So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
A ciência não transforma perguntas religiosas em perguntas científicas; transforma aquilo que é testável em objeto de investigação. O agnosticismo pergunta pelo restante.
O tempo passa depressa demais. Às vezes, é preciso parar e olhar ao redor para não perder aquilo que o tempo leva consigo.
Como deve o Estado constitucional tratar aquilo que a ciência não pode provar, a religião afirma pela fé e o Direito não pode transformar em verdade oficial?
A liberdade não é fazer tudo aquilo que desejamos; é não permitir que nossos desejos se convertam em senhores absolutos de nossa vontade.
O agnóstico não fecha a porta para o transcendente; apenas se recusa a declarar conhecido aquilo que a razão ainda não conseguiu atravessar.
Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.
A dúvida não é inimiga da inteligência; é o espaço respirável entre aquilo que pensamos e aquilo que podemos demonstrar.
Há batalhas em que vencer o adversário é fácil; difícil é não se tornar semelhante àquilo que combatemos.
O homem talvez não seja senhor do ser, mas seu mais inquieto guardião, condenado a escutar aquilo que jamais consegue possuir.
Não somos apenas aquilo que recebemos do mundo, mas também aquilo que, diante dele, decidimos fazer de nós mesmos.
O mundo não é apenas aquilo que concebemos intelectualmente, mas aquilo que tocamos, percebemos, sofremos e habitamos antes mesmo de podermos explicá-lo.
A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.
A inteligência incomoda porque não respeita fronteiras construídas pela autoridade entre aquilo que pode ser pensado e aquilo que deve permanecer acreditado.
A liberdade de expressão não protege apenas aquilo que pensamos; protege também aquilo que nossa inteligência ainda não aprendeu a pensar.
O mundo que conhecemos não chega à consciência em estado bruto; entre a realidade e aquilo que acreditamos ser realidade existe sempre a estrutura de nossa própria percepção.
O indivíduo pode escolher aquilo que deseja fazer, mas não escolhe livremente a origem de todos os desejos que determinam aquilo que pretende fazer.
A felicidade não é simplesmente aquilo que sentimos, mas aquilo que construímos quando uma vida inteira se orienta pela virtude.
Exigir dos outros aquilo que não somos capazes de exigir de nós mesmos é transformar a moral em instrumento de julgamento, e não de aperfeiçoamento.
