So aquilo que Nao nos Pertence e que nos Completa
“Nem tudo o que é legal é racional; e aquilo que não pode ser racionalmente defendido dificilmente pode ser moralmente justificado.”
Não aceites aquilo que te relatam como verdade jurídica; não aceites a tradição apenas por ser antiga; não aceites uma afirmação apenas porque está nos livros, na doutrina ou na jurisprudência; nem porque corresponde à tua convicção ou foi proferida por uma autoridade. Submete toda norma, argumento e decisão ao exame da razão, da Constituição e das provas. Sê, no Direito, uma lâmpada para ti mesmo.
O conhecimento não aumenta apenas aquilo que sabemos; aumenta também a dimensão daquilo que descobrimos não saber.
A prova não existe para confirmar aquilo em que acreditamos; existe para permitir que nossa crença seja corrigida.
A eficiência econômica não é critério suficiente para definir aquilo que uma sociedade deve considerar justo.
A reparação é mais profunda quando restaura aquilo que a punição, sozinha, não consegue reconstruir.
Uma Constituição é também um compromisso coletivo com aquilo que uma sociedade decidiu não permitir que o poder faça.
O agnóstico não escolhe entre Deus e o nada; escolhe não mentir sobre aquilo que não pode demonstrar.
A laicidade não é uma negação da fé; é uma limitação da autoridade estatal sobre aquilo que não pode demonstrar.
O Estado laico reconhece aquilo que a fé não pode exigir: o direito universal à dúvida e a legitimidade agnóstica de suspender o juízo diante do desconhecido.
No mercado da atenção, o bem mais precioso não é aquilo que possuímos, mas aquilo que ainda conseguimos decidir para onde olhar.
