So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
O sujeito da mesa ao lado bebia como quem carregava um funeral dentro do peito.
Não havia enterro algum.
Só um ego grande demais para caber na cadeira.
Batia o copo no balcão com força suficiente para avisar ao mundo que sofria. Achava que o silêncio do bar era respeito.
Não era.
Era apenas gente ocupada demais tentando sobreviver para desperdiçar atenção com a tragédia particular de um desconhecido.
Pedi outro uísque.
A garçonete nem olhou para mim.
Nem para ele.
Estava cansada.
Os pés doíam.
O aluguel venceria na segunda-feira.
Mas aquele sujeito sairia dali convencido de que a indiferença dela era mais um capítulo da sua epopeia sentimental.
As pessoas têm um talento extraordinário para transformar o universo em um espelho.
Se chove, é contra elas.
Se alguém vai embora, é por causa delas.
Se um estranho não sorri, já imaginam um julgamento.
Se a mulher demora a responder, escrevem um romance inteiro antes do café esfriar.
Nunca lhes ocorre a hipótese mais ofensiva de todas:
Talvez ninguém esteja pensando nelas.
É engraçado.
Ele acreditava ser o protagonista.
Mal conseguia um papel de figurante.
Olhei para as mãos dele.
Tremiam um pouco.
Não pelo álcool.
Pelo medo.
O medo de descobrir que sua dor era comum.
Nenhuma dor gosta de ser chamada de comum.
A cidade inteira estava cheia de homens iguais.
Sentados em bares diferentes, convencidos de que eram a obra-prima da própria desgraça.
O mundo, porém, nunca teve vocação para plateia.
Continuou girando com a indiferença impecável de quem jamais prometeu assistir ao espetáculo.
Sorri.
Não dele.
De mim.
Porque, anos antes, eu também fazia discursos silenciosos para um copo de uísque, esperando que o teto, a fumaça ou qualquer divindade escondida no mofo do bar confirmasse que o universo tinha uma implicância particular comigo.
Demorei muito para descobrir a verdade.
O universo nunca soube meu nome.
E isso, estranhamente, foi um alívio.
O pior é que aquele homem nem podia ser culpado por completo.
Nem eu.
Você não escolhe nascer.
Não escolhe quem lhe ensina o medo.
Não escolhe a primeira humilhação.
Não escolhe o cérebro que insiste em acordá-lo às três da manhã para reabrir feridas antigas.
Nem escolhe o corpo que, um dia, começa a enferrujar sem pedir licença.
Recebemos tudo isso como quem herda uma casa velha.
Telhado furado.
Canos estourados.
Paredes rachadas.
E uma conta que nunca fecha.
Depois batizamos a herança de "eu".
Como se tivesse sido construída pelas nossas próprias mãos.
Que piada.
Boa parte do que chamamos personalidade é apenas a cicatriz tentando convencer a pele de que nasceu desenho.
O homem terminou a bebida.
Vestiu o casaco.
Foi embora acreditando que aquela noite havia sido escrita especialmente para ele.
A noite não percebeu sua partida.
Nem o bar.
Nem a lua.
Nem os carros.
Apenas a cadeira vazia permaneceu onde sempre esteve, esperando outro infeliz disposto a acreditar que o mundo acompanha seus pensamentos.
Acendi um cigarro.
O gosto era horrível.
Como sempre.
Continuei fumando.
Algumas coisas não melhoram.
Você apenas se acostuma.
Foi então que compreendi por que envelhecer cansa tanto.
Não é o peso dos anos.
É o esforço ridículo de sustentar um personagem chamado "eu", quando a vida inteira está ocupada demais para aplaudir a atuação.
Ainda assim, amanhã eu acordaria.
Pagaria contas.
Escreveria alguma coisa.
Talvez amasse alguém.
Talvez errasse de novo.
Porque a única maneira decente de atravessar este desastre é cuidar da própria vida como se tudo dependesse de nós...
...e aceitar, entre um gole e outro, que quase nada depende.
O CICLO QUE NINGUÉM VÊ
Há uma folha desenhada sobre a madeira velha deste balcão. Não está realmente aqui. Está apenas na minha cabeça, entre um copo de uísque barato, a fumaça de um cigarro que insiste em sobreviver e o silêncio que os bêbados confundem com paz.
A vida inteira cabe numa folha.
Ela nasce verde, arrogante, convencida de que o vento é liberdade. Dança porque acredita que escolheu dançar. Depois aprende que era apenas o galho decidindo por ela. Mais tarde, o tempo amarela suas certezas, rouba o brilho, seca suas vaidades e, por fim, a entrega ao chão, onde ninguém mais olha.
Engraçado... fazemos exatamente o mesmo.
Neste bar há homens falando sobre carros que nunca comprarão, mulheres sorrindo para pessoas que jamais amarão e jovens planejando futuros que venderão na primeira promoção de estabilidade. Todos parecem ocupados demais para perceber que estão envelhecendo enquanto discutem banalidades.
A correnteza não faz barulho.
Ela apenas leva.
Leva os sonhos, a curiosidade, a coragem de dizer "não". Leva aquele impulso infantil de observar uma chuva, ouvir um disco inteiro, sentir o cheiro da madeira molhada ou reparar como a fumaça desenha fantasmas sob a luz amarela do teto.
As pessoas chamam isso de amadurecer.
Eu chamo de desistir.
Não falo da resistência dos heróis estampados nos livros. Essa costuma render medalhas e discursos. Falo da resistência silenciosa, quase invisível: a de não acreditar em todas as mentiras que vendem como felicidade; a de não transformar a própria existência numa fila de boletos, relógios e domingos ansiosos; a de continuar enxergando beleza numa folha caída enquanto o resto do mundo só enxerga sujeira para ser varrida.
Porque morrer não começa quando o coração para.
Começa quando deixamos de notar os detalhes.
Quando o café perde o aroma, o abraço vira protocolo, o beijo vira rotina e a janela deixa de ser uma moldura para o mundo e passa a ser apenas vidro.
Olho para o fundo do copo. O gelo já desapareceu, como desaparecem tantas coisas sem pedir licença.
A folha da fotografia teve uma vida inteira. Nasceu, brilhou, alimentou a árvore, envelheceu e caiu. Nunca fingiu ser outra coisa.
Nós, ao contrário, passamos décadas fingindo viver.
E talvez seja essa a tragédia mais elegante da espécie humana: não a morte, mas a facilidade com que entregamos nossa vida à correnteza, chamando de destino aquilo que foi apenas falta de coragem para abrir os olhos.
No fim da noite, o garçom apaga as luzes. A fumaça desaparece. O balcão continua ali, velho como sempre.
E, em algum lugar, outra folha começa a nascer.
Tomara que ela aproveite melhor o vento do que nós.
*O LUGAR ONDE A POESIA NÃO SERVIA PARA NADA*
Eu era novo na cidade e ainda não tinha escolhido um lugar para beber. Toda cidade exige isso de você. Um lugar onde entrar sozinho não pareça uma declaração de fracasso. Um balcão onde ninguém pergunte seu nome. Uma mesa onde você possa ficar olhando para o copo como se houvesse alguma resposta lá dentro.
Encontrei o pub perto de um parque.
Era pequeno. Bucólico demais para o meu gosto, mas não o suficiente para me fazer ir embora. Havia árvores antigas do lado de fora, bancos de madeira e uma iluminação amarela que fazia tudo parecer mais importante do que realmente era.
Dentro, havia estantes cheias de livros, quadros de artistas locais e alguns instrumentos musicais pendurados nas paredes. Um pequeno tablado, quase no mesmo nível do chão, servia para música, debates literários e noites de poesia.
Pedi uma bebida e sentei no canto do balcão.
Era um bom lugar para observar.
E observar é uma das poucas coisas que ainda consigo fazer sem estragar tudo.
Uma mulher subiu ao pequeno tablado.
Trazia algumas folhas na mão.
Começou a declamar.
Não era uma poesia bonita.
Ainda bem.
Falava de solidão, de perdas, de um homem que foi embora, de uma mãe que nunca soube abraçar, de noites em que o telefone não toca e de manhãs em que ninguém tem coragem de admitir que gostaria de não ter acordado.
Falava de gente.
Isso já era uma coisa bastante desagradável para algumas pessoas.
No canto próximo ao balcão havia um grupo de homens e mulheres que parecia ter escolhido aquele lugar por engano. Tinham roupas boas, relógios caros e aquele tipo de conversa que costuma começar com dinheiro e terminar em dinheiro.
Um deles riu.
Outro disse que aquilo era deprimente.
Uma mulher comentou que poesia não servia para nada.
O homem do relógio concordou.
— Poesia não paga conta.
Era uma frase perfeita.
Curta.
Prática.
Estúpida.
Eles riram.
Eu bebi.
A mulher continuou.
E, enquanto ela falava, comecei a pensar que talvez aquela fosse a pergunta errada.
Para que serve a poesia?
A pergunta parecia razoável até você perceber que existe uma doença escondida nela.
A necessidade de que tudo tenha utilidade.
Se alguma coisa não produz dinheiro, produtividade ou resultado, passa a ser considerada inútil.
Uma árvore precisa dar fruto.
Um homem precisa produzir.
Uma mulher precisa vencer.
Um filho precisa ter futuro.
Uma casa precisa valorizar.
Um livro precisa ensinar.
Uma conversa precisa gerar alguma coisa.
Até o descanso precisa servir para recuperar alguém para o trabalho do dia seguinte.
Tudo precisa servir.
Talvez fosse por isso que aquela mulher incomodava tanto.
Ela estava ali fazendo uma coisa que não servia para nada.
Ou, pelo menos, não servia para aquilo que eles entendiam como vida.
Ela não estava vendendo nada.
Não estava aumentando patrimônio.
Não estava melhorando o currículo.
Não estava produzindo uma estatística.
Estava apenas dizendo alguma coisa que doía.
E talvez fosse justamente aí que estivesse a resistência.
A poesia não consertava o mundo.
Não pagava aluguel.
Não trocava o óleo do carro.
Não diminuía a fila do supermercado.
Não impedia que um idiota fosse eleito presidente de alguma coisa.
Mas resistia.
Resistia à ideia de que o ser humano pudesse ser reduzido ao que possui, ao que produz e ao que consegue provar.
Ela funcionava como metáfora daquilo que dá sentido à existência.
Não porque tivesse respostas.
Mas porque fazia perguntas que ninguém conseguia transformar em dinheiro.
Quem sou eu?
O que perdi?
Quem amei?
Quem ainda me ama?
Por que continuo aqui?
Perguntas inconvenientes.
Nenhuma delas cabe numa planilha.
O grupo continuava rindo.
O homem do relógio começou a falar do carro novo.
A mulher ao lado dele mostrou fotografias de uma viagem.
Outro falou sobre investimentos.
Tinham muito.
Era evidente.
Talvez tivessem tudo.
E foi justamente isso que me incomodou.
Pareciam ter passado tanto tempo acumulando coisas que esqueceram de acumular alguma experiência que não pudesse ser fotografada.
Talvez confundissem ter com ser.
Eu não podia julgá-los.
Também tinha passado boa parte da vida fazendo coisas que não sabia se queria fazer.
Trabalhando.
Pagando.
Cumprindo.
Esperando.
Adiando.
A diferença talvez fosse apenas o tipo de mentira que cada um contava para continuar funcionando.
A mulher terminou o poema.
Algumas pessoas aplaudiram.
Poucas.
Ela agradeceu e desceu.
Passou perto de mim.
Por um instante, olhou para o meu copo.
Depois para mim.
Não disse nada.
Talvez não precisasse.
Pedi outra bebida.
Depois outra.
A noite avançou.
O grupo foi embora.
Um deles saiu falando ao telefone sobre uma reunião às oito da manhã.
A poesia havia terminado.
O dinheiro continuava funcionando.
O mundo tinha sobrevivido a mais uma noite.
Paguei a conta e saí.
O parque estava quase vazio.
Comecei a caminhar para casa.
A cidade parecia diferente sem as pessoas falando.
Os prédios eram apenas prédios.
As lojas estavam fechadas.
As vitrines continuavam iluminadas para ninguém.
Passei por um carro importado estacionado na rua.
Pensei no homem do relógio.
Ele provavelmente chegaria em casa, colocaria as chaves sobre uma mesa cara e dormiria numa cama confortável.
Talvez fosse feliz.
Eu não sabia.
E esse era o problema.
Ninguém sabe.
Passamos a vida tentando construir uma resposta com coisas que podem ser medidas.
Salário.
Cargo.
Casa.
Carro.
Viagens.
Seguidores.
Objetos.
Conquistas.
E, no fim, quando tudo isso fica em silêncio, sobra uma pergunta que não pode ser respondida por extrato bancário.
Você viveu?
Ou apenas funcionou?
Continuei andando.
Pensei novamente na mulher do pub.
Talvez poesia fosse isso.
Não um luxo.
Não uma distração para quem não tem problemas.
Mas uma espécie de resistência contra a vida automática.
Um pequeno defeito na máquina.
A recusa em aceitar que nascer, trabalhar, pagar contas, envelhecer e morrer seja uma biografia suficiente.
Talvez um poema seja apenas alguém dizendo: eu estive aqui.
Eu senti isso.
Eu perdi aquilo.
Eu amei alguém.
Eu tive medo.
Eu não entendi.
Mas estive aqui.
E talvez fosse isso que aquelas pessoas não compreendessem.
A poesia não precisava salvar ninguém.
Bastava impedir que alguém se transformasse completamente naquilo que o mundo queria que ele fosse.
Cheguei em casa.
Abri a porta.
Acendi a luz.
Meu gato apareceu no corredor.
Olhou para mim com aquela expressão de quem estava profundamente decepcionado com a minha pontualidade e com a espécie humana em geral.
Tinha fome.
Claro que tinha.
Coloquei comida no prato.
Ele comeu.
Depois passou pela minha perna e desapareceu.
Fiquei alguns segundos parado no meio da sala.
A casa estava silenciosa.
Não havia aplausos.
Não havia relógios caros.
Não havia gente discutindo patrimônio.
Não havia ninguém perguntando quanto eu ganhava ou o que eu possuía.
Havia apenas um gato, uma garrafa pela metade e eu.
E foi ali que entendi uma coisa bastante simples.
Talvez a poesia não sirva para nada.
Talvez nunca tenha servido.
Talvez esse seja justamente o seu valor.
Porque algumas coisas precisam existir sem prestar contas.
Uma música.
Um beijo.
Uma conversa inútil às três da manhã.
Um homem bebendo sozinho.
Uma mulher lendo seus versos para meia dúzia de desconhecidos.
Um gato esperando alguém voltar para casa.
Nada disso aumenta o patrimônio.
Nada disso melhora a produtividade.
Nada disso aparece no currículo.
Mas, quando tudo o que pode ser comprado, medido e contabilizado finalmente perde importância, são essas coisas que permanecem.
Fiquei olhando para o gato.
Ele me olhou de volta.
Nenhum dos dois tinha uma resposta.
Pela primeira vez naquela noite, isso não pareceu um problema.
Talvez viver seja justamente continuar fazendo coisas que não servem para nada e que, por alguma razão, fazem a existência valer alguma coisa.
Talvez seja por isso que ainda escrevemos.
Por isso que ainda ouvimos música.
Por isso que ainda amamos mesmo depois de descobrir que amar não oferece nenhuma garantia.
A poesia não existe para tornar a vida mais útil.
Existe para impedir que a vida se torne apenas útil.
E naquela noite, sozinho em casa, com um gato faminto andando pela sala e a cidade inteira funcionando do lado de fora, percebi que talvez essa fosse a única forma de resistência que ainda me interessava.
Continuar vivo.
Mas não apenas funcionando.
Caminho pela superfície fingindo que o sol, em seu contato pífio, não me queima; pois há muito caminhei pelas sombras.
Penso em você como penso em Deus,
às vezes, porém um pouco.
Porque não quero atrapalhar Deus.
E você eu não quero pensar muito
pra não te puxar de volta,
porque quando a gente pensa muito em alguém
o pensamento chama,
encosta,
move as coisas de lugar.
Tem gente que volta pelo sentimento,
outras pela saudade.
Você eu acho que voltaria pelo pensamento.
Então eu evito.
Às vezes ocupo a cabeça com rua,
ônibus, fumaça, moedas estrangeiras,
vitrines acesas em esquina vazia,
gente passando sem saber meu nome,
celular no bolso vibrando sem importância,
barulho de cidade que não espera resposta,
noite que não pede explicação,
qualquer coisa que faça o meu pensamento
não aprender novamente o caminho até você
E é isso, vou parar por aqui,
vou até escrever sobre trajeto, fronteira,
ou qualquer outra coisa que não me remeta a você
pra não me contradizer de novo —
como quem risca o próprio mapa
pra não reconhecer a estrada.
Vamos manter essa fronteira invisível,
ainda que estejamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo —
como duas margens do mesmo silêncio
que nunca se encostam, mas se reconhecem de longe.
Você em cima no céu,
eu embaixo no inferno,
(um inferno que não é de Dante,
só de quem aprendeu a nomear distância como lugar)
Pensar diferente não significa ser preconceituoso; ter liberdade de opinião é relevante e não sinal de preconceito.
“O passado não morreu. Ele apenas mudou de lugar: agora mora dentro de nós.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Eu desconfio das almas que nunca conheceram a própria escuridão; talvez elas ainda não tenham descoberto a profundidade da própria luz.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Há noites em que o coração conversa com a lua porque já não encontra linguagem entre os homens.”
— Juliana Hoffmann Liska
“A poesia não nasce quando encontramos palavras bonitas; nasce quando encontramos coragem para dizer aquilo que escondíamos de nós mesmos.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Às vezes, crescer é descobrir que algumas despedidas não foram perdas, mas libertações que doeram.”
— Juliana Hoffmann Liska
“Não somos apenas aquilo que vivemos; somos também aquilo que conseguimos fazer com o que vivemos.”
— Juliana Hoffmann Liska
Ser forte não significa nunca ter medo, incertezas ou momentos de dúvida. Ser forte é olhar para as próprias vulnerabilidades, reconhecer suas marcas e, mesmo assim, escolher caminhar com integridade e honestidade. O respeito mais valioso que você pode conquistar na vida não é o aplauso dos outros, mas aquele momento em que você se olha no espelho e sente orgulho da pessoa que se tornou.Siga firme,respeitando o seu próprio tempo. A caminhada é sua e cada passo conta...
*Bora pra cima*
"O valor não é uma lei do universo. É uma ferramenta social — uma régua que inventamos para medir os outros. O paradoxo terrível? Foi essa invenção arbitrária que nos convenceu de que precisamos ser medidos para existir."
O passado não se lamenta, se usa. Nada mais posso fazer para mudar o que foi, mas se não posso agir pelo meu 'eu' de ontem, posso criar pelo meu 'eu' de amanhã. Sou, inevitavelmente, o passado de alguém que está por vir. Que o meu 'eu' do futuro olhe para o dia de hoje e encontre em mim o conteúdo para a sua felicidade."
