Sombra
TROVA I - João Nunes Ventura-01/2019
A sombra que anda comigo
É minha imagem mais linda,
E nas tardes de sol dourado
Juntinho a mim ela caminha,
Não reclama e não se cansa
Até parece ser jovem ainda.
“Com você aqui”
Sem sol…
… sem sombra.
Sem frio…
… sem luz.
Mais com você aqui!
Passeando dentro de mim.
Sem chuva…
… sem vento.
Procurando por respostas…
… que parecem não ter fim.
Mais com você aqui!
Andando dentro de mim.
Sem inverno…
… ou verão.
Sem palavras certas…
… e perdido na estação.
Mais sempre com você aqui!
Morando dentro de mim.
Sem sol…
… sem chuva.
Sem inverno…
… sem problema!!!
Desde que você esteja aqui.
Eternamente…
… dentro de mim.
Admilson
18/01/2019
Mais próximo!
Olho para a escuridão profunda
Sinto a face de minha sombra
Fria, amarga
Disforme, ascosa
Ando pelos trilhos sozinho
O ranger do aço ferve o sangue
A luz esfumaçada vem ao meu encontro
Encontrar-me-ei no início
Na dívida
No pecado
Nos vermes
Os reais herdeiros da cobiça
Esperando para arrancar-me os olhos
Para agraciar-me com a cegueira branca
Feche as janelas do quarto
Quebre o porta retrato
Aqui não há lugar para a sua franqueza
Apenas para os prazeres caprichosos do isolamento
A sombra do tempo se vê a história, repetida em mil começos, cobrindo toda uma vida e ao mesmo tempo deixando de lado momentos que se quis deixar. Tempo tu é uma constante? Tu está em movimento por quê? Que horas para de andar? Quando poderei viver como um simplório, sem entender ao certo o que é viver ou como viver?
Ao questionar-me de forma tão contundente cheguei a conclusao que cada um tem a forma de vê seu tempo ou sua constante de uma ótica pessoal, de uma verve única. Pensar se torna quase que visceral necessário, as vezes perturbador mais quase sempre gratificante.
Não vi ninguém
Ninguém me viu
Andei na sombra depois sumi.
Qual foi o vento
A direção
Que me arrastou
Pra onde estou
Um tempo novo
De coisas velhas
Um tempo longo
De tratamentos
Perdi amigos
Perdi família
Perdi você
E quase a vida
Mas cá estou
Todo remendado
Com meu espírito
Todo quebrado
Meus olhos foscos
Enxergando sem olhar
Minha mente lúcida
Dolorida por assim estar...
Andei sozinho
Acompanhado
Andei em esquinas
Dormi com ratos
De quem é a culpa
Qual a razão
Pra eu estar
Como eu estou
Um tempo ilógico
De coisas certas
Um tempo extenso
De terapias
Perdi dinheiro
Perdi trabalho
Perdi você
E quase caio
Mas continuo
Todo emendado
Com meu orgulho
Bem machucado
Meus olhos tortos
Olhando sem enxergar
Minha mente limpa
Tenebrosa por assim estar
Ela fala de amores perdidos e desejos encontrados,
da solidão que vem à sombra, e os beijos quentes
deslizando pelos corpos em uma carícia ardente!
Ela fala de noites d’amor e palavras obscenas
em horas felizes, em que os corpos s’encontram
e nada deixam ao saírem; são horas,
onde o deleite, bocas, mão e carícias
despertar vão a memória e a pele macia!...
(Álvaro Nobre Junior)
Eu não posso te deixar, pois de uma coisa eu sei muito bem
É a Tua sombra que me guarda
E a Tua misericórdia que me sustém
As tardes não são mais as mesmas,
as árvores, que um dia
me deram sombra,
desabrigaram até os passarinhos.
A retrógrada lamúria é uma simples sombra, que te replete, escura e inútil. Desta maneira, esquiva-te de pretensões maléficas e , progridas como um ser obstinado.
Passar pela vida como uma sombra escura
Não é grata missão nem bondosa elegia
Mas a minha batalha segue pelo dia
Nos versos de dor que encontra a cura.
Sei que poderei apenas relembrar
a pele cor pêssego maduro,
mas neste caminho perduro
onde pude no gozo de outrora beijar.
Mas sei que serei chamado num raio de luar
Para o umbral das nuvens e do céu, partir
E certamente há um momento sublime por vir
Onde até Sócrates e Galileu vou encontrar.
E meu semblante não estará mais pálido e branco
Pois sabia que pelo menos no céu poderia
Novamente ter quem eu tanto queria.
Com o coração vencer qualquer pranto.
Uma das maiores angústias que sinto é a de descobrir que o Amor que tanto prego, não é nem a sombra do que o que pratico...
Aprendendo!
O seu amor se tornou a minha sombra, ela está comigo o tempo todo. Mas o problema é que agora eu estou na escuridão.
Hoje minha vaca deu leite
Tá sol
É verão
Não tem sombra
Nem capim.
Mas chove,
E, na chuva,
a gente se molha,
mas a gente não bebe água
a gente se afoga.
A água desce morro a baixo
Mas a gente tá abrigado
Opa, caiu um ali
Acho que não tem mais casa
Porque foi levada
Ladeira a baixo.
Com a chuva
Não há mais casa
Talvez haja capim
Mas vamos ter que dividir
E nem vai nascer a jato.
Porque é Verão
Faz Sol
Não tem sombra
E nem trato.
O Corredor
Uma sombra pede passagem
frente uma longa viagem.
É um corredor que passa voando,
com o vento se deleitando.
Como um cavalo testando os cascos,
ele carrega a liberdade nos passos.
Não procura uma verdade velada,
deseja correr e mais nada.
Há um lugar de elevada consciência
onde a glória está na vivência.
Um corredor não tem a alma cansada,
pois sua casa é a estrada.
Também não há temor em sua passada,
já que não busca a vitória na chegada.
Aprendeu sobre a jornada da vida
e que o êxito está na partida.
