Sinto o Vento na Janela
Dezembro começou se desfazendo, e como passa rápido. Olho pela janela e me vejo passar todos os dias, sinto as vezes que estou assistindo um filme desde que nasci ou aquela série que já devia ter terminado, mas por algum motivo o diretor insiste nela. Ah, e esse diretor também sou eu que muitas vezes se perde em seu roteiro, muitas vezes exige demais, muitas vezes esquece de cuidar. É engraçado que nessa janela nada posso fazer, porque longe demais estou para assumir o papel ou eu tenha medo de chegar perto e descobrir que sou quem não queria ser. Então, fico aqui só a imaginar. Então, fico aqui. Então, fico.
Ah, a saudade...
me bateu à porta, eu fingi viagem...
Ela, teimosa e sorrateira, pulou a janela.
Estamos aqui, ela e eu, num abraço apertado, pensando em você...
Acordei cedo de uma noite que não dormi
Abri a janela para espantar os ruídos do amanhecer
Pensando em enxergar monstros, respirei o ar que a muito não respirava ,
descobri as manhãs que não vivi
Bom dia!
Hoje acordei com som dos pássaros na janela do meu quarto, eram 4:55 am. Mas o dia estava clareando. Então me levantei, pois me deu uma vontade de aproveitar o dia; fui ao quarto de minha filha e fiz e dei-lhe um beijinho...Me lembrei daqueles que se foram, e me deu vontade de abraça-los, mas não pude. Quantas vezes jogamos fora todos os dias essa oportunidade de demonstrar o carinho que sentimos pelo outro, Simplesmente por achar que ele (ela) sempre estará ali? Isso é um grande erro!
Então comecei a arrumar a casa, lavei um restinho de louça que estava na pia, fui a padaria e no caminho eu agradeci a Deus por mais um dia, voltei pra casa e preparei meu café, me sentei na varanda e aqui estou escrevendo este texto, sentindo saudades dos que se foram sem se despedir...Percebi que não sou mais adolescente, e que o tempo está passando muito rápido, e como está!
Eu sei que o tempo não pode voltar, mas todos nós gostaríamos que isso acontecesse, pra concertarmos algum erro, ou até mesmo dizer algo que deixamos de falar para um pessoa especial que se foi...Mas o tempo de fazer isso é o agora, o hoje; aprendemos com nossos erros e nos tornamos melhores que no passado...quem não aprende essa lição, não sabe como dói a saudade!
Ame hoje, abrace hoje, beije hoje...Seu(a) companheiro, seus filhos (as) , seu primo, seu amigo...faça isso hoje, pois o amanhã é uma página em branco, e o passado como rascunhos borrados em páginas amareladas com o tempo, o que passou, passou!
Eu sou
Sou a estrela -do -mar ou o mar das estrelas....
A moça da torre, na janela vendo o domingo passar.
E quem será ela?
E o domingo passa com as donzelas
nuas nas ruas e com as feias em trajes ultrajes.
Eu sou. E o que sou nunca vais saber.
Eu sou sua gota sorvida às margens,
as margens da vida, do seu próprio morrer.
Eu sou a estrela -do- mar ou o mar das estrelas.
Ensinar não é apenas sobre transferir saber, mas sobre abrir a janela do sonhar e fazer com que o aluno viage o mundo, sem que saia do lugar.
Pela janela surge o amanhecer de um dia frio e o café pronto para aprontar a subida da Serra a encontrar o céu e deitar em nuvens!
Tem dias que acordamos nublados
Abri a janela da alma
Vi tempestade em mim
Vi tudo se imergir em lágrimas
Senti minha essência partir
Tem dias q o sol não nasce e tem apenas tempestade
Tem dias que a chuva cai
Deixando a tristeza e suas peculiaridades
Tem dias que o poema triste começa a fazer sentido
Tem dias que minha cama quente parece o melhor abrigo.
Naquele dia, o aroma estava diferente dos demais.
O sol podia ser notado por detrás da janela,
os pássaros, o vento e tudo o que era captado pela visão não era mais visto, era apreciado!
Naquele dia as vozes eram claras e doces, a gravidade era nula e seus pés não tocavam o chão, estava elevada.
Naquele dia tudo era graça, manhã, tarde, noite... os momentos não mais passageiros, agora, imortais.
O bálsamo era pura resiliência e, antes de encontrar qualquer âmago... ela havia encontrado a sua essência, no lugar mais secreto do mundo, dentro de si.
INCONSTANTE
Dia nublado
É um dia inconstante
Para quem não decidiu
Abrir a janela
Para receber o sol da vida
Da janela
Meu mundo de sonhos
Em meu corpo
Dedos teus
Toca-me
E me faz mulher
Pura
Demônio !
29/11/2019
RONDA SILENCIOSA
Solidão cerrada, aquietada, escura
Afora a janela, o cerrado tão calado
Na imensidade do céu não fulgura
Um só brado, um ermo imaculado
Cá dentro, a mudez flébil murmura
E a melancolia no vento é fustigado
Escoriando a alma, áspera candura
Em um rasgar do silêncio denodado
Ecoa surdamente sôfrega bofetada
De escora frouxa, completamente
Aflando ali a apertura tão abafada
E, a letargia, assim, vorazmente
Faz tácitos claustros de morada
Em ronda silenciosa, lentamente
© Luciano Spagnol- poeta do cerrado
Cerrado goiano, 5 de dezembro, 2019
Olavobilaquiando
Abra a janela do coração.
Jogue fora a tristeza
Abate o semblante
E torna embaçada a sua visão.
Deixa Deus fazer tudo novo
É um novo dia
Experimente descortinar a alma
E entoar ao Senhor uma nova canção.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
evangelista da silva
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Um garoto maltrapilho entregue a desordem
Adotado pelo narcotraficante de alhures...
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Bêbado, vomitando e cheio de crack, - alucinado
Entregue às mãos podres dos desgraçados.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Acorrentado para nunca mais libertar-se dos algozes
Entrincheirados conduzem o nosso povo à desgraça.
Da janela de onde eu moro vejo o Brazil
Estuprado e condenado à prostituição faminto e só.
E assim, conduzido à tortura, certamente, morrerá.
Da janela de onde moro eu vejo o Brazil
Desmaiado sugam-lhe o sangue e vida
Na estúpida violência de roubar a nossa beleza e viver!
Bahia, 13 de maio de 2019.
às 19h 30min.
Lembrança de Infância
evangelista da silva
Aqui do alto à janela vejo o Uni(verso)
Encoberto de nimbus sobre a minha cabeça
A desfazer-se em chuvas, e choros e gemidos.
Ainda ontem, e faz muito tempo...
Eu sentia este ventinho frio e a cara do tempo nublada,
Cheia de solidão. Mas eu, somente eu, era amado e...
Ao lado da minha avó sentia-me amparado
E forte, e consolado, e cheio de calor...
O amor tudo pode. Assim foi o meu tempo de menino.
Recordar é a maior das razões de viver...
Faz dezenas de anos que não revivo cena tão igual.
Estou no passado ao lado da minha avó esperando a hora de dormir...
Como hoje uma lâmpada acende, não é preciso apagar o candeeiro...
Já não tenho mais a coragem de encarar a luz,
Visto que a minha avó já não dorme ao meu lado.
Santo Antônio de Jesus, 03/12/2018.
Às 18h 12min
Eu e nós outros
evangelista da silva
Recolho-me!......
Da janela vejo o silêncio mórbido das ruas.
Encontro-me frente a frente à tv.
Observo o carnaval.
Um surto psicótico explode!...
E as almas decaídas aprisionam os possessos
Endiabrando os corpos em estereótipos catatônicos
Que são conduzidos aos infernos.
É carnaval!...
A maioria dos mortais se desequilibram
Enquanto atentos outros usurpam o transe infernal.
E tudo acontece nesse instante:
Cenas macabras desfilam em sangue e mortes... Dessa forma a infelicidade aumenta:
Torturas, toxicodependência, e melancolia.
É carnaval!...
Das prisões às avenidas
Favelas e nobres bairros...
É um urro agonizante de desrealizações.
E, nesta fúria satânica e neutralizante,
Onde tudo se confunde,
Vê-se alegorias, fantasias, arte, circo e palhaçadas!...
Religião, zoada e perturbação musical.
Sim, é carnaval!...
Nesses instantes esquizofrênicos
Ninguém para nada serve
A não ser para lambuzar-se em merda.
Vai-se indo mais um carnaval!...
E neste frenesi torporizado
Entre o real e o imaginário,
Os manipuladores da emoção
Deformam a realidade.
Vendem felicidade e beleza.
Pregam em tudo, pureza e simplicidade
Enquanto a turba agitada e enlouquecida
Agita-se em movimentos bruscos
Ouvindo um som que vem dos infernos
Criando a sinfonia perturbadora das notas musicais.
Santo Antônio de Jesus, 27 de fevereiro de 2017.
Às 16h 03min.
