So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Um Estado de Direito não se mede pela quantidade de leis que possui, mas pela quantidade de poder que consegue conter.
Cristão não se desculpa por qualquer coisa: ele corrige suas falhas, pede perdão e age como padrão dos fiéis.
Todo regime autoritário deseja uma Justiça que saiba interpretar a lei, mas não saiba interpretá-lo.
A primeira vítima de um Direito subordinado ao poder não é a liberdade: é a confiança na própria ideia de justiça.
São tantos questionamentos... É a minha natureza. Inúmeros conceitos humanos não fazem tanto sentido assim. O mundo é infinitamente mais do que a nossa vida passageira. Gostamos de definir, nomear acontecimentos, forças que já existe. Não estou menosprezando a humanidade, apenas cito o quanto somos frágeis e fugidios. E isso, de certa forma, é como uma poesia.
Acho que não fomos feitos para a compreensão mais vasta das coisas; fomos, ao contrário, moldados para algum fim que desconheço. E para ser sincero, nem teria capacidade de entender. Aí para evitar o desequilíbrio mental, acabo me satisfazendo com bem pouco, mas é o que suporto refletir.
Não desisti de tudo. Nem deixei para trás meu sonho. Apenas, dei uma pausa para fazer o que era necessário.
Sempre fui otimista e sonhadora. O que não aconteceu foi porque não era para acontecer e o que aconteceu foi o que a vida me deu de presente, e eu aceitei.
Refúgio nas Linhas
Eu poderia me declarar, mas o medo de ser rejeitada me faz recuar. Não nasci para o desprezo – nasci para ser aceita, amada e adorada. São as minhas exigências como mulher. Trago em mim a convicção de que a mulher nasceu para ser amada, admirada e idolatrada. É a minha essência: romântica, inteira e sonhadora. Prefiro recolher-me em mim mesma do que receber um “não” ou um “talvez” sem coragem. Há dentro de mim um lugar sagrado, reservado ao amor e o amor, quando chega, precisa ser inteiro.
Eu poderia ligar, mandar mensagens, áudios – qualquer outra coisa revelando o que sinto. Poderia fazer surpresas, enviar músicas que tocam meu coração e minha alma, músicas que talvez tocassem a dele também. Eu poderia escrever uma carta manuscrita. Cartas a próprio punho são tão românticas –revelam a presença íntima de quem escreve, o perfume do papel, o calor das mãos que desenharam palavras amorosas. É como se o coração encontrasse refúgio nas linhas.
Há tantas formas de se declarar. No amor são infinitas as possiblidades. Eu saberia como fazê-lo, mas e se...e se desse errado? E se ele apenas achasse graça da minha declaração? E se não entendesse minha intenção? E se não sentisse o mesmo que eu? Esses “e se” ficam pipocando na minha cabeça e não me deixam seguir adiante. Deixam-me em polvorosa, só de imaginar-me tentando me declarar – e recebendo um “não” como resposta.
Preciso tratar esse meu ferimento interno. Cuidar da autoestima que, talvez, ande em baixa. Não sei responder às perguntas que me faço diariamente sobre esse medo da rejeição. Já pensei, repensei, tentei encarar o que pode ter acontecido num passado não tão distante. Tentei relembrar fatos que me deixaram assim, mas nada vem à mente. Talvez, eu precise reorganizar meu mundo interno, entender que é coisa da minha cabeça, que esse medo não existe de verdade. Talvez essa rejeição que sinto seja apenas fruto da minha imaginação. Talvez seja só isto. Talvez.
Talvez eu escreva uma carta ou mande uma mensagem me declarando. Amar é se arriscar. É colocar o coração na beira do precipício. E se ele dizer não, aceitarei, pois terei dito o que sinto – e isso, por si só, já é uma forma de liberdade.
Rita Padoin
Escritora
