So Nao Muda de Ideias que Nao as tem
Ah, quem me dera ser o verso que a fascina!
Só tive tempo o bastante para guardar seu sorriso na memória,
somente o toque etéreo das possibilidades.
Apenas um poeta, um cigarro e um céu estrelado,
palavras brilhando por um instante, perdendo-se na vastidão, como as estrelas.
Escrevo, na esperança de que alcancem alguém,
ou, na melhor das hipóteses, a mim mesmo.
Mas, no fim, são apenas palavras, palavras, palavras…
A fumaça se dissipa, e eu me pergunto: algum verso escapou?
Eu até poderia tentar rimar, mas hoje só quero escrever. Talvez seja uma forma de tentar entender.
Pensei em nós dois, o que me parece engraçado. Já faz tanto tempo, e, hoje, "nós" já não faz sentido em nenhum lado. E pensar que, anos atrás, era tudo o que importava.
Acho que é isso que me inquieta. O fim, talvez, nem seja o problema, mas o fato de eu ter te afastado, sempre que tive a chance. Promessas vazias, palavras ditas em vão... Talvez dizer que nunca partiria não tenha sido a melhor decisão. Porque tudo tem um fim, tudo precisa de uma conclusão.
O que quero dizer é que a jornada importa, e só agora percebo isso com clareza. Engraçado, não é? A gente só entende quando tem algo a comparar, mas perde o processo no caminhar. Se soubesse o que sei agora, talvez nunca tivesse deixado você partir. Mas, se não tivesse te deixado ir, talvez não entendesse o quanto você foi importante para mim naquele curto momento.
Me sinto como se estivesse no espaço, longe da Terra, sozinho com meus pensamentos. Eles me consomem, mas me fazem enxergar o que aconteceu. Só que, por mais que eu grite, o que volta é apenas o silêncio, sem solução.
Agora, sou apenas um observador, sem você aqui. Observo o tempo que passa, o que um dia foi e já não é. Sinto que essa jornada me leva de volta ao começo, onde tudo começou. E eu lembro bem daquele dia.
Garota... Eu só precisava ter estado ali, com o mesmo sentimento de quando te conheci. Aquela primeira vez, aquele momento... Talvez fosse o suficiente para te manter aqui. Ou talvez não. Nunca vou saber...
Estou voltando ao início, e espero que, quando chegar lá, eu entenda mais do que sei agora. Que essa jornada me revele algo novo.
Nunca tinha parado para pensar no real significado daquele pedaço dobrado de papel. Outrora era só mais uma folha em branco, guardada junto a outras 500 iguais em um pacote.
Não entendia o que ele representava quando o ganhei de uma pessoa especial e continuei sem o entender quando o queimei junto a outras lembranças de um passado não tão distante que, apesar de sombrio, guardava em uma parte especial da mente.
Pedaço esse que tinha a forma de um coração, dobrado uma parte de cada vez, construído assim como se constrói o amor.
Hoje, escrevendo essa carta, me pego a imaginar no que pensava enquanto o dobrava, o que sentia? É um exercício inútil de mais para me aprofundar, pois existem tantas possibilidades que não caberiam em uma carta e nem se quer em um livro de mil páginas. Mas se eu fosse resumir, acho que amor.
Tu me deste em minhas mãos o fruto de um sentimento, eu o guardei por tanto tempo, por tantos invernos onde podia sentir a gélida mão da solidão pesar sobre meu peito, guardei até mesmo depois de não fazer mais sentido algum tê-lo em minha posse.
Nunca entendi o significado daquele papel dobrado.
Lembro-me que por cima de tantas dobras, havia ali uma flor que também nunca soube identificar, mas apesar disso, me pego pensando em como foi colher no jardim. Penso até no real propósito disso! Poderia apenas ter me dado aquela dobradura que eu iria amar de todo modo, mas para você não foi o suficiente, desceu as escadas de casa, andou por algum jardim e escolheu uma flor, uma única e específica flor! Por que aquela? E não outra qualquer?
Enfim, já disse para mim mesmo que não posso pensar de mais nessas coisas, pois eu vou longe, tudo o que eu preciso agora é de manter os pés no chão e o mais importante: a cabeça no lugar.
Nunca entendi o significado daquele papel dobrado, mas se eu me permito imaginar, posso então lembrar de todas às vezes que me olhou e sem dizer nada eu sabia que tudo o que queria, era poder amar.
Amor… Esse que se foi com o vento, levado sem dó pelo tempo.
Amor era o que aquele pedaço de papel representava.
Ode a Paulo Victor
Ah o amor...
Ele nos devasta
Mas, também nos recria
O amor tem diversas facetas
E a maior delas
É a de se doar
Doar, no amor, é receber
Talvez, esta não seja uma lógica racional
Mas, quem disse
Que o Amor segue uma razão própria?
Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato
Ele tem medo de quem ele ama se afastar...
Sente que essa pessoa se afasta aos poucos;
Pode ser a paranoia de um homem apaixonado;
Ou só o medo de um garoto ferido pelo passado;
Só sei que essa ansiedade o mata aos poucos;
Mas no fim ele espera que sempre seja só ansiedade...
Cometi o erro de abraçar fantasmas,
aquele tipo de abraço que sufoca a alma.
Pedi perdão ao tempo, por nunca o ter deixado partir,
por prendê-lo demais, assim como prendo a fumaça do cigarro em meu pulmão, êxtase.
Vivi em um labirinto de memórias, onde cada curva me levava ao mesmo ponto: o que poderia ter sido? Corredores vazios, sussurros do passado.
Se soubesse antes o que sei agora, teria feito do amanhã o meu refúgio, a certeza da incerteza, cada novo dia uma forma diferente de ver as coisas, sem pressão, sem arrependimentos.
Mas aqui estou, um pouco mais cansado, um pouco mais sábio, e percebo, enfim, que o passado é um livro já lido, e o futuro, ah, o futuro é a página em branco onde eu posso finalmente escrever minha história.
Soltar a fumaça presa no pulmão, me libertar dessa ilusão.
Eu não me arrependo de nada do que já fiz. Nunca passou por minha cabeça qualquer tipo de arrependimento.
Eu também não voltaria ao passado para fazer diferente. Acho tremenda tolice. Isso me anularia, eu deixaria de ser a pessoa que sou hoje.
Eu não quero mudar o passado, tampouco o que já fiz. O que eu posso mudar é o meu presente a partir das experiências e aprendizados que o passado me proporcionou.
Eu não quero olhar para trás e pensar que alguma mágoa ficou, que alguma dor ficou, que alguma alegria deixou de ser vivida, que a felicidade deixou de fazer morada em mim.
Eu olho com um olhar de ternura, de afeto, de autoperdão por eu ter feito o meu melhor, ter dado o meu melhor dentro das minhas condições e limitações humanas e subjetivas.
O que sou hoje, é fruto de um passado que foi bastante produtivo na minha existência. O que me resta é seguir adiante com a cabeça erguida e olhando para o futuro, mas com os pés no presente.
Eu vivo o hoje e, do hoje, eu quero carregar o passado comigo, o carrego com ar de leveza e com um eterno sentimento de gratidão e ternura ao que ele me proporcionou.
Eu agradeço ao que vivi,
Eu agradeço ao que vivo,
Eu agradeço ao que hei de viver.
Eu te perdoo
Eu me perdoo
E diante do perdão
Eu te libero
Para eu também me liberar
Gratidão!
Contato humano.
Nossa primeira forma de comunicação.
Segurança, proteção e conforto... tudo isso no suave toque de um dedo. Ou de lábios encostando numa bochecha.
Ele nos conecta quando estamos felizes, nos dá apoio quando temos medo... desperta sentimentos de paixão... e amor.
Precisamos ser tocados por quem amamos quase como precisamos do ar pra respirar. Mas eu só percebi a importância do toque... Do toque dele... depois que perdi.
Entao, se estiver vendo isso, e for possível... toque nele. toque nela.
A vida é curta demais para desperdiçar um segundo.
DA PRIMEIRA VEZ ELA CHOROU....
...mas resolveu ficar.
É que os momentos felizes tinham deixado raízes no seu penar.
Depois perdeu a esperança, porque o perdão também cansa de perdoar.
Pelas poesias que vi,
Pelos sonhos que sonhei,
Pelas coisas que curti,
Pelos homens que amei.
Pelo que dei e perdi,
Por ti e por quem nem sei,
Por tudo até agoraqui,
O que sofri e cantei.
Pelo sim e pelo não,
A vida não é em vão!
