Sol
Poema: "Manhãs de Luz e Verso"
Escrito por: Brendon Siatkovski
O sol se infiltra suave pela casa que respira,
Onde a matéria é viva, e o tempo se dobra em poesia.
Eu desperto entre murmúrios de folhas e memórias,
Onde cada instante é um convite para a descoberta.
Minha luz dança com cores no ar,
Enquanto pequenas estrelas despertam sorrisos cósmicos,
E o café não é só bebida, é rito, é conexão,
É a energia que alimenta sonhos e canções.
Meus dedos percorrem teclados de vento e sentidos,
Tecendo pontes entre rios, entre almas, entre ventos.
Meu trabalho é ser farol e navegar ao mesmo tempo,
Entre versos que libertam e flores que sentem.
O dia é um tecido de encontros e silêncios,
Onde o sagrado e o natural se abraçam sem medo.
Em cada palavra, em cada gesto, ressoa a missão:
Ser poeta, ser guia, ser amor em expansão.
Quando a noite cai, a casa canta segredos antigos,
E nós nos perdemos em conversas que são estrelas,
Porque viver assim, no pulsar do universo,
É saber que cada dia é um milagre e um verso.
O inverno será longo
Tudo começou do jeito que deveria, o sol nascendo, brilhando e se pondo como sempre. Até que um dia um castelo foi construído, tão bonito, o tempo foi passando... E o castelo já não tinha mais ninguém, só um templo de pedra que um dia foi vivido. O verão passou, mas dessa vez tudo aquilo que estava construído, ali ficou... esperando a próxima tempestade, a próxima estação que o aguardava, o inverno chegou trazendo consigo o que nunca deveria ter deixado descongelar.
Sonho de Nós Dois
Em cada amanhecer, vejo teu sorriso,
Um raio de sol que ilumina meu aviso.
Teus olhos são oceanos, profundos e sinceros,
Neles navego sonhos, segredos e mistérios.
Teu toque é suave como a brisa da manhã,
E em teus braços encontro a paz que me afã.
Cada palavra tua é uma doce canção,
Que embala meu ser e toca meu coração.
Nosso amor é um vinho, maduro e intenso,
Cada gole é um brinde ao nosso imenso.
E nas noites estreladas, sob o manto da lua,
Prometo te amar, minha eterna fortuna.
Caminhando juntos por sendas floridas,
Teus risos são flores em minhas vidas.
Quero ser o artista que pinta teu céu,
Com cores de amor que refletem o véu.
Então venha comigo, vamos dançar no ar,
De mãos dadas, juntos, prontos para amar.
Porque você é meu tudo, minha razão de viver,
E em cada batida do coração, quero sempre te ter.
A menina que abraçou o Sol
Ela não teve medo
Abriu os olhos
A luz se rendeu
Sua beleza o ofuscou
Brilhe linda flor.
Ela estendeu os braços
Ele então se entrelaçou
Como um laço se fechou
Os dois formando um
A menina abraçou o Sol.
Sua tristeza ficou para trás
A alegria ganhou como presente
Na mente ela sabe que é amada
O futuro está guardado numa caixa
Ele lado dela a faz feliz.
O amor encontrou o caminho
O pássaro, o ninho, o carro, a estrada
A voz que encontra a canção
A guitarra que toca o coração
Reverenciando a menina que abraçou o Sol.
Calmaria.
Só o cantar de um pássaro lá longe.
Uma nuvem cobre ligeiramente o sol.
As sombras no quarto desaparecem.
Tudo se sombreia.
É chuva que vem?
Um vento forte sopra.
As nuvens vão sombrear outro lugar.
Hoje o sol quer o dia todo todo o meu dia iluminar.
Dama do Campo
Tu és do campo, da terra e do sol,
Das águas claras, do canto do arrebol.
Teu coração pulsa em ritmo sereno,
Na simplicidade que torna tudo pleno.
Carregas amor no olhar, tão profundo,
Pelos bichos, pela vida, por todo o mundo.
Teu toque é cuidado, tua alma, dom raro,
Mais preciosa que o mais puro amparo.
E eu… sou mistura, sou meio cidade,
Mas me fiz do campo, busquei a verdade.
Nas campinas verdes encontrei o sentido,
Na estrada de terra, o meu chão preferido.
Amo o riacho que corre entre vales,
A vida que brota em seus muitos detalhes.
E por esse mundo que é feito de ti,
Dou minha vida, meu sonho, meu sim.
Ah, meu amor… se soubesses o quanto,
Se entendesses meu silêncio e meu canto…
Até meu sangue, se fosse preciso, eu mudaria,
Só pra viver no mundo que é tua poesia.
Entre vendavais ferozes
e mares turbulentos
entre um sol escaldante
e vastos desertos
nada é mais assustador do que o brilho nos seus olhos
Sua voz ainda ecoa em meus sonhos
e seu rosto ainda me atormenta pela manhã
Mesmo que já esteja no passado, e talvez você não se lembre mais dos meus olhos amendoados, guardarei sua memória como uma cicatriz em meu peito, como um rascunho em meus cadernos e como o desejo mais profundo do meu coração.
O sol surge lentamente, anunciando um novo dia. Renovação na ponta dos dedos. Dedos que surpreendem com suas palavras inesperadas. A noite povoada de sonhos. Duas dimensões no mesmo tempo, no mesmo espaço. Observo. Meus olhos estão povoados de imagens e o coração distingue suas cores, nuances e tonalidades. Dia silencioso, tranquilo. Talvez isso seja paz. Lembro de pessoas que passaram por minha vida. E me parece como personagens de um livro de ficção. Eu sou a protagonista da minha vida. Deus é o escritor. Dias tristes. Dias alegres. Caminhando na corda bamba do circo da vida. Pão e circo. Nem tanto pão, nem tanto circo. Equilíbrio. Minha alma questionadora não para. A vida é como é. As pessoas falam, dormem e acordam. A vida é isso. Queria eu ver a vida assim de modo tão simplista. Eu quero sempre mais. Mas hoje eu estou em paz. Quero um bom lugar para sentar. Quero simplesmente olhar. Hoje eu só quero que o dia passe suave. Até mais.
Cai a noite silenciosa. Quantos mistérios existem em seu silêncio? O sol se esconde e a noite escura nos convida à reflexão. O dia foi suportável, ainda que em alguns instantes lágrimas molharam meu rosto. A felicidade é frágil e dentro dela se escondem temores. Mas também é nela que se esconde a esperança. Já quase não me movo. Essa apatia vem carregada de densas culpas. Talvez o tempo esteja cobrando seu preço. Sou um ser frágil, enfrentando uma densa poeira, que machuca meu rosto. Nascer diferente com uma frágil esperança de futuro. Entretanto sigo minha sina. Choro quando não é possível conter no peito uma angústia ardilosa. E sorrio de esperança, porque apesar de tudo, a felicidade mora em mim. Queria saúde, queria amor, queria tantas coisas. E às vezes a solução é não querer. Espero um medicamento que me cure de mim. Eu não sou mais a mesma. Desconheço sorriso largos e como uma largarta vou rastejando nesse solo árido. Esperando que um dia enfim eu seja como uma borboleta, grande, colorida e leve. Espero o tempo que esse dia chegará. Até então, não vou descansar. Que venha a noite, escura e densa, meu peito suporta, forte como uma gaivota.
Sonho de quarta feira
O dia quase amanhecendo
O sol quase raiando
Abri a janela do quintal
Pra contemplar tal encanto
Mas quando a selva avistei
Logo me assustei
Com um movimento estranho
Uma silhueta
De cor azul e vermelha
Que ia ali passando
Por dentre a mata me aproximei
Pra ver do que se tratava
Percebi quando cheguei perto
Que era uma moça que ali passava
Segurando um cesto de maça
Que das árvores arrancava
Era rápida como o vento
Reluzia uma pele clara
Usava um vestido azul
Com flores avermelhadas
E quanto mais longe ela ia
Mais clareava o dia
E o sol a iluminava
Seus cabelos eram longos
Da cor de caramelo
Num intervalo de tempo
Eu a perdi de vista
Naquele campo amarelo
Restou-me somente um riso
De ter meu coração amanhecido
Naquele instante singelo
Como É Bom Cuidar De Mim
Ela vem fechando tudo, escondendo o azul do céu, até o sol perde seu brilho como um rosto atrás de um véu.
De mansinho suas aguas vem molhando meu jardim, me mostrando com carinho como é cuidar de mim.
Vou criando uma melodia e escrevendo uma canção, vou correndo contra o vento como numa contra mão.
Busco sempre alguém que possa trabalhar no meu jardim, porque ás vezes eu esqueço como é bom cuidar de mim.
O Amanhecer do Orvalho
Desperto antes do Sol, quando o mundo ainda respira em segredo. Levanto-me com o silêncio de Oxalá, aquele que traz a paz e a pureza das manhãs. Me alongo como se estendesse meu corpo até os troncos mais altos de Iroko, pedindo força e equilíbrio.
Respiro fundo. O ar da madrugada ainda carrega o hálito de Nanã — o mistério antigo das águas paradas, do tempo que não corre, mas mergulha. Ouço músicas como se fossem orikis, louvores antigos aos que me guardam. E quando entro no ônibus, sei: não é apenas um transporte. É um navio de tempo, conduzido por Ogum, senhor dos caminhos e das encruzilhadas.
As montanhas de Minas me acolhem com braços de Xangô — firmes, justos, cheios de presença. O Sol começa a romper o céu como a machadinha que corta o véu entre mundos. A garoa se dissolve nas folhas, e cada gota do orvalho é um axé que Exu espalha pelo chão: movimento, transformação, recado.
O céu avermelhado anuncia Iansã, que dança com o vento e sacode as nuvens com sua energia tempestuosa. Ela não pede licença: ela liberta. Sinto sua força nos fios do cabelo, no arrepio da pele, na velocidade do mundo que desperta.
As folhas pingam em silêncio, e Oxóssi, o caçador que conhece os segredos da floresta, caminha ao meu lado. Ensina-me a observar. A natureza me fala em símbolos, em aromas, em pequenos gestos. O cheiro da terra molhada é saudação a Omolu, senhor da cura e da renovação.
Na luz que esquenta devagar, vejo o sorriso de Obá, guerreira discreta, força que é ternura. E quando o calor toca a pele, é Xangô de novo, com sua justiça luminosa dizendo: “É hora de viver com coragem.”
Estou dentro do ônibus, sentado, vendo tudo passar depressa, mas dentro de mim tudo é lento, ancestral. O tempo gira em círculos, como os giros de Oxum nas águas doces, como os passos de Iemanjá nas espumas do mar. Tudo passa, mas tudo permanece.
Sou parte do mundo. Sou feito de terra, de água, de fogo, de ar. Sou filho do tempo, guardado pelos Orixás. O amanhecer não é só um momento do dia. É um rito. Um reencontro com aquilo que nunca dorme: a força sagrada da vida.
“O sol pediu a lua em casamento mas a lua com todo seu esplendor disse não sei, mas a lua sabia que não poderia ficar com o sol, o sol tiraria todo seu brilho e aos poucos a apagaria, o sol com incerteza insistiu criando o eclipse para poder ao menos uma vez ver seu grande amor, mesmo sabendo que um dia poderia ser apagada após cada eclipse, ela o amava, e então a lua esperou ansiosamente pelos eclipses para poder encontrar seu amor. Enquanto isso as estrelas os observavam de longe admiradas a cada eclipse que se passava o amor era mútuo, mas com o tempo a lua se apagou seu brilho e luz se transformaram em apenas pó, o sol se sentindo culpado foi se embora deixando apenas memórias”.
Sou Feita de Intensidade
Eu sou feita de flores e de pôr do sol,
de músicas que embalam meus dias,
de surpresas, de sorrisos sinceros,
de olhares que falam mais do que palavras.
Carrego em mim o dom de observar,
de sonhar acordada,
de fazer planos,
mas, acima de tudo, de simplificar a vida.
Vejo beleza no viver,
valorizo os detalhes,
cuido de quem amo,
e não economizo amor.
Digo “eu te amo” olhando nos olhos,
peço perdão quando é preciso,
e adoro dormir segurando uma mão,
como quem sabe que afeto também é abrigo.
Sou quem costura cicatrizes,
quem aprende a remontar,
quem não aceita mentiras,
nem suporta quem esconde.
Admiro a franqueza,
valorizo quem é inteiro,
e quando eu seguro, é pra não soltar —
até que a vida peça.
Eu fico enquanto faz sentido,
enquanto é amor,
mas se chega o tempo de soltar…
eu solto. E não volto mais.
Caminho no meu tempo —
às vezes lenta, às vezes acelerada —
mas sempre inteira,
sempre sentindo tudo,
porque eu sou feita de intensidade…
e de amor sem medida.
Quando as relações florescem ou partem
Algumas relações vêm como semente.
Pedem terra boa, sol na medida e tempo, muito tempo.
Outras chegam como vento.
Mexem tudo, levantam folhas secas, e depois seguem.
Nem por isso são menos importantes.
A vida nos ensina que, nem todo laço é nó, e nem todo nó precisa apertar.
Há vínculos que nos libertam, há distâncias que aproximam, há despedidas que salvam.
Revisar uma relação não é falta de amor, é amor por inteiro, por si, pelo outro, pela verdade que se impõe quando a alma já não cabe no silêncio.
Relações vivas não pedem perfeição, mas presença.
Não exigem que sejamos sempre os mesmos, mas que sejamos verdadeiros
naquilo que estamos nos tornando.
Porque, no fim, a beleza das relações não está em durarem para sempre,
mas em florescerem com sentido enquanto duram.
Felipe Felisbino, em maio de 2025.
Nós podemos contemplar coisas maravilhosas o tempo todo, basta procurar. Sol não se apaga e depois acende, ele esta lá o tempo todo nascendo e tão intenso que mesmo quem não tem visão o sente.
O SENHOR DEUS é assim para quem o busca.
O Sol da Manhã
Ah, o sol da manhã...
Contemplo-o dos cantos mais remotos da cidade.
Durante seu brilho, esvai-se toda vaidade —
Toco a grama molhada pelo orvalho,
Ou ao menos, creio tocar...
Pois sei, pela física, que nunca tocamos de fato:
Somos campos que se repelem,
Somos danças de elétrons em silêncio.
Mas ainda assim, o instante me atravessa,
E isso, para mim, é o bastante.
O balançar calmo das folhas
Apaga os ruídos da mente,
Silencia pensamentos longos demais,
Esses que, teimosamente,
Nos ferem sem jamais cessar.
O canto dos pássaros neste horário
É bálsamo sobre feridas invisíveis.
E o tilintar leve das águas
Faz de um espaço árido,
Um abrigo possível.
Se não vês Deus no brilho inocente de uma criança,
ou na luz mansa do sol que nasce,
não o verás em nenhum outro lugar.
