So Farao com Voce aquilo que Voce Permitir
"O ser humano só procura os semelhantes pela necessidade de validação e pertencimento. Se tirarmos isso, somos completamente alheios."
Dicionário incompleto
Em português se diz: eu te amo.
Em poesia se diz: minha boca só sabe rezar o teu nome quando tenta dizer qualquer outra coisa.
E eu tentei traduzir isso pro silêncio,
mas o silêncio me devolveu tua voz.
Tentei escrever em outras peles,
mas meu dedo só desenha o mapa
de como chegar na tua cicatriz.
Eu te amo é pouco, é raso, é dicionário.
O que eu sinto é verbo que não conjuga sozinho.
É porta que range só quando cê encosta,
é chá que só esquenta se for dividido.
Então eu guardo esse "eu te amo" na gaveta,
junto com as cartas que nunca mandei.
Porque poesia não manda recado,
poesia sangra baixo,
e espera que você escute o barulho
do meu peito batendo teu nome.
Solta o fardo, apaga a luz,
deixa de lado o que te conduz.
A vida não é só conta e medida,
é o pulsar da alma, a paz permitida.
Não se cobre tanto, não se exija o mar,
basta o silêncio de apenas estar.
Muitas coisas são complicadas, mas lembre-se muito bem disso: amar quem não merece ser amado só faz você não amar quem merece ser amado.
Só quem porta sensibilidade consegue observar pelo olho mágico da vida o sentimento alheio, capaz de tocá-lo.
Vivo o hoje como se fosse eterno porque penso que o amanhã pode não acontecer. Orgulho e soberba só nos leva ao arrependimento. Meu coração é meu guia.
Saiba observar as águas. Águas límpidas são transparentes, águas sujas são águas paradas. Só a fonte de água viva que renova e purifica com amor e verdade. Não se pode saciar a sede da alma em fontes de águas paradas.
Quem disse que o amor não é visto que ele é só sentido cometeu um grande equívoco.
Amor se vê nas ações, na reciprocidade e no que se prioriza.
SÓ QUEM ENTROU LÁ
Um som indigente
Fez-me o espio.
Resquício afluente.
Na cena, o frio:
Trovoada.
A janela estilhaçada.
O vento na cortina
Debatendo-se no teto.
Respingada.
Cortina enroscada.
No ventilador
De madeira
Inquieto.
Como fechar
A janela
Estraçalhada?
Como findar
Balbúrdia?
Como cessar
O giro
A cerrada?
Com cacos
Nessa estapafúrdia?
O linho prestes
A ser desfeito
Temo que
Nem pausa
Possa dar jeito.
Vou de fininho.
Dedo-Interruptor.
A madeira no chão
Foi-se ventila(dor).
E ao encarar todo
Aquele estrago
O sol invade.
Um caco no pé
E também um afago
Que muito me arde.
Ao menos a obra
De arte solta
Não foi levada
Junto.
Ao menos a chuva
Inda que revolta
Não poderia
Alcançar o
Conjunto.
Ao menos, oras,
A carta do vô
Repousada na escrivaninha
Nada nunca nem triscou
Porque é trancada na outra
Salinha.
A água abafada pode até ferir
O vidro, sacada, o sofá do repouso
Só que a raiz, espalhada em jardim
Não voa com vento nem mesmo teimoso.
E pela janela nem mesmo sol sabe
Coisa que só onde des(pensa) vive
Semente rara, caso tudo desabe
Ela faria o que se revive.
Um som indigente
Fez-me o espio
Levanto crente
Desse desvio.
E quando levo corpo à checagem
Janela intacta, cortina a dormir.
No ventilador, apenas bobagem
Quebrado, caído, me ponho a sorrir.
Um pingo de raio se coloca pela fresta
E vejo a verdade do sonho horroroso.
Barulho parece pior, se infesta.
Esquecer do resto da casa é que é
Perigoso.
(Vanessa Brunt)
“A prosperidade não é só riqueza”.
A riqueza, em sua natureza intrínseca, constitui dom especialíssimo,
atributo que dimana do Altíssimo, conferido a alguns segundo Sua soberana vontade;
talento e recurso que, embora legítimos, não asseguram por si só a eternidade,
pois se limitam ao campo material e transitório da existência terrena.
Diversamente, a prosperidade se reveste da condição de verdadeira bênção,
porque se estende a todos quantos depositam sua confiança no Deus vivo.
Não se restringe a cifras, patrimônios ou títulos de crédito,
mas se manifesta em paz de espírito, em saúde preservada,
em família edificada com dignidade e em fé que sustenta a jornada diária.
Cumpre reconhecer que o homem rico, ainda que cercado de tesouros,
pode revelar-se pobre de sentido, carente de substância na alma,
enquanto o próspero, mesmo em meio às adversidades, floresce e subsiste,
porque amparado está na força que do Alto provém,
e sua vida se firma perenemente na graça divina.
Assim, proclama-se: a riqueza é dom, privilégio que pode converter-se em vaidade;
já a prosperidade é bênção inalienável, direção segura
e fundamento espiritual da existência.
Se o dom é recurso eventual, que Deus soberanamente reparte,
a bênção é graça contínua, que jamais permite faltar
o necessário à vida, ao coração e à eternidade.
Ambos procedem de Deus, o que ratifica a existência de realidades diversas:
há o rico pobre e o pobre rico, assim como há o rico verdadeiramente rico
e o pobre que permanece pobre.
O que, em essência, distingue cada um não é a soma dos bens,
mas o caráter, a fé e a dignidade que sustentam a alma diante de Deus.
H.A.A
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