe pertenceram...

⁠Oi! Estou por você esperando,
Sou a realidadeque você
não quer enfrentar,
Sou aquele que você
vem desprezando
Sou a verdade que você
não quer enxergar
e, depois, fica reclamando,
Sou quem pode livrar
de um amargo lamento,
Então, decidi me apresentar,
Prazer, Eu sou...O Bom Senso.

Vi com entusiasmo e agradecido uma bela natureza de uma aparência estonteante, cabelos soltos ao vento, libertos como o seu belo sorriso de liberdade, ela estava radiante, diante de belas paisagens naturais, emocionantes

Logo, presenciei a naturalidade em demasia, o encontro de artes especiais, a poesia natural com suas linhas fascinantes fora das páginas, a vida pulsante acontecendo e se destacando mesmo num dia chuvoso e com nevoeiro

Infelizmente, não estive fisicamente perto dessa linda exposição ao ar livre, entretanto, através de alguns registros desse momento, usei o meu olhar poético e o meu imaginário ativo para ir até lá em pensamentos, assim, fiz estes versos tão vivos.

O que me inspira hoje é saber que o essencial é invisível aos olhos,e que só se vê bem com o coração.Mas se meu coração nada vê,nada ele pode desfrutar,portanto meus olhos precisam estar atentos.Olhos descobrem outros olhares,que cercado de intenções,boas ou más ,determinam o sentido do ser.Ser ou não ser,aí me pergunto enquanto me deleito de teimosia por não seguir as vertentes que a mim são aplicadas pelo meu coração.Ele está muito cansado de tudo isso,mas eu olhos ainda estão abertos para suprir o pouco que esperança que me resta.As esperanças saem dos meus olhos como um riacho,em lágrimas aos montes e lástimas da existência.Viver é cansativo,escrever é mais ainda.Não sei se devo parar de viver ou parar de escrever.Aí me vem à mente:Viver ou escrever.Eis a questão.

O que você vê?
Diante dos seus olhos,
há um destino mais forte
do que dá pra prevê.


Ciente da semente que foi lançada.
Às vezes em alguma atitude, em outros momentos com a fala.
Sente que há algo maior, e ,
normalmente, subindo de escala.


O que se escuta?
Pode até ensurdecer.
Em maior parte, a prevenção depende mais de você.


Os labirintos inflamam
com todas as mentiras.
Não há felidade na dor
E a cicatriz não ameniza
o que causa a ferida.


A verdade pode até ser dura,
Mas é um escudo e
luz para caminhos à escura.


Ainda bem que temos Deus
Ainda bem que ainda tememos a Deus.


Sua misericórdia nos faz filhos Seus.
O Seu Amor prevalece, perdoa...
e jamais nos diz adeus.

Cego não é o que não ver! Mas o que vê e não quer enxergar!
O primeiro é privado da visão!
O segundo é da alma e do coração!