Sombra
A sombra.
Nos recessos da minha alma,
Onde as sombras gritam em silêncio,
Você é a lembrança que me assombra,
A dor que me consome, o amor que me matou.
Teus olhos, dois túmulos de esperanças,
Onde eu enterrei meus sonhos,
Teu sorriso, a imagem que me persegue,
A saudade que me devora, que me aniquila.
As noites são eternas e frias,
Quando você não está ao meu lado,
As estrelas são lágrimas de um amor morto,
E a solidão é o meu destino.
Eu te amo, mas você se foi,
Deixando apenas um vazio infinito,
Um buraco no meu peito,
Que nunca mais será preenchido, que nunca mais terá vida.
Você era o meu tudo, meu nada,
Meu amor, minha vida, meu fim,
Agora, você se foi,
E eu sou apenas um fantasma, uma sombra do que fui.
Passei pelo deserto. Lá encontrei uma árvore que me acolhia e me dava sombra e frutos. Mas o sol implacável do deserto a matou. Então tive de encarar o próprio sol queimando dentro de mim. Enfrentei o drama, atravessei a dor.
Mais adiante, encontrei um oásis. Nesse oásis havia outra árvore: oferecia sombra, frutos, água fresca e ventos suaves. Parecia abrigo, parecia salvação. Mas também ele ruiu. A árvore secou, as folhas caíram, a água se turvou e os ventos se tornaram tempestade.
Foi então que tomei consciência: o oásis só existia porque eu o havia criado. Era fruto de uma ilusão, uma repetição inventada para confortar a minha mente. Eu precisava acreditar que havia sempre um refúgio à minha espera.
Compreendi, enfim, que o que tornava aquele lugar especial não era o lugar era eu. Pois o deserto continuava inóspito. E, ainda assim, era dentro de mim que nasciam as sombras, os frutos e a esperança.
A cada passo abraço tua sombra
Passos sutis da tua presença
Cativa movimentos dos gestos
Delicadeza dos mares calmos
Calmaria vi nos teus olhos
Sensações de manhã singular.
Kaike Machado
Sem sombra de dúvidas,não existe melhor companhia do que a de Deus.
A maioria das pessoas só te valoriza se tiver algo pra dar!
"As árvores meditam no
Inverno.
Graças a isto florescem na
Primavera
Dão sombra no
Verão e
se desnudam no vento do
Outono.
Amamos as flores,
mas arrancamos.
Amamos as árvores,
mas cortamos.
E ainda não entendemos o
medo que algumas pessoas
sentem quando escutam:
Eu te amo " ❤
"Na sombra de ninguém devemos viver;
Na própria sombra não devemos ficar;
Faça-se a luz;
Que ilumine a escuridão;
Caminhemos agora;
Rumo a liberdade;
Fugindo da solidão!"
Em tua companhia eu fui morrendo aos poucos, me apagando, virando sombra, deixando nas tuas mãos a decisão da minha vida. Não vivi, apenas existia imersa no medo de falar ou na covardia de me levantar e ir embora, tomar as rédeas da minha vida, viver, viver, viver!
"O Abraço No Ar"
Ela apareceu feito sombra bonita,
num tempo em que o mundo me olhava torto. Tinha olhos que pareciam saber de mim sem perguntar nada.
E um silêncio que gritava mais que qualquer voz.
Não disse muito,
mas eu entendi tudo.
Ou talvez…
entendi o que eu precisava sentir.
Ela era a garota da tela, era o mistério da minha solidão. Vestia o preto que eu sentia por dentro. E sumiu sem dizer adeus,
como se fosse um sonho tímido
que teve vergonha de durar.
Desde então,
me pego perguntando
Será que lembra de mim?
Será que doeu nela também?
Será que… ainda existe?
Mas a verdade é
ela vive em mim,
não como pessoa,
mas como marca.
A marca de um tempo onde amar era mais imaginação que presença.
A marca de um encontro que não aconteceu inteiro, mas foi inteiro mesmo assim.
Ela foi o retrato da minha fome de ser visto.
Foi poema não escrito, canção sem refrão,
abraço que só existiu no ar.
Hoje, eu olho pra trás…
e não odeio.
Não esqueço.
Não apago.
Mas também não me perco mais.
Porque ela foi passagem.
E eu sou caminho.
ECLIPSE
Até mesmo a Lua cheia
Ao invocar às virtudes
Sombra terrena golpeia
Fazendo que a cena mude
Mas o Sol em sua odisseia
Continua em Plenitude.
(Alfredo Bochi Brum)
A CALIGRAFIA DO ESQUECIMENTO
Sobre nós, nem mesmo a minha sombra que rasteja no chão sabe os versos que contávamos para o silêncio; e nem mesmo os lugares que guardamos na memória carregam lembranças sobre nós.
Um dia fomos presença em nosso pequeno instante, e fomos o próprio presente do instante. E, mesmo que eterno, o tempo leva tudo ao esquecimento.
Somos dois abismos no profundo de nossas memórias, memórias perdidas entre o real e as imaginações. Se um dia fui o herói nas tuas lendas ou o vilão na sombra das tuas lembranças, tudo o que posso esperar é a ausência de nunca saber.
Sou a sobreposição da verdade que jamais compartilharemos. Em nossos pensamentos, os versos que contávamos se vão em direção ao esquecimento — a caligrafia apagando o que um dia fomos.
Então, o último conto, um eco que retorna ao silêncio; e assim, restando em nós apenas a lenda, a verdade que jamais saberemos um do outro.
A espiritualidade de cada pessoa é complexa, cheia de dualidades onde luz e sombra se cruzam. Mas, se você busca viver com consciência, já está no caminho certo.
Teus olhos são um segredo
que o tempo não desvenda,
um véu de sombra e luz
onde a alma fica suspensa.
De longe, são abismos,
noite sem lua ou estrelas,
mas de perto, claridade
que a meu poema inspira.
Não são negros, nem azuis,
nem cor que o mundo nomeia,
parece-me verdes em tons
que não existe em lugar nenhum.
Têm a cor do que se perde
e nunca mais se encontra,
são ecos de um silêncio.
Se a mágoa fosse visível,
teria esse olhar profundo,
um mar de ausência e desejo,
um céu sem chão, sem fundo.
E assim, entre sombras e luzes,
teus olhos me confundem:
ora são fogo, ora frio,
ora lembrança, ora esquecimento.
Mas se a mágoa tivesse cor,
seria da cor do teu olhar, amor
um mistério que não se decifra,
um verso que não tem fim.
E eu seria o vento que te envolve,
a sombra que te segue descalça,
o nome que te escapa dos lábios,
quando a noite se faz mais densa.
E eu sou o rio que não se cansa,
a margem que te espera quieta,
o segredo que guardas no peito,
mas que nunca confessas.
E eu seria o aroma da terra,
após a chuva que te refresca,
o brilho que se perde no espelho,
quando te olhas e não te enxergas.
E eu não sou a luz nem a escuridão,
só o crepúsculo que te confunde,
"Você sente o que eu não digo?"
Mesmo quando te calas.
E eu seria o eco da tua voz,
a falta que não se explica,
o abraço que nunca se desfaz,
mesmo quando te afastas.
E eu não sou o sonho nem o despertar,
só o instante que te suspende:
"Você lembra do que fomos?"
Mesmo quando não respondes.
Até quem um dia foi sombra pode, de repente, acenar como luz — e o coração, mesmo relutante, percebe que a vida adora escrever capítulos inesperados.
O homem que um dia foi muralha, hoje treme.
Meu pai, que já foi tempestade, agora é sombra do trovão.
Antes, sua voz era lei, sua presença, temor.
Erguia-se como torre inabalável, inquestionável.
Confrontava os frágeis, dominava os que dele dependiam.
Era força bruta, autoridade sem pausa,
um império de si mesmo.
Mas o tempo, esse escultor silencioso,
foi desgastando as pedras da sua rigidez.
Hoje o vejo com medo.
Não mais o medo que impunha,
mas o medo que sente.
Medo do fim, do esquecimento, da fragilidade que ele tanto desprezou.
E mesmo assim, a arrogância permanece.
Como armadura velha que ele se recusa a tirar,
como se admitir fraqueza fosse morrer antes da hora.
A prepotência não o deixou ou talvez ele nunca quis deixá-la.
Porque abrir mão do orgulho seria admitir que o tempo venceu.
E ele, que nunca soube perder,
prefere se agarrar ao que resta da sua antiga coroa.
Mas eu vejo.
Vejo o homem por trás do mito.
E, apesar de tudo, ainda é meu pai.
Mesmo que hoje ele não seja mais o gigante que um dia foi.
By Evans Araújo
