Sobrevive Amor Acima de tudo
Você está atravessando uma fase da vida em que não existem atalhos.
Você precisa atravessar com os próprios pés.
Então vem a tempestade.
A ponte balança, quebra, a água cai violentamente e você sente medo de que tudo desabe enquanto ainda está sobre ela...
Enquanto o resultado não chega, a mente cria cenários.
"E se for alguma coisa?"
"E se der errado?"
"E se eu não conseguir?"
A mente odeia espaços vazios. Quando não possui informação, muitas vezes tenta preenchê-los com possibilidades.
O meu vazio me consome, me multiplicando a zero, anulando a minha resistência, me convidando a desistir da única possibilidade de continuar, sufocando os meus sonhos, me transformando em uma natureza nula, mas antes eu fosse algo negativo, porém a neutralidade me consome enquanto tento ser apenas positivo.
Enquanto a vida se limita a uma sobrevivência constante perante o vazio existencial, escrevo poemas de salvação, meros aperitivos para o vazio que me cerca profundamente enquanto luto para marcar a minha existência sábia e inocente diante das possibilidades que apenas me enlouquecem, assim escrevo poemas, de salvação.
Estou correndo intensamente nos corredores infinitos da neutralidade, buscando encontrar uma porta que me deixe ficar um pouco mais de tempo, do lado de dentro, dentro de mim, fora do vazio que me preenche, afogando a minha existência, me provocando a correr, atrás de portas, que me deixem entrar, só um pouco mais, antes de ser consumido novamente.
Atualmente a minha existência se define perante os seus olhos sonolentos enquanto mergulho profundamente no vazio existencial da realidade tão cheia de vida, e assim se define os meus olhos despertos e atentos, focados em chegar do outro lado da porta, após esse infinito mergulho no vazio enquanto seus olhos dormem, dormem para não me ver mergulhar, no vazio, atrás da porta, do meu quarto quadrado, mais quadrado do que os teus pensamentos.
Aquilo que aparece diante de nós não precisa necessariamente bloquear nossa visão.
Um medo pode existir sem dominar nossa vida.
Uma lembrança pode existir sem controlar nosso presente.
Uma pessoa pode ter feito parte da nossa história sem continuar sendo dona dela.
Uma dor pode ter existido sem determinar quem seremos daqui para frente.
Muitas vezes atravessamos períodos em que não conseguimos enxergar nenhuma segurança. Olhamos ao redor e pensamos:
"Onde está o chão?"
Mas continuamos de pé.
Talvez existam forças que não percebemos enquanto estamos preocupados demais procurando por elas.
Talvez crescer seja exatamente isso: conseguir olhar para uma pessoa que um dia significou o mundo e perceber que ela continua sendo apenas uma parte da paisagem da nossa história.
Não precisamos odiar.
Não precisamos esquecer.
Não precisamos voltar.
Podemos simplesmente reconhecer:
"Eu amei você naquela época. Mas hoje eu também amo a pessoa que me tornei."
Ás vezes não precisamos apagar alguém do passado para seguir em frente. Precisamos apenas colocá-lo no lugar correto dentro da nossa história.
Nem todo amor precisa terminar em reencontro.
Alguns amores terminam se transformando em memória.
Outros se transformam em perguntas.
Alguns permanecem como uma pequena cicatriz emocional que já não dói, mas nos lembra de quem fomos.
Uma mente pode produzir dezenas de possibilidades ao mesmo tempo.
"Será que vai acontecer?"
"E se acontecer?"
"E se eu fizer isso?"
"E se eu não fizer?"
"E se aquela pessoa pensar isso?"
"E se tudo mudar?"
São pássaros mentais pousados em galhos invisíveis.
Existem estruturas sustentando nossa vida que também não conseguimos enxergar.
Memórias.
Experiências.
Crenças.
Medos.
Esperanças.
Valores.
Relacionamentos.
Tudo aquilo que sustenta nossas decisões, embora não apareça como uma parede ou uma coluna.
Você não é mais a menina que espera ser escolhida.
Você é alguém que também construiu uma vida que pode ser observada.
*PRESENTE*
O passado vai estar sempre presente,
ele não pede licença,
ele senta na cama,
ele deixa cheiro no travesseiro,
ele deixa a vaga vazia,
ele deixa a porta encostada.
Ele vai estar presente no teu riso,
quando você ri e lembra que já riu assim com alguém.
Vai estar presente no teu choro,
quando você chora e lembra que já chorou por alguém.
Mas não deixa ele dirigir.
Deixa ele no banco de trás.
Ele pode olhar a paisagem,
mas não pode tocar no volante.
Jamais deixe que ele interfira em nada,
não deixa ele escolher quem você beija hoje
com medo de quem te beijou ontem.
Não deixa ele trancar a porta
que alguém deixou encostada pra você.
Porque só assim,
só quando você para de brigar com o ontem,
o futuro te presenteia.
E ele te presenteia simples:
com um endereço novo,
uma vaga nova,
uma cama que ainda não tem cheiro,
mas tem espaço.
O passado fica,
mas o futuro...
o futuro te abraça.
(Saul Beleza)
– Não faz mal, eu vou matar ele.
– Que é isso menino, matares teu pai?
– Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.
Mulheres que amei, sacanas, amigas, apaixonadas, volúvel, sincera e vadias, amadas e amantes, lindas e belas, sinceras e desonestas, vulgares e apreciadas com moderação, queridas ao extremo e odiadas antes da cama, e rainha após a luxuria, eternas e passageiras, mas todas com o maior conceito que possa ter esse ser. A você mulher do sorriso fácil e do choro comovente, das lagrimas falsas, que causaram calor e dor, mas que no dia a dia me fizeram tão bem que não consegui esquecer nenhuma de vocês.
(Saul Beleza)
*Hoje a minha maior disputa será eu versus eu, e em meus versos, só serei eu versus eu, eu criança versus eu adulto, eu longe de ti versus eu, assim me vejo versando sem lembrar do eu versus eu, até que!*
(Saul Beleza)
