So Nao Muda de Ideias que Nao as tem

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⁠Desde que a CBF passou a pensar com os pés, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a alma, nem a cabeça.


E isso é tão provocativo quanto uma bicuda do meio de campo, mas toda provocação nasce da inquietação diante de uma realidade que insiste em se repetir.


O futebol brasileiro, que durante décadas encantou o mundo pela criatividade, pela inteligência e pela irreverência, parece ter trocado a ousadia pela burocracia, a inspiração pela previsibilidade e a identidade pela conveniência.


O futebol nunca foi só um mero esporte para o Brasil.


Sempre foi uma manifestação cultural, uma linguagem natural.


Cada drible era um ato de liberdade, cada passe revelava inteligência, cada gol carregava a alegria e a esperança de um povo que transformava dificuldades em espetáculo.


Mas, em algum momento, essa essência começou a flertar com agendas ocultas pelos corredores do poder.


Quando quem dirige o futebol demonstra falta de visão, planejamento e compromisso com um projeto de longo prazo, essa pobreza de ideias inevitavelmente chega ao gramado.


Jogadores passam a executar mais do que criar, obedecer mais do que interpretar o jogo.


O improviso deixa de ser virtude para se tornar risco, e o medo de errar sufoca a coragem de tentar.


Os pés, antes instrumentos da genialidade, tornaram-se mecânicos.


A cabeça, que fazia do improviso uma estratégia, passou a seguir fórmulas prontas.


E a alma — aquela chama que transformava partidas comuns em momentos inesquecíveis — parece ter sido deixada para trás, substituída por um futebol eficiente apenas na aparência, mas incapaz de emocionar.


Não faltam talentos ao Brasil.


O que falta é uma direção capaz de compreender que o futebol não se resume a números, esquemas táticos ou interesses meramente políticos.


Grandes jogadores precisam de um ambiente que estimule a inteligência, preserve a criatividade e respeite a personalidade de quem entra em campo.


Afinal, o futebol sempre exigiu pés habilidosos, mas jamais dispensou uma cabeça pensante e uma alma apaixonada.


Perder faz parte do jogo.


O que não pode fazer parte da nossa história é perder a identidade.


Porque títulos podem voltar, como tantas vezes voltaram.


O que será muito mais difícil recuperar é aquilo que fez o mundo olhar para o futebol brasileiro com admiração: a capacidade de jogar com alegria, pensar com inteligência e competir com coragem.


Enquanto a gestão continuar tropeçando nas próprias escolhas, continuaremos produzindo um grande paradoxo: um país que revela alguns dos maiores talentos do planeta, mas que insiste em desperdiçá-los por falta de direção.


E talvez seja esse o retrato mais triste do nosso futebol: não a ausência de craques, mas a escassez de ideias.


Porque, no fim das contas, quando quem deveria pensar passa a fazê-lo com os pés, sobra aos que jogam apenas correr.


E um futebol que deixa de usar os pés com arte, a cabeça com inteligência e a alma com paixão pode até vencer de vez em quando, mas jamais voltará a nos encantar como antes.

⁠⁠Talvez não haja Dor que supere a de beijar a Testa Gelada do nosso Grande Amor num caixão.


Há despedidas que não encontram palavras suficientes.


O silêncio pesa muito mais do que qualquer discurso, e o coração tenta aceitar aquilo que a alma insiste em negar.


Nesse instante, compreendemos que o verdadeiro amor não se mede apenas pelos dias felizes, mas pela imensidão da saudade que fica quando a presença vira memória.


Quem ama de verdade, nunca está preparado para dizer adeus.


Restam as lembranças dos sorrisos compartilhados, das mãos entrelaçadas, dos sonhos construídos e da gratidão por cada momento (com)partilhado.


A morte pode até interromper uma história nesta terra, mas jamais poderá apagar um amor que marcou uma vida inteira.


Hoje, entre lágrimas, medos e saudade, só consigo dizer:


Vá em paz, amor da minha vida, Célia Maria!


E, mesmo com o coração dilacerado, elevo meus olhos aos céus e agradeço:


Gratidão, Pai Eterno, Pai Amado, por ter me emprestado a mulher da minha vida por mais de três décadas.


Que eu tenha forças e hombridade para honrar tudo o que vivemos, e para carregar comigo o legado de amor que ela deixou.


Talvez uma das maiores provas de que o amor existe seja exatamente a tamanha intensidade da dor da despedida.


E, talvez, não haja dor que supere a de beijar a testa gelada da pessoa mais amada da sua vida num caixão.




Vá em Paz, amor da minha vida!

⁠Eu, um estudioso nato do comportamento humano, não posso nem quero ajudar ninguém a relativizar a reação de alguém.


Toda ação ou reação tem uma história…


Antes de ser julgada como exagerada, desproporcional ou irracional, ela foi construída por experiências, memórias, dores, expectativas e limites que, muitas vezes, são invisíveis para quem observa das arquibancadas.


Vivemos em uma cultura que insiste em ensinar as pessoas a suportarem mais, sentirem menos e questionarem até a própria percepção.


Quantas vezes alguém procura ajuda e, em vez de acolhimento, recebe argumentos para convencer-se de que “não foi bem assim”, “você está levando para o lado pessoal” ou “a outra pessoa não teve essa intenção”?


Embora a intenção tenha seu lugar, ela nunca apaga o impacto.


E de bem-intencionados, convenhamos, o inferno está abarrotado.


Estudar o comportamento humano, mais de perto, me ensinou que compreender não é o mesmo que justificar.


Explicar por que alguém agiu de determinada forma pode ampliar a consciência, mas jamais deve servir para invalidar a experiência emocional de quem foi afetado.


Quando transformamos toda uma dor em um exercício de relativização, corremos o risco de silenciar quem mais precisava ser ouvido.


Não quero nem posso ensinar pessoas a duvidarem daquilo que sentiram.


Quero ajudá-las a reconhecerem suas emoções, entenderem seus gatilhos, ampliarem seus recursos internos e responderem à vida com mais consciência — não com menos verdade.


A maturidade emocional não consiste em deixar de sentir ou em minimizar o que aconteceu.


Ela nasce quando somos capazes de validar a própria experiência, compreender o contexto e, a partir daí, escolher como agir.


Isso é muito diferente de fingir que nada aconteceu só para preservar o conforto de quem nos causou desconforto.


Se existe uma responsabilidade em quem estuda o comportamento humano, ela não é a de anestesiar emoções, mas a de promover discernimento.


Acolher antes de interpretar.


Escutar antes de explicar.


E lembrar que, por trás de cada reação, existe uma necessidade, um valor ou um limite tentando ser comunicado.


Porque ninguém cresce sendo convencido de que sente de menos ou demais.


As pessoas crescem quando descobrem que podem sentir com honestidade e, ainda assim, agir com maturidade.

⁠São nos momentos em que não conseguimos revidar nem carinhos, que mais precisamos deles.


Há dias em que o peso da vida nos rouba a leveza.


Dias em que o silêncio substitui as palavras, o cansaço vence a disposição e até um gesto simples de afeto parece impossível de ser devolvido.


É justamente nesses momentos que costumamos ser mal interpretados.


Vivemos em uma cultura que espera reciprocidade imediata.


Se alguém sorri, espera um sorriso de volta.


Se abraça, espera ser abraçado.


Se demonstra amor, espera que o amor seja retribuído na mesma intensidade.


Mas a verdade é que nem sempre a ausência de resposta é ausência de sentimento.


Muitas vezes, ela é apenas o reflexo de uma alma exausta.


Quem está ferido nem sempre consegue acolher.


Quem está sobrecarregado nem sempre consegue demonstrar gratidão.


Quem luta batalhas invisíveis pode parecer frio, distante ou indiferente, quando, na realidade, está apenas tentando sobreviver.


É um paradoxo da condição humana: justamente quando mais precisamos de compreensão, paciência e carinho, é quando menos conseguimos oferecê-los de volta.


E é aí que o afeto deixa de ser uma troca para se tornar uma escolha.


Amar alguém apenas quando ele consegue corresponder é relativamente fácil.


Difícil — e profundamente humano — é permanecer presente quando o outro não tem forças nem para retribuir.


É compreender que existem fases em que o amor precisa ser sustentação, não recompensa.


Isso não significa aceitar relações desequilibradas para sempre, nem justificar toda ausência de cuidado.


Significa apenas reconhecer que há momentos em que a melhor forma de amar é enxergar além do comportamento, percebendo a dor que muitas vezes se esconde atrás dele.


Talvez a maior prova de maturidade emocional seja essa: entender que algumas pessoas não estão nos negando carinho; elas apenas perderam, por um tempo, a capacidade de demonstrá-lo.


E, às vezes, um gesto de afeto oferecido sem a exigência de retorno é exatamente o que permite que alguém reencontre o caminho de volta para si mesmo.

⁠Diante da maioria esmagadora de um povo acostumado a confundir politicagem com política, não dá para tentar se eleger sem falar mal do adversário.


Essa constatação incomoda porque toca em uma realidade que parece ter se tornado regra em muitos processos eleitorais, quiçá os gerais.


Em vez da disputa de ideias, assistimos à disputa de narrativas.


Em vez da apresentação de projetos, predominam acusações, ataques e a tentativa de desconstruir a imagem do outro.


Mas será que esse cenário existe apenas porque os candidatos o retroalimentam?


Ou ele persiste porque uma parcela significativa do eleitorado aprendeu a consumir a política como um espetáculo de torcidas?


Quando a crítica ao adversário rende mais atenção do que uma boa proposta, o incentivo para o debate qualificado desaparece.


Confundir política com politicagem é reduzir uma das mais importantes ferramentas de transformação social a um jogo de interesses pessoais e disputas de poder.


Política é construção coletiva, diálogo, negociação e responsabilidade com o bem comum.


Politicagem é o uso da política para interesses particulares, para a manipulação das emoções e para a conquista do poder a qualquer custo.


Enquanto a sociedade continuar premiando o discurso mais agressivo em detrimento da proposta mais consistente, muitos candidatos acreditarão que o caminho mais curto para conquistar votos é explorar os defeitos do adversário em vez de evidenciar as próprias qualidades.


Talvez a mudança não comece nos palanques, mas nas urnas.


O nível da política costuma refletir, em grande medida, o nível de exigência do eleitor.


Quando cobrarmos mais conteúdo do que confronto, mais projetos do que provocações e mais compromisso do que marketing, a política poderá voltar a ocupar o lugar que nunca deveria ter perdido: o de instrumento para servir à sociedade, e não para dividir pessoas.

⁠O mais trágico não é ser insensível, é acreditar que todos ao redor
também são.


A insensibilidade, por si só, já empobrece as relações humanas.


Ela nos torna menos atentos à dor, às necessidades e às alegrias de quem compartilha o caminho conosco.


Mas existe algo ainda mais perigoso: transformar a própria frieza em uma régua para medir o coração de todos os outros.


Quando alguém acredita que ninguém se importa, passa a agir como se a empatia fosse uma ilusão.


Desconfia dos gestos de bondade, interpreta o silêncio como indiferença e a gentileza como interesse.


Aos poucos, deixa de enxergar pessoas e passa a enxergar apenas intenções ocultas.


O mundo certamente abriga egoísmo, vaidade e indiferença.


No entanto, também está repleto de gente que ajuda sem esperar reconhecimento, que sofre com a dor alheia, que estende a mão quando ninguém está olhando.


Essas pessoas existem, mas se tornam invisíveis para quem já decidiu que todo coração bate no mesmo ritmo da própria insensibilidade.


Projetamos nos outros aquilo que carregamos dentro de nós.


Quem cultiva compaixão costuma perceber mais humanidade ao seu redor.


Quem alimenta apenas o cinismo acaba encontrando razões para confirmá-lo em toda parte.


Talvez a maior demonstração de maturidade seja compreender que as nossas limitações não definem a natureza humana.


O mundo não é um espelho perfeito de quem somos.


E, felizmente, ainda existem pessoas capazes de sentir o que muitos insistem em negar: que a empatia continua sendo uma das forças mais transformadoras da vida.

⁠Se eu não tivesse cerrado meus ouvidos aos que não se atreveram a ir além das arquibancadas, talvez não tivesse sido exitoso na arena.


Existe um tipo de crítica que nasce da experiência, da boa intenção e do desejo sincero de contribuir.


Essa merece ser ouvida!?!


Mas há outra, muito mais comum, que vem daqueles que nunca aceitaram o desafio de entrar em campo.


Pessoas que observam de longe, analisam sem riscos e julgam sem se importar com consequências.


É confortável opinar quando não se carrega o peso da decisão.


Quem está na arena conhece o preço de cada tentativa.


Sabe que a vitória não elimina o medo, apenas demonstra que ele não foi suficiente para impedir o passo seguinte.


Também sabe que o fracasso não é um certificado de incompetência, mas uma possibilidade inevitável para quem escolheu agir em vez de apenas bisbilhotar.


Muitas oportunidades são desperdiçadas porque damos às vozes da arquibancada a mesma autoridade de quem (com)partilha o combate.


Permitimos que o ceticismo alheio se transforme em limite pessoal.


Esquecemos que quem nunca enfrentou a batalha dificilmente compreenderá o valor das cicatrizes.


Silenciar certas opiniões não é arrogância; é discernimento.


Nem toda voz merece ocupar espaço na nossa consciência.


Há momentos em que proteger a própria convicção é uma necessidade, não um capricho.


O êxito muito raramente pertence a quem agradou a plateia.


Geralmente pertence a quem suportou as vaias, ignorou os palpites vazios e permaneceu concentrado no propósito.


Porque, no fim das contas, a arena recompensa a coragem de quem entra para lutar, não a eloquência de quem escolheu permanecer sentado na zona confortável das arquibancadas.

⁠Está para
existir coisa mais Chata que pessoas que não sabem ouvir
“Não”.


Porque, convenhamos, um “Não” deveria ser uma resposta completa.


Não precisa de justificativa, de debate, de insistência ou de uma segunda rodada de argumentos.


Tem gente que parece ouvir o “Não” como quem recebe um desafio.


Em vez de respeitar, tenta convencer.


Em vez de aceitar, questiona.


Em vez de compreender, insiste.


E, quando percebe que não vai conseguir o “Sim” que queria, ainda transforma a sua recusa em um problema.


Mas talvez o que incomode não seja exatamente o “Não”.


Talvez seja a incapacidade de algumas pessoas de aceitar que o outro tem limites, vontades e escolhas que não estão sob seu controle.


Aprender a ouvir “Não” também é uma forma de maturidade, sobretudo emocional.


É entender que ninguém nos deve acesso, atenção, companhia, explicações ou disponibilidade só porque desejamos isso.


É compreender que o outro pode simplesmente não querer — e isso deveria bastar.


E existe uma diferença enorme entre insistir por Carinho e insistir por Desrespeito.


A primeira pode nascer da esperança; a segunda nasce da dificuldade de aceitar que a vontade do outro também importa.


No fim, saber ouvir um “Não” é saber respeitar pessoas.


E, talvez, uma das formas mais bonitas de demonstrar consideração por alguém seja justamente não tentar transformar o seu limite em uma negociação.


Porque “Não” não é provocação.


É limite.

⁠Talvez
os únicos que realmente dominam todas as línguas sejam os mudos.


Não porque conheçam cada idioma, mas porque aprenderam aquilo que os falantes frequentemente esquecem: o silêncio também comunica — e, às vezes, comunica com uma precisão que nenhuma palavra alcança.


Há silêncios que acolhem, outros que denunciam.


Há os que pedem desculpas sem pronunciar uma só palavra, e há os que gritam uma revolta inteira sem emitir um único som.


Um olhar pode atravessar fronteiras que um discurso jamais conseguiria cruzar; um gesto pode ser traduzido em qualquer parte do mundo.


Talvez o problema de quem fala demais seja justamente acreditar que linguagem é apenas aquilo que sai da boca.


Confundimos eloquência com volume, inteligência com quantidade de argumentos e verdade com a capacidade de vencer uma discussão.


Os mudos, nesse sentido, talvez sejam os poliglotas mais completos: não precisam dominar palavras estrangeiras para serem compreendidos.


Conhecem a gramática universal do olhar, do gesto, da presença e até da ausência.


Sabem que existem coisas que, quando ditas, diminuem; e outras que, quando caladas, revelam.


No fim, talvez dominar todas as línguas seja descobrir que nenhuma é suficiente.


E que há momentos em que o silêncio não é falta de voz, mas o idioma mais difícil de aprender.

⁠Talvez, se eu não tivesse cerrado meus ouvidos para as Arquibancadas, a Arena tivesse me Sucumbido.


Há momentos em que sobreviver exige uma espécie de surdez voluntária.


Não porque toda voz externa seja inútil, mas porque, quando estamos no centro da arena, há sempre quem torça pela nossa queda, quem exija espetáculo, quem confunda coragem com imprudência e quem, protegido pela distância, tenha certeza de como deveríamos lutar.


Às vezes, as arquibancadas são muito barulhentas.


Julgam sem carregar o peso da espada, aconselham sem sentir o golpe e comemoram tanto a vitória quanto a derrota — desde que o espetáculo continue.


Aprendi, então, que nem toda voz merece chegar até nós.


Algumas palavras esclarecem; outras apenas confundem.


Algumas críticas nos aperfeiçoam; outras pretendem apenas nos diminuir.


E há aquelas que parecem preocupação, mas são somente a expectativa de assistir ao nosso fracasso de um lugar confortável.


Cerrar os ouvidos, nesse sentido, não foi covardia.


Foi preservar dentro de mim um espaço onde ainda fosse possível ouvir a própria consciência.


Porque a arena não destrói apenas quem perde.


Às vezes, ela sucumbe quem passa tempo demais tentando corresponder aos gritos das arquibancadas.


No fim, talvez maturidade seja justamente isso: saber quando escutar, saber quando responder e, sobretudo, saber quando permanecer em silêncio — não por falta de argumentos, mas porque algumas batalhas terminam no instante em que deixamos de lutar para convencer quem já decidiu o que quer enxergar.


E talvez eu só tenha conseguido atravessar a arena porque, em algum momento, compreendi que o que gira em torno da minha vida não precisava ser um espetáculo para ninguém.

⁠Não há
assuntos tão espinhosos que não possam ser debatidos;
há pessoas difíceis.


O problema, muitas vezes, não está na delicadeza do tema, mas na incapacidade de algumas pessoas de conviver com aquilo que contraria suas certezas.


Há assuntos que exigem cuidado, maturidade e até coragem para serem colocados à mesa.


Mas nenhum deles se torna realmente impossível enquanto houver disposição para ouvir, argumentar e reconhecer que o outro também pode ter razões.


O que torna uma conversa árdua não é necessariamente a controvérsia.


É o orgulho de quem transforma opinião em identidade, discordância em ofensa e questionamento em ameaça.


Para essas pessoas, debater não significa buscar entendimento; significa vencer.


E, quando a vitória se torna mais importante que a verdade, qualquer diálogo degenera em disputa.


Há quem confunda firmeza com intransigência e liberdade de expressão com licença para não escutar.


Há também quem só aceite o diálogo quando o resultado já está previamente decidido.


Nesse ambiente, até a pergunta mais honesta pode ser recebida como provocação, e a ponderação mais cuidadosa, como afronta.


Talvez por isso seja tão importante distinguir um assunto difícil de uma pessoa difícil.


O primeiro pode ser enfrentado com argumentos, conhecimento e serenidade.


A segunda exige limites.


Porque diálogo é uma via de mão dupla: pressupõe que ambos estejam dispostos não apenas a falar, mas também a serem afetados pelo que ouvem.


Não precisamos concordar para conversar.


Nem precisamos gostar da opinião alheia para respeitá-la.


E não precisamos transformar toda divergência em uma batalha moral.


Algumas conversas, quando terminam, não produzem consenso — produzem compreensão.


E isso já é o bastante.


Afinal, assuntos espinhosos podem ser desarmados pela inteligência e pela boa-fé.


Pessoas difíceis, porém, às vezes só se tornam possíveis quando aprendemos a não permitir que a dificuldade delas determine a qualidade da nossa própria postura.

⁠O
Brasil
carece
de
Homens
Incomerciáveis.


Homens que não tenham preço — não porque sejam moralmente perfeitos, mas porque tenham descoberto que há coisas que não se vendem.


A consciência, por exemplo.


A palavra empenhada.


A dignidade de dizer não quando todos ao redor já descobriram quanto custa um sim.


Vivemos tempos sombrios em que quase tudo parece negociável.


Convicções mudam conforme o vento, princípios ganham cláusulas, lealdades têm prazo de validade e a verdade, não raro, é tratada como mercadoria: vale mais quando convém e menos quando contraria interesses.


É nesse ambiente que o Homem Incomerciável se torna uma espécie muito rara — e, por isso mesmo, muito incômoda.


Ele não precisa ser um herói…


Basta não aceitar a lógica segundo a qual quase toda posição tem um preço e quase toda consciência pode ser alugada.


Nem trocar sua independência por aplausos, sua coragem por cargos, sua honestidade por vantagens ou seu silêncio por conveniências.


O Homem Incomerciável sabe que poder nenhum é suficientemente grande para comprar aquilo que ele considera inegociável.


E talvez seja justamente por isso que ele incomode tanto: porque sua existência desmente a famigerada ideia de que todos têm preço, que todos podem ser comprados, seduzidos, constrangidos ou domesticados.


Um país não se degrada apenas quando seus governantes erram.


Degrada-se também — e muito — quando seus cidadãos aprendem a negociar aquilo que deveriam defender.


Quando a indignação passa a depender de quem pratica o abuso.


Quando a moral se torna seletiva.


Quando a coragem desaparece justamente no instante em que ela deixa de ser conveniente.


O Brasil não precisa apenas de homens que saibam vencer disputas.


Precisa de homens que saibam perder sem se vender.


Porque há derrotas honrosas e vitórias miseráveis.


Há posições que custam caro demais para serem ocupadas e silêncios que custam caro demais para serem mantidos.


No fim, talvez a verdadeira liberdade comece aí: no momento em que alguém descobre que pode perder quase tudo sem precisar perder a si mesmo.


É desse tipo de Homem que o Brasil carece.


Homens que tenham preço para quase tudo — menos para a própria consciência.

⁠Não
fique querendo dar conta de tudo, a ponto de não dar conta de você.


Há uma hora em que a gente precisa entender que ser forte também é saber parar.


Que responsabilidade não pode significar abandono de si mesmo.


E que não existe vitória em conseguir sustentar o mundo inteiro enquanto, por dentro, você desaba em silêncio.


A gente se acostuma a dizer “eu dou conta”, mesmo quando o corpo pede descanso, a mente pede silêncio e o coração pede colo.


Vai acumulando tarefas, problemas, expectativas e responsabilidades, como se admitir cansaço fosse sinal de fraqueza.


Mas definitivamente não é.


Você não precisa estar disponível o tempo todo.


Não precisa resolver tudo.


Nem precisa carregar sozinho aquilo que poderia ser dividido.


E, principalmente, não precisa se colocar sempre por último para provar que se importa com os outros.


Porque também é preciso cuidar de quem cuida.


Escutar quem sempre escuta.


Abraçar quem vive abraçando.


Perguntar “como você está?” para aquela pessoa que costuma responder “está tudo bem” antes mesmo de alguém perguntar.


Às vezes, a vida não está pedindo que você faça mais…


Está pedindo que você respire, desacelere e perceba que, enquanto tentava dar conta de tudo, talvez estivesse deixando de dar conta justamente daquilo que mais importa: você.


Então, se hoje estiver pesado demais, permita-se diminuir o ritmo.


Peça ajuda.


Diga não.


Descanse sem culpa.


Recomece quando puder.


Porque você não nasceu para ser uma máquina de resolver problemas.


Você também merece ser cuidado.


Se cuida!

⁠Certamente
o Papa Leão XIV não é o que todos queriam, mas pode ser o que a Igreja precisava.

Uma parcela assustadora de pessoas que se rotulam cristãs, em vez de se adequarem à igreja, insiste em querer adequá-la a elas.

São os seletivos defensores da liberdade de expressão e religiosa, pois só defendem a liberdade dos que pensam, endossam ou replicam o que eles pensam.

Querem um Papa, mas que atenda aos seus caprichos, não ao propósito da igreja.

Se rotulam conservadores, quando, na verdade, não passam de intolerantes.

Já era esperado que o produto mais extremista da polarização assim reagisse…

Não à toa rascunharam e ensaiaram narrativas e teorias conspiratórias.

Na primeira oportunidade, acusarão a igreja de racismo por não escolher o tão desejado e favorito cardeal conservador negro…

Depois tumultuarão o Vaticano…

Tentarão desacreditar a chaminé da Capela Sistina…

Irão para as portas das paróquias, santuários e basílicas pedir revisão da fumaça, código-fonte e voto impresso…

Vão orar para castiçais…

Depois vão depredar a Basílica de São Pedro.

Sem se esquecerem de passar batom no Sacrário…

Feito isso, criarão narrativas para pedir indulgências plenárias para os supostos inocentes, a pretexto velado de salvarem a própria pele.

E por aí vai…

E viva o “conservadorismo”!


Não faço a mais vaga ideia de onde surgiu a romantização da Desculpa e do Perdão.

E, sim, nessa ordem!

Na Bíblia, não foi!?!

Lá não se romantiza absolutamente quase nada, embora haja — aos borbotões — os que insistem em fazê-lo.

Desculpa e Perdão, embora tão caprichosamente confundidos, diferem um do outro pela razoabilidade e profundidade.

O primeiro, muitas vezes, tenta se legitimar na justificativa, enquanto o segundo se alicerça no reconhecimento da culpa e no arrependimento.

O primeiro alimenta a falsa ideia da amenização dos conflitos; o segundo requer o real desprendimento da podridão do lixo da alma.

Ambos coexistem e muito caprichosamente se confundem!

Nem todos que pedem desculpa pedem perdão, e nem todos que desculpam, de fato, perdoam.

Quer seja por opção ou conveniência, a moda do momento é ofender, já com o pedido de desculpas ao alcance das mãos.

É um olho no pecado e o outro no perdão!

Num dia, fala-se um monte de asneiras; noutro, diz-se mal interpretado…

Num dia, agride; noutro, pede desculpas.

Tomara que dois tapas na cara e um soco no estômago não virem moda.

"A decadência sempre esteve no espírito de quem fala muito
e não diz nada, no que canta futilidades e é celebrado na sociedade."

"Esperando o tempo passar para não chegar a lugar algum.
Que inferno, estagnado na própria história.
Enterrado na cultura podre que me engole
sacrificado nas canções miseráveis e fúteis de adultos pueris.
No caixão da sociedade que se orgulha de ser porca, pobre e infeliz."

"Quando não conseguir tocar o céu.
Quando da sua mente cair o véu
Quando não houver luz no fim do túnel.
Quando a ignorância tomar conta do mundo."

"Andei pelas ruas tentando não pensar em você
Estava tudo vazio, num domingo, e eu queria tanto te ver
e os minutos nunca passavam das horas.
O tempo parou com sua face soprando na minha alma a sua memória."

"Me libertem, eu quero agora a liberdade
Não vou deixar para mais tarde
Não vou mais celebrar a ignorância da sociedade"