So o Tempo pode Entender um grande Amor
Ela me ensinou a inutilidade de desejar um passado diferente e a futilidade de me preocupar com todos os futuros assustadores sobre os quais eu não tinha controle.
"O tempo… o tempo é algo indefinível. Um ano. Um dia. Um minuto. Não são medidas, pois, uniformes"
(trecho de "Parece Dezembro: romance inspirado nos versos de Chico Buarque")
Talvez eu não seja desse tempo, um viajante intergalático parado na estação retro do metro*. Mas aqui é tão bom, apesar dos conflitos constantes não sei se gostaria de seguir adiante*. Construo pontes mas não castelos, cada dia é uma fase deste caminho na estação, onde eu torço para o metrô se atrasar e eu não embarcar.
Tudo tem princípio, meio e fim. Um tempo determinado para acontecer, mas não há homem capaz de conter o tempo.
Hefesto
Um dia inteiro
para
em queda livre
beijar o solo.
No tempo mitológico
o dia é a vida.
Os filhos que ficam
grudados na mãe
passam toda a vida
caindo.
Todo ontem tem perspectivas menores,
Todo hoje tem um renovo de esperança,
Todo amanhã tem mudanças in_esperadas.
Eu, o universo, o tempo, a matéria e energia somos todos irmãos. Temos um mesmo pai. O tempo passa, o universo se expande, a matéria e a energia separadas por um sinal de igualdade, e aqui estou eu imprimindo cores no que é negro tentando descobrir os seus segredos.
Mas, na eternidade, como vês, não há tempo; a eternidade não é mais que um momento, cuja duração não vai além de um gracejo.
Título: SINGULARIDADE
Tique-taque, tique-taque, tique-taque
O tempo flui inexorável
Como um rio que deságua no mar
Deixando para trás a nossa sina
De meros mortais que não se eternizam
O que fizemos de nossas vidas?
Talvez não sejamos semideuses,
Mas temos o dom da escolha
E o livre arbítrio de trilhar
Os caminhos que nos parecem certos
Porém, muitas vezes nos perdemos
Em vãs ilusões e trivialidades
O caminho do achismo não é remédio
Eles nos roubam o precioso tempo
E nos levam à mediocridade
O que nos dará verdadeiro valor?
Será o ouro que brilha na riqueza?
Ou a sabedoria que brota do aprendizado?
Talvez seja a felicidade que se encontra
Nas pequenas coisas que nos parecem singelas
É preciso despertar para a vida
O tique-taque do tempo não vai parar
Precisamos viver intensamente os momentos
Pois o tempo é uma dádiva escassa
E não se pode desperdiçar
Em um dia chuvoso, tomei refúgio no único bar aberto da cidade,
Lá encontrei um velhinho sentado que sozinho estava bebendo,
Me convidou para sentar em sua mesa, dividindo comigo um copo de sua cerveja,
Dizendo que havia uma história para me contar.
Tudo começou em meados dos séculos passados, época dos românticos apaixonados,
Das invenções e criações.
Havia um garoto que trabalhava em uma fábrica,
todo dia ele tinha que girar um parafuso, em uma esteira sem fim, vem um vem dois vem três parafusos a cada segundo,
Parece louco ou talvez um pouco confuso,
mas tudo que esse menino sabia era apertar um simples parafuso.
No meio de toda essa confusão, havia uma garota, a filha do patrão,
Ela vinha com uma jarra cheia de água, para ajudar todos a quem necessitava,
Ele nem sequer tinha sede, mas pedia um copo cheio de água,
Só para ver ela sorrindo enquanto a água no copo derramava,
Ela tinha um sorisso lindo que o deixava todo perdido ou quem sabe apaixonado,
Mas quem ligaria para um mero funcionário?
A garota seguiu a linha de produção e o menino voltou ao seu trabalho,
apertando os parafusos com um simples sorriso,
o patrão passou e disse:
"Que bom que está gostando, amanhã você tem mais serviço!".
Todos os dias pareciam iguais,
As máquinas ligavam,
A sirene soava,
A esteira andava,
Os parafusos apertava,
A filha do patrão passava,
Ela sorria e ele se perdia.
Até que um dia estranho tudo mudou,
A máquina não ligou,
A sirene nao soou,
A esteira não andou,
Estava sozinho sem entender nada,
ele entrou na fábrica errada?
O garoto deslocou-se até os interruptores e ligou a energia,
As máquinas fizeram um barulho e a esteira começou girar e os parafusos aparecer,
Aproveitando-se daquele estranho momento para então buscar conhecimento,
Resolveu seguir a linha de produção.
Passou pelo primeiro setor a qual ele já conhecia e adentrou no segundo setor,
A esteira estava mais rápida e carregada,
Sem nenhum tipo de ajuda ou manual,
o menino tentou montar aquele estranho objeto ao lado dos parafusos,
Apertou ali, girou lá, puxou aqui,
depois de muitas tentativas fracassadas, o objeto encaixou e o garoto sorriu, pois ele finalmente conseguiu!
Soltou o objeto estranho na esteira e prosseguiu para o próximo setor determinado a chegar no final.
No terceiro setor a esteira estava muito devagar, quase parando, lá estava seu objeto lentamente chegando.
Não havia nada para montar ali,
Apenas a esteira indo cuidadosamente devagar à um tonel enorme escrito "Lixo".
Resolveu seguir para o quarto setor,
E para sua surpresa?
Era exatamente igual ao primeiro.
Tão igual que tinha vários armários no canto meio empoeirados,
Em um deles havia seu nome.
O garoto deu a volta na fabrica,
Só então percebeu que de garoto ele não tinha nada.
Olhou no espelho e não se reconheceu,
Barba branca, cabelo grisalho e uma bengala em sua mão direita,
Se perguntava quando foi que ela apareceu ali.
O garoto demorou a vida toda para chegar ao fim da fábrica, para só então perceber que gastou todo seu tempo fazendo absolutamente nada.
Então eu perguntei ao velho,
" E a filha do patrão onde está?"
O velho com um sorriso respondeu,
" Essa não é uma história de amor,
E sim de um cara que acordou para a vida quando já não lhe havia mais tempo nela".
O copo por fim estava vazio,
Junto com a chuva que havia cessado,
Me levantei e agradeci a cerveja ao velho grisalho,
"Obrigado, mas vou voltar ao meu trabalho".
O mesmo despediu-se com um sorriso triste em seu rosto surrado,
Pois via a si mesmo cometendo os mesmos erros do passado.
Aquele que não resolve os problemas, com certa brevidade ou fica protelando. Paga um preço muito alto.
Eu já vi sua foto mais que eu me vi hoje
E o pior é que eu não enjoo
Te conheço há um tempo e não é de hoje
E o pior é que eu não enjoo
Viver é um equilíbrio sutil entre a imaturidade persistente e a necessidade de amadurecer. O dilema da imaturidade não se resume unicamente ao comportamento inadequado, mas sim na persistência infrutífera em manter tal atitude ao longo do tempo, pois seria como evitar as flores que só desabrocham quando maduras.
Entre Adeus e Esperança
Nosso encontro súbito, sem aviso algum,
Mexeu comigo, um sentimento incomum.
Ser apenas amigo não é o que desejo,
Nunca me viste só, nunca ouviste meu pranto aceso.
Às vezes, a distância nos causa aflição,
Por que não vir até mim, trazer meu coração?
Sozinho, me vi em um abismo de dor,
Tentei chamar-te, mas parecia em vão.
É cedo ou tarde, não sabemos dizer,
Se é para dizer adeus ou jamais acontecer.
As lágrimas internas, o desejo reprimido,
No limiar do tempo, nosso destino decidido.
Já estive tão só, busquei o teu olhar,
Mas as palavras não vieram, só o silêncio a pairar.
É cedo ou tarde, essa incerteza que nos desfaz,
Adeus ou jamais? O tempo nos dirá em paz.
É cedo ou tarde, um dilema a enfrentar,
Entre dizer adeus ou a esperança abraçar.
O relógio avança, e o futuro é um véu,
É cedo ou tarde demais, só o tempo é fiel.
A vida é um pedaço minúsculo do tempo que temos para buscar a evolução espiritual e, assim sendo, merecer vestes de luz.
